Fort of São Francisco

Chaves, Vila Real - Portugal

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O “Forte de São Francisco”, primitivamente referido como “Forte de Nossa Senhora do Rosário”, localiza-se na freguesia de Santa Maria Maior, na cidade e concelho de Chaves, distrito de Vila Real, em Portugal.

Em posição dominante na colina da Pedisqueira, vizinho ao rio Tâmega e à antiga ponte romana, tinha a função de defesa da cidade, na fronteira com a Galiza.

História

Antecedentes

Em 1629, o Capítulo Provincial da Ordem da Soledade de São Francisco, celebrado em Vila Viçosa, e presidido pelo padre Frei Bernardino da Serra, determinou procurar em Chaves o local para um novo convento, sendo escolhida uma colina fronteira à vila, o chamado Alto da Pedisqueira. Desse modo, em 1635 foi lançada a primeira pedra para a construção do convento, sob a invocação de Nossa Senhora do Rosário. Para a sua construção muito contribuiu o préstimo do seu patrono, o 8.º duque de Bragança, futuro João IV de Portugal (1640-1656).

O Forte de Nossa Senhora do Rosário

No contexto da Guerra da Restauração (1640-1668), reconhecendo-se a importância da posição estratégica da cidade, junto à fronteira, impôs-se a modernização das suas defesas medievais. Visando evitar que as colinas vizinhas fossem ocupadas por baterias de artilharia inimiga, estas posições foram guarnecidas.

Na colina da Pedisqueira, onde estava em construção o novo convento franciscano, optou-se por envolvê-lo com muralhas abaluartadas, transformando-o num forte.

Os trabalhos foram iniciados em 26 de maio de 1644, sendo Governador das Armas da Província de Trás-os-Montes D. João de Sousa da Silveira, quando foi assentada a primeira pedra do forte, sob a invocação de Nossa Senhora do Rosário. Em 1647 estava concluída a muralha do forte.

Em 1658 chegou a Chaves, como Governador das Armas da Província, D. Rodrigo de Castro, conde de Mesquitela.

Em 8 de fevereiro de 1663, sendo governador da Província Luís Alves de Távora, conde de São João, principia-se o complemento das obras de modernização das defesas de Chaves, com a construção de 3 baluartes e 2 meios baluartes, novos panos de muralha envolvendo-se os bairros que se haviam expandido extramuros medievais. A defesa fechava no Forte de Nossa Senhora do Rosário ou de São Francisco, e foi estendida à antiga ponte romana sobre o Tâmega, cujo acesso, na margem oposta, também foi fortificado, com a construção do Revelim da Madalena.

Pela ocupação dos terrenos no Alto da Pedisqueira, os franciscanos recebem indenização de 119$000 reis (1681) sendo-lhes deixado na muralha virada a leste um postigo que lhes permitia aceder à cerca vizinha, denominada "o olival".

Os séculos XVIII e XIX

No contexto da Guerra dos Sete Anos (1756-1763), um exército franco-espanhol de 40.000 homens sob o comando de Nicolás de Carvajal y Lancaster, marquês de Sarriá, invadiu Portugal (5 de maio de 1762) pela província de Trás-os-Montes, dando início à chamada “Guerra Fantástica”. Em sequência foram ocupadas Miranda do Douro (8 de maio), Bragança (16 de maio), Chaves (21 de maio) e Torre de Moncorvo. A praça de Chaves só seria devolvida com a assinatura do Tratado de Paz de Paris (10 de fevereiro de 1763). 

No início do século XIX, quando da Guerra Peninsular (1808-1814), Chaves e suas defesas não estavam mais em condições de defesa. Após diversos embates com as tropas napoleónicas sob o comando do Marechal Nicolas Jean de Dieu Soult, as tropas portuguesas, sob o comando do General Francisco da Silveira Pinto da Fonseca Teixeira, recuaram para pontos estratégicos, deixando a cidade com uma pequena guarnição sob o comando do Tenente-coronel Francisco Homem de Magalhães Quevedo Pizarro. Estas forças, assim como a de milicianos que enfrentou o inimigo, foi aprisionada e depois libertada. O Forte de São Francisco foi utilizado como quartel-general dos franceses na ocasião, e, nessa qualidade, foi alvo da contraofensiva do então brigadeiro Francisco da Silveira Pinto da Fonseca Teixeira. Após 6 dias de violentos combates, a guarnição francesa rendeu-se (25 de março de 1809), e Chaves foi libertada.

Em 1811 era governador do forte Vicente José Ferreira.

Informação de 6 de novembro de 1822 dá conta de que o terreno que se achava no Forte da Madalena, defronte do Quartel da 3.ª Companhia do Regimento de Cavalaria n.º 6, embora muito apropriado para horta daquele corpo, foi aplicado para logradouro público, por se julgar mais conveniente. À época ainda, face à construção de casas com pedra das muralhas, e à abertura de poços por vários particulares, o soberano ordenou, pela Secretaria de Estado dos Negócios da Guerra que o juiz de fora procedesse a averiguações. Em fevereiro de 1824 o Bacharel João Manuel Pimentel e Sousa obteve emprazado nos fossos do Forte da Madalena a que falsamente deu o nome de baldios.

No contexto da Guerra Civil Portuguesa (1828-1834), foi cenário de combates.

Em 1872 o forte apresentava os seus 4 baluartes mais bem conservados do que as obras da praça apresentavam.

Do século XX aos nossos dias

Quando da Proclamação da República Portuguesa (1910), o forte voltou a ser palco de confrontos.

O Forte de São Francisco conjuntamente com o Castelo de Chaves e restos da fortificação abaluartada na cidade e o Forte de São Neutel encontra-se classificado como Monumento Nacional pelo Decreto n.º 28.536, publicado no Diário do Governo, I Série, n.º 66, de 22 de março de 1938.

A intervenção do poder público, através da Direcção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais (DGEMN) registou-se a partir de 1957, quando lhe foram promovidas obras de conservação e restauro. Novas campanhas tiveram lugar de 1961 a 1966, procedendo-se ainda à demolição de casas adossadas. Os trabalhos foram retomados a partir de 1970.

Em 1974 registou-se a cedência do forte, a título precário, para instalar o Ciclo Preparatório de Chaves e para alojar 17 famílias de retornados das ex-colónias portuguesas em África.

A Câmara Municipal de Chaves, por ofício de 21 de dezembro de 1977, apresentou a pretensão de aquisição do forte. No ano seguinte (1978), a Câmara Municipal manifestou a sua concordância com a adaptação do Forte e Convento de São Francisco a Pousada (9 de fevereiro). Referia-se que num prazo de 2 anos as instalações ocupadas parcialmente com o Ciclo Preparatório e com os retornados das ex-colónias ficariam livres. Naquele mesmo ano era publicado despacho do então Secretário de Estado do Turismo, Licínio Cunha, para dar início ao estudo do projeto de adaptação do Forte de São Francisco a Pousada (5 de dezembro). Finalmente, em 19 de junho de 1979 regista-se pedido para o Exército dispensar o forte e os seus anexos para a instalação de uma pousada.

Em resposta a um alerta sobre o abandono a que estava votado o convento de São Francisco e sobre escavações clandestinas realizadas no seu interior, a DGEMN informou não prever realizar obras no conjunto dado aguardar a definição do destino a dar ao mesmo, sabendo-se que a Direção de Turismo se encontra interessada na sua recuperação (10 de agosto de 1982).

Finalmente, em 15 de dezembro de 1988, vem a público referência à instalação do Hotel de São Francisco, em Chaves, pela Sociedade Forte de São Francisco, Hotéis Lda. Na sequência o forte foi cedido a título precário à Câmara Municipal de Chaves (16 de janeiro de 1989).

Em 1994 tem lugar a instalação de uma unidade hoteleira no interior do forte e nas instalações do antigo convento e hospital militar, obra realizada pela Sociedade Forte de São Francisco, Hotéis, Lda., com projeto do arquiteto Eduardo Coimbra Brito e Pedro Jalles Ferreira. Os trabalhos de recuperação e adaptação estendem-se até 1997, sendo a pousada inaugurada em maio. Classificada com 4 estrelas, disponibiliza 53 quartos aos visitantes, bar e restaurante, quadra de tênis, piscina e sauna.

Características

Exemplar de arquitetura militar, seiscentista, de enquadramento urbano, adaptado ao declive do terreno, num outeiro aplanado denominado Alto da Pedisqueira, na parte norte da cidade. Implanta-se isolado, possuindo exteriormente a norte e a leste, amplos logradouros relvados e tendo a sul e a oeste praças. Junto à frente principal desenvolve-se na esplanada jardim formal, relvado e com buxos recortados, tendo 2 peças de artilharia no acesso ao portal principal do forte. No interior, ergue-se o Convento de São Francisco e os edifícios do antigo hospital militar, atualmente interligados e adaptados a Pousada. A sul ergue-se a Capela de Nossa Senhora da Lapa. Possui estrutura semelhante ao vizinho Forte de São Neutel, edificado no mesmo período, e integrava-se no sistema fortificado abaluartado da cidade de Chaves, onde fechavam as cortinas da praça de armas, constituindo como que um reduto.

Apresenta planta no formato de estrela regular, com quatro baluartes pentagonais destacados nos ângulos de um retângulo, com reparo de escarpa exterior em talude, reforçada parcialmente por sapata, em alvenaria de granito de aparelho irregular e em cantaria de aparelho regular nos cunhais, rematada por cordão e parapeito liso, com o topo em rampa, tendo nos ângulos flanqueados guaritas, circulares, em cantaria, assentes em mísulas circulares, rematadas por cornija e cobertas por domo.

O portal principal apresenta em arco de volta perfeita, flanqueado por pilares suportando segmento de frontão, encimado por espaldar, com escudo nacional e terminado em frontão interrompido, e guarita hexagonal, com coberta piramidal, precedido por ponte levadiça e com trânsito abobadado e seccionado por tripla porta.

De referir ainda o postigo disposto numa das fachadas laterais, para serviço dos frades do convento, de grande simplicidade, e o da frente oposta, que deverá ser muito recente e cuja construção interrompeu o reparo.

Entre as edificações no interior do forte destaca-se a antiga Capela de São Francisco, que abrigou por três séculos, até 1942, o túmulo de D. Afonso, 1.º duque de Bragança (quando foi transladado para o Paço dos Duques em Vila Viçosa, onde se encontra), restaurada e bem preservada.

Numa placa de bronze à direita do portal principal do forte existe uma inscrição que reza:

"NO DIA 25 DE MARÇO DE 1809 O GENERAL SILVEIRA, COM AS TROPAS E MILÍCIAS / TRANSMONTANAS DO SEU COMANDO, ASSALTOU E TOMOU A PRAÇA DE CHAVES, / GUARNECIDA POR TROPAS FRANCESAS DO EXÉRCITO DE SOULT, AS QUAIS, / REFUGIANDO-SE NESTE FORTE, FORAM OBRIGADAS A RENDER-SE À DISCRIÇÃO NO DIA / 25, APÓS RENHIDOS COMBATES NOS DIAS 21 A 24. / CELEBRANDO O FEITO NOS DIAS DO SEU 1º CENTENÁRIO, O MUNICÍPIO, O POVO / E A GUARNIÇÃO DE CHAVES DEDICAM ESTA LÁPIDE À MEMÓRIA DOS HERÓIS QUE / COMBATERAM PELA LIBERTAÇÃO DA PÁTRIA".



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Turismo Militar
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https://www.turismomilitar.gov.pt/

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Contribution

Updated at 31/07/2020 by the tutor Carlos Luís M. C. da Cruz.

Contributions with medias: Roberto Tonera (1), Carlos Luís M. C. da Cruz (2).


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    O Forte de São Francisco conjuntamente com o Castelo de Chaves e restos da fortificação abaluartada na cidade e o Forte de São Neutel encontra-se classificado como Monumento Nacional pelo Decreto n.º 28.536, publicado no Diário do Governo, I Série, n.º 66, de 22 de março de 1938.





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    State/Province: Vila Real
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