Castle of Peñíscola

Peñíscola, Castellón - Spain

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O “Castelo de Peñíscola” (em catalão, "Peníscola"), também referido como “Castelo do Papa Luna”, localiza-se na cidade e município de Peñíscola, comarca de el Baix Maestrat, província de Castellón, na comunidade autónoma da Comunidade Valenciana, na Espanha.

História

Antecedentes

Entre 718, ano em que Tarik conclui a conquista, até 1233, a cidade de Peñíscola viveu sob o domínio muçulmano. Pouco se conhece sobre este período. Geógrafos árabes aludem a Peñíscola (que denominam de “Banáskula” ou “Baniskula” por adaptação ao seu alfabeto) como castelo inexpugnável à beira-mar, que está povoado, tem quintas (“alquerías”), culturas, abundância de águas e importantes salinas. A partir da fortificação, que faz fronteira com a cristandade, os mouriscos pirateiam o litoral e realizam incursões na Catalunha.

Peñíscola é o berço de personagens famosos como o “Rei Lobo”, Mohamed ben San, Aben Mardanis (1124) que foi capaz de manter um reino muçulmano no sudeste da península enfrentando os invasores berberes, e do escritor Alí Albatá, que interveio nas negociações da cidade com Jaime I de Aragão (1213-1276).

A sua fama de inexpugnável foi comprovada no contexto da Reconquista cristã da região, pelo fracasso das forças de Jaime I em conquistá-la, após um assédio de dois meses em 1225. Quando da campanha para a conquista de Valência (1232-1245), após a queda de Burriana (16 de julho de 1233), que deixou isolados os castelos muçulmanos a norte, Peñíscola entregou-se sem luta e sob condições negociadas visando assegurar as leis e costumes muçulmanos dos seus habitantes (1233).

Em 28 de janeiro de 1251, entretanto, Jaime I outorgou carta de povoamento à cidade, sujeitando-a a Valência, ao abrigo da qual despojou os mouriscos de todas as suas propriedades, em favor dos novos povoadores cristãos. Esta medida propiciou a consolidação demográfica e económica da cidade, iniciando-se um período de prosperidade.

O Castelo Templário

Em 27 de agosto de 1294, frei Berenguer de Cardona, Mestre da Ordem do Templo no Reino de Aragão e na Catalunha, acordou com Jaime II de Aragão (1291-1327) a permuta da vila de Tortosa e seu termo em troca de alguns castelos ao norte do Reino de Valência, entre os quais o de Peñíscola com o seu extenso distrito (que compreendia Benicarló e Vinaròs), Ares del Maestre, Coves e outros domínios. O Grão-Mestre da Ordem, Jacques de Molay, então em viagem no Ocidente, ratificou o ato. A Ordem constituiu assim uma extensa comenda, dando início, imediatamente a um castelo para substituir a antiga alcáçova. O novo castelo empregou as melhores técnicas de arquitetura militar à época, sendo concebido para reforçar as defesas naturais do penhasco, de elevado valor estratégico, dotando-o de uma fonte de água potável, uma vez que, em dias de mau tempo, quando o mar desfazia o tômbolo de areia, deixava o castelo ilhado.

Os responsáveis pelas obras foram o referido frei Berenguer de Cardona e o frei Arnauld de Banyuls, este último comendador de Peñíscola. Os brasões de armas de ambos encontram-se esculpidos em um friso sobre o Portão de Armas do castelo e sobre a porta da basílica. As obras estavam bastante avançadas quando em 1307 a Ordem foi extinta, e Jaime II colocou os seus bens nas mãos de administradores reais.

Em 1317 foi fundada em Aragão a Ordem de Santa Maria de Montesa, com a função declarada de proteção dos domínios cristãos. Dois anos depois (1319), Peñíscola e o seu castelo, assim como todas as demais possessões da antiga Ordem do Templo no Reino de Valência foram confiadas à nova Ordem, e as obras do Castelo de Peñíscola praticamente concluídas. Peñíscola e o seu termo (com Benicarló e Vinaròs até 1359) constituíram as comendas mais importantes da Ordem, abaixo da principal, à qual se subordinavam diretamente. À sua frente havia um cavaleiro, que comandava uma pequena guarnição. Em 1329, Peñíscola encabeçou uma petição e conseguiu que em seu castelo se fundasse o "Priorato de San Jaime", da Ordem de Montesa.

O Grande Cisma do Ocidente

Durante o Grande Cisma do Ocidente (1378-1417), com o falecimento em Avinhão do Papa Clemente VII (1394), o cardeal aragonês Pedro Martínez de Luna foi eleito Papa por maioria (28 de setembro de 1394), como Bento XIII. Também referido como “Papa Luna”, instalou a sede do seu pontificado e uma pequena corte no Castelo de Peñíscola entre 1411 e 1423, para onde atraiu uma plêiade de artistas e artesãos que transformaram o antigo castelo em um palácio, onde se destacou a biblioteca pontifícia. Luna comparava-o à Arca de Noé. Os seus secretários finalizavam as cartas com estas palavras: “script in arca Nohe, in domo Dei ubi est vera ecclesia.” (“escrita na Arca de Noé, na Casa de Deus onde está a verdadeira Igreja”). O seu sucessor, Clemente VIII, também ocupou o castelo até à sua abdicação, em 1429.

Durante este período, o castelo foi reformado, com a construção, no piso térreo, de um palácio residencial para o pontífice, onde se destacava uma importante biblioteca cujos restos conservam-se atualmente sobretudo na Bibliotheca Apostolica Vaticana e na Bibliothèque nationale de France. Também deve-se a Bento XIII o portal de São Pedro (1414), no setor sul das muralhas da cidade (único troço das muralhas medievais que se conserva), sobre o mar, concebido como um cais para o Papa – o qual ostenta as armas do pontífice – e que funcionou como tal até ao século XVIII, quando foi entaipado por razões militares.

Após a morte de Bento XIII, e seguindo as instruções que este deixara, os cardeais de sua Corte escolheram como seu sucessor Clemente VIII, que permaneceu no castelo até que abdicou em 1429, colocando assim fim ao Cisma. A cidade e o castelo foram cedidos à Coroa que, em 1441, os reintegrou à Ordem de Montesa em troca de um montante de 150.000 sous, até que, em 1488 passaram definitivamente ao domínio real.

Os séculos XVI, XVII e XVIII

No contexto da Rebelião das Germanías (1519-1521), serviu como refúgio das forças realistas sob o comando do Vice-rei de Valência, Diego Hurtado de Mendoza. Por esta razão, o Vice-rei concedeu à povoação o título de "Fidelíssima" (1522), assim como o perdão aos agermanados locais (1525), em nome de Carlos I de Espanha (1519-1556).

Ainda no século XVI, Filipe II de Espanha (1556-1598) determinou a modernização de suas defesas, adaptando-as ao fogo da artilharia, para fazer face aos crescentes ataques dos piratas da Barbária. O projeto ficou a cargo do arquiteto militar italiano Juan Bauttista Antonelli, que a dotou de imponentes muralhas pela costa do tômbolo, seu único acesso, estando as obras concluídas em 1578.

Entre 1705 e 1707, no contexto da Guerra da Sucessão Espanhola (1701-1714), Peñíscola manteve-se fiel a Filipe V de Espanha (1700-1724; 1724-1746). Os filipistas valencianos procuraram refúgio em suas fortificações e conseguiram repelir o duríssimo ataque das forças do arquiduque Carlos de Áustria. Este desempenho valeu-lhe o título de "Muito Nobre, Muito Leal e Fidelíssima cidade” e a adição de duas flores-de-lis ao seu brasão de armas, entre outros privilégios. Em ação de graças, o comandante da praça fez erguer, entre 1708 e 1714, o atual edifício da Madre de Deus da Ermitana adossado à torre norte do castelo que, no nível superior, é ocupada pela Capela dos Templários.

Do século XIX aos nossos dias

No contexto da Guerra Peninsular (1808-1814) Peñíscola foi ocupada em 1812 por tropas napoleónicas, que a abandonam apenas em 1814 após um violento bombardeamento naval espanhol que arrasou praticamente todas as casas da povoação, e destruiu uma parte do castelo.

Findas as Guerras Carlistas (1833-1840, 1846-1849 e 1872-1876), e com o surgimento de novas armas de artilharia, com maior potência de fogo, o castelo e a vila fortificada perderam a importância militar, tendo o exército espanhol desocupado a praça em 1890.

Atualmente é património do Estado, tendo sido declarado como Monumento Histórico-Artístico Nacional e “Bem de Interesse Cultural” em 1931. Desde 1957 é administrado pela Deputação Provincial de Castellón, que lhe promoveu intervenção de consolidação e restaurou, tendo removido as edificações que lhe foram adossadas em épocas mais recentes, e reconstruído as ameias do terraço superior. Conserva-se em muito bom estado, constituindo-se um dos melhores exemplos da arquitetura militar medieval no País Valenciano, o mais bem conservado Castelo Templário dos territórios catalães e, sem dúvida, um do mais bem preservados do Ocidente. O seu espaço tem sido destinado a fins culturais e turísticos.

Em 2007, à entrada do monumento foi erguida uma estátua em bronze do Papa Bento XIII, de autoria do escultor Sergio Blanco. Um ano mais tarde (2008), o castelo foi um dos finalistas das "Sete maravilhas de Valencia" na categoria de conjuntos histórico-artísticos.

Atualmente é o segundo monumento histórico mais visitado de Espanha, com um número médio de visitantes próximo a 300 mil pessoas por ano.

Características

Exemplar de arquitetura militar, muçulmano, gótico e abaluartado. O primitivo castelo cristão de Peñíscola corresponde a um modelo de fortaleza-mosteiro criado na Terra Santa e difundido nas regiões da antiga Coroa de Aragão pelos Cavaleiros da Ordem do Templo, que já o haviam praticado no Castelo de Miravet, em meados do século XII.

Situa-se na parte mais elevada do rochedo que domina a cidade, a 64 metros acima do nível do mar. Possui um perímetro de cerca de 230 metros e tem uma altura média de 20 metros.

Apresenta planta heptagonal inscrita em um quadrado imperfeito. É reforçado por torres de planta quadrangular em cinco de seus lados, sendo aquelas ao norte as de maiores dimensões. Foi erguido em um estilo românico de transição, com os espaços cobertos por abóbadas de berço frequentemente ligeiramente apontadas e com pedras bem aparelhadas. A porta de armas está localizada a sul, entre duas torres; acima da porta, há um friso com o escudo heráldico da Ordem do Templo e os de seus dirigentes que iniciaram a construção (o friso encontra-se repetido acima da porta da capela). Antes do portão original do castelo, há um pequeno baluarte, construído no século XVI.

O interior está disposto em dois pavimentos. O pavimento inferior tem diferentes partes para uso militar, distribuídos em torno de uma área central coberta (a praça de armas encontra-se no piso superior): as dependências para o corpo da guarda, cisterna, cavalariças, adega, quartéis, loja (a chamada “Sala do Conclave”), prisão e sala de armas. A parte nobre, modificada à época do Papa Luna, para converter o complexo em um castelo-palácio, incluem o Palácio Pontifício, a chamada Sala do Comandante, a Capela dos Templários e as cozinhas ou banhos, construções repartidas a norte e a oeste das muralhas e em torno de uma grande praça de armas, que atualmente se abre para leste por um grande terraço. Desapareceram as antigas habitações e dormitórios dos Templários destruídas em 1814 pelo bombardeamento da frota espanhola. O antigo dormitório foi substituído pelo terraço do lado do mar. O Palácio Pontifício propriamente dito situa-se no extremo sudoeste da praça e conserva diferentes partes, desde o suposto gabinete de estudos ou biblioteca papal, sobre cuja porta se encontram as armas do Pontífice. Na Praça de Armas, antes da Sala do Comandante e a Capela, há uma galeria coberta, provavelmente de madeira em sua origem, de que apenas restam vestígios das vigas nas paredes. Do lado de fora do muro oriental, uma escadaria escavada na rocha permitia o embarque e o desembarque. Há um rico conjunto de lendas sobre a residência Papal e esta escada.

Lista de Comendadores Templários

1294 - Arnauld de Banyuls, primeiro comendador de Peñíscola.

1295 (julho)-1298 (março) – Raymond de Gardia (Ramon Saguàrdia). Comendador do Mas Deu (1292-1294, 1303-1310).

1298 (junho) - Bernard de Tous.

1??? - Bernard de Fuentes. Comendador de Corbins (1294, 1301-1303) e de Maiorca (1299, 1304).

1298 (dezembro)-1307 (fevereiro) - Arnauld de Banyuls, último comendador de Gardeny (1307-1308).

1307 - Pierre de Saint-Just foi o último comendador de Peñíscola, tendo-se evadido em 1 de dezembro de 1308, sendo detido algum tempo depois. Foi sucessivamente comendador de Villel (1292-1294), de Grañena (1295-1296), de Saragoça (1296), de Corbins (1299-1300) e de Maiorca (1300-1301).

Bibliografia

DEMURGER, Alain. Les Templiers, une chevalerie chrétienne au Moyen Âge (Col. "Points Histoire"). Paris: Seuil,  2008. 664p. ISBN 978-2-7578-1122-1

SANS, Joan Fuget (dir.). La commanderie, institution des ordres militaires dans l’Occident médiéval. Édition du Comité des travaux historiques et scientifiques,‎ 2002. ISBN 978-273550485-5



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Contribution

Updated at 25/05/2018 by the tutor Carlos Luís M. C. da Cruz.

Contributions with medias: Carlos Luís M. C. da Cruz (1).


  • Castle of Peñíscola

  • Castelo de Peníscola, Castelo do Papa Luna

  • Castle

  • 1294 (AC)




  • Spain


  • Restored and Well Conserved

  • National Protection
    Encontra.se declarado como Monumento Histórico-Artístico Nacional e “Bem de Interesse Cultural” em 1931.





  • Tourist-cultural Center

  • ,00 m2

  • Continent : Europe
    Country : Spain
    State/Province: Castellón
    City: Peñíscola



  • Lat: 40 -22' 29''N | Lon: 0 -25' 31''







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