Castle of Sabugal

Sabugal, Guarda - Portugal

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O “Castelo do Sabugal”, também referido como “Castelo das Cinco Quinas” devido ao formato incomum de sua torre de menagem, localiza-se na freguesia de União das Freguesias de Sabugal e Aldeia de Santo António, cidade e concelho do Sabugal, no distrito da Guarda, em Portugal.

Em posição dominante sobre a povoação, num pequeno planalto da serra da Malcata, controlava a travessia do rio Côa em sua margem direita, de onde a sua importância na Antiguidade e na Idade Média.

Hoje em dia constitui-se em importante ponto turístico da região, integrando, juntamente com os castelos de Alfaiates, Sortelha, Vila do Touro e Vilar Maior, a chamada “Rota dos 5 Castelos”.

História

Antecedentes

A primitiva ocupação humana do local remonta à pré-história, aí tendo existido um castro, conforme evidenciam os testemunhos arqueológicos.

Com a invasão romana da península Ibérica foi implantada uma extensa rede de estradas cortando a península, uma delas cruzando o Côa neste trecho. Desse modo, admite-se que aqui terá existido uma pequena guarnição militar para a vigilância e defesa da travessia do rio. A partir do século V terá conhecido o domínio por povos germânicos e, a partir do século VIII por Muçulmanos, ocupações das quais não restaram maiores evidências.

O castelo medieval

À época da Reconquista cristã da península Ibérica, as terras do Sabugal foram inicialmente conquistadas possivelmente por Afonso I de Portugal (1143-1185) em 1160, vindo a ser perdidas logo após para os Muçulmanos e reconquistadas pelo reino de Leão. Estavam integradas no concelho de Ciudad Rodrigo (1175), tendo Afonso IX de Leão criado o concelho do Sabugal (1190), outorgado carta de povoação, e mandado edificar o castelo.

Integrante do território de Ribacoa, conquistado a Leão por Dinis I de Portugal (1279-1325), recebeu carta de foral deste soberano português em 1296. Entretanto, a sua posse definitiva para o Reino de Portugal só foi assegurada pelo Tratado de Alcanizes (1297). O soberano, a partir de então, procurou consolidar essas fronteiras, fazendo reedificar o Castelo de Alfaiates, o Castelo de Almeida, o Castelo Bom, o Castelo Melhor, o Castelo Mendo, o Castelo Rodrigo, o Castelo de Pinhel, o Castelo do Sabugal e o Castelo de Vilar Maior.

No Sabugal, os trabalhos de ampliação e reforço da sua defesa casteleira, consistiram no desimpedimento do espaço intramuros onde se erguiam algumas casas da povoação e no reforço da cintura de muralhas que ganharam por dois grandes torreões dominados por uma torre de menagem. As obras, referidas por Rui de Pina na sua "Crónica de D. Dinis", foram concluídas em 1303, sob a direção de Frei Pedro, do Mosteiro de Alcobaça. Credita-se ainda, a este soberano, o estabelecimento, nestes domínios, de um couto de homiziados, privilégio que visava atrair povoadores. Alguns documentos confirmam que este privilégio se encontrava em vigor ainda em fins do século XV.

Com relação à população da vila, oscilou significativamente no século XV: o “Rol dos Besteiros do Conto” (1421-1422) aponta-lhe 5327 habitantes, ao passo que as "Inquirições" de 1496 indicam apenas 804 habitantes. O “Numeramento” de 1527 refere 1032 habitantes.

Sob o reinado de Manuel I de Portugal (1495-1521), o castelo encontra-se figurado por Duarte de Armas no seu “Livro das Fortalezas” (c. 1509) com duas vistas (do norte e do leste) e uma planta. Neste período recebeu novas obras de beneficiação: o soberano desembargou 300.000 reais das rendas do Sabugal e de Alfaiates para se despenderem nas obras da vila do Sabugal (11 de março de 1512), o mandado de Aires Botelho, contador das obras e dos resíduos das Comarcas da Beira e Riba de Côa, determina pagar-se a João de Ortega, mestre que tomou as obras da fortaleza do Sabugal de empreitada, 90.000 reais, terça parte do total das mesmas, conforme o seu contrato (17 de setembro de 1512), e dispomos do conhecimento de paga do mestre-de-obras João de Ortega em como recebeu do almoxarife Luís do Mercado 90.000 reais por conta "das abóbadas [sic] da fortaleza que agora tem tomadas" (20 de junho de 1513). As obras estavam concluídas em 1515, conforme inscrição epigráfica sobre o portão principal. Este soberano concedeu o Foral Novo à vila em 1 de junho de 1515.

Posteriormente foram realizadas obras nos muros e cerca do Sabugal e de Alfaiates (4 de setembro de 1522).

Da Guerra da Restauração aos nossos dias

No contexto da Guerra da Restauração da Independência (1640-1668) o castelo foi inspecionado pelo engenheiro militar neerlandês Joannes Cieremans, e depois pelo general Matias de Albuquerque, recebendo algumas obras de modernização em sua estrutura, bem como posteriormente edificada a chamada Torre do Relógio.

Ainda nesse contexto o poeta e cavaleiro Brás Garcia de Mascarenhas (1596-1656) esteve encarcerado na sua torre de menagem, aqui tendo composto o seu famoso poema épico “Viriato Trágico”. Deixou-nos ainda uma descrição do Castelo do Sabugal como sendo "de figura quadrada e a cerca da vila redonda, sem nenhum descortino. Esta parece moderna, aquele antigo e do tempo dos mouros. Tem uma torre de cinco quinas altíssima, e no fecho da mais alta abóbada, pela parte de dentro, as quinas de Portugal. Do que se infere que esta torre e os baluartes que descortinam o castelo são obra de rei português, acrescentadas à cerca antiga, como elas mostram claramente. Tem este castelo sua barbacã; e cava, e é forte mas sujeito a muitos padrastos (...).

No contexto da Guerra Peninsular (1808-1814) aquartelou tropas inglesas e portuguesas que deram combate às tropas napoleónicas em retirada, sob o comando do marechal André Masséna (abril de 1811).

Finda a Guerra Civil Portuguesa (1828-1834) foi desguarnecido e caiu em abandono. No século XIX, a lei de 21 de setembro de 1835 proibiu os enterramentos nas igrejas e obrigou à construção de cemitérios municipais levou a que, no Sabugal, a instalação do mesmo fosse feita no recinto do castelo, onde funcionou de 1846 até cerca de 1927. Nesse mesmo período, os habitantes passaram a retirar as pedras das antigas muralhas para reutilizá-las em suas edificações particulares e públicas.

O Castelo do Sabugal e as muralhas da vila encontram-se classificados como Monumento Nacional por Decreto de 16 de junho de 1910, publicado no Diário do Governo, I Série, n.º 136, de 23 de junho de 1910, alterado pelo Decreto n.º 38.147, publicado no Diário do Governo, I Série, n.º 4, de 5 de janeiro de 1951. A ZEP encontra-se definida pela Portaria publicada no Diário do Governo, II Série, n.º 282, de 6 de dezembro de 1949.

Ainda assim, em 1911 procedeu-se a demolição da Igreja de Nossa Senhora do Castelo. No ano seguinte registou-se o desabamento de um lanço de muralha (1 de julho de 1912).

O imóvel passou a estar afeto à Câmara Municipal do Sabugal, por auto de cessão de 28 de julho de 1941. A partir de então, ao longo da década de 1940, o processo de degradação do monumento foi detido graças à atuação da Direcção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais (DGEMN), que promoveu extensa campanha de obras de consolidação e reconstrução. Nova campanha de intervenção teve lugar na segunda metade da década de 1960.

Entre 1993 e 1994 teve lugar uma nova campanha de trabalhos de restauração, procurando devolver ao monumento as suas feições originais. Posteriormente, comprovando-se a existência de fissuras nas paredes e a derrocada parcial de elementos de um dos torreões da barbacã e de algumas ameias (1999).

Em 2002 tiveram lugar trabalhos de prospeção arqueológica, a cargo da Câmara Municipal, que trouxeram à luz antigas estruturas e espólio cerâmico, bem como ossadas.

Em 23 de maio de 2003 a DGEMN lançou um concurso para o restauro e consolidação das muralhas e torres do castelo, assim como a construção de um anfiteatro ao ar livre com as respetivas instalações de apoio. Os trabalhos desenvolveram-se entre 2004 e 2005. Finalmente, em outubro de 2005 procedeu-se à elaboração da Carta de Risco do imóvel pela DGEMN.

Características

Exemplar de arquitetura militar, medieval e manuelina, de enquadramento urbano, isolado, a 755 metros acima do nível do mar. Apresenta afinidades tipológicas com os Castelos de Beja, Estremoz e Montalegre.

O castelo apresenta dupla cintura de muralhas, em aparelho misto de cantaria de granito e de alvenaria de xisto, sendo a barbacã pentagonal irregular com ressalto em retângulo a sul e ligada à antiga muralha da vila a noroeste, sendo esse pano aberto por pequena porta e seteiras e provido de 2 cubelos cilíndricos nos ângulos; outras portas abrem-se a sudoeste e a sudeste, em arco quebrado no exterior e pleno no tardoz; o interior é percorrido por adarve servido por escadas do lado leste e sul; remate em merlões paralelepipédicos vazados por seteiras, também abertas sob as ameias.

O castelejo apresenta planta trapezoidal irregular sendo provido de adarve protegido por merlões paralelepipédicos com seteiras e integrando 4 torres de planta quadrada, 3 nos cunhais oeste, sul e leste, e uma do lado sudoeste, e a torre de menagem, pentagonal, no topo sudeste, todas projetadas para o exterior e providas de adarve e merlões de remate piramidal, estando as 2 primeiras ligadas à barbacã e aos troços de muralha noroeste; o acesso ao interior do recinto, onde existem vestígios de estruturas de edificações e um anfiteatro, faz-se por duas portas, uma a leste, em arco quebrado na fachada exterior e pleno na interior, com passagem coberta por abóbada de berço e encimada por balcão com mata-cães, e uma porta falsa a noroeste, de arco quebrado com tímpano, no exterior, e em arco pleno no tardoz; o caminho de ronda é servido por 4 escadas, sendo 2 na cortina sudoeste, 1 do lado oposto e outra a sudeste, desembocando na porta da torre de menagem, em arco quebrado com tímpano preenchido com pedra de armas com brasão real. A torre de menagem apresenta 4 registos alternadamente rasgados por seteiras, sendo que o último é preenchido nas 5 faces por balcões com mata-cães e coroado por merlões retangulares com remate piramidal. O seu interior não é coincidente com o exterior, estando o primeiro piso ao nível do segundo registo exterior, constituído por sala única coberta com abóbada polinervada; o segundo piso é igualmente de espaço único com pé-direito duplo e cobertura em abóbada polinervada.

Subsistem no interior do castelejo alguns vestígios de estruturas arquitetónicas, provavelmente correspondentes à antiga alcáçova.

Exteriormente existem vestígios de perímetro urbano muralhado, de percetível traçado ovalado irregular, de que subsistem alguns vestígios junto à Porta da Vila a leste, 2 troços de muralha a noroeste, ligados à barbacã por meio de 2 torres quadrangulares.

A lenda do Milagre das Rosas

Reza a tradição que foi no largo deste castelo que ocorreu o famoso milagre das rosas tendo como protagonistas o rei D. Dinis e a Rainha Santa Isabel.



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Contribution

Updated at 06/06/2016 by the tutor Carlos Luís M. C. da Cruz.

Contributions with medias: Carlos Luís M. C. da Cruz (5).


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  • Castelo das Cinco Quinas

  • Castle

  • 1190 (AC)




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  • Featureless and Well Conserved

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    O Castelo do Sabugal e as muralhas da vila encontram-se classificados como Monumento Nacional por Decreto de 16 de junho de 1910, publicado no Diário do Governo, I Série, n.º 136, de 23 de junho de 1910, alterado pelo Decreto n.º 38.147, publicado no Diário do Governo, I Série, n.º 4, de 5 de janeiro de 1951. A ZEP encontra-se definida pela Portaria publicada no Diário do Governo, II Série, n.º 282, de 6 de dezembro de 1949.





  • Tourist-cultural Center

  • ,00 m2

  • Continent : Europe
    Country : Portugal
    State/Province: Guarda
    City: Sabugal



  • Lat: 40 -22' 56''N | Lon: 7 5' 38''W










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