Castle of Cascais

Cascais, Lisboa - Portugal

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O “Castelo de Cascais” localizava-se na atual freguesia de União das Freguesias de Cascais e Estoril, concelho de Cascais, distrito de Lisboa, em Portugal.

História

A tradição atribui uma primitiva fortificação no lugar de Cascais aos Muçulmanos, como sustentado, entre outros, por Manuel Acácio Pereira Lourenço:

Ao fundar-se a Nação, no território de Cascais a população era, predominantemente moura, e há notícia da existência na Vila de uma Torre dos mouros que ruiu com o terramoto de 1755.” (“As Fortalezas da Costa Marítima de Cascais”, 1964.)

Entretanto, no contexto da conquista de Lisboa (1147), não existem referências a qualquer sistema defensivo em Cascais.

Sob o reinado de Pedro I de Portugal (1357-1367) Cascais, então aldeia do concelho de Sintra, recebeu carta de foral, passando à categoria de vila (7 de junho 1364), momento em que deverá ter tido início a sua fortificação. A sua enseada constituía-se em anteporto da cidade de Lisboa, o que fazia com que a vila fosse presa habitual de corsários e piratas. Entretanto, a primeira referência documental a um castelo em Cascais é uma carta de doação datada de 8 de abril de 1370, de Fernando I de Portugal (1367-1383) a Gomes Lourenço do Avelar (ou de Avelar), como primeiro donatário do "castelo" e concelho de Cascais. (CARDOSO & CABRAL, 1988:77) Nesse período, no contexto das Guerras Fernandinas (1369-1382), a vila foi por duas vezes mobilizada:

Em 1372, Henrique de Castela caminha sobre Lisboa e Gomes Lourenço de Avelar acorre à cidade para socorrer o Rei, que logo lhe ordena 'tornar para onde estava e se fizesse bem prestes com as gentes que tinha e podesse ter (…)'" (ANDRADE, Ferreira de. Cascais Vila da Corte.)

Em 1373 Cascais foi assaltada por forças castelhanas sob o comando de D. Afonso, conde de Grigon, filho bastardo de D. Henrique de Castela, causando extensos danos à vila:

Em esto foi o conde Dom Affonso, filho delRei Dom Henrrique, com quatro çentas lanças sobren huum logar cercado, que chamom Cascaaes, que he mujto jumto com o mar, çinquo legoas da cidade; e as poucas gentes delle, que o deffemder nom podiam, deromlho logo sem outra pelleia que hi ouvesse, e elles prenderom os que quiserom, e roubarom o logar de muj gramde roubo, e tornaromse com elle para a cidade (…)”. (LOPES, Fernão. Crónica de El-Rei D. Fernando, capítulo LXXVII.)

Embora do primitivo recinto muralhado, edificado na década de 1360, muito pouco tenha chegado até aos nossos dias, podemos compreendê-lo em linhas gerais graça à gravura "Cascale" (Braun e Hogenberg, "Civitates Orbis Terrarum", 1572), onde ainda podemos observar a cerca da vila, de planta ovalada, amparada por 7 torres (as do leste de planta circular), com uma barbacã pelo lado da praia e, aparentemente apenas uma porta. Outras deverão ter existido, conforme outros desenhos, datados do período da Dinastia Filipina (1580-1640). No lado sul erguia-se uma torre de maiores dimensões, assim como outras estruturas, que poderiam corresponder, por exemplo, ao Paço Condal.

Sob o reinado de João I de Portugal (1385-1433) essa defesa foi reforçada pela construção de uma bateria, erguida entre 1410 e 1415, destinada ao complemento da defesa do porto de Lisboa, momento do início dos Descobrimentos portugueses, período em que uma nau artilhada, fundeada nas águas do rio, cumpria essa função.

O avanço dos Descobrimentos e o aumento da importância de Lisboa como centro económico, levaram João II de Portugal (1481-1495) a complementar o sistema defensivo medieval de Cascais com uma torre costeira, relativamente afastada da cerca da vila e plenamente adequada às novas exigências da guerra. Dela também nos dá testemunho a gravura de Braun e Hogenberg acima referida.

No contexto da Dinastia Filipina (1580-1640) o sistema defensivo da barra do rio Tejo foi novamente reforçado. A partir de 1589, por determinação de Filipe II de Espanha (1556-1598) foi edificada uma nova fortificação para a baía de Cascais, constantemente ameaçada pela armada inglesa. O seu projeto foi entregue ao engenheiro militar Giovan Giacomo Paleari Fratino (apelidado de “El Fratín” ou “capitán Fratín”), que projetou uma fortificação abaluartada de planta triangular, um traçado pouco comum na arquitetura militar portuguesa: o Forte de Nossa Senhora da Luz.

No contexto da Guerra da Restauração da Independência (1640-1668), a ameaça de um ataque da armada espanhola a Lisboa chamou a atenção para a necessidade de conceber um novo plano estratégico de defesa da barra do Tejo. Desse modo, em 1642 o Conselho de Guerra de João IV de Portugal (1640-1656) incumbiu desta tarefa o Governador das Armas da Praça de Cascais, D. António Luís de Meneses (1642-1675), 3.º conde de Cantanhede.

O terramoto de 1 de novembro de 1755 causou danos consideráveis à defesa medieval de Cascais, como relata o reitor da Igreja Matriz de Cascais, padre Manuel Marçal da Silveira, nas “Memórias Paroquiais” (1758), que a 6 de abril de 1758 registou:

"Há castelo antiquíssimo [em] que estava o signo do relógio da Camera, porem esta [torre] cahio por ocasião do terramoto do primeiro de Novembro do anno de mil settecentos e sincoente e sinco."

E prossegue

A vila ficou toda arruinada até ao chão. Não há casa, que ou não caísse em terra, ou não ficasse abalada, ameaçando ruína. Os templos, a ponte, a cidadela, e os seus quarteis, tudo está demolido, e feito em pó. A maior parte da vila habita ainda em barracas fora, e dentro do destrito, a ponte está com um só arco em pé, e se não passa por ela, e tudo em última ruína, sem que se reparasse ainda nada, sómente algumas casas se teem levantado, poucas, ao mesmo tempo que outras, com as tempestades e ventos se teem acabado de postrar.

E nomeadamente sobre o castelo:

"Está esta vila sem relógio porque este, e sua grande torre feita pelos Mouros, que se fez em cinzas. O Palácio dos Marqueses de Cascais que era de uma excelente prespectiva, e de esquisitas pinturas, com uma bela ermida, desconhece-se tudo pelo que foi e já não é (...). Nesta freguesia há um castelo, cujo hoje está todo cheio de moradores e para nada serve mais, porém ainda se lhe conservam algumas ameias, cuja [muralha?] fica para as bandas da ribeira, pegando com os palácios dos Marqueses de Cascais." (Op. cit.)

O processo de desmantelamento da cerca medieval acelerou-se no século XIX: de acordo com a planta de Weyrothes (c. 1810), percebem-se já alterações, como o rompimento de um pano de muralhas e a supressão da antiga torre-porta. O processo de demolição e aproveitamento da pedra para construções privadas prosseguiu, entrando pelo século XX.

Em 1962, quando da grande campanha de obras na antiga calçada de Nossa Senhora da Assunção, vieram à luz os restos de uma torre circular, mas o projeto determinou a sua total destruição. Do conjunto medieval chegaram até nós apenas alguns vestígios na rua Tenente Valadim, uma antiga torre quadrangular onde se inscrevem as armas dos Castro, senhores e depois marqueses de Cascais e uma esfera armilar, e um vestígio do pano de muralha associado ao chamado “Arco do Castelo” na altura do n.º 20 da rua Marques Leal Pancada, onde uma placa epigráfica assinala o local. Ferreira de Andrade informa-nos que a Câmara Municipal de Cascais reunia às portas do castelo, tal como a Câmara de Lisboa o fazia às portas da Sé: “Era então usual a administração ter as suas reuniões ao ar livre e, tal como em Cascais, assistida por um porteiro e por um pregoeiro.” ("Cascais – Vila da Corte")

Os "Troços ainda existentes da antiga muralha da vila de Cascais" encontram-se classificados como Imóvel de Interesse Público pelo Decreto n.º 129/77, publicado no Diário da República, I Série, n.º 226, de 29 de setembro.

Bibliografia

CARDOSO, Guilherme, CABRAL, João Pedro. "Apontamentos sobre os vestígios do antigo castelo de Cascais", Arquivo de Cascais, n.º 7, 1988, pp. 77-90.



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Contribution

Updated at 22/11/2017 by the tutor Carlos Luís M. C. da Cruz.

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    Os "Troços ainda existentes da antiga muralha da vila de Cascais" encontram-se classificados como Imóvel de Interesse Público pelo Decreto n.º 129/77, publicado no Diário da República, I Série, n.º 226, de 29 de setembro.





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  • ,00 m2

  • Continent : Europe
    Country : Portugal
    State/Province: Lisboa
    City: Cascais



  • Lat: 38 -42' 14''N | Lon: 9 25' 15''W










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