Castle of Gouveia

Gouveia, Guarda - Portugal

O “Castelo de Gouveia” localizava-se na freguesia de São Pedro, na cidade e concelho de Gouveia, distrito da Guarda, em Portugal.

História

Embora se afirme tradicionalmente que a primitiva ocupação do local remonta aos Túrdulos, no século VI a.C., na década de 1940 foram encontrados no largo do Castelo vasos funerários com vestígios de incineração e restos de ossadas humanas, datados, à época, como pertencendo à Idade do Bronze.

ALMEIDA (1945) refere a existência de um castro Lusitano, com base na ótima posição topográfica do local, a meia-encosta, dominando grande parte do vale do Mondego.

Do período de invasão romana da península Ibérica são testemunhos uma ara votiva consagrada ao deus Lusitano Salqiu e uma sepultura de um guerreiro romano contendo diversos artefactos metálicos (machado, faca e ponta de seta) escavada na Mata da Cerca. As calçadas romanas que existem no concelho, nomeadamente em Folgosinho (Galhardos e Cantarinhos), também testemunham a presença romana na região, desconhecendo-se o estatuto jurídico-administrativo da povoação à época.

Durante a ocupação pelos povos bárbaros e muçulmanos pouco conhecemos de “Gaudella”, além de que Fernando I de Leão (1037-1065) a conquistou, por capitulação, aos muçulmanos em 1055.

À época do Condado Portucalense, a condessa D. Teresa de Leão doou estes domínios, como couto, em 1125, aos freires da Ordem de São João de Jerusalém, então radicados no Mosteiro de Águas Santas, na Maia.

A referência documental mais antiga a este castelo encontra-se na bula “Officii Nostrii”, do papa Inocêncio II (1130-1143) dirigida a D. Bernardo, bispo da Diocese de Coimbra, onde é citado o “Castrum Gaudella”.

Visando incrementar o seu povoamento, Sancho I de Portugal (1185-1211) outorgou carta de foral (1186) à povoação, assegurando diversos privilégios aos seus moradores.

Afonso II de Portugal (1211-1223) renovou-lhe o foral em 1217, ampliando os privilégios aos seus habitantes. A estabilização das fronteiras do reino, a leste e a sul, terá conduzido à perda da função estratégica do castelo, que terá entrado em decadência.

Manuel I de Portugal (1425-1521) passou o Foral Novo à vila em 1510.

No contexto da Dinastia Filipina (1580-1640) foi senhor de Gouveia D. Manique da Silva, filho do 4.º conde de Portalegre, mordomo-mor de Filipe IV de Espanha (1621-1665), que o fez marquês de Gouveia (20 de janeiro de 1625). O 5.º marquês deste título, D. José de Mascarenhas, veio a ser o 8.º duque de Aveiro, tendo vindo a ser executado cruelmente em Lisboa, a 13 de janeiro de 1759, no âmbito do julgamento dos Távora. Por essa razão, os domínios de Gouveia foram anexados aos bens da Coroa.

A última menção documental ao castelo data de 1639, em um documento municipal, ocasião em que houve a necessidade de o município destacar 2 homens para cuidarem da iluminação da Casa da Câmara e do castelo quando da visita de Catarina de Bragança.

No contexto da Guerra Peninsular (1808-1814), ao final da 3.ª Invasão Francesa, quando da retirada das forças do marechal André Masséna, foi destruída a Igreja de São Julião, vizinha ao castelo, e, acredita-se, que o castelo também (c. 21 de março de 1811).

Poucos anos mais tarde o aforamento dos terrenos do castelo foi feito com vista à instalação da Fábrica de Balões Venezianos, edifício que ainda hoje domina a esplanada do Largo do Castelo.

Atualmente sobrevive apenas na toponímia, no largo e bairro do Castelo, que constituiu o centro histórico da cidade, mantendo algumas das características urbanas medievais, assim como parte da judiaria medieval.

Bibliografia

COELHO, Maria Helena Cruz. Poder e Administração Local na Gouveia Medieval, Revista de História da Sociedade e da Cultura, 3, 2003, Coimbra, Viseu, pp. 11-83.

TENTE, Catarina. Ocupação Alto-Medieval da Encosta Noroeste da Serra da Estrela, Trabalhos de Arqueologia, ISSN 0871-2581, 47, Lisboa, Instituto Português de Arqueologia, 2007.



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Contribution

Updated at 06/06/2016 by the tutor Carlos Luís M. C. da Cruz.


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  • Portugal

  • 1811 (AC)

  • Missing

  • Monument with no legal protection





  • Disappeared

  • ,00 m2

  • Continent : Europe
    Country : Portugal
    State/Province: Guarda
    City: Gouveia



  • Lat: 40 -30' 22''N | Lon: 7 35' 38''W










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