Castle of Serpa

Serpa, Beja - Portugal

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O “Castelo de Serpa” localiza-se na freguesia de União das Freguesias de Serpa (Salvador e Santa Maria), concelho de Serpa, distrito de Beja, em Portugal.

Em posição dominante sobre a povoação, integra o território à margem esquerda do rio Guadiana, juntamente com os vizinhos Castelo de Moura, Castelo de Mértola e Castelo de Noudar.

História

Antecedentes

A primitiva ocupação humana de seu sítio remonta à pré-história, posteriormente romanizado, quando já se denominava Serpa, aqui passando a estrada que ligava Beja ao sul da Hispânia. Acredita-se que aqui tenha existido uma fortificação romana com a função de proteger este trecho da via. Com a queda do Império Romano, conheceu a presença de Alanos e Vândalos, quando se instalaram na Bética, dos Suevos, quando se expandiram para o sul, e dos Visigodos, sucedidos, a partir do século VIII pelos Muçulmanos, que também a fortificaram.

O castelo medieval

À época da Reconquista cristã da península Ibérica, a povoação e seu castelo foram inicialmente conquistadas ou por tropas sob o comando de Afonso I de Portugal (1143-1185) ou pelas forças sob o comando de Geraldo Sem-Pavor, em incursão promovida em 1166 no território além do rio Guadiana.

Sob o reinado de Sancho I de Portugal (1185-1211) retornou à posse Muçulmana quando da grande ofensiva Almóada sob o comando de Abū Yūssuf Yaʿqūb bin Yūssuf al-Manṣūr até à linha do Tejo (1190-1191), quando os cristãos conseguiram manter apenas Évora em todo o Alentejo. Mais tarde, as forças de Sancho II de Portugal (1223-1248) recuperariam estas terras, sendo Serpa reconquistada em 1230 (1232?) por forças sob o comando de D. Paio Peres Correia, mestre da Ordem de Santiago, vindo os seus domínios a serem entregues a D. Fernando, irmão do soberano.

Duas décadas mais tarde, tendo Afonso III de Portugal (1248-1279) concluído a conquista do Algarve, Afonso X de Castela impugnou-lhe juridicamente estes domínios. Serpa e as terras além do rio Guadiana inseriam-se igualmente nessa disputa, tendo sido cedidas ao monarca castelhano em 1271. O contencioso só veio a encerrar-se em 1283, com a cedência destes domínios à rainha D. Beatriz, filha de D. Afonso X, viúva de D. Afonso III e mãe de Dinis I de Portugal (1279-1325).

Com a retificação da fronteira sob o reinado de D. Dinis, a povoação recebeu o seu primeiro foral (1295), com privilégios idênticos aos dos moradores de Évora, época em que se iniciou a reconstrução da antiga fortificação muçulmana, aproveitando-se parte das primitivas muralhas de taipa. Para esse fim, a Ordem de Avis fez a doação de um terço das rendas das igrejas de Moura e Serpa para "refazimento e mantimento dos alcáceres dos ditos castellos" (1320). Rui de Pina, na sua “Crónica de D. Dinis”, assinalou Serpa entre as vilas cujos "alcáceres e castellos fez de fundamento". Estas obras foram em tudo semelhantes às realizadas no castelo e linha de defesa da vila de Moura. A alcáçova foi parcialmente aproveitada das edificações muçulmanas em taipa, sendo de planta aproximadamente retangular, adossada à torre de menagem. O conjunto ficava defendido por um forte muro que envolvia ainda a Igreja de Santa Maria, matriz da vila, e a atual Torre do Relógio, dentro do seu perímetro ovalado, típico das fortificações medievais. As cortinas das muralhas, verticais, foram reforçadas por cubelos e encimadas por grossas ameias.

À época da crise de sucessão de 1383-1385, a vila e seu castelo tomaram partido pelo Mestre de Avis, tendo servido como base de operações para as tropas portuguesas em diversas incursões no território castelhano.

Sob o reinado de Afonso V de Portugal (1438-1481), quando das Cortes de 1455, os habitantes de Serpa pleitearam que, para remédio do decréscimo da população, causado pelas guerras e pelas pestes, o soberano concedesse aos futuros moradores o privilégio da isenção, quase que integral, durante 20 anos, de serviços militares ou municipais. O soberano, entretanto, limitou essa concessão aos estrangeiros e reduziu para 10 anos o prazo originalmente reclamado.

Sob o reinado de Manuel I de Portugal (1495-1521) Serpa e seu castelo encontram-se figurados por Duarte de Armas no seu “Livro das Fortalezas” (c. 1509), em duas vistas (fls. 7 e 8, ANTT) e uma planta (fl. 121v.º), onde pode ser apreciada a dimensão da obra dionisina: um castelo com os muros amparados por torreões de planta cilíndrica e quadrangular, dominado por uma imponente torre de menagem; a seus pés, a vila envolvida por uma muralha dupla também reforçada por torres. O soberano outorgou o Foral Novo à vila em 1513, tendo concedido o domínio da povoação e seu castelo a seu filho, o infante D. Luís, duque de Beja. Por morte deste (1555) a vila voltou à posse da Coroa.

Durante a crise de sucessão de 1580, fracamente guarnecidas, Serpa e seu castelo caíram diante das tropas espanholas sob o comando de Sancho d’Ávila (1580).

Da Guerra da Restauração aos nossos dias

No momento da Restauração da Independência de Portugal (1640), tendo sido dos primeiros a hastear o pendão de Portugal, os domínios da vila e seu castelo foram doados por João IV de Portugal (1640-1656) ao Infante D. Pedro (1641), incorporando-se à Casa do Infantado. Configurando-se a Guerra da Restauração (1640-1668), à semelhança de outras praças na região fronteiriça, também esta sofreu obras de modernização, com projeto a cargo do arquiteto Nicolau de Langres que, entretanto não foram concluídas. A projetada fortaleza abaluartada que deveria defender a povoação foi apenas parcialmente executada, materializada no Forte de São Pedro de Serpa, concluído em 1668.

Ocupada durante a Guerra da Sucessão de Espanha (1701-1713/1715), na sequência da retirada das forças espanholas estas fizeram explodir o seu paiol de pólvora, situado numa das torres, destruindo-a (1707).

Arruinada pelo tempo, em 1870 registaram-se grandes desmoronamentos nas muralhas e torres.

O conjunto das “Muralhas de Serpa” encontra-se classificado como Monumento Nacional pelo Decreto n.º 39.521, publicado no Diário do Governo, I Série, n.º 21, de 30 de janeiro de 1954, mesmo ano em que se adquiriu um troço da muralha à condessa de Cuba. O conjunto encontra-se incluído na Zona Especial de Proteção do Núcleo intramuros de Serpa.

Em 1958 iniciaram-se trabalhos de consolidação do troço do aqueduto junto à Porta de Beja. Posteriormente, em 1973 foram adquiridos imóveis para demolição e desobstrução de novos troços das muralhas, bem como foram procedidos trabalhos de recuperação do troço existente à rua das Varandas, que prosseguiram no ano seguinte com a consolidação de troços junto à Porta de Moura e o reboco da Torre do Relógio. Nova campanha de reparação no troço de muralhas na rua das Varandas teve lugar em 1977, sucedendo-se, na década de 1980, novas intervenções na zona do castelo (1980, 1981-1982, 1983-1984, 1985-1986 e 1988).

No ano 2000, em decorrência dos fortes temporais na região, derruiu um troço da muralha. Entre 2001 e 2002 a DREMS procedeu a reconstrução do troço de muralha aluído e áreas adjacentes, com a consolidação de alvenarias, preenchimento de rombos, remoção de vegetação e preenchimento de juntas. Procedeu-se ainda o desmonte da parte superior de troço de muralha incluindo o adarve e sua reconstituição.

Posteriormente em 14 de janeiro de 2004 foi aberto concurso pela DGEMN/DREMS para obras de consolidação.

Características

Exemplar de arquitetura militar, gótica, maneirista, de enquadramento urbano, no centro histórico da povoação, a 230 metros acima do nível do mar.

O castelo apresenta planta subretangular, incluindo a norte, na zona mais elevada, as muralhas da alcáçova de planta idêntica, com torre de menagem adossada a sul. Eram ambos rodeados por barbacã, de que subsiste parte do arranque que envolvia a alcáçova e que se continuava até à muralha a sul do Palácio dos Melos, definindo uma plataforma ovalada que incluía a Igreja de Santa Maria e a vizinha Torre do Relógio.

Muralha vertical, reforçada por cubelos e torres de planta quadrangular e semicircular, rematada por merlões prismáticos, com 2 portas monumentais - a de Beja e a de Moura (outrora, além destas, existiam a da Corredoura, a de Sevilha e a Porta Nova) -, flanqueadas por 2 torreões cilíndricos chanfrados, estes com merlões de remate pentagonal. Outros vãos rasgam a muralha, 1 a leste, 1 a oeste, e 3 a sul. O pano oeste é encimado por aqueduto assente em arcada de vão redondo, entre o Palácio dos Melos do lado norte e uma gigantesca nora assente num poço, junto ao ângulo sudeste. A muralha da alcáçova é reforçada pela torre de menagem, quadrangular, adossada ao pano sul, de que resta a parte inferior, por cubelo semicircular do mesmo lado e por torre retangular no ângulo sudeste, junto à qual é ainda visível parte da barbacã que a envolvia. Na praça fronteira à vizinha Igreja de Santa Maria (antiga mesquita muçulmana) ergue-se a imponente Torre do Relógio, quadrangular, (construída em 1440, constituindo-se na terceira torre relojoeira mais antiga do país) com remate de planta idêntica, onde se ergue a sineira, com coruchéus de remate cónico rodeados por merlões chanfrados.

Inserido no pano das muralhas inscreve-se o Palácio dos Condes de Ficalho, em estilo maneirista, iniciado por D. Francisco de Melo, alcaide-mor de Serpa no final do século XVI e prosseguido por seus filhos, D. Pedro de Melo, governador da Capitania do Rio de Janeiro (1662-1666), e D. António Martim de Melo, bispo da Guarda.

A fortificação seiscentista, da autoria de Nicolau de Langres, aproveitava parte da antiga cerca flanqueando-a com 5 baluartes.



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Castelo de Serpa
Artigo de Apoio na Infopédia, da Porto Editora, sobre a fortificação.

https://www.infopedia.pt/$castelo-de-serpa

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Contribution

Updated at 30/03/2016 by the tutor Carlos Luís M. C. da Cruz.

Contributions with medias: Carlos Luís M. C. da Cruz (3).


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  • Portugal


  • Featureless and Well Conserved

  • National Protection
    O conjunto das “Muralhas de Serpa” encontra-se classificado como Monumento Nacional pelo Decreto n.º 39.521, publicado no Diário do Governo, I Série, n.º 21, de 30 de janeiro de 1954. Encontra-se incluído na Zona Especial de Proteção do Núcleo intramuros de Serpa.





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  • Continent : Europe
    Country : Portugal
    State/Province: Beja
    City: Serpa



  • Lat: 37 -57' 20''N | Lon: 7 35' 51''W










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