Fort of São Neutel

Chaves, Vila Real - Portugal

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O “Forte de São Neutel” localiza-se na freguesia de Santa Maria Maior, cidade e concelho de Chaves, distrito de Vila Real, em Portugal.

Complementava, numa colina a norte, a defesa proporcionada pelo castelo e pelo Forte de São Francisco à cidade de Chaves, na fronteira com a Galiza.

História

No contexto da Guerra da Restauração (1640-1668) tendo sido iniciadas em 1644 as obras do Forte de Nossa Senhora do Rosário ou de São Francisco, em 1658 chegou a Chaves o novo Governador das Armas da Província de Trás-os-Montes, D. Rodrigo de Castro, conde de Mesquitela. Prosseguindo a modernização da praça, entre 1658 e 1662 este oficial fez erguer novas muralhas na vila e o Revelim da Madalena, no lado oposto do rio Tâmega. Para complemento da defesa do Forte de São Francisco, numa colina a norte que lhe era padrasto, no chamado Alto da Trindade, fez escavar trincheiras e erguer uma estacada (1661). Na ocasião fez edificar naquele recinto uma ermida sob a invocação de Nossa Senhora das Brotas. Data deste período uma planta do recinto, de autoria de João Nunes Tinoco, no “Livro das Praças de Portugal” (1662).

A estacada de campanha, arruinada pelos elementos, foi reconstruída em pedra e cal, a partir de 1664 pelo seu sucessor no Governo das Armas, general Francisco Freire de Andrada e Sousa, tendo os trabalhos se estendido até 1668. Isolado do sistema defensivo de Chaves, que complementava, a sua estrutura é semelhante à do anterior, servindo como defesa avançada da cidade perante os ataques espanhóis.

Do final do século existe uma planta para a modificação das fortificações, de autoria de António Rodrigues Ribeiro (6 de janeiro de 1695).

Os séculos XVIII e XIX

No contexto da Guerra dos Sete Anos (1756-1763), um exército franco-espanhol de 40.000 homens sob o comando de Nicolás de Carvajal y Lancaster, marquês de Sarriá, invadiu Portugal (5 de maio de 1762) pela província de Trás-os-Montes, dando início à chamada “Guerra Fantástica”. Em sequência foram ocupadas Miranda do Douro (8 de maio), Bragança (16 de maio), Chaves (21 de maio) e Torre de Moncorvo. A praça de Chaves só seria devolvida com a assinatura do Tratado de Paz de Paris (10 de fevereiro de 1763). 

No início do século XIX, quando da Guerra Peninsular (1808-1814), Chaves e suas defesas não estavam mais em condições de defesa. Após diversos embates com as tropas napoleónicas sob o comando do Marechal Nicolas Jean de Dieu Soult, as tropas portuguesas, sob o comando do General Francisco da Silveira Pinto da Fonseca Teixeira, recuaram para pontos estratégicos, deixando a cidade com uma pequena guarnição sob o comando do Tenente-coronel Francisco Homem de Magalhães Quevedo Pizarro. Estas forças, assim como a de milicianos que enfrentou o inimigo, foram aprisionadas e depois libertadas.

Em 1811 era governador do forte António Manuel de Lobão.

Posteriormente, uma Circular do Ministro da Guerra indagou sobre a situação das fortificações da Província (23 de setembro de 1861). Em resposta, pela Circular de 5 de outubro, informou-se que naquela Divisão Militar não existia praça, forte ou castelo, porém uns troços de antigas obras permanentes cujo estado de abandono atestava em absoluto a sua inutilidade; que em caso de guerra poderiam resistir a simples golpes de mão, o Forte de São Neutel e os fragmentos das muralhas de Chaves e Praça de Miranda do Douro, auxiliadas por meio de cortaduras e outras obras de fortificação.

Em 1872 o forte estava em sofrível estado contando com um paiol de que se servia o Regimento de Infantaria n.º 13, ermida, casa da guarda, e quartel de reformados.

Por Auto de Entrega, datado de 3 de junho de 1880, o Ministro da Guerra transferiu as muralhas e terrenos da Praça de Chaves à Câmara Municipal, na sequência da lei de 23 junho de 1879 com algumas excepções, entre as quais constava o Forte de São Neutel, compreendendo edifícios, interiores, terraplenos, parapeitos, fossos, esplanada e zona de servidão.

Do século XX aos nossos dias

No contexto da contestação monárquica à implantação da República em Portugal (1910), em julho de 1912 trava-se, no local, combate entre as forças realistas invasoras, sob o comando de Henrique de Paiva Couceiro, e as tropas nacionais, fieis ao regime republicano.

Em 1925 iniciam-se as obras de instalação da cadeia civil de Chaves no Forte de São Neutel. A 2 de dezembro de 1926 deliberou-se mandar ultimar as obras da nova cadeia no forte, para se proceder à transferência dos presos da antiga cadeia.

O Forte de São Neutel conjuntamente com o Castelo de Chaves e restos da fortificação abaluartada na cidade e o Forte de São Francisco encontra-se classificado como Monumento Nacional pelo Decreto n.º 28.536, publicado no Diário do Governo, I Série, n.º 66, de 22 de março de 1938.

As suas dependências serviram como lugar de acolhimento de refugiados da Guerra Civil Espanhola (1936-1939).

Em 1955 foi identificada, na face inferior de uma pedra que servia de padieira numa casa da localidade, uma inscrição gravada que se supõe ligada à construção do Forte de São Neutel.

Em cumprimento de um despacho ministerial foi elaborado um plano de obras de restauro e consolidação das antigas estruturas defensivas de Chaves, sendo o Forte de São Neutel contemplado com a reconstrução da muralha ruída (12 de agosto de 1959). No mesmo ano (1959), em 10 de setembro, a Câmara Municipal de Chaves propõs a troca do Forte de São Neutel, sua propriedade, pelo edifício do antigo Paço dos Duques de Bragança, onde pretendia instalar uma Biblioteca, Museu e Serviços Municipais. Pouco depois, no âmbito do programa de valorização dos monumentos de Chaves, o Forte de São Neutel foi contemplado com obras de restauro e limpeza no valor de 100 mil escudos (6 de janeiro de 1961). No mesmo ano (1961), a 4 de março, informação da Direcção Geral do Património sobre a permuta realizada entre a Câmara Municipal de Chaves e o Estado Português, pela qual o Forte de São Neutel passou para a propriedade do Estado em troca do edifício dos antigos Paços dos Duques de Bragança, antigo aquartelamento do Batalhão de Caçadores n.º 10, onde a autarquia pretendia instalar a Biblioteca e o Museu Municipal.

Em 30 de março de 1964 é formulada proposta de apeamento do edifício que serviu de cadeia da comarca, existente no interior de Forte de São Neutel, sendo a pedra aproveitada nas obras de recuperação do Forte de São Francisco e do muro de suporte do Largo da Lapa. No mesmo ano (1964), a 22 de julho a Direcção do Serviço de Fortificações e Obras Militares informou a DGEMN que não havia inconveniente na demolição da cadeia existente no interior do forte.

Em 1977 o Comandante do Batalhão de Infantaria de Chaves chamou a atenção para a constante degradação do forte. No mesmo ano (1977), a 24 de novembro procedeu-se a identificação dos trabalhos necessários à valorização do forte (limpeza e corte da vegetação, refechamento de juntas das cantarias, consolidação da muralha em alguns pontos, reposição do coroamento com as cantarias derrubadas no fosso, reconstrução da porta principal, trabalhos de conservação da capela, reconstrução da casa do Governador e da construção que servia de reclusão, demolição de um barraco que servia de garagem, limpeza e restauro da fonte adossada ao forte e limpeza do fosso) estimando-se os gastos em 850 mil escudos.

A 3 de março de 1978 o Batalhão de Infantaria de Chaves solicitou o apoio técnico da Direcção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais (DGEMN), para obras a realizar no forte e informou que um grupo de flavienses tomara a seu cargo o início de obras de restauro da capela de Nossa Senhora das Brotas. Naquele mesmo ano a DGEMN procedeu a trabalhos de recuperação de elementos de cantaria, consolidação de alguns pontos da muralha e limpeza da vegetação.

Como possuía um terreno no forte, conhecido como o Campo da Feira, onde já se localizava a Escola do Ciclo Preparatório, o Pavilhão Gimnodesportivo e o Centro de Saúde, e no pouco que restava um Mercado e Polícia Judiciária, a Câmara Municipal pediu um terreno que fora dela e tinha sido trocado com o Ministério do Exército pela Torre de Menagem do antigo Castelo de Chaves (17 de fevereiro de 1981). No mesmo ano (1981) tiveram lugar obras de beneficiação da fonte adossada ao forte.

Por Despacho do Ministro da Defesa Nacional de 15 de abril de 1985, o forte foi desafetado.

Novas obras de beneficiações diversas tiveram lugar no forte em 1986-1987, e de valorização dos paramentos amuralhados (1988).

A Secretaria de Estado da Cultura rejeitou o programa-base de projeto de construção do Quartel da GNR no interior do Forte de São Neutel, pela excessiva densidade de construção o que iria comprometer o equilíbrio do espaço interior do monumento (12 de novembro de 1987).

Aproveitando o declive ali existente, em 1994 teve lugar a construção de um anfiteatro no interior do forte, pela Câmara Municipal de Chaves.

Mais recentemente, em 2007, tiveram lugar obras de recuperação do forte e da zona envolvente, integradas no programa “Polis”.

Características

Exemplar de arquitetura militar, seiscentista, de enquadramento urbano, num outeiro aplanado na parte norte da cidade, isolado.

Apresenta planta quadrada, orgânica (adaptada ao terreno), com 4 baluartes poligonais nos vértices, unidos por cortinas retas que apresentam de 1 a 1,5 m de espessura e de 7 a 10 m de altura. Paramentos dos panos de muralha e baluartes em talude, em alvenaria de granito de aparelho irregular, disposta a seco, e cunhais aparelhados, coroados por cordão e parapeitos, igualmente em cantaria irregular, com o topo em rampa, apresentando nos ângulos guaritas, hexagonais, em cantaria, assentes em mísulas molduradas e também facetadas, com as faces rasgadas por frestas, retangulares, rematadas por cornija reta e cobertura em coruchéu, sobrepujado por pináculo piramidal. A fachada principal é voltada a sul, rasgada, ao centro, por portal sobrelevado, enquadrado por possantes pilares, com remates em aleta, os quais amparavam a estrutura de sustentação da ponte levadiça; o portal, em arco de volta perfeita, é sobrepujado por tabela retangular horizontal, organizada em dois registos, tendo o primeiro as armas de Portugal, ladeadas por cartelas com inscrição alusiva à construção e o segundo nicho em arco de volta perfeita, concheado, enquadrado por pilastras volutadas e rematado por cornija reta.

Na cartela que encima a porta de armas regista-se:

ESTE FORTE DE S. NOVTEL FES O CONDE DE MESQVITELA D. RODRIGO DE CASTRO NO ANO DE [16]61 DE SALCHICHA GOVERNANDO AS ARMAS NESTA PROVINCIA MAS O TEMPO E A E MVLAÇÃO O TINHAM DE TODO DERROTADO COANDO POR AVER SIDO SEV SOLDADO FRANCISCO FREIRE DE ANDRADA E SOUZA DO CONSELHO DE SVA MAGESTADE E SEV CAPITÃO GENERAL DA ARTILHARIA VINDO GOVERNAR AS ARMAS DA DITA PROVINCIA O MANDOV FABRICAR DE NOVO DE PEDRA E CAL NÃO SÓ POR MEMORIA DE TÃO GRAVE CASO E SVAS OBRAS MAS SER ESTA DA MAIOR DEFENÇA DA PRAÇA DE CHAVES COMESOUSE EM 25 DE MAIO DE [16]64.

O forte é cercado por um fosso seco e por uma segunda linha defensiva. No interior do fosso, adossada ao vértice do baluarte sudeste, existe uma fonte de mergulho implantada num recinto murado, de planta irregular, circundada por banco de pedra e com escada de acesso. A fonte apresenta planta quadrangular simples, com as faces abertas por arcos de volta perfeita sobre pilares toscanos dispostos nos vértices do quadrado, terminadas em cornija reta e cobertura plana, lajeada. No interior, possui tanque, com os tampos enquadrados pelos pilares, e com cobertura em cúpula.

Ladeando a leste o portão de armas, ao nível do fosso, abre-se poterna, em arco de volta perfeita.

O acesso ao forte é feito por uma ponte de pedra, que liga a muralha exterior ao Portão de Armas, e o interior através de 2 trânsitos rampeados e abobadados, com abóbada de berço, assente em cornijas, desembocando em portais, moldurados, em arco de volta perfeita sobre pilastras toscanas. A escarpa interior, em terra coberta de vegetação e com acesso por rampas e escadas de pedra, encontra-se parcialmente ocupada, a noroeste, norte e nordeste, por anfiteatro, composto por bancadas de cantaria de granito e palco circular.

No centro da praça de armas, ergue-se a Capela de Nossa Senhora das Brotas, em estilo maneirista, erguida sobre plataforma tronco-piramidal constituída por degraus de granito. Possui um altar único com a imagem de São Neutel, encontrando-se a da Senhora das Brotas (persistência de um antigo culto pagão a Ceres) representada numa pintura suspensa na parede lateral. A santa é homenageada anualmente, no Domingo da Pascoela, com uma procissão e festa.

No lado sudeste existe um antigo edifício militar, em alvenaria de granito, de planta retangular, simples, com cobertura em telhado de quatro águas. Fachadas em alvenaria de granito, com as juntas tomadas, sendo a posterior rebocada e pintada de branco. Fachada principal virada a oeste, rasgada por 3 portas de verga reta e a posterior com 3 janelas retangulares, jacentes.



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https://www.turismomilitar.gov.pt/

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Contribution

Updated at 31/07/2020 by the tutor Carlos Luís M. C. da Cruz.

Contributions with medias: Carlos Luís M. C. da Cruz (1).


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    O Forte de São Neutel conjuntamente com o Castelo de Chaves e restos da fortificação abaluartada na cidade e o Forte de São Francisco encontra-se classificado como Monumento Nacional pelo Decreto n.º 28.536, publicado no Diário do Governo, I Série, n.º 66, de 22 de março de 1938.





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    State/Province: Vila Real
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