Castle of Guarda

Guarda, Guarda - Portugal

O “Castelo da Guarda” localiza-se na cidade, concelho e distrito da Guarda, em Portugal.

No flanco nordeste da serra da Estrela, erguia-se em posição dominante sobre a cidade, a mais alta do país, controlando os vales dos rios Côa e Mondego.

Apesar de muito descaracterizado pelas intervenções, particularmente a partir do século XIX, os troços remanescentes de seus antigos muros ainda definem, em alguns trechos, os limites urbanos.

História

Antecedentes

Acredita-se que a primitiva ocupação deste sítio, remonte a um antigo castro lusitano, posteriormente romanizado (ALMEIDA, 1943). No contexto da ocupação romana da península, a partir do século I esta povoação, próxima a um entroncamento de estradas, desenvolveu-se, com o nome de “Lancia oppidana”. Acredita-se ainda que o atual topónimo “Guarda”, modificação do neolatino “Garda”, originou-se do germânico “Warda”, empregado pelos Visigodos.

O castelo medieval

Informações mais seguras apontam para a construção de uma linha fortificada cobrindo esta região na passagem para o século XIII, momento em que Sancho I de Portugal (1185-1211) transferiu para aqui a diocese de Egitânia, dando novo alento à cidade. É a este soberano que se deve o seu primeiro foral - outorgado a 27 de novembro de 1199, nos mesmos moldes dos de Salamanca e Numão -, e a quem se atribui o início do primeiro castelo, em posição dominante sobre a cidade, datando o chamado Torreão de 1187.

Campanhas edificativas posteriores, nos reinados de Dinis I de Portugal (1279-1325), Fernando I de Portugal (1367-1383) e João I de Portugal (1385-1433), reformularam-lhe a feição original, conferindo-lhe o desenho que hoje se pode reconstituir em linhas gerais, embora a investigação se depare com o problema de atribuição dos troços e torres sobreviventes a um destes três reinados. De maneira geral considera-se que:

• D. Dinis iniciou a construção da  Torre de Menagem (1290) e o troço norte das muralhas, junto à Porta d'El Rei. Na passagem do século XIII para o XIV terá sido responsável ainda pela construção da Torre dos Ferreiros, erguida com pedra proveniente da Igreja de Nossa Senhora da Consolação, assim como do troço leste das muralhas e da chamada Porta da Erva;

• D. Fernando foi responsável por alguns trabalhos e pelo arrasamento do arrabalde leste; e

• D. João I pela conclusão dos troços norte (junto ao Torreão) e sul (junto à Porta da Covilhã) das muralhas.

Foi na Guarda que D. Dinis planeou, entre 1295 e 1296, as negociações diplomáticas que culminaram no Tratado de Alcanizes e na incorporação das terras além do rio Côa ao território português.

D. Fernando instituiu aqui um couto de homiziados (1371)

Posteriormente, no contexto da crise de sucessão de 1383-1385, tendo a nobreza portuguesa tomado partido por Beatriz de Portugal, no início de 1384, quando da primeira invasão castelhana, João I de Castela entrou praticamente sozinho em Portugal, antes mesmo de seu exército. A caminho de Lisboa, tendo chegado à Guarda acompanhado apenas pela sua esposa e por um pequeno séquito de cerca de trinta pessoas, foi recebido processionalmente pelo bispo da diocese e pelo clero, acorrendo depois numerosos fidalgos ao paço episcopal onde se hospedou. Segundo a tradição, na ocasião o alcaide do castelo, Álvaro Gil Cabral, trisavô de Pedro Álvares Cabral, levantou-se em armas, negando-se a entregá-lo.

No início do século XV, a construção da chamada Torre Nova, junto à Porta da Covilhã, correspondeu a uma nova etapa construtiva. Terminam as referências a trabalhos de vulto na fortificação. Neste período, no “Rol dos Besteiros do Conto” (1421-1422) é referida a existência de 10.650 habitantes na cidade. Posteriormente, na “Inquirição” de 1496, é referida a existência de 1426 habitantes. O “Numeramento” de 1527 refere a existência de 2321 habitantes.

No século XVIII, no Verão de 1704, Pedro II de Portugal (1667-1706), em apoio à candidatura do arquiduque Carlos de Áustria ao trono espanhol, acompanhou-o à Guarda, para se planear a invasão da Espanha por tropas portuguesas, o que não se concretizou. Nesse século, o conjunto defensivo era constituído pelos muros onde se rasgavam a Porta Nova (ou Porta da Covilhã), a leste; a Porta do Curro e a Porta Falsa, a norte; a Porta da Erva (ou Porta da Estrela), a leste, junto ao Torreão; no perímetro interno, assinalavam-se a Porta d’El Rei e a Porta Falsa, a norte; e a Porta dos Ferreiros, a leste. Além das muralhas onde se rasgavam essas portas, subsistiam a Torre de Menagem (a sul), a Torre dos Ferreiros e a Torre Nova (ou Torre da Covilhã), a leste.

Do século XIX aos nossos dias

Durante o século XIX, diante da expansão da malha urbana, começaram a ser demolidos os antigos muros medievais, com a explosão das rochas que lhes serviam de alicerce para a abertura de ruas e a construção de edificações. Registaram-se, progressivamente:

• 1801, a demolição de um troço de muralhas;

• em algum momento da segunda metade do século XIX, a demolição do Torreão (Torre Velha), bem como da Porta do Curro (a norte), da Porta Nova (a sul), e do troço de muralhas junto ao Torreão, desde a passagem da rua 31 de Janeiro, da rua do Comércio e da rua Salvador do Nascimento;

• entre 1887 e 1888, a demolição da Torre Nova (Torre da Covilhã);

Ao final do período subsistia um troço de muralhas e a Porta junto à Capela do Senhor do Bonfim (1890) e um troço de muralha no terreiro do antigo Mercado dos Porcos (1898).

No início do século XX a pedra do castelo existente a sul do Paiol, foi aproveitada na construção da enfermaria regimental (1902).

Em 1910 subsistia um troço da muralha no antigo Largo do Espírito Santo, fronteiro à Porta d’El Rei. Nesse momento, os remanescentes do castelo medieval foram classificados como Monumento Nacional por Decreto de 16 de junho de 1910, publicado no Diário do Governo n.º 136, de 23 de junho.

Apesar dessa providência, registou-se ainda, em 1935, a demolição dos troços de muralhas entre a cerca do Solar Torre Vasconcelos até à altura da Rua Tenente Valadim.

A legislação foi alterada com o Decreto n.º 38147, publicado no Diário do Governo, I Série, n.º 4, de 5 de janeiro de 1951 que ampliou a classificação para incluir, além do castelo, a Torre dos Ferreiros, o troço de muralhas junto à torre, e todos os restantes fragmentos de muralha existentes. A ZEP encontra-se definida por Portaria publicada no Diário do Governo, II Série, n.º 237, de 8 de outubro de 1956.

A intervenção do poder público iniciou-se na década de 1940, tendo sido executadas no período diversas intervenções de consolidação, limpeza e restauro pela Direcção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais (DGEMN). Esse organismo desenvolveu uma segunda campanha entre 1956 e 1965, e uma terceira, entre 1984 e 1985, quando foram promovidas diversas beneficiações. Em 1989 foram executados trabalhos de prospeção arqueológica, a cargo do IPPC. Mais recentemente foram executados trabalhos de consolidação de muralhas (DGEMN, 1994), elaborando-se um projeto para a recuperação da Torre dos Ferreiros (DGEMN, 2004).

Características

Exemplar de arquitectura militar, românica e gótica, de enquadramento urbano, a 1056,3 metros do nível do mar.

O castelo apresentava planta poligonal irregular orgânica (adaptada ao terreno), em alvenaria de granito, abundante na região. O conjunto compreendia dois espaços principais: a cidadela (alcáçova), dominada pela Torre de Menagem, e a almedina, delimitada pela cerca. Destes muros restam alguns troços, a saber:

• três, a leste: (a) da Rua Tenente Valadim até à Torre dos Ferreiros; (b) na Rua Lopo de Carvalho; e (c) da Porta da Erva até ao Torreão na Avenida Bombeiros Voluntários, apresentando vestígios das ruínas deste último;

• dois, a norte: (e) na Avenida Bombeiros Voluntários; e (f) na Travessa do Povo, junto à Porta d'El Rei;

• um, a oeste: (g) a partir da Rua Salvador do Nascimento, integrando a denominada Porta Falsa.

A Torre de Menagem, de planta pentagonal irregular, em estilo gótico, ergue-se no topo de uma colina, alicerçada na mole granítica. Originalmente apresentava dois pavimentos, acedidos por uma porta de verga reta. Atualmente o seu interior divide-se em três pavimentas.

A chamada Torre Velha, isolada das muralhas, de planta poligonal, com uma janela de arco de volta perfeita, caracteriza o recinto mais antigo, em torno da qual se erguia a alcáçova.

A chamada Torre dos Ferreiros, a meia encosta, apresenta planta quadrangular com porta dupla em cotovelo, com os respetivos arranques de troços anexos, sendo a principal referência da quase desaparecida cerca da cidade. Apresenta, em uma das suas faces, um dos Passos da Paixão originalmente integrante da Via Sacra.

Com relação às portas rasgadas nos muros, destacam-se:

• Porta da Erva, do Sol ou Porta da Estrela, a leste, exibe perfis distintos intra e extra dorsos. No primeiro forma arco de volta perfeita com aduelas irregulares, e, no seu correspondente, arco apontado, com vestígios de ter sido originalmente mais amplo, também de volta perfeita.

• Porta dos Ferreiros, a leste, constitui-se em uma entrada em cotovelo, protegida pela torre de planta quadrangular, apresentando dois vãos de acesso: um na face oeste, com arco abatido no intradorso e de volta perfeita no extradorso, encimado por passadiço; outro na face sul, em arco apontado no intradorso e de volta perfeita no extradorso. No ângulo interior, encontra-se um nicho gradeado em ferro constituindo um oratório sob a invocação do Cristo Crucificado, conhecido por Senhor dos Aflitos.

• Porta d’El Rei, a oeste, em arco apontado.

Com relação às portas admite-se que a Porta da Covilhã e a Porta dos Curros, as mais afastadas na malha urbana, deveriam existir desde a construção inicial, uma vez que entre ambas se estende a Rua Direita, via principal do burgo. Paralelamente, um segundo eixo viário foi aberto entre a Porta da Erva e a Porta d’El Rei, longitudinalmente em relação à Rua Direita, cruzando-a a meio caminho, em época posterior.



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Contribution

Updated at 15/02/2017 by the tutor Carlos Luís M. C. da Cruz.


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  • Os remanescentes do castelo medieval foram classificados como Monumento Nacional por Decreto de 16 de junho de 1910, publicado no Diário do Governo n.º 136, de 23 de junho.
    A legislação foi alterada com o Decreto n.º 38147, publicado no Diário do Governo, I Série, n.º 4, de 5 de janeiro de 1951 que ampliou a classificação para incluir, além do castelo, a Torre dos Ferreiros, o troço de muralhas junto à torre, e todos os restantes fragmentos de muralha existentes. A ZEP encontra-se definida por Portaria publicada no Diário do Governo, II Série, n.º 237, de 8 de outubro de 1956.





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  • ,00 m2

  • Continent : Europe
    Country : Portugal
    State/Province: Guarda
    City: Guarda



  • Lat: 40 -33' 46''N | Lon: 7 16' 18''W










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