Madalena Fort

Madalena, Autonomous Region of Azores - Portugal

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O “Forte da Madalena” localizava-se na freguesia e concelho da Madalena, na ilha do Pico, na Região Autónoma dos Açores.

Constituiu-se em uma fortificação destinada à defesa do antigo ancoradouro da Areia Funda contra os ataques de piratas e corsários, outrora frequentes nesta região do oceano Atlântico.

Ao longo dos séculos, devido à sua posição privilegiada sobre o canal do Faial, fronteiro à cidade da Horta na ilha do Faial, constituiu-se no principal porto da ilha, por onde era escoada a produção vinícola do verdelho da vizinha ilha do Pico.

História

Sucedeu o 1.º Reduto da Madalena e o 2.º Reduto da Madalena referidos, no contexto da Guerra da Sucessão Espanhola (1702-1714), pelo marechal Castelo Branco na relação "Fortificações nos Açores existentes em 1710". (Op. cit., p. 180)

Em meados do século XVIII, o capitão-mor da Madalena, Francisco Pereira Cardoso, relatava à Câmara Municipal da Madalena que: "(...) esta uilla se achaua aberta de todo nos postos do mar sem reparo algum de muralhas nem fortificações (...)". (Arquivo Municipal da Madalena, "Vereações (1733-1744)", fl. 126v. apud MENESES, 1987:1034) Este oficial propusera, em outubro de 1740, a construção de uma muralha de proteção para a vila, e de uma fortificação para a defesa da embocadoura do porto. (Arquivo Municipal da Madalena, "Vereações (1733-1744)", fl. 112, Acórdão de 26 de outubro de 1740. apud MENESES, 1987:1034) Entretanto, apenas em 1744, após nova insistência foram arrematados por um conto trinta e cinco mil réis os muros de defesa da vila, (Arquivo Municipal da Madalena, "Vereações (1733-1744)", fl. 190, Acórdão de 29 de abril de 1744; "Vereações (1744-1753)", fl. 2, Acórdão de 20 de maio de 1744. apud MENESES, 1987:1034) e, em 1746 há notícias dos trabalhos de construção da fortaleza do porto, que foram paralisados dois anos mais tarde, uma vez que o arrematador dos muros, António Silveira, emigrou para o Brasil. (Arquivo Municipal da Madalena, "Vereações (1744-1753)", fl. 64v, Acórdão de 10 de dezembro de 1746; fls. 100-100v, Acórdão de 8 de maio de 1748. apud MENESES, 1987:1034)

Desse modo, o novo capitão-mor da Madalena, João Pereira Cardoso, voltou a representar à Câmara a necessidade de se repetir a arrematação das fortificações, o que teve lugar em junho de 1748, comprometendo-se Manuel Pereira Godinho, pela quantia de 6$980 reis cada braça, a construir "(...) sem braças de muro de seis palmos de Alto e quatro de largo caiado por hua e outra parte com hum portam de doze palmos de largo e Altura correspondente com suas banquetas por hua e outra parte (...)". (Arquivo Municipal da Madalena, "Vereações (1744-1753)", fl. 102v. apud MENESES, 1987:1034) Na mesma altura, o capitão-mor pedia ainda que de novo se apregoasse a arrematação da obra da fortaleza do porto, que já se iniciara. (Arquivo Municipal da Madalena, "Vereações (1744-1753)", fl. 103. apud MENESES, 1987:1034)

As obras processaram-se com dificuldades, uma vez que, em 1756 e em 1759, o capitão mandante António Silveira Peixoto e o capitão-mor João Pereira Cardoso, rogavam novamente à Câmara que se concluíssem os trabalhos de fortificação da vila. (Arquivo Municipal da Madalena, "Vereações (1754-1764)", fl. 52v; fl. 55v, Acórdão de 6 de junho de 1759. apud MENESES, 1987:1034) A julho de 1759 a Câmara determinou nova arrematação e nomeou o ajudante Jerónimo Correia de Vasconcelos como intendente das obras defensivas, com o encargo de zelar pelo bom andamento das obras de fortificação. (Arquivo Municipal da Madalena, "Vereações (1754-1764)", fl. 105v. apud MENESES, 1987:1034)

Pouco depois, em 1763 os oficiais do pelouro, a pedido do capitão-mor, noticiaram outra arrematação da muralha de defesa da vila, a cinco tostões cada pedra lavrada e a 15$000 por braça de pedra e cal. (Arquivo Municipal da Madalena, "Vereações (1754-64)", fl. 171, acórdão de 13 de abril de 1763; fl. 181 v.º, acórdão de 10 de outubro de 1763. in MENESES, 1995:174)

A par dos projetos de construção de uma muralha e fortaleza que acautelassem a defesa da Madalena, em 1749 aventou-se ainda a necessidade de se edificar uma casa para vigias e armazenamento de pólvora, que se acredita não ter sido construída. (Arquivo Municipal da Madalena, "Vereações (1754-64)", fl. 123v.º, acórdão de 12 de julho de 1749. in MENESES, 1995:174)

As dificuldades de recursos não entravavam apenas as obras de fortificação. Desde 1741 as 14 peças de artilharia da vila exigiam reparações, designadamente a construção de carretas, sobre as quais trabalhassem. Estas, entretanto, apenas se concretizariam em 1744. (Arquivo Municipal da Madalena, "Vereações (1733-44)", fl. 126v.º; fl. 190; fls. 190v.º-191; "Vereações (1744-53)", fl. 6 v.º, acórdão de 13 de agosto de 1744. in MENESES, 1995:174) Contudo, em 1761, o capitão-mor, João Pereira Cardoso, cogitava a necessidade de se fabricarem novas carretas, que garantissem a operacionalidade da artilharia costeira. (Arquivo Municipal da Madalena, "Vereações (1754-64)", fl. 139-139v.º. in MENESES, 1995:174)

No contexto da implantação da Capitania Geral dos Açores (1766) a "Revista aos Fortes das Ilhas do Faial e Pico", em 1769 dá conta:

"1.º Forte do Porto da villa da Magdallena da Ilha do Pico

Este Forte achaó-se as suas muralhas feitas té a altura do cordaó, preciza fazerem-se-lhe os seus parapeitos, e as suas plata formas como tambem o seu quartel emmadeirado, e tilhado, cuja obra toda podera toda emportar 100$000.

Artilharia que tem este Forte

Pessas de ferro capazes de serviço sinco, preciza fazer-se-lhe os seus reparos pelos naó ter. (...)". (MACHADO, 1998:333)

A "Relação" do marechal de campo Júlio José Fernandes Basto, 1.º barão de Basto, comandante da 10.ª Divisão Militar (Açores), em 1862 refere-o como "Castello da Magdalena", informa que "Somente existem os vestígios, e á muitos annos não é mais que um largo ou lugradouro publico", e complementa: "Idem Idem" ("Pode desde já desprezar-se, porque além de não ser efficaz para a defeza da ilha, por isso que esta é accessivel por todos os lados, e as fortificações se achão tão arruinadas que teria de se fazer avultadas despezas para a sua reedificação."). (Op. cit., p. 270)

A estrutura não chegou até aos nossos dias.

Características

Exemplar de arquitetura militar, abaluartado.

De acordo com o desenho de MACHADO (1998) em 1769 apresentava planta no formato pentagonal irregular, com 5 canhoneiras rasgadas nos muros pelo lado do mar (2 em cada lado e 1 no vértice). No terrapleno, pelo lado de terra erguia-se a edificação da casa do comando/quartel da tropa/casa da palamenta. Ainda pelo lado de terra rasgava-se o portão de armas. (Op. cit., p. 335)

Bibliografia

MENESES, Avelino de Freitas de. "O Município da Madalena (Pico): 1740-1764 - Subsídios para o seu Estudo. In: Boletim do Instituto Histórico da Ilha Terceira, vol. XLV, tomo II, 1987.

MENESES, Avelino de Freitas de. Estudos de História dos Açores (vol. II). Ponta Delgada (Açores): Jornal de Cultura, 1995.

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Related links 

Fortificação - Ilha do Pico
Página do Instituto Histórico da Ilha Terceira (IHIT) com a bibliografia publicada no Boletim daquela instituição sobre as fortificações da ilha do Pico.

http://www.ihit.pt/new/fortes/pico.php

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Contribution

Updated at 10/03/2018 by the tutor Carlos Luís M. C. da Cruz.

Contributions with medias: Carlos Luís M. C. da Cruz (1).


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  • Missing

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  • Disappeared

  • ,00 m2

  • Continent : Europe
    Country : Portugal
    State/Province: Autonomous Region of Azores
    City: Madalena



  • Lat: 38 -33' 56''N | Lon: 28 31' 47''W




  • 1769: 5 peças antecarga, de alma lisa, de ferro, desmontadas.






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