Castle of Redondo

Redondo, Évora - Portugal

O chamado “Castelo de Redondo”, também referido como “Castelo do Redondo”, localiza-se na freguesia, vila e concelho de Redondo, distrito de Évora, em Portugal.

Situa-se na vertente sul da serra d'Ossa, a 24 km a sudoeste da margem direita do rio Guadiana. Faz parte da rede de castelos norte-alentejanos reestruturados por Dinis I de Portugal (1279-1325) e doados à nobreza durante a época tardo-medieval – Estremoz, Monsaraz e Portel –, e apresenta alterações significativas do período manuelino. Do topo da Torre de Menagem é possível ver o Castelo de Evoramonte e a serra d'Ossa, na orientação noroeste.

História

A primitiva ocupação do local remonta a uma fortificação romana.

À época da Reconquista cristã da península Ibérica, Afonso III de Portugal (1248-1279) outorgou carta de foral a Redondo (1250), determinando a construção de um castelo sobre as antigas ruínas (ALMEIDA, 1948).

D. Dinis determinou a reedificação do castelo (1312), período em que terá sido erguida a antiga torre de menagem, bem como a cerca da vila, amparada por diversas torres. O soberano confirmou a carta de foral à vila em 27 de abril de 1318.

João I de Portugal (1385-1433) concedeu privilégios à vila (1418) e estabeleceu a obrigação de passagem pela povoação para quem transitasse entre o Alandroal e Vila Viçosa, com vista ao desenvolvimento comercial da vila.

Em algum momento na passagem do século XV para o século XVI registou-se a perda de função da chamada Torre da Alcaidaria – a antiga torre de menagem - e a petição do povo para a construção de uma nova, argumentado ser a antiga muito baixa. Em fins do século XV teve início a construção da atual torre de menagem, concluída possivelmente em inícios do século XVI, fazendo parte da doação a Vasco Coutinho, capitão de Arzila, por Manuel I de Portugal (1495-1521). Este soberano nomeou aquele nobre como 1.º conde do Redondo (2 de junho de 1500) e, posteriormente, outorgou o Foral Novo à vila (20 de outubro de 1516).

A campanha de reconstrução manuelina é particularmente visível na Porta do Postigo em que se distingue claramente a porta original, nos vãos em arco quebrado e abatido, e nos acrescentos quinhentistas, como a torre sineira e a cobertura em abóbada de aresta com os bocetes ornamentados com nós.

Datam do século XVIII relatos de vestígios do Paço dos Condes de Redondo na zona periférica à Torre de Menagem. É possível que a abertura que existe na muralha a sudeste da mesma tenha sido o espaço ocupado por esta habitação, tendo estado, assim, adossado à torre, como era bastante comum. A quantidade de aberturas na Torre de Menagem e o fato das mesmas constituírem vãos de portas vêm corroborar esta possibilidade.

A Direcção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais procedeu o restauro da Torre de Menagem (décadas de 1920 e de 1930). Posteriormente, nas décadas de 1940 e 1950, a Torre de Menagem foi utilizada como edifício de apoio ao Hospital da Santa Casa da Misericórdia, funcionando como área de isolamento para tuberculosos. Nesse momento procedeu-se ainda a trabalhos de reparo geral nas muralhas (1943).

A "Cerca Urbana do Redondo" encontra-se classificada como Monumento Nacional pelo Decreto n.º 35.443, publicado no Diário do Governo, I Série, n.º 1, de 2 de janeiro de 1946. A ZEP / Zona "non aedificandi" encontram-se definidas pela Portaria publicada no Diário do Governo, II Série, n.º 72, de 26 de março de 1962.

Em 1961 as muralhas contíguas à residência paroquial encontravam-se em perigo de derrocada. Desse modo, de 23 de abril a 27 de maio de 1962 tiveram lugar trabalhos de conservação e consolidação das muralhas, bem como o início do restauro das Portas da Ravessa.

Novas campanhas de obras de reparação das muralhas tiveram lugar em 1976 e em 1986.

A imagem de sua entrada a este foi popularizada, a partir da década de 1990, pelos rótulos do vinho Porta da Ravessa, produzido pela Adega Cooperativa de Redondo. Era diante desta porta que tinha lugar, na Idade Média, a feira da povoação.

Mais recentemente, por iniciativa da Câmara Municipal do Redondo, no início do século XXI foram aplicadas madeiras em portas e janelas da Torre de Menagem, assim como o fechamento da chaminé da lareira da Torre de Menagem.

Em 2012 procedeu-se o reforço das juntas das torres da Porta da Ravessa.

A memória do castelo subsiste na toponímia “Rua do Castelo”.

Características

Exemplar de arquitetura militar medieval, gótica e manuelina, de enquadramento urbano, a 300 metros acima do nível do mar.

Constitui-se em uma cerca urbana de planta elíptica, orientada no sentido sudoeste-nordeste, com o paramento sul um pouco mais retilíneo do que os restantes. 6 torres, distribuídas de forma regular e organizando-se em dois grupos diferentes: quatro semicirculares flanqueantes das 2 portas a sudoeste e a nordeste e 2 de planta ultrasemicircular e de maiores dimensões, ambas com função de torre de menagem, mas construídas em época diferente.

As 2 portas localizam-se nas extremidades do eixo longitudinal sudoeste-nordeste, entre as quais se desenvolve a rua principal retilínea, designada de rua do Castelo. A sudoeste rasga-se a Porta do Postigo e a nordeste a Porta da Ravessa.

A Porta do Postigo é constituída por um conjunto edificado com trânsito de 2 tramos, um em abóbada de nervuras de volta perfeita e outro em arco abatido. Apresenta dois cubelos flanqueantes, o corpo do relógio e a torre sineira, vão de acesso ao exterior em arco de volta perfeita, encimado por um relevo em argamassa caiada formando um arco trilobado lanceolado em cujo tímpano se insere o brasão de armas da família Coutinho com cinco estrelas de cinco pontas ladeado por colunas; decorado com dois cordões separados que pendem um para cada lado, formando nós. Acima da pedra de armas, encontra-se uma grelha de ventilação de secção rectangular, em losangos, encastrada na parede. Os cubelos que flanqueiam a porta têm uma altura aproximadamente igual à da cerca e estão desprovidos de ameias. No topo do conjunto da porta, acima e à direita da grelha, eleva-se um corpo rebocado que enquadra um relógio circular com numeração romana. Por trás desse corpo, sobre o adarve, surge uma torre sineira de planta quadrada, coberta por abóbada hemisférica, caiada de branco, com coruchéu piramidal quadrangular e cata-vento, circundados por 4 pináculos em forma de urna. Encontram-se aqui 3 sinos do século XIX, que se podem ver através de olhais em arco de volta perfeita nas faces sul, leste e oeste da torre. Os 3 sinos apresentam inscrições e baixos-relevos com representações religiosas; no que está orientado a sul pode-se ler a data de 1806. A passagem das portas é coberta por abóbada de aresta de perfil largo. Portal no lado intramuros em arco rebaixado precedido, ainda no interior do túnel, por arco quebrado em alvenaria. O acesso ao topo é feito por uma porta junto à torre cilíndrica norte, do lado intramuros, subindo-se um duplo lance de escadas paralelo ao muro, com degraus cobertos por lajes de xisto. Um pouco mais elevado está o acesso à parte superior da torre sineira e da torre circular sul, no parapeito da qual se encontra um relógio de sol em mármore. É possível, a partir desta área, aceder também ao topo da torre norte, onde se encontram 2 pequenos terraços de onde se avistam bastante próximos o telhado do antigo celeiro comum (atual Enoteca), adossado à torre e, na zona extramuros, a igreja matriz. O corpo que une as duas torres sobre a porta é constituído por uma dependência de planta retangular coberta por 3 tramos de abóbada de aresta com perfil em arco de volta perfeita, incluindo uma porta na face leste e o postigo (que dá o nome a esta porta da muralha) na face oeste; na área sul da sala encontra-se uma abertura no teto e outra no chão, por onde passam os fios do mecanismo dos sinos.

A Porta da Ravessa é constituída por vão em arco quebrado assente em mísulas simples sobrepujado pelo brasão de armas de Portugal original, do reinado de D. Dinis, em mármore, inserido em moldura retangular de duas golas. Na pilastra que sustenta o arco à direita, encontra-se gravado o padrão das medidas lineares da vara e do côvado. No lado interior da muralha, a porta possui uma configuração em arco rebaixado. A Torre de Menagem, que possui planta ultrasemicircular ou em “U”, encontra-se inserida na cerca no lado noroeste, mas a maior parte do corpo projeta-se para o exterior e está divido em 3 registos verticais, contando com o terraço. A zona térrea da torre não possui aberturas até agora conhecidas. Todos os rasgamentos de janelas e portas possuem vãos em arco quebrado. O acesso é feito através de uma escadaria de pedra de 14 degraus virada a sudeste, através de um vão em arco quebrado que dá acesso ao primeiro registo; na mesma face, encontra-se, ao nível do segundo registo, uma janela centrada. A fachada sudoeste apresenta 2 portas próximas uma da outra a nível do segundo piso e uma janela a nível do terceiro piso. A fachada sudeste tem também uma janela no segundo piso e uma porta no primeiro com ligação ao adarve. Por fim, a face noroeste, de recorte semicircular, apresenta uma porta no primeiro piso centrada e uma janela desalinhada no segundo. O interior do primeiro registo apresenta uma lareira simples a oeste, uma escadaria a noroeste, de acesso ao segundo piso e várias portas em redor; o segundo piso apresenta uma escadaria em posição idêntica e acesso a janelas com dois degraus; ao terraço acede-se através de uma escada em caracol que parte do segundo piso a leste, terminada por uma estrutura cilíndrica em forma de guarita ornamentada no remate. A norte encontra-se uma antena e a oeste os vestígios da chaminé que foi fechada.

Sobre a Porta da Ravessa, encontra-se a seguinte inscrição sobrepujada pelas armas reais portuguesas: "E[RA] DE | MIL CCCL | VII AN / OS | FOI COMECADO | ESTE / CASTELO"; nos três espaços entre os escudetes, encontra-se outra inscrição: "V CLO | P FASTEL | I"; do lado direito da escadaria de acesso à Torre de Menagem encontra-se uma lápide com a seguinte inscrição: "A HISTORIA DESTE CASTELO | FOI RECORDADA COM | GRATIDÃO PELOS | PORTUGUESES DE 1940".

O adarve a norte da Torre de Menagem constitui um caminho com muro de ambos os lados de acesso ao Hospital da Misericórdia e a um compartimento aberto com latrinas.

A Torre de Alcaidaria, de menores dimensões do que a Torre de Menagem, encontra-se orientada a sudeste, sendo a sua planta também de forma ultrasemicircular, mas apenas com um registo. Apresenta rasgamentos apenas ao nível do primeiro piso, sendo o térreo provavelmente maciço: na parede noroeste abre-se um vão de porta em arco quebrado que seria, provavelmente, a entrada principal, com escadaria exterior em pedra; na parede sudoeste encontra-se um vão de porta em arco quebrado e dois vãos de janela do mesmo tipo; na parede nordeste encontram-se vestígios de 3 vãos de janela.

No interior das muralhas, o casario apresenta características da arquitetura vernacular alentejana, como as chaminés retangulares de grandes dimensões, as casas térreas e de caiação branca com apontamentos em ocre ou azul. Inclui também no recinto intramuros, perto da torre de menagem, a Igreja e Hospital da Santa Casa da Misericórdia do Redondo e, perto da zona oeste da cerca, extramuros, encontra-se a Igreja Paroquial de Nossa Senhora da Anunciação.



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Contribution

Updated at 15/02/2016 by the tutor Carlos Luís M. C. da Cruz.


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    A "Cerca Urbana do Redondo" encontra-se classificada como Monumento Nacional pelo Decreto n.º 35.443, publicado no Diário do Governo, I Série, n.º 1, de 2 de janeiro de 1946. A ZEP / "Zona non aedificandi" encontram-se definidas pela Portaria publicada no Diário do Governo, II Série, n.º 72, de 26 de março de 1962.





  • Tourist-cultural Center

  • ,00 m2

  • Continent : Europe
    Country : Portugal
    State/Province: Évora
    City: Redondo



  • Lat: 38 -39' 2''N | Lon: 7 32' 34''W










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