Castle of Amieira

Nisa, Portalegre - Portugal

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O “Castelo de Amieira”, também referido como “Castelo da Amieira”, localiza-se na freguesia de União das Freguesias de Arez e Amieira do Tejo, no concelho de Nisa, distrito de Portalegre, em Portugal.

A antiga povoação de Amieira, a meio caminho entre Belver e Nisa, integrava a chamada Linha do Tejo, na margem sul daquele rio. Constituiu-se numa das onze vilas que a Ordem de São João de Jerusalém (ou do Hospital) detinha na região.

História

O castelo medieval

No contexto da Reconquista cristã e da formação do reino de Portugal, Sancho II de Portugal (1223-1248) fez uma expressiva doação de terras à Ordem de São João de Jerusalém, incluindo as povoações de Amieira, Belver (Gavião) e Crato (1232).

Em 1256 Amieira já se encontra referida como vila, com foral possivelmente atribuído pelo então prior da Ordem, D. Frei Gonçalo Viegas. É também possível que neste momento já existisse uma estrutura fortificada.

A edificação do castelo encontra-se referida em fontes documentais apenas sob o reinado de Afonso IV de Portugal (1325-1357), por iniciativa do prior da Ordem, D. Frei Álvaro Gonçalves Pereira, filho natural do arcebispo de Braga, D. Gonçalo Pereira, e pai do futuro Condestável, D. Nuno Álvares Pereira. A ele deve-se ainda a transferência da sede da Ordem, de Leça do Bailio para o Crato (1356), circunstância que levou toda a estrutura hospitalária para o coração do seu principal domínio fundiário. Algumas obras devem ter sido orientadas por um outro seu filho, D. Pedro Álvares Pereira (que o sucederia no priorado), e não se encontravam concluídas em 1359 conforme se depreende de uma carta régia enviada nesse ano a D. Álvaro. Nesse período (1358-1359) refere-se que “(...) estavam fazendo cauas & barbacas (...)”. As obras no castelo só estariam formalmente concluídas em 1362. O próprio Álvaro Gonçalves Pereira aqui faleceu em 1375.

Durante a crise de sucessão de 1383-1385, o então prior do Crato, D. Pedro Pereira, no início de 1384 reconheceu a autoridade de Beatriz de Portugal, filha de D. Fernando, e, como tal, herdeira legítima do trono português. O Castelo da Amieira, juntamente com outros da Ordem, prestou obediência à Rainha, situação modificada poucos meses mais tarde, por influência do Condestável D. Nuno Álvares Pereira, irmão do prior, tendo este partido para Castela.

O único episódio militar em que o castelo esteve envolvido ocorreu em 1440. Tendo D. Leonor, princesa de Aragão, se desentendido com o então regente, D. Pedro, Infante de Portugal, 1.º duque de Coimbra (1439-1448), retirou-se, com a cumplicidade do então prior, D. Nuno de Góis, para o Crato, tendo invocado em seu auxílio as forças de Castela, que cercaram a Amieira. Diante dessa insubordinação, D. Pedro determinou a ocupação dos castelos do Priorado do Crato nessa região fronteiriça, ordenando a D. Álvaro Vaz de Almada, 1.º conde de Abranches, acometer o Castelo da Amieira. Sem oferecer resistência os castelos renderam-se, o prior do Crato e D. Leonor puseram-se em fuga para Castela e a paz foi restabelecida. O Castelo da Amieira passou para as mãos de Pedro Rodrigues de Castro como alcaide ao final do conflito.

Perdida a função militar, pelo afastamento das linhas de fronteira, o castelo decaiu de importância. Nos séculos XV e XVI as dependências do castelo foram utilizadas como prisão, tendo sido procedidas pequenas obras de reparação: sob o reinado de João II de Portugal (1481-1495) por volta de 1488, e do de Manuel I de Portugal (1495-1521), que outorgou o Foral Novo à vila (1512), e nomeou Vasco Anes como vedor das obras reais em Amieira (1515). Data do século XVI a construção de uma capela no castelo, sob a invocação de São João Batista (1556).

Do século XVII aos nossos dias

No século XVII foram erguidas edificações residenciais no interior do recinto do castelo.

No século seguinte, em 1724 registam-se obras de beneficiação e recuperação do castelo, nomeadamente na torre de menagem, sob o patrocínio do alcaide-mor da vila.

Quando do terramoto de 1755 o castelo e o paço encontravam-se arruinados, de acordo com o relato do padre Luís Cardoso nas “Memórias Paroquiais” (1758).

No século XIX, a lei de 21 de setembro de 1835 proibiu os enterramentos nas igrejas e obrigou à construção de cemitérios municipais o que, em Amieira, ocorreu no recinto do antigo castelo.

No início do século XX tiveram lugar obras de conservação e restauro do antigo castelo (1914).

Encontra-se classificado como Monumento Nacional pelo Decreto n.° 8.447, publicado no Diário do Governo, I Série, n.º 233, de 10 de novembro de 1922. A ZEP encontra-se definida pela Portaria publicada no Diário do Governo, II Série, n.º 266, de 16 novembro de 1949.

O Ministério da Guerra cessionou o imóvel à Junta de Freguesia (1924) que, com a inauguração de um novo cemitério municipal (1937), desativou o antigo cemitério no castelo.

De 1942 a 1949 tiveram lugar obras de consolidação e restauro por parte da Direcção Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais (DGEMN) incluindo demolição de barracas adossadas à barbacã e torre de menagem.

Em 1997 o antigo castelo foi objeto de campanha de prospecção arqueológica, tendo sido investigadas a praça de armas, a barbacã e o largo exterior.

Mais recentemente, em 2005 foi lançado um projeto para recuperação e intervenção global no monumento, que entretanto não chegou à fase de concurso devido a restrições de financiamento. Em 2006 o castelo foi encerrado à visitação pública, por falta de condições de segurança, situação denunciada na imprensa em 2008, tendo o Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico (IGESPAR) confirmado de que não dispunha de verbas para o efeito. ("Património: Castelo de Amieira do Tejo encerrado há dois anos por falta de condições de segurança", in: Expresso On-line, 18 fev 2008, http://expresso.sapo.pt/patrimonio-castelo-de-amieira-do-tejo-encerrado-ha-dois-anos-por-falta-de-condicoes-de-seguranca=f245278#ixzz3XvrfBcPC ) Ainda em 2008 um protocolo assinado entre a Direção Regional de Cultura do Alentejo (DRCALEN) e a Câmara Municipal de Nisa permitiu empreender intervenção de conservação e restauro na Torre de Menagem, requalificando-a como espaço museológico.

Características

Exemplar de arquitetura militar, no estilo gótico, de enquadramento urbano, isolado, na cota de 200 metros acima do nível do mar.

De pequenas dimensões, apresenta planta no formato retangular. As muralhas, ameadas, são reforçadas nos vértices por quatro torres não-maciças, de seção quadrada que se ligam entre si pelos adarves das muralhas. A Torre de São João, a sudeste, divide-se internamente em dois pisos; a Torre de Menagem, a nordeste, de maiores proporções, divide-se em quatro pisos, rasgada por janelas, sendo uma mainelada com moldura gótica e outra com arco apontado e moldura de toros. As quadrelas norte e sul apresentam escadas adossadas que dão acesso aos adarves.

As torres, não maciças, com masmorras ou outras utilizações no piso térreo, parecem ser características das construções hospitalárias em Portugal, presentes também na torre do Mosteiro de Leça do Balio (sede da Ordem) e a do Castelo de Belver. Duas delas, a Torre do Sanguinho e a Torre do Pandeirinho, apresentam vestígios de pinturas murais medievais em alguns alçados interiores de carácter geométrico e figurativo (cenas de cavaleiros).

A torre de menagem tem a função de defesa da porta de armas, de arco quebrado, rasgada no paramento leste. Na diagonal oposta, rasga-se a porta da traição, junto à torre sudoeste.

No interior das muralhas, abre-se a praça de armas, onde se situa a cisterna e se encontram vestígios de habitações, possivelmente o antigo Paço, adossados aos paramentos sul e norte.

No exterior, o conjunto é completado por um fosso (hoje aterrado) e uma barbacã de planta pentagonal, de muros também ameados. Ainda fora dos muros, mas adossada a uma das torres, a leste, ergue-se a Capela de São João Baptista em estilo renascentista, com portal em arco de volta perfeita com aduelas almofadadas, encimado por uma inscrição onde se regista a data “1556”. No interior, apresenta abóbada de caixotões decorada com grotescos e uma imagem do padroeiro, além de um retábulo tardo-renascentista.



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Related links 

Castelo de Amieira do Tejo (Câmara Municipal)
Página da Câmara Municipal de Nisa com texto de Domingos Bucho acerca do antigo castelo.

http://www.cm-nisa.pt/casteloamieira.html
Castelo de Amieira do Tejo (Amigos dos Castelos)
Página da Associação Portuguesa dos Amigos dos Castelos sobre o antigo castelo.

http://www.amigosdoscastelos.org.pt/tabid/72/ctl/Details/mid/473/monum...

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Contribution

Updated at 15/07/2017 by the tutor Carlos Luís M. C. da Cruz.

Contributions with medias: Carlos Luís M. C. da Cruz (1).


  • Castle of Amieira

  • Castelo da Amieira, Castelo de Amieira do Tejo

  • Castle


  • 1362 (AC)


  • Afonso IV of Portugal

  • Portugal


  • Restored and Semiconserved

  • National Protection
    Encontra-se classificado como Monumento Nacional pelo Decreto n.° 8.447, publicado no Diário do Governo, I Série, n.º 233, de 10 de novembro de 1922. A ZEP encontra-se definida pela Portaria publicada no Diário do Governo, II Série, n.º 266, de 16 novembro de 1949.





  • Tourist-cultural Center

  • ,00 m2

  • Continent : Europe
    Country : Portugal
    State/Province: Portalegre
    City: Nisa



  • Lat: 39 -31' 32''N | Lon: 7 48' 59''W






  • 1942-1949: obras de consolidação e restauro por parte da Direcção Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais (DGEMN);
    1997: campanha de prospecção arqueológica;
    2008-2009: obras de requalificação da Torre de Menagem como espaço museológico (DRCALEN e Câmara Municipal).

  • Castelo Hospitalário



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