Tower of Lagariça

Resende, Viseu - Portugal

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A “Torre da Lagariça” localiza-se na freguesia de São Cipriano, concelho de Resende, distrito de Viseu, em Portugal.

História

Este exemplar de “domus fortis” remonta possivelmente ao período de governo de Teresa de Leão, condessa de Portucale (1112-1128), com as primitivas funções de atalaia e defesa da linha do rio Douro à época da Reconquista cristã. No contexto da formação da nacionalidade, de acordo com alguns autores, aqui terá sido criado, sob a tutela de Egas Moniz, D. Afonso Henriques, futuro Afonso I de Portugal (1143-1185) aludindo-se frequentemente ao milagre de Cárquere, no qual Nossa Senhora teria curado o futuro monarca de uma deformação nas pernas.

Em termos documentais sabe-se que a honra de Resende foi instituída por aquele soberano em favor de Egas Moniz, após a batalha de São Mamede (24 de junho de 1128). Ao longo da Idade Média a região foi conhecendo um progressivo crescimento, o que é atestado pelo conjunto de templos românicos edificados nesse concelho.

À medida que as fronteiras avançaram para o sul, a torre perdeu a sua função estratégica.

No século XVI foi adquirida pela família Pinto, fidalgos e senhores de Riba de Bestança, na Torre da Chã, e do antigo Paço de Covelas, no antigo concelho de Ferreiros. Gonçalo Martins Cochofel foi provavelmente o primeiro senhor da Lagariça e casou nos princípios do século XVI com D. Briolanja Pinto, da geração dos Pintos de Covelas.

A época da Dinastia Filipina (1580-1640) a propriedade foi adquirida em 1610 por compra e doação, passando a ser pertença dos Pintos Cochofel, seus atuais proprietários. Estes procederam a obras de adaptação da antiga torre senhorial para residência da família.

A torre ficou imortalizada na obra de Eça de Queiroz, “A Ilustre Casa de Ramires” (Porto, 1900):

(…) a Torre, a antiquíssima Torre, quadrada e negra sobre os limoeiros do pomar que em redor crescera, com uma pouca de hera no cunhal rachado, as fundas frestas gradeadas de ferro, as ameias e a miradoura bem cortadas no azul de Junho, robusta sobrevivência do Paço acastelado, da falada Honra de Santa Ireneia, solar dos Mendes Ramires desde os meados do século X.” (Op. cit.)

No século XX a propriedade passou para Álvaro de Sousa Pinto Cochofel e, mais tarde, para o seu sobrinho, Gonçalo Alberto Cochofel.

O conjunto encontra-se classificado como Imóvel de Interesse Público pelo Decreto n.º 129/77, publicado no Diário da República, I Série, n.º 226, de 29 de setembro.

A esposa e os filhos de Gonçalo Cochofel, seus atuais proprietários procederam em nossos dias a algumas obras de conservação e restauro.

Em janeiro de 2019 o imóvel, descrito como com tendo 934 m², 20 assoalhadas (qualquer compartimento de uma casa que não seja a despensa, a cozinha, o quarto de banho ou o hall) e 10 quartos, inserido numa área de 60 mil m², encontrava-se à venda por 990 mil euros.

Características

Exemplar de arquitetura militar e civil, em estilo românico e barroco, de enquadramento rural, a meia encosta e adossado parcialmente a habitação de quinta agrícola e separado por muro semicircular, em zona de interesse paisagístico, sobre o vale do rio Cabrum. Esta torre terá semelhanças com outra que outrora existiu em Chã (Cinfães), e com o “castelo” ou Torre de Ferreira de Aves.

A torre apresenta planta quadrangular com disposição verticalista das massas, evoluindo em dois pisos com coincidência do exterior com o interior, rematada por cobertura em telhado de quatro águas.

As fachadas, em cantaria aparente, são coroadas por pináculos piramidais, com embasamentos marcados, possuindo as fachadas leste e sul parcialmente adossadas a um dos extremos do solar, de planimetria em “L”, que se dispõem em volta do núcleo original. A fachada principal está virada a leste, possuindo acesso pelo interior da casa, precedido por escada de pedra com guarda de ferro, virada a norte. Ao nível do segundo piso, abre-se janela geminada, de lumes estreitos e com mainel central. Na fachada lateral sul, abre-se ao nível do piso superior, janela semelhante, geminada, de lumes estreitos. A fachada norte apresenta também uma janela geminada, de lumes estreitos ao nível do segundo piso. A fachada oeste apresenta, no nível superior, balcão retangular com matacães assente em mísulas e, no mesmo plano, janela geminada de lumes estreitos. A casa possui uma guarita de vigia.

O interior apresenta paredes em cantaria de granito, incaracterístico.

Pelos dados recolhidos no “Livro de Tombo da Casa do Paço de Resende”, a Casa da Torre da Lagariça possuía no século XVIII diversos nasceiros no rio Douro, onde eram pescadas as lampreias e depois transportadas para o tanque das lampreias, ainda hoje ali existente e abastecido por nascentes de água de rica qualidade.

Na parte mais recente do solar, na parede do lado norte, podemos encontrar o brasão dos antigos senhores da casa, com as armas dos Pintos.

A lenda da Torre da Lagariça

Na região regista-se uma lenda sobre a presença de um rei Muçulmano que tinha o seu Paço na freguesia vizinha de Ramires. O alcaide da Torre da Lagariça tentou por diversas vezes afastar o rei Muçulmano, mas sem êxito. Um dia, com a ajuda de guerreiros comandados por um Cavaleiro espanhol, o indesejável rei foi definitivamente expulso desta região, debandando com as suas tropas em direção ao Porto.



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Contribution

Updated at 11/01/2019 by the tutor Carlos Luís M. C. da Cruz.

Contributions with medias: Carlos Luís M. C. da Cruz (1).


  • Tower of Lagariça

  • Casa da Torre da Lagariça

  • Fortified Tower





  • Portugal


  • Restored and Well Conserved

  • National Protection
    Encontra-se classificada como Imóvel de Interesse Público pelo Decreto n.º 129/77, publicado no Diário da República, I Série, n.º 226 de 29 de setembro.





  • Tourist-cultural Center

  • 934,00 m2

  • Continent : Europe
    Country : Portugal
    State/Province: Viseu
    City: Resende



  • Lat: 41 -4' 23''N | Lon: 7 59' 58''W










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