Castle of Alenquer

Alenquer, Lisboa - Portugal

O “Castelo de Alenquer” localiza-se na freguesia de União das Freguesias de Alenquer (Santo Estêvão e Triana), na vila e concelho de Alenquer, distrito de Lisboa, em Portugal.

Integrou a linha defensiva do Tejo, em sua margem direita, à época da Reconquista cristã da região.

História

Antecedentes

A primitiva ocupação humana da região remontará a um povoado pré-histórico, dividindo-se os autores acerca da sua tipologia, se um castro ou um povoado de encosta. Esses povos foram sucedidos por Romanos (séculos II a.C. - III d.C.), conforme testemunho de Bento Pereira do Carmo que fez menção da descoberta de moedas dos imperadores Trajano, Adriano, Antonino Pio e outros, quando se reforçaram as defesas do Castelo com obras de terra, para fazer frente à invasão francesa de 1810.

Estes por sua vez foram sucedidos por Alanos que, de acordo com o cronista Damião de Góis, deram o nome à povoação, afirmando que “Alenquer” derivaria da designação germânica “Alan-Kerk” ou “Alano-Kerk”, com o significado de “Castelo dos Alanos”. Estes terão fundado e fortificado a povoação em 418.

Seguiram-se-lhe Vândalos, Suevos e Visigodos. O memorialista Guilherme João Carlos Henriques (1846-1924), baseando-se nos “escriptores mais abalisados” afirma que a fundação do castelo de Alenquer deu-se com a entrada dos destes últimos em território português.

Em 714 regista-se a conquista de “Alan Cana” pelos Muçulmanos, a quem outros autores atribuem a construção da primitiva fortificação.

O castelo medieval

No contexto da Reconquista cristã, quando das conquistas de Santarém, Sintra, Lisboa, Almada e Palmela (1147), Afonso I de Portugal (1143-1185) despendeu dois meses na conquista de Alenquer (1148). A propósito deste episódio terá surgido a lenda popular do “Alão Quer”. A partir de então o soberano determinou o seu repovoamento e o reparo e reforço das suas defesas (embora nenhum elemento material o corrobore).

Por carta de Sancho I de Portugal (1185-1211) a alguns alcaides (1199) conhecemos a identidade do primeiro alcaide-mor de Alenquer, Gomes Mendes. Este soberano fez erguer o chamado “Paço Real”, que doou a sua segunda filha, a Infanta D. Sancha. Esta, perante a recusa de seu irmão em reconhecer a doação, refugiou-se no interior do castelo (1211), cercado no ano seguinte (1212) pelo futuro Afonso II de Portugal (1211-1223). A Infanta, nesse mesmo ano (1212), outorgou carta de foral a Alenquer. Por se tratar apenas da consolidação de uma situação já existente, este diploma não especifica os limites do termo da vila. A partir desse período, Alenquer passou a ser parte integrante do património da Casa das Rainhas, sendo sucessivamente doada às soberanas do reino.

Nesse processo de luta entre os irmãos, o Papa Inocêncio III interveio e entregou a guarda do castelo à Ordem do Templo (1216), testemunho da relevância militar da fortificação à época.

Dinis I de Portugal (1279-1325), por carta de arras datada de 24 de abril de 1281, outorgou como dote a sua noiva, futura esposa, D. Isabel de Aragão, as vilas de Abrantes, Óbidos, Alenquer e Porto de Mós, que a partir de então (até 1834) passariam a integrar o património das rainhas de Portugal. Posteriormente, este soberano outorgou carta de foral à povoação (1302).

Sob o reinado de Pedro I de Portugal (1357-1367), o senhorio da vila passou para a rainha D. Constança Manoel (1340).

No contexto da crise de sucessão de 1383-1385 o alcaide de Alenquer, Vasco Pires de Camões, tomou partido por Beatriz de Portugal, aqui tendo-se instalado tropas castelhanas. Sofreu assédio pelas forças do Mestre de Avis, vindo o alcaide a capitular (1384). Em represália, João I de Portugal (1385-1433) ordenou retirar os cunhais à torre de menagem e abater parte da cerca da vila (1385). Apenas em 1439, continuando a localidade a pertencer ao património da Casa das Rainhas, a então regente, D. Leonor de Aragão, ao recolher-se à vila ordenou reedificar a cerca.

Sob Manuel I de Portugal (1495-1521) a vila recebeu o Foral Novo (1510). Ainda durante o século XVI, o estado de abandono do castelo levou a que se lhe entulhasse a cisterna (1578).

Da Dinastia Filipina aos nossos dias

No contexto da crise de sucessão de 1580, a vila apoiou as pretensões de D. António, Prior do Crato, ao trono. A partir de então, sem obras de conservação, acelerou-se o processo de decadência do antigo castelo que mergulhou no abandono, vindo a população a reaproveitar a pedra da antiga cerca nas suas construções.

Por volta de 1740 procedeu-se a construção de uma capela por cima da porta de Nossa Senhora da Conceição. Nessa época, a Academia Real e José I de Portugal (1750-1777) recomendaram a conservação da praça (1750) que, quando do terramoto de 1 de novembro de 1755, viu ruírem as duas torres da porta.

Por volta de 1780 foi demolida uma torre denominada de São Prisco, conforme Bento Pereira do Carmo em meados do século XIX, a partir de uma “(…) lembrança de uma testemunha ocular” que lhe chegou às mãos. O autor relata que na dita torre “(…) abundavam os cipos e marmores romanos”, que depois da demolição foram aplicados “(…) como alvenaria ordinária” na construção da capela de Nossa Senhora do Monte do Carmo na Praça da Vila (atual Praça Luís de Camões), e lamenta: "(…) visitando pessoalmente a capela à cata de antiguidades, nem uma só destas pedras históricas vi à flor da parede.

No contexto da Guerra Peninsular (1807-1814), após a batalha do Buçaco (1810) sofreu grandes estragos devido ao estabelecimento de tropas aliadas nas Linhas de Torres.

Ainda no século XIX, a necessidade de abrir uma comunicação entre a porta de Nossa Senhora da Conceição e a praça da Câmara obrigou à demolição da muralha inferior pela autarquia.

Em 1927 o arqueólogo Hipólito Cabaço procedeu à limpeza parcial da cisterna e identificou espólio que permitiu estimar a data da construção da fortaleza entre 1350 e 1385.

Em 1940, a Direcção Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais (DGEMN) iniciou uma campanha de intervenção. Naquele ano (1940), escavações arqueológicas junto à Porta de Nossa Senhora da Conceição permitiram comprovar ocupação pré-histórica do local, foi demolida a capela por cima da mesma porta e procedeu-se a reconstrução da muralha junto à mesma.

O conjunto encontra-se classificado como Imóvel de Interesse Público pelo Decreto n.º 40.361, publicado no Diário do Governo, I Série, n.º 228, de 20 de outubro de 1955.

Novas intervenções tiveram lugar em nossos dias:

- 1999 - Consolidação do troço de muralha a poente da rua Pero de Alenquer (1.ª fase);

- 2000 - Consolidação das muralhas (2.ª fase);

- 2002 - Construção de um muro na Calçada Damião de Góis de proteção à base do troço de muralha, situado frente à Torre da Couraça e junto à porta da Conceição e limpeza e desmatação dos terrenos envolventes;

- 2001 - Construção de um muro na Calçada Damião de Góis; proteção da base do troço de muralha em frente à Torre da Couraça e da Porta da Conceição, com desmatação e limpeza do terreno na zona envolvente e consolidação das juntas.

Os seus remanescentes encontram-se atualmente bem conservados, destacando-se alguns troços de muralha - um a noroeste, e outro a norte -, a Porta de Nossa Senhora da Conceição e, extramuros, a Torre da Couraça, num plano mais baixo, perto do rio.

Da alcáçova restam apenas alguns panos de muro, na parte alta da vila, no topo de um monte, envolvidos por mato.

Características

Exemplar de arquitetura militar, em estilo gótico, de enquadramento urbano, na cota de 107 metros acima do nível do mar. Essa posição estratégica no terreno dificultou a sua conquista em meados do século XII.

Apresenta planta irregular alongada e adaptada à morfologia do terreno, com a Torre da Couraça e restos da antiga alcáçova.

Acerca da configuração original do conjunto nada se conhece, sendo de presumir que essa primeira forma lhe tenha sido dada pelos muçulmanos, que terão fortificado a povoação, conforme se depreende do traçado do centro histórico.

O conjunto gótico dispunha-se em dois recintos: no nível superior, ajustando-se à topografia do terreno, localizava-se a alcáçova; no inferior, abrangendo uma área mais vasta, desenvolvia-se a cerca que protegia o primitivo aglomerado urbano.

No troço de muralha voltado a norte conservam-se três torres de planta quadrangular, avançando duas sobre a porta, de arco pleno, numa disposição que se aproxima das torres albarrãs islâmicas, embora sem se autonomizarem da muralha. Este fato pode indicar uma anterioridade deste setor da cerca mas, nem o aparelho construtivo, nem a forma de enrocamento da estrutura, apresentam pontos de contato com a arquitetura islâmica.

A torre da esquerda, com forte esbarro inferior, bem como a que lhe fica mais a nordeste, são encimadas por terraço com parapeito, e a da direita por construção quadrangular com telhado de 4 águas e pequena sineira; tem acesso por vão de arco pleno, frente ao qual a muralha faz sensível ressalto. Os panos de muralha são coroados por merlões quadrangulares e percorridos por adarve, em alguns troços protegido por parapeito.

As obras de edificação do conjunto que chegaram até nós devem situar-se pelos inícios do século XIV, período em que a Rainha Santa Isabel detinha a vila. Com efeito, os escassos vestígios materiais conservados indicam uma cronologia plenamente gótica. A planta da alcáçova é genericamente oval e não consta que integrasse torre de menagem isolada no pátio, mas sim adossada a uma das frentes de muralha. A cerca era percorrida por adarve protegido por merlões quadrangulares.

Perto do rio, aparentemente com funções defensivas sobre uma antiga fonte que abastecia a população, ergue-se a Torre da Couraça, de planta quadrada, que se eleva a 18,60 metros de altura. Bastante modificada nos séculos seguintes, foi aproveitada para fins habitacionais privados. Embora uma lenda local pretenda que a sua construção remonte ao período muçulmano, e que existiria uma passagem subterrânea de ligação à vila, utilizada pelos habitantes para abastecimento de água em caso de assédio, a torre deverá ser de cronologia posterior à edificação do castelo. De acordo com João Pedro Ferro, a sua construção parece datar do século XIV, tendo em conta a transcrição de Guilherme Henriques de uma inscrição encontrada na parede leste, datada de 1383 e referindo Lançarote Pessanha, partidário de D. Leonor Teles. João Ferro enquadra a construção da torre no conflito entre D. Leonor e o Mestre de Avis, sendo que o seu objetivo deveria ser a ligação da fonte à muralha, o que parece não ter acontecido, uma vez que não apresentam qualquer vestígio de ligação entre si.

De acordo com Esteves Pereira e Guilherme Rodrigues, as muralhas que envolviam a parte alta da vila eram rasgadas por 3 portas – Porta da Vila (na praça), Porta de Santo António (inicialmente designado de Carvalho por ir para a ponte do mesmo nome) e Porta de São Tiago - e alguns postigos.

A mesquita erguia-se dentro das muralhas do primitivo castelo, segundo a tradição no mesmo local onde posteriormente foi edificada a igreja de Santo Estevão, matriz da vila, também esta demolida em 1870 para dar lugar à construção da Aula do Conde de Ferreira, onde hoje está instalado o Museu Municipal. Acerca desta demolição Guilherme Henriques registou que, quando “(…) se derrubou a torre, viu-se perfeitamente que havia n’ella uma especie de cunhal de cantaria de forma muito diversa à da torre.

O mesmo autor narra que, a chamada Torre da Couraça, no sítio das Águas, fora construída ou, pelo menos, começada pelos muçulmanos,”(…) porque havendo nos seus alicerces uma copiosa nascente quizeram, d’este modo, conseguir o abastecimento d’agua, único requesito para ser a praça inexpugnável (…)", acrescentando que o mais provavel era que a torre tivesse sido começada “(…) quando a noticia das conquistas de D. Affonso Henriques obrigava os mouros a lançar mão de tudo quanto podesse contribuir para a segurança das suas praças e castellos.



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Contribution

Updated at 15/07/2017 by the tutor Carlos Luís M. C. da Cruz.


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    O conjunto encontra-se classificado como Imóvel de Interesse Público pelo Decreto n.º 40.361, publicado no Diário do Governo, I Série, n.º 228, de 20 de outubro de 1955.





  • Tourist-cultural Center

  • ,00 m2

  • Continent : Europe
    Country : Portugal
    State/Province: Lisboa
    City: Alenquer



  • Lat: 39 -4' 33''N | Lon: 9 0' 27''W







  • Castelo templário.



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