Fort of Nossa Senhora da Boa Viagem

Lisboa, Lisboa - Portugal

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O "Forte de Nossa Senhora da Boa Viagem" localizava-se na margem direita do rio Tejo, na atual freguesia de União das Freguesias de Algés, Linda-a-Velha e Cruz Quebrada/Dafundo, concelho de Oeiras, distrito de Lisboa, em Portugal.

Foi edificado no contexto da Guerra da Restauração da independência portuguesa (1640-1668), integrando a 1.ª linha de fortificações da barra do Tejo, que se estendia do cabo da Roca até à Torre de Belém para defesa da cidade de Lisboa. Situava-se no extremo sul do Alto do Esteiro, no Monte da Boa Viagem, em terrenos hoje integrados no Estádio Nacional.

História

Antecedentes: a devoção à Senhora da Boa Viagem

A ocupação do local remonta à aquisição dos terrenos e casas de adobe no sítio chamado "Terras do Cano" ou “Cano do Mouro”, entre o "Alto do Esteiro" e o "Alto do Reduto Sul" do Forte de Caxias (Forte de D. Luís I), por doação testamentária de António Faleiro de Abreu em 1618. Esta propriedade destinava-se a albergar os frades arrábicos (Franciscanos da Serra da Arrábida) oriundos do Convento de Santa Catarina de Ribamar, então em ruínas.

Inicialmente este novo convento chamou-se também de “Convento de Santa Catarina de Ribamar”, mas mais tarde, quando o conde de Miranda fez reconstruir o primitivo Convento de Ribamar, tendo alguns frades a ele regressado com a imagem da padroeira, a imagem de Nossa Senhora da Boa Viagem, mantida num nicho sobre a capela-mor, foi colocada no lugar principal do altar, passando o convento à invocação de Nossa Senhora da Boa Viagem.

A imagem foi descrita por Henrique Marques: “He de primorosa e excelente escultura, tem o Menino Deus sobre o braço esquerdo e na mão direita hum navio, como geroglyfico do título que logra (...).” (aupd MONTEIRO, Gilberto. “O Sítio da Cruz-Quebrada - Nótulas de Micro-História”, separata de “O Fermento”, 1964.)

Embora nos seus primeiros tempos, este novo convento e a sua padroeira tenham suscitado a devoção dos pescadores, que acorriam ao Alto da Boa Viagem em romarias, procissões e peregrinações, com o tempo a Senhora da Boa Viagem passou a ser a protetora das senhoras da nobreza e da Corte a braços com as dificuldades do parto. Desse modo, o modesto Convento da Boa Viagem veio a receber oferendas de grande valor.

O Forte Seiscentista

Foi erguido por determinação do Conselho de Guerra de João IV de Portugal (1640-1656), sob a supervisão do Governador das Armas da Praça de Cascais, D. António Luís de Meneses (1642-1675), 3° conde de Cantanhede.

As suas obras foram iniciadas em 1649, tendo ficado artilhado com 4 peças de ferro.

Ao longo de sua existência terá sido reparado diversas vezes.

O relatório da inspeção de 1798 considerou que o edifício estava em ruínas e ao abandono. Decidiu-se assim que a sua reparação era inútil por se considerar que a sua altitude não permitia que contribuísse para a defesa costeira.

Em 1818 existiam no local algumas edificações em ruínas, algumas casas isoladas e a casa senhorial do conde de Vila Flor. Não se sabe qual dos condes terá mandado erguer esta casa, acreditando-se que se deva ao 1.º conde de Vila Flor, companheiro de armas do 3.º conde de Cantanhede, ou ao 4.º conde de Vila Flor, referido numa lápide colocada no alpendre da atual Capela da Nossa Senhora da Boa Viagem, que reza:

PN AM Pl as Almas / Exmo. Sr. Conde de Vila Flor mandou / faser esta hermida de N.ª S.ª do Populo / em agradecimento de hum milagre / que lhe fes de o livrar de huma / enfermidade que padecia concorrendo / o grande zelo e trabalho do Irmão / Fr. Bras de Jesus M.ª religioso leigo / desta Província, natural da Ilha / de S. Miguel o qual muito amor / que sempre lhe teve a esta imagem lhe / acestiu athe o fim desta sua obra / na era de 1734.

Com a extinção das Ordens Religiosas no país (1834), os bens do Convento de Nossa Senhora da Boa Viagem foram confiscados e posteriormente vendidos a Faustino da Gama, par do Reino. Os edifícios foram ampliados e transformados em estância de veraneio, constituindo a Vila da Boa Viagem.

A condessa de Silva Sanches, sucessora de Faustino da Gama e residente na Vila da Boa Viagem, imprimiu uma grande dinâmica a esta Vila, tendo aqui passados férias pessoas de grande renome.

Na década de 1930, a condessa vendeu todos os bens a Fausto Figueiredo, que ficou conhecido como o empresário do Casino Estoril e do Caminho de Ferro e que depois veio também, a seu turno, a vender este património.

Em 1940, o Estado expropriou 1/3 terço da área, que ficou integrada no Estádio Nacional, ficando os restantes 2/3 nas mãos de um particular, sendo depois integrados na freguesia de Caxias. Estes últimos são hoje conhecidos por “Alto da Boa Viagem” ou por terrenos da “Casa de Chá” e ficam no vale a sul do Hospital-Prisão de Caxias. Ainda se podem ver alguns restos da antiga cerca onde se cultivava a horta e o pomar, com nora, tanque, aqueduto, etc.

A atual Capela de Nossa Senhora da Boa Viagem foi construída na década de 1940, por ocasião da construção do Estádio Nacional, nas cercanias do local onde se encontravam os restos do antigo convento, do Forte de Nossa Senhora da Boa Viagem e das casas próximas, entre as quais se encontrava a casa do conde de Vila Flor.

Foi restaurada em 2006 através de uma parceria entre a Junta de Freguesia da Cruz Quebrada/Dafundo e a Câmara Municipal de Oeiras. Encontra-se classificada como Imóvel de Interesse Municipal de acordo com o Edital n.º 184/2004, publicado no Diário da República n.º 67, II.ª Série, de 19 de março.



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Contribution

Updated at 11/07/2014 by the tutor Carlos Luís M. C. da Cruz.

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  • Fort of Nossa Senhora da Boa Viagem


  • Fort

  • 1649 (AC)



  • John IV of Portugal

  • Portugal


  • Missing

  • Monument with no legal protection





  • Disappeared

  • ,00 m2

  • Continent : Europe
    Country : Portugal
    State/Province: Lisboa
    City: Lisboa



  • Lat: 38 -43' 56''N | Lon: 9 15' 32''W




  • 1649: 4 peças antecarga, de alma lisa.






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