Fort of Carmen de Patagones

Carmen de Patagones, Buenos Aires - Argentina

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O “Forte de Carmen de Patagones” localizava-se à margem do rio Negro, na cidade de Carmen de Patagones, comarca de Viedma-Carmen de Patagones, província de Buenos Aires, na Argentina. É a cidade mais austral da província.

História

Antecedentes

Na primeira metade do século XVIII alguns espanhóis e estrangeiros a serviço da Coroa Espanhola começaram a explorar o interior da Patagónia, com interesses políticos, militares ou de evangelização dos indígenas. Um destes foi o jesuíta Thomas Falkner, inglês de nascimento, que mais tarde publicaria as suas memórias (“Descripción de la Patagonia y de las partes contiguas de la América del Sur”, 1774).

Em 1759 subiu ao trono Carlos III de Espanha (1759-1788). Dois anos mais tarde, firmou com o soberano Francês um "pacto" para defesa do inimigo comum, a Inglaterra, que à época buscava ampliar os seus dominós ameaçando a soberania de ambas as Coroas na América. Neste período vivia-se ainda a revalorização da rota do cabo Horne, a política expansionista de Portugal no sul do Brasil, a presença dos siberianos nas Montanhas Rochosas, fatores que, conjugados, levou a que na Espanha se concebesse um ambicioso projeto que assegurasse a sua soberania nas regiões americanas ameaçadas. Planeou-se assim e implementou-se o estabelecimento de uma série de núcleos civis de povoamento, desde a Alta Califórnia até às costas da Patagónia.

Com relação a esta última, diante da publicação da obra de Falkner – onde ficavam patentes as riquezas naturais e o abandono em que os territórios estudados se encontravam por parte da Coroa Espanhola -, o soberano compreendeu de imediato que devia agir para salvaguardar os seus interesses.

O conde de Floridablanca, Ministro das Índias de Carlos III, propôs fundar 2 povoações e 2 fortes subordinados a elas na costa atlântica patagónica, uma povoação na Baía Sin Fondo e outra na Baía de San Julián. Da primeira dependeria um forte na foz do rio Colorado e, da segunda, um forte na do rio Deseado. Os estabelecimentos seriam povoados por colonos oriundos da Galiza, das Astúrias, de Castela e de Leão.

A 14 de maio de 1778 Juan de la Piedra foi designado pelo soberano para comandar a expedição fundadora com o título de "comisario superintendente de San Julián" e com Antonio de Viedma, que era o contador e tesoureiro, viajaram para Montevidéu. Francisco de Viedma, irmão do segundo, foi nomeado "comisario superintendente del Río Negro". O primeiro contingente de 22 colonos partiu de Espanha em outubro de 1778 rumo a Montevidéu. Em dezembro daquele ano embarcaram mais 122 colonos com o mesmo destino.

Assim que Juan de la Piedra chegou, tiveram início os preparativos para concretizar o projeto. O Vice-rei Juan José de Vértiz y Salcedo pôs à disposição 4 embarcações bem armadas destacando para a expedição 4 oficiais de infantaria e 100 soldados, 1 oficial de artilharia e 20 artilheiros, 4 capelães, 2 escrivães, 3 intérpretes, 3 cirurgiões, 4 sangradores, carpinteiros, pedreiros, ferreiros, mestres para fazer tijolos e telhas, padeiros, faroleiros, toneleiros. Completavam a expedição 4 pilotos, práticos, marinheiros, carpinteiros navais, e outros.

Um documento da época dá conta de que a expedição era composta por 232 pessoas, das quais 50 eram desterrados e 16 eram negros presidiários.

Os primeiros eram presos condenados a não mais de 10 anos de prisão, gente robusta e capaz de servir nos trabalhos das novas povoações. Embora exista outro documento que menciona embarcar os negros com as respectivas mulheres e filhos, nada autoriza a acreditar que assim tenha sucedido efetivamente.

Outro dado importante é que se transportavam víveres para um ano, tempo necessário para esperar que a terra, lavrada pelas famílias que mais tarde seriam enviadas para o sul, começasse a dar os seus primeiros frutos.

A 16 de dezembro de 1778 saiu do porto de Montevidéu em busca da Patagónia, a esquadra espanhola.

No Dia de Reis de 1779, as embarcações encontravam-se na Baía Sin Fondo ou Golfo San Matías. De la Piedra ordenou o seu reconhecimento, mas uma corrente marinha levou as embarcações até um golfo até então não cartografado. Os espanhóis denominaram-no de San José (na atual península de Valdés, Chubut).

No dia seguinte (7 de janeiro) desembarcaram e diante da aridez do lugar, procuraram água, abrindo poços, dos quais minou água salgada. Felizmente encontraram algumas lagunas e mananciais a poucas léguas de onde se começou a levantar o forte. A caça era abundante, em termos de avestruzes, guanacos, perdizes.

Fundaram o Forte e Porto de San José de la Candelaria na atual Chubut e, em março de 1779, Juan de la Piedra regressou a Montevidéu deixando como comissário superintendente a Francisco de Viedma. Esta atitude valeu-lhe a suspensão das suas funções, uma vez que esse seu gesto foi considerado como um abandono da missão que a Coroa havia-lhe expressamente confiado.

Antes de sair de San José, Juan de la Piedra incumbiu o piloto Manuel Bruñel e ao oficial de infantaria Pedro García, do reconhecimento da costa vizinha ao forte. Ambos alcançaram a foz do rio Colorado; mas não conseguiram entrar nele. Também avistaram a foz do rio Negro. As grandes ondas impressionaram-nos vivamente, de maneira que eles não se atreveram a forçar a barra.

Juan de la Piedra ordenou então ao piloto da Real Armada, don Basilio Villarino y Bermúdez, a exploração do rio Colorado; mas este, de acordo com o seu diário de navegação, propôs-se a descobrir o rio de los Sauces, nome pelo qual os espanhóis chamavam o rio Negro.

Villarino fez-se à vela a 13 de fevereiro de 1779 e poucos dias depois avistou a boca do rio. A 22 de fevereiro, por fim, o seu bergantim, o “Nuestra Señora del Carmen y Animas”, navegava no rio que os indígenas denominavam “Curru Leuvu” (rio Negro).

Imediatamente os índios se acercaram da embarcação em paz; alguns trazendo frutos como presentes. Villarino presenteou-os com tabaco, aguardente, toucinho e pão. Porém os indígenas não se cansavam de pedir, e o piloto teve que dar-lhes o se lenço, a colcha de seu leito, o seu canivete e até as suas meias.

Villarino regressou a San José encontrando don Francisco de Viedma no comando do forte. Informou-o assim da grandiosidade do rio descoberto, da fertilidade do vale, da bondade do clima, da abundância de caça e pesca, de sal e especiarias. Estas informações tão favoráveis fizeram don Francisco de Viedma acreditar que a região explorada era um verdadeiro paraíso terrestre comparada com a paisagem desoladora de San José.

Francisco de Viedma preparou-se, pois, para fundar o estabelecimento para o qual havia sido designado como superintendente. Deixou o seu irmão, Antonio de Viedma, a cargo do da Baía de San José e partiu. Duas embarcações integravam esta expedição: o bergantim de Villarino e a sumaca San Antonio la Oliveyra com o seu piloto, Bruñel.

A 18 de abril de 1779 entraram no rio Negro "(...) con el mejor tiempo y la mayor felicidad que pudiera apetecerse". A 19 navegaram 9 léguas rio acima. A 20 descobriram alguns aldeamentos. Viedma e Villarino visitaram-nos, sendo recebidos cordialmente pelos indígenas, que os presentearam. No dia 21 navegaram rio abaixo e passaram-no sem novidades, como registou Villarino em seu diário de navegação. É Villarino também quem nos diz que a 22 chegaram muitos indígenas até onde estavam as embarcações, uns 500, aproximadamente.

Viedma, excelente agricultor andaluz, diante do formoso vale do rio Negro, não hesitou na escolha para o estabelecimento da futura povoação: seria a margem direita (sul), baixa e fértil, fácil de irrigar e de trabalhar. O sítio eleito localizava-se a umas 6 ou 7 léguas da foz e a um quarteirão da margem, numa curva do rio.

Nesse mesmo dia, 22 de abril de 1779, ao que tudo indica ainda pela manhã, demarcaram-se os terrenos para levantar o forte e a povoação, e, pela tarde, começou-se a abrir o fosso, ocupando-se nestes trabalhos a tripulação. Fundava-se assim o Forte de Nuestra Señora del Carmen y Pueblo de Nueva Murcia.

Nos dias 23, 24 e 25 prepararam-se as ferramentas e deu-se começo ao corte da madeira de salgueiro, árvore abundante nas margens do rio e ilhas vizinhas. Os indígenas colaboraram conduzindo com os seus cavalos as madeiras em troca de alimentos.

Trabalhando de sol a sol, em 4 de junho de 1779 o forte estava quase concluído, em faxina e terra, com coberturas de palha. Naquela data, Viedma, em carta ao Vice-rei, Vértiz, informou: "A este fuerte y población se le denomina de Nuestra Señora del Carmen por haberla elegido de patrona. Sírvase Vuestra Excelencia dar disposición para que se haga una efigie de esta Señora y se la remita con la mayor brevedad para colocarla en la capilla".

A refundação

Embora antes de escolher o local do seu estabelecimento Viedma tenha consultado os indígenas sobre as cheias do rio, da informação recolhida inferiu que o local era seguro nesse particular, e nada o fez prever a catástrofe natural que se abateria sobre a recém-fundada povoação.

A 9 de junho de 1779 começou a soprar um vento forte que encapelou as ondas provocadas pela maré. No dia 13, pelas 23 horas, as águas até então contidas pela força do vento sul libertaram-se e inundaram a região. Felizmente a sentinela deu o alarme e as gentes puderam salvar-se sobre o teto do armazém. Os víveres também se salvaram, uma vez que ainda não haviam sido totalmente desembarcados. Embora o fenómeno não tenha durado mais do que 30 minutos, Viedma compreendeu a dificuldade e, a contragosto, como o próprio registou, "(…) determino mudar la población a la parte norte en cuya margen solamente se encuentram sítios donde com seguridad se puede estar sin inundación alguna (…)", e concluiu: "(…) aunque carece de aquella tan dilatada, llana y fértil situacion de la outra banda".

Viedma incumbiu o comandante da tropa, oficial de Infantaria José Martí, de inspecionar a margem norte a fim de proceder ao translado do forte e da povoação. No dia 15 de junho estava em campo, acompanhado pelo piloto Manuel Bruñel, o sargento José Michán e um conhecedor da área, de nome José Puche. Enquanto isso, nesse mesmo dia, pela tarde, começava-se a demolição da estacada sul da fortificação, e no dia seguinte (16), a construção das balsas para transporte. No dia 19 procedeu-se ao translado dos materiais de uma para a outra margem, dando-se início, no dia subsequente (20) à construção do novo estabelecimento. Os trabalhos progrediram aceleradamente, de tal modo que no início de agosto “(…) toda la gente estava cubierta en ranchos provisórios de palo a pique, juncos e techos de paja.

A margem sul não foi abandonada totalmente, vindo a ser utilizada para guarda das montarias.

Nova leva de povoadores oriundos da Galiza chegou em 2 de outubro de 1779. As famílias de agricultores começaram a lavrar as terras mais baixas e facilmente irrigáveis, vizinhas ao forte, em um lugar chamado " El Bañado". Outras trabalharam as terras da margem sul onde estava o verdadeiro vale: passavam a o dia e regressavam ao entardecer para pôr-se ao abrigo da artilharia da fortificação. Em 1780 chegaram famílias maragatas procedentes de la Maragatería em Leão.

O risco e o isolamento do local aconselharam Viedma a construir um forte mais sólido, pelo que, a partir de 1780 se aproveitou o arenito de uma pedreira próxima, sendo encarregado das obras o engenheiro militar galego José Pérez Brito também responsável por importantes fortificações na Banda Oriental do Uruguai. Uma muralha de planta quadrangular, com 66 metros de lado e 3,6 metros de altura delimitava o recinto. Em seu interior erguiam-se a casa de comando e os quartéis, os armazéns de víveres e de petrechos de guerra, a capela, sendo o conjunto dominado por uma torre-atalaia.

Ainda em 1780 o Vice-rei Vértiz y Salcedo designou o Comissário Superintendente Francisco de Viedma como “comandante de armas del Fuerte de Nuestra Señora del Carmen” com jurisdição entre o paralelo 36° 39' S (Cabo San Antonio) e o 44° 30' S (Puerto de Santa Elena, inclusive). Para o território mais ao sul, até ao estreito de Magalhães nomeou a Antonio de Viedma com sede em San Julián.

Em 1782 Francisco de Viedma fundou um forte em cada margem da foz do rio Negro para complemento da defesa de Carmen de Patagones: o Fuerte San Javier ao sul, e o Fuerte Invencible ao norte. Naquele mesmo ano algumas famílias começaram a assentar-se definitivamente na margem sul do rio, ali também vindo a fixar-se algumas tribos amigas de indígenas, entre as quais as do famoso cacique Churlaquín.

As lutas pela independência

Em que pese a importância geoestratégica de Patagones, guarda-avançada mais avançada no sul da América Espanhola, diante dos problemas crescentes com os Portugueses e Ingleses na bacia do Prata ao final do século XVIII, o seu desenvolvimento não recebeu grande atenção por parte dos Vice-reis, vindo mesmo a conhecer um período de relativo esquecimento, uma vez que os chefes militares comissionados para o seu governo, de acordo com o historiador local, José Juan Biedma, eram "de jerarquía subalterna y escasísima preparación".

No contexto da chamada “Revolução de Maio” (1810) precursora da emancipação do Vice-Reino do Rio da Prata da Coroa Espanhola, a Primeira Junta de Governo de Buenos Aires tomou o controlo de Patagones. A 23 de junho de 1810 aquela junta designou o Capitão de Dragões Francisco Xavier de Sancho como Comandante Militar e Subdelegado da Real Fazenda de Patagones.

Ainda nesse período, devido às alterações políticas e económicas, entre 7 e 8 de agosto de 1810, tendo como motivo um castigo aplicado a um grupo de indígenas em Patagones, registou-se um ataque dos Tehuelche ao Forte San José e ao Destacamento de Villarino (fonte de água doce) que ficaram destruídos, tendo a escassa guarnição fugido, caindo alguns cativos e outros mortos. No mesmo dia 8 de agosto, a Junta havia transmitido ordens a de Sancho para o abandono da posição em San José.

A sublevação de 1812

Em 21 de abril de 1812 realistas desterrados em Patagones, sob o comando de Faustino Ansay (último subdelegado de Mendoza), Domingo Torres Arrieta (último comandante de armas realista de Mendoza) e Joaquín Gómez de Liaño, contando com o apoio de grande parte da população, subornaram a guarnição do forte e tomaram a povoação, que passou assim para a esfera de influência de Montevidéu. Tendo a Junta enviado o bergantim Hiena para fazer contacto com a praça, os sublevados conseguiram dominar-lhe a tripulação, apoderando-se da embarcação. Deixaram à frente da praça um comandante militar leal à Coroa Espanhola, o sargento Domingo Fernández, e partiram para Montevidéu, onde fizeram contacto com as autoridades realistas. O Governador de Montevidéu, Gaspar de Vigodet, confirmou a nomeação do sargento Domingo Fernández para a Capitanía de Puertos de Montevideo e enviou-lhe, a 24 de junho, a Mercurio com reforços para tomar posse formalmente da praça.

Com a vitória da esquadra de William Brown, primeiro Almirante da Marinha Argentina, sobre a espanhola nas águas do rio da Prata (17 de maio de 1814) e a subsequente capitulação de Montevidéu (23 de junho do mesmo ano), Carmen de Patagones ficou isolada.

A 23 de dezembro de 1814 desembarcaram em Patagones tropas de Buenos Aires sob o comando de Oliver Russell e capturaram pacificamente a povoação. Francisco de Vera foi nomeado comandante do Forte de Patagones, mas no ano seguinte o comando foi devolvido a Francisco Xavier de Sancho que o exerceu até outubro de 1817 ano em que assumiu essas funções o Sargento-mor Julián Sayós.

A 4 de dezembro de 1818 o prisioneiro Luis Villada encabeçou uma nova sublevação em Carmen de Patagones, autonomeou-se comandante da praça, içou a bandeira espanhola e cometeu saques na povoação, tendo fuzilado Sayós e outras pessoas, mas vindo a ser morto apunhalado a 6 de dezembro. Os habitantes nomearam como comandante interino o padre Faramiñán. Uma expedição militar perseguiu sem sucesso os restantes sublevados, regressando a 14 de dezembro. Em janeiro de 1819 Sancho reassumiu o comando da praça, mantendo-se em funções até 13 de novembro de 1820, data em que as delegou provisoriamente a José María García.

A 16 de fevereiro de 1820 a Província de Buenos Aires constituiu-se como entidade política autónoma, incorporando Patagones em sua jurisdição. Nesse mesmo ano a Comandância de Patagones passou a integrar-se na Província de Buenos Aires, após a dissolução do governo nacional argentino.

A 29 de março de 1821 o governador Martín Rodríguez nomeou como novo comandante da praça o tenente-coronel José Gabriel de la Oyuela, que assumiu funções em junho. Nos primeiros dias de agosto desse mesmo ano Oyuela, fundou a “Escuela de Varones”, que recebeu o número 1 e que funcionou nas dependências do próprio forte durante anos. Bartolomeu Mitre, na sua juventude, frequentou os bancos dessa escola, uma vez que o pai foi contador do forte (1822-1828).

Em 1823 assumiu funções como novo comandante do forte o coronel graduado Martín Paulino Lacarra y Toledo.

Invasão brasileira a Patagones

No contexto da Guerra da Cisplatina (1825-1828) diante do bloqueio de Buenos Aires pela esquadra imperial brasileira, a embocadura do rio Negro tornou-se o refúgio dos corsários argentinos. Em Patagones eram desembarcados os escravos africanos, os prisioneiros de guerra, o saque dos navios mercantes apresados, o que deu origem a um surto de forte prosperidade económica na região.

Visando neutralizar essa ameaça, a 28 de fevereiro de 1827 uma força de 4 embarcações da Marinha Imperial Brasileira, sob o comando do capitão-de-fragata inglês James Shephard, forçou a barra do rio Negro. Uma delas encalhou e afundou poucos dias depois. A bateria da barra pouca resistência opôs, por falta de munições. Nesta ação os “criollos” perderam 2 soldados de Infantaria negra sob o comando do coronel Felipe Pereyra e um oficial corsário, de nome Fiori, "a quien su bravura condujo a una muerte gloriosa".

Durante 6 dias as forças imperiais agiram com demora e desorientação, dando tempo a que as forças de Patagones se reorganizassem e colocassem a sua fortificação em estado de defesa.

A 6 de março, pelas 21 horas, os brasileiros enviaram a terra um grupo de exploração, que desembarcou a uma légua e meia da bateria da foz. Após um levantamento da área, o grupo retirou-se para a costa onde permanecia embarcado o grosso da expedição. Acredita-se que a partir das 23 horas tenha-se realizado o desembarque de uma coluna de infantaria brasileira – pouco mais de 600 homens, com a missão de atacar o Forte de Patagones. Depois de 2 horas da madrugada no dia 7, a coluna de infantaria iniciou a marcha em direção a Carmen de Patagones. Inicialmente mal conduzidos pelo seu guia, perderam-se no monte, mas logo encontrando o caminho correto, surgiram sobre o Cerro de la Caballada ao amanhecer.

Pelo lado dos defensores encontravam-se a postos no alto da colina o subtenente de Mendonça don Sebastian Olivera à frente de 80 milicianos (chacareiros, fazendeiros, artesãos e comerciantes, mais os gaúchos de Jose Luis Molina); no rio, os corsários Jaime Harris, Soulin y Dautant e as suas tripulações, sob as ordens do comandante Santiago Jorge Bynon, e no interior do forte, a infantaria negra do coronel Pereyra e a população incapaz de combater: idosos, mulheres e crianças.

No recontro que se seguiu, a chamada Batalha de Carmen de Patagones, distinguiu-se no lado dos defensores o nome de Fernando Alfaro, tendo as forças brasileiras capitulado. Na Igreja de Nuestra Señora del Carmen conservam-se 2 das 7 bandeiras imperiais brasileiras tomadas na ocasião.

A 24 de abril de 1827 o presidente argentino aceitou a renúncia de Lacarra, sendo substituído pelo coronel José Paulino Rojas até 30 de outubro. Durante o seu governo registou-se uma frustrada tentativa de ocupação brasileira em setembro. Rojas foi sucedido pelo coronel Ramón Rodríguez.

Em 1828 o coronel Ramón Estomba fundou a Fortaleza Protectora Argentina, atual Bahía Blanca, implantada ao norte de Patagones.

Em 1829 Oyuela voltou a ser comandante de Patagones, registando-se em janeiro um ataque dos bandoleiros realistas chilenos conhecidos como “hermanos Pincheira”. José Antonio Pincheira apresentou-se diante do forte com uma centena de brancos e uma centena de indígenas, pedindo para parlamentar com o governo de Buenos Aires, mas o comandante colocou em prisão e logo fez executar os dois emissários enviados por Pincheira, vindo este a atacar sem sucesso o forte. O governo desaprovou a conduta de Oyuela e substituiu-o pelo coronel Francisco Crespo y Denis, substituído por sua vez, em janeiro de 1833 por Sebastián Olivera, um dos heróis do conflito com o Império do Brasil.

Em 1833 Patagones foi visitada por Charles Darwin, ao mesmo tempo em que se desenvolvia a Campanha de Rosas no Deserto.

Em 20 de maio de 1863 o comandante Julián Murga assinou um tratado de paz com o cacique Sayhueque.

Em 1870 foi criada a Capitania do Porto de Patagones, subordinada ao comandante do forte, sendo nomeado o comandante Federico Spurr como Capitão do Porto de Patagones, função que exerceu até 1874.

Ao final da campanha da Conquista do Deserto (1878-1885), a fortificação, nas palavras do General Julio Argentino Roca, havia perdido a sua função estratégica, razão pela qual veio a ser demolida. À época decidiu-se conservar a antiga torre como testemunho histórico, constituind-se no primeiro antecedente preservacionista na comarca.

A torre participou dos movimentos cívico-militares tão frequentes em fins do seculo XIX. Desse modo, quando da Revolução radical de 1893, a antiga torre de vigia constituiu-se em reduto armado dos revolucionarios diante dos governistas baseados na cidade vizinha de Viedma. Pouco depois o monumento esteve envolvido no conflito entre grupos católicos e maçons pela custódia do mesmo, uma vez que se encontrava nas mãos de Salesianos por delegação da Comissão Nacional de Museos, Monumentos y Lugares Historicos. Os maçons acusavam os Salesianos de se apropriarem de um monumento que pertencia a todo o povo maragato, e de priorizarem a sua função de campanário sobre a de atalaia. O conflito chegou às vias de fato quando quando os maçons retiraram os sinos da torre diante da perplexidade dos Salesianos...

No alvorecer do século XX a torre era um monumento estimado pela população, mas encontrava-se em rápido processo de deterioração. Quando se iniciou a construção da vizinha Escuela N.º 2 “Bartolomé Mitre” necessitou cortar-se o barranco para proceder-se o seu posterior preenchimento. Com isso a estrutura da torre movimentou-se e, diante do clamos público, as obras da escola foram paralizadas. Destacou-se nesse movimento um ativo grupo de mulheres dirigidas por Maria Lucia Crespo. O problema foi solucionado escorando-se a estrutura com a construção de uma base que imita um baluarte da antiga fortificação.

A torre remanescente encontra-se classificada como Monumento Histórico Nacional desde 21 de maio de 1942.

Características

Externamente a torre apresenta planta no formato retangular, e internamente circular, com uma escada em caracol do mesmo material que a torre. Os degraus da escada são ao mesmo tempo pedras do muro, contribuindo assim para reforçar a estrutura. É dividida internamente em 3 pavimentos.



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Contribution

Updated at 22/02/2016 by the tutor Carlos Luís M. C. da Cruz.

Contributions with medias: Carlos Luís M. C. da Cruz (1).


  • Fort of Carmen de Patagones

  • Fuerte de Nuestra Señora del Carmen, Fuerte del Río Negro, Fuerte de Patagones

  • Fort

  • 1780 (AC)




  • Spain


  • Featureless and Well Conserved

  • National Protection
    A torre remanescente encontra-se classificada como Monumento Histórico Nacional desde 21 de maio de 1942 .





  • Tourist-cultural Center

  • ,00 m2

  • Continent : South America
    Country : Argentina
    State/Province: Buenos Aires
    City: Carmen de Patagones



  • Lat: 40 48' 9''S | Lon: 62 59' 5''W










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