Castle of Santo Estêvão

Chaves, Vila Real - Portugal

O chamado “Castelo de Santo Estêvão” localizava-se na freguesia e vila de Santo Estêvão, concelho de Chaves, distrito de Vila Real, em Portugal.

Ergue-se em posição dominante sobre a povoação, a pouca distância do curso do rio Tâmega e da fronteira com a Espanha.

História

Antecedentes

A primitiva ocupação humana de seu sítio remonta à pré-história, conforme testemunhos arqueológicos na região.

O castelo medieval

À época da Reconquista cristã da península Ibérica, há referência documental no século XI a uma "villa" ou vasta propriedade rural chamada de Santo Estêvão. Nesse século, os domínios de Chaves (“Aquae Flaviae”) e de Santo Estevão foram incluídos por Afonso VI de Leão e Castela no dote da princesa Teresa de Leão, quando a casou com o conde D. Henrique de Borgonha (1093), passando a integrar os domínios do Condado Portucalense.

Em 1129, esses domínios foram retomados por forças Muçulmanas, até que, por volta de 1160, os irmãos Rui e Garcia Lopes, cavaleiros de Afonso I de Portugal (1143-1185) os incorporaram ao reino de Portugal.

A edificação da torre senhorial terá sido iniciada nessa época, para ser concluída no reinado de Sancho I de Portugal (1185-1211), que tornou a povoação na sede da tenência de Montenegro. Aqui se celebraram, em 1191, as núpcias da filha mais velha de D. Sancho I, a Beata Teresa de Portugal (O.S.B.), com Afonso IX de Leão e da Galiza (1188-1230), e nesta propriedade viveram as outras filhas de D. Sancho I: D. Mafalda, D. Sancha; e seu filho, o infante D. Afonso que veio a suceder ao seu pai no trono, como Afonso II de Portugal (1211-1223).

Em 1212 Afonso IX de Leão e da Galiza, a pretexto da defesa dos direitos de sua esposa, a Infanta Teresa de Portugal, à posse dos castelos que o pai dela, D. Sancho I lhe legara em testamento, e que o irmão, D. Afonso II lhe reivindicava, invadiu Portugal, conquistou os domínios de Chaves, inclusive da Torre de Santo Estêvão. Estes só seriam devolvidos a Portugal entre o final de 1230 e o início de 1231, em virtude de negociações tratadas na vila do Sabugal (então leonesa), entre Sancho II de Portugal (1223-1248) e Fernando III de Leão e Castela.

Sob o reinado de Afonso III de Portugal (1248-1279), foram celebradas no Castelo do Sabugal as segundas núpcias do soberano, com D. Beatriz, filha ilegítima de Afonso X de Castela (1253). As habitações da vila foram adaptadas para servir como alcáçova para receber os noivos. O soberano concedeu carta de foral à povoação (15 de maio de 1258), criando o Concelho de Santo Estevão de Chaves, época em que se iniciou a reconstrução da torre senhorial. Estes domínios e a torre foram doados pelo soberano a um dos seus filhos naturais, Martim Afonso, “o Chichorro" (1250-1313).

Dinis I de Portugal (1279-1325) veio aqui receber a noiva, Isabel de Aragão, filha de Pedro III de Aragão, tendo-a incluído entre os 12 castelos assegurados como arras a sua consorte (1300).

Posteriormente, durante a crise de sucessão de 1383-1385 as forças de João I de Portugal (1385-1433) acamparam na vila de Santo Estêvão preparando-se para o assalto a Chaves, cujo alcaide havia jurado fidelidade a Beatriz de Portugal. Em consequência do conflito, a propriedade terá sofrido grandes danos. De acordo com a tradição o soberano aqui terá retornado com as suas tropas, na noite de Natal de 1423.

Da Guerra da Restauração aos nossos dias

Durante a Guerra da Restauração da Independência (1640-1668), em 1666, a torre foi tomada pelas tropas do general Baltazar Rojas Pantoja, vice-rei e governador das Armas da Galiza, que trucidaram a sua reduzida guarnição, saqueando e incendiando a vila. As suas forças dirigiram-se em seguida para o Castelo de Monforte de Rio Livre, sendo, porém, batidas por tropas cavalarianas portuguesas sob o comando do general Francisco de Távora, com o auxílio de forças sob o comando do conde de Alvor.

Findo o conflito, o que restou da fortificação medieval caiu em abandono e em ruína.

Chegou até aos nossos dias apenas a torre senhorial, classificada como Monumento Nacional pelo Decreto n.º 29.604, publicado no Diário do Governo, I Série, n.º 112 de 16 de maio de 1939.

Após ter sido utilizado como residência paroquial, o imóvel foi cedido, a título precário, à Casa do Povo de Santo Estêvão (27 de abril de 1942), vindo a ser inscrito a favor do Estado em 13 de julho de 1951.

A intervenção do poder público fez-se sentir através da Direcção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais (DGEMN) que iniciou-lhe intervenção de consolidação e restauro. Desse modo, em 1940 procedeu a demolição de anexo para isolamento da Torre e reconstruiu a armação do telhado em madeira de castanho incluindo forro de pinho nacional e frechal de betão armado. No ano seguinte (1941) procedeu-se o apeamento e reconstrução completa do pilar central da torre, compreendendo a construção de alicerce e execução de novas cantarias, bem como a reconstrução completa de janelas geminadas, compreendendo a substituição de cantarias mutiladas, a reparação geral das ombreiras, escoramentos, o entaipamento de vãos em alvenaria e cantaria, o refechamento de juntas e limpeza de cantarias, a colocação de dois tirantes e um pendural de ferro quadrado na armação do telhado incluindo o florão em chapa de ferro, a execução da cobertura do telhado com telha nacional dupla, a execução e assentamento de vigas grossas em madeira de negrilho nos dois pavimentos, a demolição de muros de alvenaria, a consolidação geral das ameias da torre incluindo a substituição de pedras mutiladas, a execução de muros de alvenaria argamassada, e a regularização do terreno envolvente. Em 1942 procedeu-se o assentamento completo de travejamento em madeira de negrilho incluindo a execução e assentamento de alguns cachorros em pedra e a colocação de caixilhos exteriores em madeira de castanho. Os trabalhos de restauro foram concluídos em 1943, compreendendo a execução e assentamento de lajedo de cantaria no pavimento térreo, a execução de dreno em alvenaria para escoamento das águas, a reconstrução de escada exterior em cantaria, a reparação geral da chaminé, a execução de dois pavimentos, com soalho de pinho e escada de acesso, e o arranjo geral dos paramentos de cantaria interiores e exteriores.

Uma nova campanha de intervenção teve lugar a partir de 1945 com a construção e o fornecimento de uma porta exterior em madeira de castanho para o piso térreo, assim como a construção de duas portas exteriores para o primeiro piso e de oito portadas para as janelas do segundo piso, em madeira de castanho, a construção de caixilharia em madeira de castanho das oito frestas das janelas do terceiro piso, a reparação da cobertura de telha e a construção de uma guarda de segurança em cantaria, assente na escada exterior de pedra da entrada principal. Os trabalhos prosseguiram no ano seguinte (1946) com a reparação geral das cantarias das frestas, a substituição das cantarias, a limpeza e refechamento das juntas nos paramentos exteriores, o aumento da parte superior da chaminé acima do nível do telhado e a execução de oito caixilhos de madeira de castanho das frestas.

Em 1962 procedeu-se a construção do muro de vedação, de um passeio de cantaria irregular em torno da torre e do lajeado e de degrau da entrada para o terreiro. A Casa do Povo, posteriormente, procedeu à instalação eléctrica no primeiro piso.

Características

Exemplar de arquitetura residencial, medieval e gótica, de enquadramento rural, isolado, em posição dominante na parte mais elevada da povoação de Santo Estêvão, na veiga do rio Tâmega, distando 5 quilómetros da cidade de Chaves.

Insere-se num pequeno terreiro relvado, com corredor central e envolvente em cantaria, pontuado de algumas árvores, bancos de jardim e uma boca de fogo; é protegido por um muro em pedra com acesso por portão em ferro. Adossado ao muro da fachada posterior, a leste, existe uma construção recente de sanitários.

Constitui-se em uma torre senhorial, de planta quadrada, de volume simples, com cobertura em telhado de quatro águas enquadrada por um caminho de ronda. As fachadas elevam-se a cerca de 14 metros de altura, em cantaria de granito aparente, de aparelho "vittatum", coroadas por merlões piramidais de tamanho diferente. A fachada principal, voltada a oeste, possui acesso sobrelevado, por portal de arco quebrado de aduelas assentes nos pés-direitos, situado ao nível do primeiro piso, precedido por escada de pedra com guarda do mesmo material, de rebordo marcado, e encimado por consolas de sustentação de um alpendre desaparecido. Ao nível do segundo piso, abre-se janela geminada, de lumes estreitos trilobados e com mainel central; na parte superior esquerda surge uma gárgula de canhão. Na fachada lateral norte abre-se ao nível do piso térreo, um portal de arco quebrado, com aduelas assentes no pé direito encimado por consolas, e, ao nível do segundo piso, janela geminada, de lumes estreitos trilobados descentrada e gárgula superior. A fachada sul apresenta três frestas simples ao nível do primeiro piso e uma janela geminada, de lumes estreitos trilobados ao nível do segundo piso e gárgula central. A fachada leste apresenta, ao nível do piso térreo, duas pequenas frestas e no primeiro piso duas frestas simples e um portal de arco curvo e intradorso recortado assente em impostas cortadas, e gárgula superior.

O interior apresenta paredes em cantaria de granito e pisos de espaço único, comunicantes por escada de madeira encostada à parede sul. O piso térreo possui um pilar central de granito, de seção quadrada com chanfros, pavimento em lajeado de pedra e apresenta o vigamento de madeira de suporte do soalho do primeiro piso. Este possui pavimento em madeira, pilar central semelhante, mas mais estreito e escada em madeira de dois lanços para acesso ao segundo piso. O segundo piso, um espaço amplo, com pavimento em madeira, apresenta visível a estrutura de madeira de suporte do telhado e um pequeno alçapão, com escada móvel de ferro para acesso à cobertura; nos quatro vãos das janelas geminadas surgem conversadeiras e, no ângulo sudeste, uma lareira de granito.

A construção da torre que hoje vemos, sugere um certo paralelismo com outras estruturas edificadas em território galego, como as torres da Pena na Portela, ou da Forxa na Porqueira, em Orense.

Na proximidade, ergue-se a Igreja Paroquial de Santo Estêvão, de uma só nave e torre sineira. A igreja poderá ter sido construída sobre as ruínas de uma capela pertencente ao castelo, a qual conjuntamente com a torre sineira que lhe está adossada, fizesse parte de um recinto fortificado. A configuração arquitectónica da torre sineira demonstra características de defesa, pela espessura e altura dos muros e a quase inexistência de aberturas.



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Contribution

Updated at 28/02/2016 by the tutor Carlos Luís M. C. da Cruz.


  • Castle of Santo Estêvão


  • Fortified Tower

  • 1160 (AC)

  • 1211 (AC)


  • Afonso I de Portugal

  • Portugal


  • Restored and Well Conserved

  • National Protection
    A torre encontra-se classificada como Monumento Nacional pelo Decreto n.º 29.604, publicado no Diário do Governo, I Série, n.º 112 de 16 de maio de 1939.





  • Tourist-cultural Center

  • ,00 m2

  • Continent : Europe
    Country : Portugal
    State/Province: Vila Real
    City: Chaves



  • Lat: 41 -46' 28''N | Lon: 7 25' 9''W










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