Fort of Santa Catarina

Lajes do Pico, Autonomous Region of Azores - Portugal

Search for fortification's images

Date 1 Date 2

Medias (17)

Images (17)

O “Forte de Santa Catarina”, também referido como “Castelo de Santa Catarina” (RIBEIRO, 1979:84) e “Castelo de Santo António”, (Pico/Açores: Guia do Património Cultural. s.l.: Atlantic View - Actividades Turísticas, Lda, 2002. p. 53.) localiza-se na freguesia e concelho de Lajes do Pico, na ilha do Pico, na Região Autónoma dos Açores.

Constituiu-se em uma fortificação destinada à defesa do ancoradouro de Lajes do Pico. É o único exemplar de arquitetura militar na ilha que subsistiu até aos nossos dias.

História

Sebastião I de Portugal (1557-1578) em 15 de maio de 1574 determinou que, em todas as cidades, vilas e outros portos do mar do reino, houvesse à venda pólvora, chumbo e outras munições, e nelas se construíssem postos de vigia. (MACHADO, Lacerda. Os Capitães-mores das Lajes, apud ÁVILA, 1993:162) Esses postos tinham como função dar aviso às populações da aproximação de embarcações de corsários e piratas, então em grande número nas águas açorianas, em busca do apresamento e saque das naus das Índias e do Brasil. Eram ainda frequentes os ataques às povoações litorâneas, em busca de víveres, riquezas e de escravos.

Na ilha do Pico, para guarnição desses postos de vigia, o Concelho das Lajes foi dividido em Companhias, como o atestam, por exemplo, na Freguesia de São João, a divisão em Companhia de Baixo e Companhia de Cima. (Op. cit.) Os comandos dessas Companhias eram atribuídos a oficiais de milícia, geralmente pessoas da nobreza ou notáveis por seus feitos, a cujos títulos ficavam vinculados (Op. cit.)

Nas Lajes do Pico existiram os postos de vigia da Lagoa, da Barra, do Calhau do Soldão e de Santa Catarina.

No contexto da Guerra da Sucessão Espanhola (1702-1714) encontra-se referido pelo marechal Castelo Branco na relação "Fortificações nos Açores existentes em 1710" como "O Forte de Santa Catharina sobre a Bahia". (Op. cit., p. 180)

No contexto da implantação da Capitania Geral dos Açores (1766) a "Revista aos Fortes das Ilhas do Faial e Pico", em 1769 dá conta:

"2.º Forte no porto da villa das Lages

Este Forte preciza fazer-se-lhe muro pela parte da terra, como se mostra na cor amarela, preciza plata formas pelas naó ter, e o seu quartel emmadeirado, e tilhado, cuja obra podera emportar 50$000.

Artilharia

Neste sitio se achaó oito peças de artilharia de ferro, todas encapazes de serviço; e para sua guarniçaó se lhe daó sete das que restaó em outros Fortes, e todas precisam ser montadas. (...)." (MACHADO, 1998:337)

No contexto da Revolução Francesa (1789), em cumprimento da ordem régia que determinava erguer fortificações em todas as ilhas como precaução contra os conflitos que então grassavam no continente europeu, em 1792, a norte da vila das Lajes do Pico, no local do primitivo posto de vigia à entrada do porto, deu-se início à construção de um forte de pequenas dimensões, com cerca de 22 por 34 metros. (ÁVILA, 1993:162) Em seus muros rasgavam-se 7 canhoneiras: 1 na muralha virada a sul, 1 na virada a norte e 5 voltadas a oeste, sobre o mar. Nos vértices voltados ao mar, erguiam-se 2 guaritas. No lado sul, adossado à muralha, erguia-se uma edificação com a função de Casa do Comando/Quartel de Tropa e Casa da Palamenta/Armazém de pólvora.

Para as suas obras, foi lançado um imposto de 3% sobre os géneros importados. (ÁVILA, 1993:162)

No ano de 1830 o concelho das Lajes possuía 19 Companhias de Ordenanças, (MACHADO, Lacerda. Os Capitães-mores das Lajes, apud ÁVILA, 1993:162) e os postos de vigia da Lagoa, da Barra, de Santa Catarina (onde havia sido edificado o forte), e do Calhau do Soldão. (Op. cit.) Os postos do Concelho, que constítuiam um Corpo de Ordenanças, foram extintos por Decreto, em 30 de abril de 1832. (Op. cit.)

A "Relação" do marechal de campo Júlio José Fernandes Basto, 1.º barão de Basto, comandante da 10.ª Divisão Militar (Açores), em 1862 refere-o e informa que "Tem um quartel arruinado", e que "As muralhas e parapeitos achão-se arruinados". A seu respeito observa ainda:

"Como obra defensiva pode desde já desprezar-se pela pouca importância militar que tem a Ilha; entretanto conviria que este forte fosse entregue á Camara Municipal da Villa para tratar da sua conservação como obra util para o Concelho, visto que os alojamentos tem servido, e podem servir de quartel a qualquer força militar que ali vá em serviço, e por ser este o ponto fortificado indicador do pôrto principal da Ilha." (Op. cit., p. 270)

Em 1885, as suas dependências passaram a abrigar um forno de cal e, junto à muralha norte, foi erguido um novo armazém para apoiar aquele forno. No mesmo ano foi requerido Alvará para a exploração dessa indústria. (ÁVILA, 1993:162)

O conjunto chegou ao final do século XX em ruínas, de que subsistiam apenas a torre de vigia, as canhoneiras e um barracão. Em seu interior encontravam-se os vestígios do forno de cal instalado no final do século XIX. ÁVILA (1993) registou que a sua antiga artilharia encontrava-se dispersa como apoios na área do varadouro das Lajes e na de varagem de canoas, baleeiras e barcos de pesca. (Op. cit., p. 163)

Encontra-se classificado como Imóvel de Interesse Público pelo Decreto n.º 95/78, de 12 de setembro, publicado no Diário da República, I Série, n.º 210.

Graças à doação da propriedade por parte dos herdeiros de Manoel da Rosa e Maria da Conceição Machado e Rosa, e dos de Luísa Amélia da Silveira, após intervenção de consolidação e restauro por iniciativa da Câmara Municipal das Lajes do Pico, o forte foi requalificado e reinaugurado em 26 de agosto de 2006. O espaço é composto por um posto municipal de informação turística, loja de produtos regionais e livraria, jardim público e miradouro, área de animação e espetáculos ao ar livre (anfiteatro), e instalações sanitárias.

Em 2011 o forte foi distinguido com o Prémio Nacional de Arquitectura Paisagista, na categoria de obra e subcategoria de Desenho Urbano. A premiação, organizada pelo jornal Arquitecturas, destacou o trabalho realizado pela empresa Arquitectos Paisagistas Associados Lda., que conta com a assinatura dos arquitetos Luís Cabral, Vasco Simões, Rui Pinto e Ana Teresa Robalo, e dos engenheiros Francisco Salpico, Nelson Capote e José Rosendo.

Características:

Exemplar de arquitetura militar, abaluartado.

De acordo com o desenho de MACHADO (1998) em 1769 apresentava planta no formato quadrangular, com 8 canhoneiras (6 no lado voltado ao mar, 1 em cada um dos lados voltados ao mar). No terrapleno, pelo lado de terra erguia-se a porta de armas e as dependências de serviço (casa de comando, quarteis de tropa, casa da palamenta). (Op. cit., p. 339)

Related bibliography 


 Print the Related bibliography



Related links 

62.228.99 Forte de Santa Catarina
Ficha do Forte de Santa Catarina no Inventário do Património Imóvel dos Açores,

http://www.inventario.iacultura.pt/pico/lajes_fichas/62_228_99.html
Fortificação - Ilha do Pico
Página do Instituto Histórico da Ilha Terceira (IHIT) com a bibliografia publicada no Boletim daquela instituição sobre as fortificações da ilha do Pico.

http://www.ihit.pt/new/fortes/pico.php

 Print the Related links

Contribution

Updated at 09/04/2015 by the tutor Carlos Luís M. C. da Cruz.

Contributions with medias: Carlos Luís M. C. da Cruz (17).


  • Fort of Santa Catarina

  • Castelo de Santa Catarina, Castelo de Santo António, Forte no porto da villa das Lages

  • Fort

  • 1792 (AC)




  • Portugal


  • Featureless and Well Conserved

  • National Protection
    Encontra-se classificado como Imóvel de Interesse Público pelo Decreto n.º 95/78, de 12 de setembro, publicado no Diário da República, I Série, n.º 210.





  • Tourist-cultural Center

  • ,00 m2

  • Continent : Europe
    Country : Portugal
    State/Province: Autonomous Region of Azores
    City: Lajes do Pico



  • Lat: 38 -25' 18''N | Lon: 28 16' 5''W




  • 1769: 8 peças antecarga, de alma lisa, de ferro, desmontadas e incapazes de serviço; 7 peças antecarga de alma lisa, de ferro desmontadas.






Print the contents


Register your email to receive news on this project


Fortalezas.org > Fortification > Fort of Santa Catarina