Fortín de San Gerónimo de Boquerón

San Juan, Estado associado aos Estados Unidos da América - Porto Rico

O "Fortim de San Gerónimo de Boquerón", cuja denominação oficial é "Fortín San Jerónimo del Boquerón", localiza-se na boca da lagoa de Condado, no setor histórico de Miramar, na cidade e município de San Juan, costa norte da ilha de Porto Rico, no arquipélago das Grandes Antilhas, Estado Livre Associado de Porto Rico, uma dependência dos Estados Unidos da América.

Integrava a Primeira Linha de Defesa da Praça-forte de San Juan de Porto Rico.

História

Antecedentes

A fortificação na ponta de Boquerón é pela primeira vez referida numa informação que o então Governador de Porto Rico, Diego Menéndez de Valdés (1582-1593), enviou à Junta de Porto Rico em 1587. Ali se dá conta que Valdés fortificara a Ponta de Boquerón com uma trincheira e uma plataforma de dimensões capazes para receber 6 peças de artilharia, cuja função era "proteger la segunda entrada de la bahía de Puerto Rico y evitar invasiones a la isleta de San Juan Bautista". Essa posição foi reforçada poucos anos mais tarde com uma grossa estacada de madeira, para evitar qualquer desembarque pela calheta onde hoje se situa o balneário do Escambrón. Valdés propôs ainda a construção de uma trincheira artilhada sobre a praia do atual balneário, "(...) disfrazada que no se eche de ver de fuera".

Em 1591 o capitão Pedro de Salazar, que havia sido comissionado pelo engenheiro militar Bautista Antonelli, fez demolir todas as obras, trincheiras e redutos levantados por Valdés no ilhéu de San Juan. Esta providência comprovou-se um erro estratégico, como o demonstrariam os ataques dos corsários ingleses Sir Francis Drake em 1595, e Sir George Clifford, 3.º conde de Cumberland, em 1598, uma vez que essas defesas eram a chave para a defesa de San Juan tornando-a inexpugnável a um ataque por terra. A experiência posteriormente adquirida com os ataques ingleses e neerlandeses demonstrou que Valdés havia agido criteriosamente, escolhendo as posições que havia fortificado com grande acerto. Este veterano das guerras de Flandres e de Itália compreendeu a questão da defesa de San Juan em relação ao fator geográfico antilhano, com singular tirocínio e avançado critério estratégico, sustentara em 1587 um plano baseado na posição de Porto Rico com relação às demais ilhas do arquipélago, na acessibilidade do seu principal porto face aos ventos dominantes e outras condições que afetavam a navegação no mar das Caraíbas.

Entre os anos de 1591 a 1595 foram construídas diversas posições de campanha e uma delas foi uma pequena bateria denominada "El Boquerón".

Quando do ataque de Drake as baterias de "El Boquerón" e da Ponte de San Antonio foram defendidas por 150 soldados e 4 peças de artilharia, de um total de 15 peças e 400 homens destacados para as baterias do flanco oriental do ilhéu. Além destas, outras baterias eram a da calheta del Cabrón, situada entre a ponta do Escambrón e "El Boquerón", e a da enseada del Morrillo no extremo oriental do ilhéu. (Frei Iñigo Abbad y Lasierra).

Quando do ataque do conde de Cumberland existiam duas posições fortificadas na área. Cumberland refere-se a "El Boquerón" como "baluarte", ao passo que Layfield, o cronista desta expedição, considerou-o "um pequeno fortim". O outro ponto fortificado situava-se a oeste: San Antonio. Layfield faz menção a esse "forte" ou "baluarte" como "Fuerte Rojo" e "Mata Diablo". Isso pode sugerir uma estrutura erguida em tijolos vermelhos ou uma madeira com essa cor. O nome "Mata Diablo" quiçá surgiu quando do ataque de Drake, quando os espanhóis acreditaram ter matado John Hawkins com o fogo da sua artilharia. O ataque de Cumberland causou tamanhos danos às fortificações que lhe foi possível desembarcar as suas forças sem dificuldades. Cinquenta mosqueteiros espanhóis tentaram, sem sucesso, deter o invasor.

O Fortim de San Jerónimo

Em 1608 o então governador, Don Gabriel de Rojas, fez reedificar na praia do Boquerón um fortim que, no ano seguinte (1609), denominou Fortim de San Jerónimo. Este passou a integrar a primeira linha de defesa de San Juan, junto com a Ponte/Forte de San Antonio e o Forte del Escambrón, sendo o Forte San Cristóbal a quarta e última linha de defesa da cidade.

Em 1625, quando do ataque do almirante neerlandês Boudewijn Hendriksz, o então Governador, Juan de Haro, considerou de suma importância a defesa da Ponta del Boquéron, uma vez que receava uma repetição do assalto do conde de Cumberland. Por essa razão expediu ordens para a transferência de duas peças de artilharia de "El Morro" para reforço daquela posição, fazendo abrir trincheiras, para onde destacou um grande efetivo de soldados.

No século seguinte, em 1768 foram erguidas edificações para o armazém da pólvora e o corpo da guarda, a oeste da fortificação.

O terramoto de 1787 causou danos à fortificação, tendo a sua reparação ficado a cargo do engenheiro militar Don Ignasio Mascaró y Homar, que as deu como concluídas no ano seguinte (1788), de acordo com o historiador porto-riquenho Adolfo de Hostos.

A informação da "Junta de Fortificación y Defensa de Yndias" (Madrid, 8 de setembro de 1792) dá conta de que o então Governador de San Juan, don Miguel Antonio de Ustaríz, propusera, em suas representações de 30 de maio, 6 de julho e 30 de agosto de 1790, que se melhorasse o "(...) fuerte arruinado de San Gerónimo", relatando:

"Propone se construya en lugar del Fuerte arruinado de San Gerónimo, otro de mayor estensión con Batería alta, Plaza baxa. atoxamiento para Oficiales, y Tropa, repuesto de pólvora, y un Puente de Comunicación que le asegure de las mareas y marejadas del Norte".

Essas obras de reforço foram aprovadas por Real Ordem de 30 de outubro de 1791, e a própria Junta considerou-as de tal importância que não deveriam demorar-se por nenhum motivo. Existem ainda evidências de que em 1792 um engenheiro militar espanhol estava a trabalhar em San Jerónimo, preparando aquela posição contra um possível ataque britânico que afinal se materializaria em 1797.

O Fortim de San Jerónimo e o Forte de San Antonio foram peças essenciais para repelir, em 1797, a tentativa de invasão pelas forças britânicas combinadas do almirante Sir Henry Harvey (no comando de uma frota de cerca de 60 navios) e do general Sir Ralph Abercromby (no comando de 7 a 13.000 homens), que acabara de conquistar Trinidad.

Naquele momento, a guarnição de Porto Rico encontrava-se incompleta, uma vez que mais da metade dos seus efetivos encontrava-se, de acordo com um plano acordado em 1793, na ilha de "La Española" para fazer frente às forças de Toussaint Louverture, que haviam-se rebelado contra os franceses que ocupavam uma parte da dita ilha. Desse modo, o efetivo disponível para a defesa de Porto Rico eram 200 veteranos do "Regimiento Fijo de Puerto Rico", as "Milicias Disciplinadas" e os chamados "urbanos". O efetivo das milícias em toda a ilha era de 15 companhias de Infantaria, 2 de Artilharia e 5 de Cavalaria, no total de 4.000 combatentes. Os "urbanos", armados apenas com lança e machete, ascendiam aproximadamente a 2.000 homens. A estas forças somavam-se 2 agrupamentos de franceses totalizando 110 homens. Destas forças na ilha, conhecem-se as que estavam ou acudiram à capital pelo "Diário" de operações e outras fontes coevas. Encontravam-se em San Juan o "Regimiento Fijo" com o seu contingente aumentado, 3 companhias de Infantaria das Milícias, as 2 de Artilharia, e os homens válidos que pegaram em armas, brancos e negros, que chegaram ao longo dos dias, ascendendo esse efetivo a cerca de 4.000 homens.

As forças britânicas desembarcaram a 17 de abril em Loíza nas imediações da enseada de Cangrejos, a cerca de 3 quilómetros a oeste de San Juan, um efetivo de 6.000 soldados e 2.000 negros e mulatos recrutados em Martinica e Barbados. Foram confrontadas por 300 homens sob o comando do Coronel Linares, que, entretanto, foram forçados a retirar para o Forte de San Antonio diante da superioridade numérica do inimigo.

Enquanto isso a frota do almirante Harvey bloqueou o acesso marítimo ao porto de San Juan, e Abercromby estabeleceu o seu quartel-general na paróquia de San Mateo de onde podia descortinar toda a San Juan e a Ponte de Martín Peña. A estratégia de Abercromby era tomar aquela ponte, a fim de impedir a chegada de reforços espanhóis pelo sul e bombardear as fortificações de San Jerónimo e de San Antonio a partir de Miramar para ganhar acesso à Ponte de San Antonio e atravessá-la para o ilhéu de San Juan. Entre as forças britânicas destacavam-se os "Royal Marines", que haviam ganho reputação depois de derrotar as tropas de Napoleão Bonaparte na Campanha do Egito. O então governador de Porto Rico, Marechal de Campo Don Ramón de Castro y Gutiérrez, um brilhante estratego, impediu o avanço das forças britânicas, frustrando-lhes o plano de conquista.

A defesa do fortim de San Jerónimo foi assim descrita:

"El enemigo incomodaba también bastante el fuerte de S. Gerònimo con los fuegos de la batería del Rodeo, que dirigía tanto á él como al puente. El comandante D. Teodomiro del Toro esforzaba los trabajos para reparar con sacos y barriles de arena el descubierto que experimentaba en su castillo por la parte que miraba á la citada batería enemiga; y para precaver los daños de las bombas y granadas que caían en él con frecuencia, hizo llenar de arena las azoteas que correspondían al cuerpo de guardia y demás cuartos inferiores. Era incesante el trabajo que ofrecían aquellos castillos á sus comandantes para remediar las ruinas á que el fuego enemigo los tenia reducidos". (Pedro Tomás de Córdoba, 1830)

A cidade esteve sob o fogo britânico até 30 de abril. A 2 de maio de 1797 a frota britânica levantou o bloqueio naval e partiu. Repelida a invasão, ambas as fortificações foram reconstruídas e ampliadas, a de San Jerónimo a partir de 1799.

Um relatório de autoria de Tomás Sedeño com data de 31 de dezembro de 1801 dá conta das obras de limpeza e de reconstrução do fortim, tendo sido acrescentadas duas canhoneiras pelo lado do mar e duas pela face oeste.

Em 1832 Miguel de la Torre y Pando, Capitão-general e Governador de Porto Rico (1823-1837) procedeu-lhe reparações.

Durante a Guerra Hispano-Americana (1898) estava guarnecido por 2 oficiais e 51 soldados do Batalhão Principado de Astúrias, sob o comando do capitão porto-riquenho Policarpo Echevarría. Contava com apenas 2 antigas peças em serviço, de bronze do calibre 16.

Com o fim do conflito o forte passou às mãos do U.S. Navy, que aqui instalou uma estação de rádio. Em 15 de julho de 1921 o comandante da estação de rádio da capital, Virgil Baker, por meio de um acordo discutível, que chegou a ser apreciado pelo Supremo Tribunal dos Estados Unidos, recebeu um contrato de arrendamento de 999 anos, ao preço nominal de US$ 1.00 pelo forte e uma faixa de terra de 12 hectares conhecida como "San Gerónimo Naval Reservation", onde eventualmente veio a ser erguido o Caribe Hilton Hotel. Após 1921 um pequeno ancoradouro foi construído. Sobre a antiga estrutura aquele oficial construiu a sua residência e, em 1947, vendeu os lotes para a Administración de Fomento por US$ 400,000. Ele recusou-se a entrar em acordo para a bateria militar, embora esta tenha vindo a ser transferido para o Instituto de Cultura Puertorriqueña (ICP) no início de 2000, após décadas de uso por parte do hotel como um centro de atividades.

O fortim encontra-se inscrito no U.S. National Register of Historic Places desde 11 de outubro de 1983, mas diferentemente de outras fortificações no centro histórico da cidade, não faz parte do "San Juan National Historic Site".

Em 2006 tiveram lugar tentativas, por parte do ICP e de engenheiros do U.S. Army, para construir um quebra-mar que contivesse a ruína causada pela erosão marinha nas muralhas do fortim.

Em julho de 2007 o forte foi palco de protestos contra a construção de um projeto turístico denominado "Paseo Caribe" que iria impedir o acesso do público à fortificação. O protesto durou cerca de uma semana durante a qual os manifestantes forçaram a paralização das obras no local.

O "Omnibus Public Land Management Act of 2009" levou o Secretário do Interior dos EUA a realizar um estudo para determinar a adequação da inclusão do Fortim de San Jerónimo como parte do "San Juan National Historic Site".

O fortim atualmente encontra-se em boas condições, aberto à visitação pública, com acesso pelos vizinhos Caribe Hilton Hotel e complexo Plaza Caribe.

O "Polvorín de San Gerónimo" (Casa da Pólvora), construído em 1769, é hoje integrante do Parque Luis Muñoz Rivera, nas proximidades.



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Updated at 23/04/2017 by the tutor Carlos Luís M. C. da Cruz.


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  • Spain


  • Restored and Well Conserved

  • National Protection
    Encontra-se inscrito no U.S. National Register of Historic Places desde 11 de outubro de 1983.





  • Tourist-cultural Center

  • 1600,00 m2

  • Continent : Central America
    Country : Porto Rico
    State/Province: Estado associado aos Estados Unidos da América
    City: San Juan



  • Lat: 18 -28' 14''N | Lon: 66 5' 4''W










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