Tower of Ucanha

Tarouca, Viseu - Portugal

A “Torre de Ucanha”, também referida como “Ponte e Torre Fortificada de Ucanha”, localiza-se na União das Freguesias de Gouviães e Ucanha, concelho de Tarouca, distrito de Viseu, em Portugal.

Constituía-se na entrada monumental do couto do poderoso Mosteiro de Salzedas. A originalidade deste monumento é a associação à antiga ponte de uma torre, como forma de cobrança de portagem, proteção e controlo de pessoas e bens.

Juntamente com a Ponte de Sequeiros, no distrito da Guarda, é um dos dois exemplares de pontes fortificadas existentes no País.

História

Acredita-se que a primitiva ponte sobre o rio Varosa, perto de Tarouca e a poucos quilómetros de Lamego, tenha sido erguida pelos romanos, servindo uma via romana que ali passava.

A primeira referência documental à mesma remonta ao reinado de Afonso I de Portugal (1143-1185), quando é referida como “antiga” anteriormente a 1146, na carta de doação de Gouviães que o soberano fez ao seu Monteiro-mor, D. Paio Cortês. O mesmo soberano doou, em 1163, à viúva de Egas Moniz, Teresa Afonso, o couto de Algeriz, acrescentando-lhe o território de Ucanha. Esta senhora, fundadora do Mosteiro de Santa Maria de Salzedas, da Ordem de Cister, por sua vez viria a doar ao mosteiro este couto entre 1155 e 1156.

Remontará a esse período, na segunda metade do século XII momento em que o convento adquiriu os direitos de portagem da antiga ponte, a construção de um arco provido da respetiva porta, na cabeceira da ponte na margem direita do rio, e, sobre ele, um edifício de um só piso para armazenar as portagens aí cobradas pelo senhorio do couto (o Mosteiro de Salzedas) aos que nele ingressavam, seguindo a antiga via romana, a mais importante via de acesso à cidade de Lamego. Por essa razão aí se fixou uma população de funcionários encarregados da cobrança das portagens, sendo construídas instalações e casas e desenvolvendo-se a chamada “vila da Ponte” (atual Ucanha), conforme confirmação do Papa Inocêncio III em 1209.

Num mundo feudal, em que as passagens sobre os rios eram poucas, a cobrança deste tipo de portagem constituía um rendimento significativo, e é precisamente à luz desse imposto que se deve entender a existência desta torre.

Em seu reinado, Dinis I de Portugal (1279-1325) pretendeu favorecer as gentes e vila de Castro Rei (atual Tarouca), concedendo-lhes o privilégio da passagem de Moimenta para Lamego, abrindo acesa e longa questão por causa dos direitos desta passagem tendo como opositor o Mosteiro de Salzedas, que defendia a obrigatoriedade da passagem pela ponte e torre de “Cucanha” sobre o rio Varosa. Documento régio de 1315 determinou a obrigatoriedade da passagem na ponte e o respetivo pagamento de portagem. Em 1324 registou-se uma tentativa régia de isentar os moradores de Castro Rei do pagamento de portagem, votada ao insucesso por oposição dos monges de Salzedas.

Em 1465 há a notícia de o conjunto ter sido intervencionado, por ação do abade D. Fernando, 12.º abade de Salzedas (1453-1474), filho natural de um irmão de D. Nuno Álvares Pereira. Desconhece-se o alcance dos trabalhos então realizados, mas é de supor que tenham sido de alguma importância, a ponto de se associar uma epígrafe comemorativa da empreitada. Infelizmente, as marcas desse projeto quatrocentista não são facilmente identificáveis e o conjunto aguarda um estudo mais completo que possa evidenciar o que então se efetuou.

Sob o reinado de Manuel I de Portugal (1495-1521), com a concessão de carta de foral à vila (1504), a portagem foi extinta e o monumento perdeu grande parte da sua função inicial. O tabuleiro continuou a ser o meio privilegiado de passagem na zona, mas a torre entrou em decadência, permanecendo apenas como armazém de produtos.

Ao longo dos séculos a torre teve várias utilidades como sustentou o professor José Leite de Vasconcelos: arrecadação das portagens, talvez mansão senhorial, e pode ter sido utilizada como celeiro conventual.

A “Torre de Ucanha” está classificada como Monumento Nacional pelo Decreto de 16 de junho de 1910, publicado no Diário do Governo n.º 136, de 23 de junho.

A intervenção do poder público só se fez sentir a partir da segunda metade da década de 1930, por iniciativa da Direcção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais (DGEMN) que empreendeu intervenção de consolidação e restauro no conjunto. Intervenções pontuais tiveram lugar a partir da década de 1970, encontrando-se o conjunto em boas condições de conservação.

Características

Exemplar de arquitetura civil e militar, em estilo gótico.

A ponte, em granito, é em duplo cavalete, como foi normal na pontística medieval, e é suportada por quatro arcos apontados, sendo o central de vão maior, com 10 metros de largura e 12 metros de altura, vencendo a largura do leito do rio. Os pés direitos deste arco médio são os únicos a possuir reforço por talhamares. O tabuleiro da ponte, em forma de sela, é resguardado por muros aparelhados de cantaria também de granito.

Num dos extremos da ponte abre-se o arco de volta perfeita da torre, que apresenta planta quadrada, com dez metros de lado, erguendo-se a vinte metros de altura. Em pedra de granito, para a parte sul, à distância de 5 metros da base, rasga-se uma porta em estilo árabe, com uma varanda por onde se entra para a torre, por uma escada de ferro gradeada. O seu interior divide-se em três pavimentos: no primeiro rasga-se apenas uma fresta, no segundo em duas das faces abrem-se duas janelas geminadas e no último salientam-se quatro mata-cães, apoiados em cachorros. A torre termina superiormente com aberturas de vigilância, cobertas por telhado de quatro águas com beiral.

Na face oposta à ponte rasga-se um pequeno nicho, no interior do qual se abriga uma escultura de Nossa Senhora do Castelo e uma edícula, cortada verticalmente por um báculo abacial, com a inscrição gótica: “Esta obra mandou fazer Dõ Fedo Abble de Salzedas e DM M / III.º L X V 'era domini' 1465”.



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Contribution

Updated at 28/02/2016 by the tutor Carlos Luís M. C. da Cruz.


  • Tower of Ucanha

  • Ponte e Torre Fortificada de Ucanha

  • Fortified Bridge


  • 1465 (AC)



  • Portugal


  • Restored and Well Conserved

  • National Protection
    A “Torre de Ucanha” está classificada como Monumento Nacional pelo Decreto de 16 de junho de 1910, publicado no Diário do Governo n.º 136, de 23 de junho.





  • Tourist-cultural Center

  • ,00 m2

  • Continent : Europe
    Country : Portugal
    State/Province: Viseu
    City: Tarouca



  • Lat: 41 -3' 6''N | Lon: 7 44' 49''W






  • Década de 1930: intervenção de consolidação e restauro, por iniciativa da Direcção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais (DGEMN).




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