Castle of Miranda do Corvo

Miranda do Corvo, Coimbra - Portugal

O “Castelo de Miranda do Corvo” localizava-se na freguesia e concelho de Miranda do Corvo, distrito de Coimbra, em Portugal.

Situado no Alto do Calvário, junto ao cruzamento do vale do rio Dueça com a larga passagem ao longo da cordilheira, desempenhou um relevante papel na defesa da linha do rio Mondego e do acesso à cidade de Coimbra, entre os séculos XI e XII. Em nossos dias integra a "Rede de Castelos e Muralhas do Mondego". Do Alto do Calvário, junto à Igreja Matriz e à torre sineira, vislumbra-se uma panorâmica de toda a vila e das vertentes da serra da Lousã.

História

Embora se desconheça a sua origem, sabe-se que em 998 já existia uma torre-atalaia no local, que estará na origem do topónimo: “mirandus” (atalaia ou miradouro). De seu sítio era possível controlar e defender duas importantes vias de comunicação: a antiga via romana que passava por Corvo e ligava "Sellium" (Tomar) a "Aeminium" (Coimbra), e a via que ligava o interior da península ao Ocidente, a Via Colimbriana. Esta defesa terá sido ampliada nos anos seguintes, sobretudo a partir de 1064 quando Fernando I de Leão (1037-1067) conquistou Viseu e Coimbra. A partir de então, Sesnando Davides, senhor do Condado Conimbricense, um vasto território leonês entre os rios Douro e Mondego, iniciou um conjunto de importantes reformas nas fortificações que envolviam e defendiam a cidade de Coimbra.

Miranda do Corvo foi cercada e conquistada pelas forças Almorávidas que incursionaram na região nos anos de 1116 e 1117, tendo a sua fortificação sido destruída.

De volta ao domínio cristão, ao tempo de D. Afonso Henriques, futuro Afonso I de Portugal (1143-1185) os seus habitantes receberam carta de foral passado pelo donatário Uzberto e sua esposa, Marinha (19 de novembro de 1136). Datará deste momento a reconstrução da primitiva defesa.

A partir da conquista de Santarém (1147) e o avanço das fronteiras para o sul, o castelo perdeu a sua função estratégica.

O foral de Miranda foi confirmado por Afonso II de Portugal (1211-1223).

Nas lutas entre Sancho II de Portugal (1123-1248) e D. Afonso, conde de Bolonha, futuro Afonso III de Portugal (1248-1279) Miranda apoiou o primeiro monarca.

No contexto da crise de sucessão de 1383-1385, tomou partido por Beatriz de Portugal, tendo o seu alcaide, João Afonso Telo, aberto a João I de Castela as suas portas.

A povoação recebeu o Foral Novo de Manuel I de Portugal (1495-1521), datado de 1513 ou 1514.

A partir do século XVIII o antigo castelo, já em ruínas, passou a ser utilizado como pedreira pela população, para a construção das suas moradias e para a reedificação da Igreja Matriz de São Salvador, a partir de 1786. A última torre do castelo desmoronou a 7 de maio de 1799, parte de sua pedra tendo sido aproveitada em 1803 na obra de reconstrução da ponte do Corvo, sobre o rio Alheda, afluente da margem direita do rio Dueça. Neste período a coleta de pedras pela população passou a ser coibida por posturas municipais, não por questões de preservação patrimonial mas tão-somente para assegurar o provimento de bons silhares de pedra para a reconstrução daquela ponte.

Atualmente, do castelo medieval subsistem uma torre secundária, parcialmente reconstruída e transformada em torre sineira da Igreja de São Salvador, e a cisterna que abastecia o primitivo castelo, estruturas de interesse turístico e cultural, sem classificação.

No âmbito da candidatura da Rede Urbana dos Castelos e Muralhas Medievais do Mondego, a Câmara Municipal procedeu a trabalhos de prospeção arqueológica, desenvolvidos desde junho de 2011, que visaram tentar localizar os restos da antiga muralha, e que permitiram a identificação das bases de fundação de uma estrutura junto à cisterna. Esses trabalhos trouxeram novos e importantes dados acerca da utilização do morro do Caramito, onde se erguia o castelo: um conjunto de mais de 30 sepulturas antropomórficas escavadas na rocha revela que esse espaço foi usado como necrópole no século XI.

A intervenção, para além da parte arqueológica, visou a requalificação do núcleo composto pela torre sineira e pela cisterna, a que se junta a necrópole medieval, e teve como objetivos a consolidação, conservação e infraestruturação dos edifícios para posterior musealização, conforme comunicado da autarquia. Contemplou ainda intervenções ao nível da requalificação dos pavimentos, acessibilidades, iluminação e mobiliário urbano, tendo o investimento sido orçado em 154.088,43 euros.

Características

Exemplar de arquitetura militar, românica, de enquadramento urbano.

Acredita-se que com a reconstrução de 1136, uma primeira fortificação elementar terá dado lugar a uma estrutura suficientemente espaçosa para albergar uma pequena guarnição militar, dotada de muralhas de alvenaria e torres a marcar os ângulos do perímetro. Desconhece-se se terá existido uma torre de menagem, isolada a meio da praça de armas, característica do período românico.

A porta principal de entrada seria, supostamente, ao cimo da calçada que sobe da vila; a igreja era então pequena, construída onde hoje está a capela-mor da atual matriz, havendo assim espaço suficiente para uma pequena praça de armas.



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Castelos e Muralhas do Mondego
Website dinamizado pela Agência para o Desenvolvimento dos Castelos e Muralhas Medievais do Mondego, com o objetivo de promover e valorizar o património histórico e cultural da Linha Defensiva do Mondego como um produto turístico de excelência.

http://www.castelosemuralhasdomondego.pt/website/monumentos

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Contribution

Updated at 23/05/2016 by the tutor Carlos Luís M. C. da Cruz.


  • Castle of Miranda do Corvo


  • Castle

  • 1136 (AC)



  • Afonso I de Portugal

  • Portugal

  • 1799 (AC)

  • Missing

  • Monument with no legal protection





  • Tourist-cultural Center

  • ,00 m2

  • Continent : Europe
    Country : Portugal
    State/Province: Coimbra
    City: Miranda do Corvo



  • Lat: 40 -6' 27''N | Lon: 8 20' 7''W







  • Integra a "Rede de Castelos e Muralhas do Mondego".



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