Forte de Óbidos

Óbidos, Pará - Brasil

O Forte de Óbidos localiza-se à margem esquerda do rio Amazonas, dominando o estreito de Óbidos, na cidade de Óbidos, no interior do Estado do Pará.

O valor dessa posição estratégica foi determinado desde a expedição do Capitão-mór da Capitania do Grão-Pará e Cabo, Pedro Teixeira (1637-39):

"O maior estreito, onde este rio recolhe [as] suas águas, é de pouco mais de um quarto de légua, na altura de 2º 40', lugar que, sem dúvida, destinou a Divina Providência, estreitando ali este dilatado mar doce, para que ali se construísse uma fortaleza para impedir a passagem a qualquer armada inimiga, por maiores forças que traga, entrando pela principal boca deste grande rio, porquanto, entrando pelo rio Negro, ali deveria ser posta a defesa." (ACUÑA, Cristóvão d'. Novo descobrimento do grande rio das Amazonas. 1641. RIHGB. Rio de Janeiro: Tomo XXVIII, Vol. XXX, Parte I, 2º Trim/1865. p. 187)

Erguido por determinação do Governador do Maranhão e Grão-Pará, Capitão-general Antônio de Albuquerque Coelho de Carvalho, é um dos quatro fortes erguidos pelo maranhense capitão Francisco da Mota Falcão às próprias expensas nos sítios que lhe fossem indicados, em troca da mercê do governo vitalício de uma delas (vide Forte de Almeirim, Forte de Manaus, e Forte de Santarém). Por motivo de falecimento deste empreiteiro, as obras serão concluídas por seu filho Manoel da Mota Sequeira em 1698 (BARRETTO, 1958:47), em taipa de pilão, artilhado com quatro peças de pequeno calibre e guarnecido por um destacamento. Foi denominado como Presídio dos Pauxis, nome da nação indígena que habitava a área, descida pelos frades franciscanos da Piedade juntamente com índios do rio Trombetas para a sua construção, e para esse fim ali agora aldeados (aldeia dos Pauxis, ou Aldeinha). Tomará a denominação de Forte de Óbidos quando a aldeia dos Pauxis foi elevada à categoria de Vila com o nome de Óbidos (25/mar/1758). Além de defesa estratégica, essa estrutura atendeu à fiscalização para cobrança dos dízimos da Coroa Real, das embarcações que percorriam o grande rio, de ou para as Capitanias de Mato Grosso ou de São José do Rio Negro.

Já em 1749, sob o comando do Capitão Balthazar Luiz Carneiro, carecia de reparos mais sérios: "suposto tenha só a cortina da parte do mar arruinada e que só desta reedificação careça, e de emboço e reboco; contudo esta Fortaleza se acha edificada sobre uma alta ribanceira, a qual o tempo tem demolido, de sorte que dificilmente pode passar qualquer homem entre a beirada da dita ribanceira e a Fortaleza, e achando-se assim esta no princípio de cair nas primeiras invernadas, parece que seria mais acerto fazer-se a dita Fortaleza de novo, por se não pôr no perigo de perder-se o dispêndio, recuando-a para dentro, o que fosse necessário." (Relatório do Capitão de Ordenanças José Miguel Ayres acerca do estado das fortificações mantidas ao longo do Amazonas de 04/jan/1749).

Na ausência de recursos do Governo, o Capitão Ricardo Antônio da Silva Leitão, comandante da praça, procede-lhe reparos, louvados pelo governador e Capitão-general do Grão-Pará e Maranhão, Francisco Xavier de Mendonça Furtado (1751-59) àquele oficial por Ofício de 09/mar/1753. Neste momento, a praça contava apenas com três canhões, sete balas de artilharia, 2 arrobas e 18 libras de pólvora, 20 libras de chumbo, 46 libras de balas de mosquetaria, cinco baionetas, reduzindo-se o efetivo ao capitão comandante, um tenente, um sargento ajudante e seis praças. Uma década mais tarde, esse efetivo estava reduzido a um soldado e a um sargento, sendo que, à falta de soldados, a esposa deste já havia dado guarda mais de uma vez (D. Frei João de São José. Viagem e Visita do Sertão em o Bispado do Grão Pará em 1762 e 1763).

Apesar de recomendações para a sua reconstrução durante o período colonial (1749, 1784) (BARRETTO, 1958:47), desabada a cortina pelo lado do rio, apenas no Segundo Império é que a praça será recuperada, com a elevação da vila a cidade (02/out/1854). Nesse ano, o governo imperial inicia a reconstrução, sob a orientação do Major de Engenharia Marcos Pereira de Salles, na forma de um reduto semicircular com parapeitos à barbeta, artilhado com dez peças de diferentes calibres, entre as quais quatro canhões Armstrong. BARRETTO (1958) refere que seis destas peças, calibre 80mm, estavam montadas em carretas de marinha, e as demais, montadas à Onofre (op. cit., p. 49).

No Relatório do Ministério da Guerra de 1858, o Brigadeiro Jerônimo Francisco Coelho informava terem se dispendido nas obras, até à data, 72:000$000 réis, fazendo-se mister dispender ainda mais:

* 12:000$000 réis em obras de arremate;

* 68:000$000 réis para erguer uma bateria complementar, ao lume d'água;

* 21:000$000 réis para novas baterias, no sopé da serra da Escama, a cavaleiro, e de uma Capela;

* 88:000$000 para a fortificação da margem oposta do estreito de Óbidos (GARRIDO, 1940:19).

O incidente com o vapor peruano Morona (1862), que forçou a sua passagem em frente a Óbidos, recebendo apenas um tiro inofensivo no costado (SOUZA, 1885:65), demonstrou a fragilidade da fortificação, bem como a necessidade dessas obras complementares de defesa, para as quais o Ministro da Guerra, Silva Ferraz, chamava a atenção em 1866 (GARRIDO, 1940:19). SOUZA (1885) referindo-se ao discurso de um deputado amazonense, cita:

"Construiu-se há pouco tempo um fortim na raiz da serra; esse fortim parece mais um brinquedo de criança do que um complemento de fortificação; monta três peças sem ter o necessário espaço para o seu recuo, nem para conter as respectivas guarnições." (SOUZA, Pe. Francisco Bernardino de (Relator). Comissão do Madeira (3ª parte). 1874. apud: op. cit., p. 66)

Em 1868, sendo titular da pasta da Guerra o Conselheiro Paranaguá, foram procedidas obras como: a construção de uma plataforma corrida em cantaria de Lisboa, arrecadação (armazém) e Quartel, ficando fechada por duas cortinas, uma a Leste e outra a Oeste, e protegida pela margem do rio. Montaram esses reparos a 13:000$000 réis. Pequenos reparos foram procedidos em 1875, e em 1889, quando se encontrava classificada como fortificação de 2ª Ordem (GARRIDO, 1940:19-20).

De 1902 a 1911 uma nova estrutura foi levantada, na serra da Escama, para complemento da sua defesa (vide Forte Gurjão). À época da 1ª Guerra Mundial (1914-18), este conjunto defensivo estava guarnecido pelo 4º Batalhão de Artilharia (1915), tendo caído nas mãos dos revolucionários de 1924, no Amazonas (GARRIDO, 1940:20). A partir de 1930, ambos os fortes são desarmados, estando o Quartel, à época (1958) guarnecido por um destacamento da 8ª Região Militar (BARRETTO, 1958:50). Atualmente o Forte de Óbidos está aberto ao público no centro histórico da cidade, bem como as ruínas do Forte Gurjão.



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Forte de Santo Antônio dos Pauxis de Óbidos
Página da enciclopédia Wikipédia versando sobre o Forte de Santo Antônio dos Pauxis de Óbidos, que se localiza à margem esquerda do rio Amazonas, dominando o estreito de Óbidos, no interior do Estado do Pará, no Brasil.

http://pt.wikipedia.org/wiki/Forte_de_Santo_Ant%C3%B4nio_dos_Pauxis_de...

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Contribuciones

Actualizado en 23/05/2013 por el tutor Roberto Tonera.

Con la contribución de contenidos de: Carlos Luís M. C. da Cruz.


  • Forte de Óbidos

  • Presídio de Pauxis

  • Fuerte


  • 1698 (DC)


  • Antônio de Albuquerque Coelho de Carvalho

  • Portugal


  • Ruinas mal conservadas






  • Ruinas
    Atualmente o Forte de Óbidos está aberto ao público no centro histórico da cidade, bem como as ruínas do Forte Gurjão.

  • ,00 m2

  • Continente : Sudamérica
    País : Brasil
    Estado/Província: Pará
    Ciudad: Óbidos

    Localiza-se à margem esquerda do rio Amazonas, dominando o estreito de Óbidos, na cidade de Óbidos, no interior do Estado do Pará.


  • Lat: 1 54' 50''S | Lon: 55 31' 16''W




  • Estava artilhado, inicilamente, por quatro peças de pequeno calibre.
    Em 1753, a praça contava apenas com três canhões, sete balas de artilharia, 2 arrobas e 18 libras de pólvora, 20 libras de chumbo, 46 libras de balas de mosquetaria, cinco baionetas.
    Foi artilhado, em 1854, com dez peças de diferentes calibres, entre as quais quatro canhões Armstrong. BARRETTO (1958) refere que seis destas peças, calibre 80mm, estavam montadas em carretas de marinha, e as demais, montadas à Onofre (op. cit., p. 49).
    SOUZA (1885) referindo-se ao discurso de um deputado amazonense, cita: "(...) monta três peças (...)".

  • Constituía-se, inicialmente, de taipa de pilão.
    Foi reconstruído, em 1854, na forma de um reduto semicircular com parapeitos à barbeta.

  • Na ausência de recursos do Governo, o Capitão Ricardo Antônio da Silva Leitão, comandante da praça, procede-lhe reparos, louvados pelo governador e Capitão-general do Grão-Pará e Maranhão, Francisco Xavier de Mendonça Furtado (1751-59) àquele oficial por Ofício de 09/mar/1753.
    Em 1854, após o desabamento da cortina pelo lado do rio, o governo imperial inicia a reconstrução, sob a orientação do Major de Engenharia Marcos Pereira de Salles.
    Em 1868 foram procedidas obras como: a construção de uma plataforma corrida em cantaria de Lisboa, arrecadação (armazém) e Quartel, ficando fechada por duas cortinas, uma a Leste e outra a Oeste, e protegida pela margem do rio. Montaram esses reparos a 13:000$000 réis. Pequenos reparos foram procedidos em 1875, e em 1889, quando se encontrava classificada como fortificação de 2ª Ordem (GARRIDO, 1940:19-20).
    De 1902 a 1911 uma nova estrutura foi levantada, na serra da Escama, para complemento da sua defesa (vide Forte Gurjão).




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