Castle of Viana do Alentejo

Viana do Alentejo, Évora - Portugal

O “Castelo de Viana do Alentejo” localiza-se na vila, freguesia e concelho de Viana do Alentejo, distrito de Évora, em Portugal.

Aproximadamente equidistante das cidades de Évora e de Beja, o castelo ergue-se no sopé sul do monte de São Vicente, em posição dominante sobre a parte antiga da vila. É considerado, juntamente com o Castelo de Alvito, um dos mais notáveis conjuntos arquitetónicos fortificados do final do período gótico na região. O atual nome da povoação, Viana do Alentejo, liga-se ao título nobiliárquico da família Meneses, primeiros condes de Viana, que se destacaram nas campanhas portuguesas do Marrocos no século XV.

História

Antecedentes

Acredita-se que a primitiva ocupação de seu sítio remonte ao século IV a.C. por Galo-Celtas que terão dado ao local o nome de “Viene”, (ALMEIDA, 1948) posteriormente sucedidos por Romanos, a julgar pelos testemunhos arqueológicos trazidos à luz nas redondezas, em particular no sítio de Paredes e no local da ermida de Nossa Senhora d'Aires, onde foram identificados restos de edificações, de uma necrópole com lápides funerárias, e de moedas romanas da época dos primeiros imperadores.

A partir de 718 ter-se-á sucedido uma possível ocupação por Muçulmanos, que se terão ocupado com a exploração agrícola da região.

O castelo medieval

No contexto da Reconquista cristã, a região entrou na posse de forças portuguesas sob o reinado de Afonso I de Portugal (1143-1185), momento da conquista das vizinhas Évora e Beja. Desse modo, por volta de 1180 ter-se-á procedido a reedificação do castelo, por D. Gil Martins de Riba de Vizela. Em 1180 foi outorgada carta de foral à povoação, alçando-a à categoria de vila.

Os seus domínios, primitivamente integrantes de uma herdade denominada "Foxem", de propriedade da Câmara Municipal de Évora, foram por esta doados, nos primeiros anos da segunda metade do século XIII, a Egídio Martins, mordomo da Cúria no tempo de Afonso III de Portugal (1248-1279), mantendo-se na posse de seus descendentes.

Após o falecimento de D. Martim Gil, senhor destes domínios, Dinis I de Portugal (1279-1325) tomou posse dos mesmos. Em 1313 o soberano confirmou a carta de foral à vila, documento onde é denominada como Viana-de-a-par-de-Alvito, e determinou a edificação de "uma cerca de muro em que seia a villa de quatrocentas braças em o qual luguar que lhes El Rey mandar e colham demtro a fonte gramde de que se agora serve a vila eo muro deve ser de uma braça em amcho e em alto poder atanger um cavaleiro em cima de um cavalo (...).de fazer tres portas (...) e fazer em cada porta dous cubelos boons huum da huma parte da porta e outro da outra. E o dito Senhor El rey por esto da lhe loguo em ajuda mil libras (...)." (IANTT, Leitura Nova, Livro 3 de Místicos, fls. 53-55 v.) Observe-se que essa configuração não corresponde ao castelo atual, sendo presumível que a cerca não tivesse sido feita.

No ano seguinte (1314), a vila e seus domínios foram doados pelo soberano a seu filho, o futuro Afonso IV de Portugal (1325-1357), com a cláusula de o não trespassar a ninguém, salvo à esposa dele, a infanta D. Beatriz de Castela, o que ele efetivamente fez, em 1357, poucos dias antes de falecer.

Acredita-se que até 1470 possivelmente ainda não existiria castelo nem cerca na vila. Em 1478, D. Afonso V dirigiu carta ao concelho municipal de Viana, acerca da posse da alcaidaria, na qual referia um pedido para "fazer huma forteleza na dita villa pera sua defenssam e se temiam de nos darmos a alcaidaria moor della e assy a pequena a algumas pessoas o que seria azo pera virem em sogeiçam e trabalho me pediam que o nam fizesse mas amte quizesse que desto fossem privilegiados E elle dito Comcelho fosse obriguado a guardar e defender a dita forteleza e dariam sua menagem e a guardariam e defenderiam aos comtrairos como a tem e fazem os da nossa villa de freixo d espada cinta". (IANTT, Leitura Nova, Livro 4 de Odiana, fl. 100).

Sob o reinado de João II de Portugal (1481-1495) o soberano, tendo reunido as Cortes em Évora a 12 de novembro de 1481, depois as transferiu para Viana, onde vieram a encerrar-se a 7 de abril de 1482. Na ocasião, o soberano utilizou Viana como residência temporária. Fato semelhante repetiu-se em 1489, tendo Viana sido escolhida como palco para as grandes festividades realizadas por ocasião das bodas de seu filho, o príncipe D. Afonso, com a infanta D. Isabel de Castela, em janeiro e fevereiro de 1491, para o que foram promovidas remodelações na Igreja Matriz. Com relação à defesa da vila, desde cerca de 1490 vinham sendo efetuado o levantamento e reboco da cortina, merlões chanfrados (TRINDADE, 2009) e coruchéus.

Esses trabalhos tiveram continuidade sob o reinado de Manuel I de Portugal (1495-1521), com obras sob a direção dos arquitetos Martim Lourenço, Diogo e Francisco de Arruda. No castelo, destacou-se a construção de um novo pano de muralhas devidamente ameado. Data desse período a outorga, pelo soberano, do Foral Novo de Viana de Alvito (25 de dezembro de 1517).

Nos séculos seguintes, perdida a função militar, foram desaparecendo os pontos de referência do castelo, notadamente os fossos envolventes assim como as pontes pelas quais se acedia ao castelo.

No século XIX, a lei de 21 de setembro de 1835 proibiu os enterramentos nas igrejas e obrigou à construção de cemitérios municipais levou a que, em Viana, a instalação do mesmo fosse feita no recinto do castelo. Esta valência, entretanto, foi encerrada em 1871.

Do século XX aos nossos dias

O castelo encontra-se classificado como Monumento Nacional por Decreto de 16 de junho de 1910, publicado no Diário do Governo n.º 136, de 23 de junho de 1910.

A ZEP / Zona "non aedificandi" encontra-se definida por Portaria publicada no Diário do Governo, 2.ª série, n.º 150, de 30 de junho de 1948.

A intervenção do poder público fez-se sentir por obras a cargo da Direcção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais (DGEMN) a partir de 1940.

O imóvel foi afeto ao Instituto Português do Património Arquitetónico (IPPAR) pelo Decreto-lei n.º 106F/92, publicado no Diário da República, 1.ª série A, n.º 126, de 1 de junho. Passou a estar afeto à Direção Regional da Cultura / Alentejo pela Portaria n.º 829/2009 publicada no Diário da República 2.ª Série, n.º 163, de 24 de agosto.

Entre 2000 e 2005 no escopo do Projecto de Conservação, Recuperação e Valorização do Castelo de Viana do Alentejo tiveram lugar escavações arqueológicas no recinto do castelo, tendo sido identificada uma necrópole intramuros. Tiveram ainda lugar trabalhos de limpeza e conservação no conjunto.

Características

Exemplar de arquitetura militar, medieval e manuelina, de enquadramento urbano, na cota de 258 metros acima do nível do mar, no alto do pequeno monte onde se ergue, a sul da Vila, encaixada na vertente norte da serra de Viana. Está situado a 7500 metros da margem esquerda do rio Xarrama.

O castelo apresenta planta pentagonal de pequenas dimensões, ligeiramente irregular, com a base exposta a sul, tendo nos vértices torreões de planta cilíndrica. Quatro torreões apresentam-se semelhantes, construídos em alvenaria de tijolo rebocada e exposta, com aberturas retangulares ao nível do adarve e com cobertura cónica rematada por cogulho. Destaca-se o torreão sudoeste pela sua maior dimensão, apresentando no remate merlões decorativos e a torre sineira hexagonal com aberturas em arco de volta inteira, também com merlões ornamentais semelhantes aos da igreja matriz, e por sua vez encimada por coruchéu piramidal e cata-vento em ferro. Embora desprovido de torre de menagem, possuiu uma torre sineira de base hexagonal.

Os panos de muralha possuem merlões de tijolo com esbarro para o exterior e frestas seteiras. Encontram-se também seteiras e bombardeiras cruzetadas em mármore ou calcário, dispersas pelos diversos torreões cilíndricos, tanto a nível térreo como ao nível mais elevado. Nas cortinas a sul e a noroeste rasgam-se, respectivamente, a Porta da Matriz e a Porta da Misericórdia, esta última abrindo-se diretamente para o nártex do templo. Ambas apresentam vão moldurado em arco de volta perfeita.

Intramuros, adossadas às muralhas pelo lado interior do recinto encontram-se a Igreja Matriz, a sul, e a Igreja da Misericórdia a noroeste, ambas de arquitetura manuelina. Destacam-se ainda o edifício da antiga Câmara Municipal, o cruzeiro da vila, em estilo manuelino, e a Capela de Santo António, valorizados pelos jardins envolventes.



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Contribution

Updated at 12/12/2015 by the tutor Carlos Luís M. C. da Cruz.


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  • Restored and Well Conserved

  • National Protection
    O castelo encontra-se classificado como Monumento Nacional por Decreto de 16 de junho de 1910, publicado no Diário do Governo n.º 136 de 23 de junho de 1910.
    A ZEP / Zona "non aedificandi" encontra-se definida por Portaria publicada no Diário do Governo, 2.ª série, n.º 150, de 30 de junho de 1948.





  • Tourist-cultural Center

  • ,00 m2

  • Continent : Europe
    Country : Portugal
    State/Province: Évora
    City: Viana do Alentejo



  • Lat: 38 -20' 5''N | Lon: 8 0' 6''W










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