Castle of Mourão

Mourão, Évora - Portugal

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O conjunto do “Castelo e Forte de Mourão” localiza-se na freguesia e concelho de Mourão, distrito de Évora, em Portugal.

Em posição dominante sobre a vila medieval, à margem esquerda do rio Guadiana, do alto de seus muros descortinam-se a planície envolvente com o Castelo de Monsaraz a norte, e a fronteira com a Espanha a leste. Em nossos dias, com a construção da barragem do Alqueva, constitui-se em miradouro privilegiado para o grande espelho d’água assim formado.

História

Antecedentes

Pouco se conhece acerca da primitiva ocupação de sua área, além de que, no contexto da Reconquista cristã da região, terá sido alcançada pelas forças portuguesas a serviço de Afonso I de Portugal (1143-1185) em 1166.

O castelo medieval

No século XIII a região foi disputada entre os reinos de Portugal e de Leão, à semelhança do que acontecia com a linha fronteiriça do rio Côa. Desse modo, possuímos distintos diplomas sobre a localidade:

− Sancho II de Portugal (1223-1248) doou os seus domínios aos cavaleiros da Ordem de São João de Jerusalém (Hospitalários), tendo o seu prior à época, D. Gonçalo Viegas, concedido a primeira carta de foral à vila, visando incentivar o seu povoamento e defesa (1226). Datará deste período a construção (ou reconstrução) da fortificação.

− Afonso III de Portugal (1248-1279) outorgou um novo foral à vila em 1254.

− O senhorio de Mourão, juntamente com os das vilas e castelos de Moura e Serpa passou para a posse de Afonso X de Leão e Castela (1252-1284) por acordo firmado em Múrcia a 10 de agosto de 1271, e confirmado a 11 de março de 1281 em San Esteban de Gormaz. (ANTT, Livro de Extras, fls. 194-196v; As Gavetas da Torre do Tombo, vol. III, Lisboa, 1963, gav. XIV, m. l, n.º 9, pp. 579-587.)

− Por documento passado em Sevilha a 4 de março de 1283, Afonso X doou as vilas de Moura, Serpa, Noudar e Mourão a sua filha Beatriz de Castela, (SANTARÉM, visconde de. Corpo Diplomático Portuguez, tomo I, Paris, 1946, pp. 40-42; As Gavetas da Torre do Tombo, vol. III, Lisboa, 1963, gav. XIII, m. 2 n.º 3, p. 3, e m. 5, n.º 9, p.17; ANTT, Livro I de Reis, fls. 113v.-114v.)

− Beatriz de Castela, por sua vez, fez mercê do lugar de Mourão a Raimundo de Cardona a 12 de março de 1284 (BRANDÃO, Frei Francisco. Monarquia Lusitana, parte V, Lisboa, 1976, fl. 95), privilégio confirmado por Sancho IV de Leão e Castela (1284-1295). (PÉREZ-EMBID, Florentino. La frontera entre los reinos de Sevilla y Portugal. Sevilla, 1975, p. 73.)

− Sancho IV, fazendo letra morta de algumas disposições de seu pai, entre 1285 e 1288 fez mercê do senhorio da vila de Mourão a Teresa Gil de Riba de Vizela, (BRANDÃO, Frei Francisco. Monarquia Lusitana, parte V, Lisboa, 1976, fl. 264.) sua amante e tia do futuro segundo conde de Barcelos.

− Dinis I de Portugal (1279-1325) outorgou novo foral a Mourão (1296), que passou em definitivo para o domínio português com a assinatura do Tratado de Alcanizes (12 de setembro de 1297), entre Portugal e Castela, que delimitou e fixou a raia entre os dois reinos.

− O soberano português confirmou o foral à vila em 1298, e em meados do mesmo ano, quando da sua estadia em Salamanca, confirmou o senhorio de Mourão com seus direitos e termos a Teresa Gil de Riba de Vizela, com a condição de, à morte desta senhora, a vila vir a ser incorporada aos bens da Coroa portuguesa.

− Com a morte de D. Teresa Gil (1307), D. Dinis doou a vila a D. Raimundo de Cardona e à sua esposa, D. Beatriz (1313), na condição destes não construírem nenhuma fortificação, um testemunho de que as estruturas defensivas senhoriais ameaçavam a segurança do soberano e do próprio reino.

Devido a dificuldades financeiras, D. Raimundo leiloou a vila, que foi arrematada por um mercador de Monsaraz, Martim Silvestre, por 11.000 libras (19 de abril de 1317). Ciente do fato, D. Dinis expediu diploma ordenando a Martim Silvestre que lhe vendesse a vila de Mourão, por ser vila de fronteira e fazer parte do seu senhorio, pelo mesmo valor por que a arrematou (15 de maio de 1317). Na posse de D. Dinis o primitivo castelo foi reformado, passando a contar com três torres.

O atual castelo foi erguido sob o reinado de Afonso IV de Portugal (1325-1357), com as obras a cargo do mestre de pedraria João Afonso (1343), conforme atesta a inscrição epigráfica junto ao Portão de Armas.

Quando da crise de sucessão de 1383-1385 a vila e seu castelo tomaram partido pelo Mestre de Avis, futuro João I de Portugal (1385-1433).

Sob o reinado de Manuel I de Portugal (1495-1521), entre 1498 e 1541 tiveram lugar campanhas de reconstrução nas quais intervieram Diogo e Francisco de Arruda, mestres das obras régias da comarca de “Antre-Tejo e Odiana”. Neste momento, a vila e o seu castelo encontram-se figurados por Duarte de Armas no seu “Livro das Fortalezas” (c. 1509), vindo a primeira a receber do soberano o “Foral Novo” (1510). Ainda neste momento, uma carta de Nuno Velho ao soberano, datada de 25 de fevereiro de 1510, dá conta do estado das obras dos castelos de Moura e de Mourão, empreitada entregue ao mestre de pedraria Francisco de Arruda. Datam por fim deste momento, no século XVI, a edificação da igreja matriz, no interior do recinto amuralhado.

Da Dinastia Filipina aos nossos dias

No contexto da crise de sucessão de 1580 esta vila e o seu castelo aderiram a Filipe II de Espanha (1556-1598). Entretanto, quando da Restauração da independência portuguesa (1640) o seu alcaide, Pedro Mendonça Furtado, foi um dos primeiros a hastear o pendão de João IV de Portugal (1640-1656). No contexto da Guerra da Restauração (1640-1668) em 1657 a praça foi assaltada e arrasada pelas forças espanholas. Desse modo, no ano seguinte (1658) iniciou-se a remodelação da sua defesa, com projeto a cargo dos arquitetos militares franceses Nicolau de Langres e Pierre de Saint-Colombe. Estes seguiram as concepções de Vauban, dotando-a de uma dupla cintura de muralhas, adaptadas ao tiro horizontal, conferindo-lhe o formato estrelado com quatro novos baluartes, revelins e fosso, dos quais restam, hoje, poucos vestígios. Por volta de 1661, com o auxílio da Câmara Municipal, procederam-se reparos no Castelo. Pouco depois, por volta de 1663, o arquiteto João Nunes Tinoco formulou novos planos defensivos, implantando 6 atalaias em cima dos cerros elevados que flanqueavam a fortaleza na direção do rio Guadiana.

Os efeitos do terramoto de 1 de novembro de 1775 também se fizeram sentir em Mourão e nas suas defesas.

A intervenção do poder público na conservação e restauro do monumento iniciou-se no período de 1939 a 1941 por parte da Direcção Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais (DGEMN).

Por escritura datada de 22 de abril de 1950, Marcos Lopes de Vasconcelos Rosado doou ao município de Mourão a parte urbana do prédio designado por “Castelo de Mourão”. Posteriormente, por escritura de 21 de junho de 1977, o mesmo proprietário doou ao município a parte rústica do prédio designado por "Castelo de Mourão".

O conjunto do "Castelo e Forte de Mourão" encontra-se classificado como Imóvel de Interesse Público pelo Decreto n.º 41.191, publicado no Diário do Governo, I Série, n.º 162, de 18 de julho de 1957.

Novas campanhas de obras de conservação e restauro tiveram lugar em 1969-1970, 1972-1974, 1976-1977, 1981-1982 e em 1989.

Em boas condições de conservação, o castelo é uma atração turística valorizada pela comunidade.

Características

Exemplar de arquitetura militar, medieval e da Restauração, de enquadramento urbano, destacado, na cota mais elevada da vila.

O castelo é típico de arquitectura militar regional, com muralhas de raiz quatrocentista, de planta trapezoidal irregular, percorridas ao alto por adarve, coroadas por merlões e providas de cubelos e torreões, alguns sem remate e cobertos por terraço. O paramento mais extenso, voltado a norte, tem a fachada marcada por dois cubelos centrais e outros dois que integram os cunhais, todos semicilíndricos, e um torreão quadrangular saliente a noroeste. A fachada virada a oeste possui uma porta protegida por dois torreões quadrangulares. A fachada sul é interrompida sensivelmente a meio pela frontaria da Igreja de Nossa Senhora da Purificação, havendo à esquerda duas torres avançadas e à direita, junto ao cunhal sudeste, outro torreão que emparelha com uma torre sineira rematada por coruchéu, ambas quadrangulares, entre as quais se abre uma porta em arco pleno, levemente apontado, encimada por pedra de armas, que dá acesso ao interior do recinto. Na praça de armas, a sudoeste, adossada à cabeceira da igreja, ergue-se a torre de menagem, de planta quadrangular, superiormente truncada e coberta por terraço, ligada à muralha e ao torreão oeste por um pano de muro. A leste abrem-se os depósitos de água. Adossadas ao paramento norte da muralha situam-se as ruínas da Casa do Governador. Sobre a porta da torre encontra-se uma lápide epigrafada e armoriada, que reza:

ERA DE MIL CCC OITENTA E I ANOS [=1343] PRIMO DIA DE MARÇO DOM AFONSO O QUARTO REI DE PORTUGAL MANDOU COMEÇAR E FAZER ESTE CASTELO DE MOURÃO E O MESTRE QUE O FAZIA HAVIA NOME JOÃO AFONSO QUAL REI FOI FILHO DO MUI NOBRE REI DOM DENIS E DA RAINHA DONA ISABEL AOS QUAIS DEUS PERDOE O QUAL REI É CASADO COM A RAINHA DONA BEATRIZ E HAVIA POR FILHO HERDEIRO O INFANTE DOM PEDRO

O castelo é envolvido por dupla cintura concêntrica do século XVII, de tipo Vauban, de planta estrelada irregular, com revelins, de que subsistem vários troços, e entre as quais, a noroeste e a sudoeste se localizam dois revelins.

As torres de atalaia, erguidas em alvenaria, hoje em ruinas encontram-se nos lugares de: Atalaia de Cuncos, Atalaia das Ferrarias, Atalaia da Meada Alta, Atalaia do Meio, Atalaia da Abegoaria e Atalaia da Coxa.

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    O conjunto do "Castelo e Forte de Mourão" encontra-se classificado como Imóvel de Interesse Público pelo Decreto n.º 41.191, publicado no Diário do Governo, I Série, n.º 162, de 18 de julho de 1957.



  • +351 266 560 010

  • gap@cm-mourão.pt

  • Tourist-cultural Center

  • ,00 m2

  • Continent : Europe
    Country : Portugal
    State/Province: Évora
    City: Mourão



  • Lat: 38 -24' 55''N | Lon: 7 20' 49''W



  • Horário: Sempre aberto

    Dia de encerramento: Não encerra








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