Castle of Alegrete

Portalegre, Portalegre - Portugal

O "Castelo de Alegrete" localiza-se na freguesia de Alegrete, concelho e distrito de Portalegre, em Portugal.

A pouco mais de 10 quilómetros de Portalegre, constitui-se em uma das mais importantes fortificações do Alto Alentejo raiano, assumindo-se, desde a Idade Média, como uma peça fundamental no sistema defensivo regional. A sua localização, no topo de um monte, dá-lhe o carácter de miradouro sobre uma vasta paisagem.

História

Antecedentes

A primitiva ocupação humana da região remonta à pré-história, sucessivamente habitada por Lusitanos, Romanos, Vândalos, Alanos, até à invasão muçulmana da Península a partir do século VIII.

O castelo medieval

No contexto da Reconquista cristã, a região foi conquistada em 1160 pelas forças de Afonso I de Portugal (1145-1185), com o auxílio dos cavaleiros da Ordem do Templo. Entretanto, as primeiras informações documentais a respeito da fortificação da atual Alegrete datam do século XIII, uma vez que, pelos termos da Convenção de Badajoz (16 de fevereiro de 1267), assinada entre Afonso III de Portugal (1248-1279) e seu sogro, Afonso X de Leão e Castela (1252-1284), a povoação e o seu castelo foram definitivamente incorporados ao território do Reino de Portugal. O soberano português procedeu-lhe reparos e reforços, obras que se estenderam até ao reinado de Dinis I de Portugal (1279-1325), quando a povoação recebeu a sua carta de foral (1319).

No contexto da crise de sucessão de 1383-1385, a povoação e seu castelo tomaram partido pelo Mestre de Avis, tendo sido acampamento das forças portuguesas sob o comando do Condestável D. Nuno Álvares Pereira (8 de abril de 1384), vitoriosas contra as forças castelhanas na batalha dos Atoleiros (6 de abril de 1384).

Sob o reinado de Afonso V de Portugal (1438-1481), no contexto da Guerra da Sucessão de Castela (Guerra da Beltraneja, 1475-1479), a povoação e o seu castelo foram conquistadas pelas tropas de Castela (1475), tendo posteriormente retornado à posse portuguesa.

Sob o reinado de Manuel I de Portugal (1495-1521), a vila recebeu o Foral Novo (14 de fevereiro de 1516).

Do século XVI ao XVIII

Quando da crise de sucessão de 1580, a posição do antigo castelo medieval readquiriu importância estratégica, na primeira linha de defesa da raia.

Mais tarde, à época da Guerra da Restauração da independência portuguesa (1640-1668), João IV de Portugal (1640-1656) recompensou Matias de Albuquerque por serviços prestados concedendo-lhe o título de conde de Alegrete. No mesmo contexto, afirma-se que, em 1662, estando a praça de Alegrete guarnecida por duas companhias de infantaria sob o comando de La Costé, cercada pelas tropas espanholas sob o comando de D. Juan José de Austria, aquele governador da praça remeteu ao comandante invasor duas botijas do generoso vinho da região, com uma nota comunicando que a guarnição portuguesa resistiria até à última gota daquela bebida ali produzida. Diante deste gesto de galanteria, afirma-se que o invasor levantou o cerco à praça, retirando. À época teve lugar intervenção nas muralhas sob a direção de Luís Serrão Pimentel. A partir de 1664 as suas defesas foram modernizadas e reforçadas em pontos específicos, sob a direção de D. António Luís de Meneses, 1.º marquês de Marialva (12 de julho). À época, uma fortificação de campanha abaluartada foi erguida, possivelmente em faxina e terra, uma vez que não é possível hoje identificar os seus vestígios. Ainda nesse século foi criado o marquesado de Alegrete (19 de agosto de 1687), sendo seu primeiro titular D. Manuel Teles da Silva.

Do século XIX aos nossos dias

No contexto da Guerra da Sucessão Espanhola (1701-1714), em 1704 a povoação e sua fortificação resistiram ao cerco das tropas de Filipe V da Espanha (1700-1724; 1724-1746), para depois mergulhar numa paz da qual só despertaria no início do século seguinte, quando aquartelou considerável número de tropas no momento da chamada Guerra das Laranjas (1801).

No início do século XIX as suas defesas já se encontravam em considerável declínio, não tendo tido papel nos combates da Guerra Civil (1828-1834) que se registaram nas suas vizinhanças, entre as tropas do conde de Vila Flor e os realistas (1834).

A Alcaidaria-Mor de Alegrete com a responsabilidade pelo Castelo foram entregues aos Condes de Vila-Flor e Senhores-Donatários da Zibreira, tendo o último senhor do castelo sido D. Cristóvão Manoel de Vilhena, Senhor de Pancas e da Zibreira, filho herdeiro da condessa de Alpedrinha e que se encartou na Alcaidaria-Mor de Alegrete em 1860, tendo falecido em 1877, data em que a referida Alcaidaria-Mor e o Castelo de Alegrete reverteram para a Fazenda Nacional.

Com a extinção do Concelho e Julgado de Alegrete (26 de junho de 1855), o antigo castelo mergulhou no abandono e no esquecimento.

O castelo e a cerca urbana de Alegrete encontram-se classificados como Monumento Nacional pelo Decreto n.º 35.443, publicado no Diário do Governo, I Série, n.º 1, de 2 de janeiro de 1946. O conjunto encontra-se ainda incluído na Área Protegida da Serra de São Mamede.

A intervenção do poder público teve lugar a partir de 1965 quando foram iniciadas obras de consolidação e restauro, a cargo da Direcção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais (DGEMN). Uma nova campanha de intervenção teve lugar em 1977-1978 quando foram promovidas obras de consolidação na torre do castelo em virtude de uma derrocada, e demolidas alvenarias que tapavam as aberturas e as ameias. Mais tarde, a partir de 1984 foram promovidas obras de consolidação das muralhas e isolamento da entrada do castelo.

Em 2007 a Câmara Municipal de Portalegre elaborou projeto de substituição do palco existente no recinto por um amovível, e projeto para a construção de uma rampa de acesso à torre e construção de um miradouro sobre a cisterna.

Características

Exemplar da arquitetura militar gótica, de enquadramento periurbano, composto por castelo e cerca urbana, que delimitava a povoação medieval no topo de um monte, atingindo a cota de 502,9 m acima do nível do mar.

O castelo, a sul da cerca urbana, apresenta planta muito irregular. No troço norte rasga-se a Porta da Vila, e no leste a Porta da Traição (Porta do Sol), Ainda a leste existem ruínas do que poderá ter sido a Torre de Menagem, com cisterna e pavimento de acesso com porta rasgada a sul, hoje emparedada. Sobre a cisterna existia outro pavimento, conforme se pode observar pelos encaixes da abóbada que o sustentava, ao nível do topo das escadas que partem do pátio. Esta torre parece ter estado dividida, de alto a baixo, por parede que partia do pavimento situado sobre a cisterna. A parte oeste da torre parece ter tido um pequeno torreão ou varanda a dar para o pátio. Na área sul/sudoeste o castelo apresenta o que parecem ser os restos de um cubelo de vigia, com uma face plana, para o qual se acede pelas escadas adossadas ao tramo sul da muralha. O interior do pátio é desnivelado e apresenta afloramentos rochosos.

A cerca urbana, partindo do castelo e no sentido dos ponteiros do relógio, apresenta dois troços de muralha, a sudoeste, com a Porta de Santana, cubelo com uma face plana, troço de muralha oeste, cubelo, continuação do troço de muralha anterior, para norte, tramo de muralha que inflete para leste / sudeste, com a Porta da Rua do Forno (aberta pela população para dar acesso àquela rua), Porta da Vila entre dois cubelos, continuação do mesmo troço de muralha, com pequena interrupção inicial, cubelo a leste, inflexão da muralha para sul e ligação ao castelo com pequena inflexão na parte terminal para sudoeste.

Não subsistem vestígios de fortificação abaluartada de que há memória ter sido construída.



 Related character


 Print the Related character

Related bibliography 


 Print the Related bibliography

Contribution

Updated at 14/07/2019 by the tutor Carlos Luís M. C. da Cruz.


  • Castle of Alegrete


  • Castle





  • Portugal


  • Restored and Well Conserved

  • National Protection
    O castelo e a cerca urbana de Alegrete encontram-se classificados como Monumento Nacional pelo Decreto n.º 35.443, publicado no Diário do Governo, I Série, n.º 1, de 2 de janeiro de 1946. O conjunto encontra-se ainda incluído na Área Protegida da Serra de São Mamede.





  • Tourist-cultural Center

  • ,00 m2

  • Continent : Europe
    Country : Portugal
    State/Province: Portalegre
    City: Portalegre



  • Lat: 39 -15' 47''N | Lon: 7 19' 27''W






  • 1965: obras de consolidação e restauro a cargo da Direcção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais (DGEMN);
    1977-1978: obras de consolidação na torre do castelo em virtude de uma derrocada, e demolidas alvenarias que tapavam as aberturas e as ameias.
    1984: obras de consolidação das muralhas e isolamento da entrada do castelo.




Print the contents


Register your email to receive news on this project


Fortalezas.org > Fortification > Castle of Alegrete