Castelo de Salir

Loulé, Faro - Portugal

O “Castelo de Salir” localiza-se na povoação e freguesia de Salir, concelho de Loulé, distrito de Faro, em Portugal.

Erguido na Beira Serra, região de transição entre o Barrocal e a Serra Algarvia, e de ligação entre o Alentejo e o Algarve, encontra-se em ruínas, e foi objeto de pesquisas arqueológicas, a cargo da Profa. Helena Maria Gomes Catarino.

História

Embora primitiva ocupação humana de seu sítio seja tradicionalmente atribuída aos Celtas, as recentes pesquisas arqueológicas remontam a sua edificação ao período do Califado Almóada, no século XII, com a função de proteger os camponeses dos ataques cristãos.

A reconquista de Salir foi consumada em data incerta pelos cavaleiros da Ordem de Santiago, sob o comando de D. Paio Peres Correia, a seguir à conquista de Tavira (1242). Ocupada a povoação (as escavações revelaram restos de armas em camadas de incêndios), aqui se delineou a estratégia para a reconquista de Faro e de Loulé (ambas em 1249) sob o reinado de Afonso III de Portugal (1248-1279). (“Portugaliae Monumenta Historica”)

Efetivamente, a maioria dos testemunhos cerâmicos encontrados nas intervenções arqueológicas, assim como o das estruturas habitacionais identificadas pertencem aos séculos XII e XIII.

Em 1505 existiam apenas 87 fogos na freguesia, e em finais do século XVI o castelo encontrava-se já em ruínas.

De acordo com as “Memórias Paroquiais” de 1758, a povoação sofreu extensos danos quando do grande terramoto de 1 de novembros de 1755. O documento dá conta de que, à época (1758) no castelo existiam 11 fogos.

Posteriormente, em 1798, a freguesia de São Sebastião de Salir contava 408 fogos.

Em 1841 uma informação dá conta de que o castelo se encontrava arruinado.

A partir de 1987, visando estudar as construções defensivas de taipa do período almóada, Helena Catarino passou a dirigir o projeto Fortificações de taipa do Algarve: o Castelo de Salir (Loulé) e o Castelo de Paderne (Albufeira), iniciando diversas campanhas de escavações no Castelo de Salir e uma única intervenção no Castelo de Paderne.

Após os trabalhos realizados em Salir, o projeto ingressou em nova fase a partir de 1998, visando terminar a intervenção arqueológica num quintal adquirido pela autarquia de Loulé e proceder à musealização das ruínas e à construção de um espaço museológico no local.

As campanhas arqueológicas sucederam-se até ao ano de 2002. Entre 2000 e 2002 procedeu-se a construção do centro interpretativo e a beneficiação das áreas visitáveis do recinto, nomeadamente o caminho de ronda a norte e o local das escavações.

As escavações arqueológicas, em vias de integração museológica, revelaram silos (num total de dez) e canalizações, que terminaram em aberturas na muralha; uma estreita ruela, com 1,80m de largura, também a terminar na muralha; e estruturas habitacionais. Apesar de incompletas (as escavações em pleno centro urbano efetuaram-se apenas num pequeno quintal), pode considerar-se que as casas almóadas de Salir são pequenas, simples e pobres construções de taipa com base de pedra, agrupadas num bairro periférico encostado à muralha poente.

O material arqueológico recolhido abrange uma cronologia entre finais do século XI, inícios do século XII e, sobretudo, dos séculos XII/XIII, quando a povoação se encerra no interior do recinto fortificado.

Os vestígios encontrados revelam uma densa ocupação almóada. Mas a alçaria de Salir é certamente anterior a este período, fato confirmado em prospeções arqueológicas e pelo achado de uma lápide funerária, datada de inícios dos séculos XI (lápide obituária de Ibne Said, que faleceu em 1016), encontrada em terrenos localizados a sul do castelo, onde estaria o cemitério islâmico.

Apesar de todo esse investimento, o monumento não usufrui de qualquer tipo de proteção quer a nível local, quer a nível nacional.

Características

Exemplar de arquitetura militar islâmica, do período Almóada, de enquadramento rural, isolado, implantado na cota de cerca de 250 metros acima do nível do mar, num ponto elevado do Barrocal algarvio, a nor-noroeste de Salir, disfrutando de uma ampla visibilidade sobre os vales férteis que se desenvolvem a norte e a oeste.

Castelo de taipa sem alcáçova, apresenta planta oval acompanhando as linhas de relevo do monte onde se implanta. A sua fachada principal está virada a sul, onde o declive é menos acentuado.

Desconhece-se o portão principal mas, ao que tudo indica, deveria situar-se no extremo sudeste do conjunto, correspondendo hoje à principal rua de acesso ao castelo. Este definia cinco panos de muralhas amparados por quatro torres, todas de seção quadrangular e de que ainda se conservam vestígios, a saber:

- Torre D (ou "Muro do Meio"), com seção de 4,7 metros x 3,88 metros, implantada a nordeste, numa zona de acentuado declive, e que apresenta uma sapata muito robusta, conservando-se a pouco mais de 1 metro acima do caminho, cuja abertura obrigou à sua destruição quase total;

- Torre C (ou "Torre da Alfarrobeira"), com seção de 5,1 metros x 4,6 metros, localiza-se na vertente mais a norte do castelo, precisamente no local onde o declive em relação ao vale é mais acentuado. Conserva ainda cerca de 3 metros de altura.

- Torre B (ou "Muro Maior"), era a torre albarrã do conjunto e localiza-se na vertente nordeste, sendo a que se encontra mais afastada do caminho; de seção praticamente idêntica às restantes (cerca de 4,6 metros de lado), está hoje adossada a alguns edifícios a leste e a sul;

- Torre Sul, encontra-se hoje integrada em construções posteriores, e adossa-se ao pano de muralha do lado sudeste; possui ainda uma seção de c. 4,8m de lado e conserva-se praticamente até aos 4 metros de altura.

Dois panos de muralha são ainda visíveis, o norte - que atualmente liga as Torres D e B, passando pela C -, e um pequeno pano a sudeste conhecido como "Muro da Sabedoria", são o que resta do antigo caminho de ronda que circundava o castelo, e que ligava o interior do recinto, mais baixo, às torres avançadas da estrutura.

A lenda da moura de Salir

Uma lenda local afirma que a povoação deve o seu nome à filha do alcaide mouro de Castalar, Aben-Fabilla. Ameaçado pelas tropas de D. Afonso III, fugiu do castelo, tendo antes enterrado o seu tesouro, planeando retornar mais tarde para resgatá-lo. Quando os cristãos abordaram o castelo, encontraram-no abandonado, ocupado apenas pela jovem filha do alcaide, que rezava com fervor. Interpelada, explicou aos seus captores que havia preferido ficar no castelo a “salir”. Do alto de um monte vizinho, Aben-Fabilla avistou a filha cativa dos cristãos e, com a mão direita, traçou no ar a estrela de Salomão, enquanto proferia uma fórmula mágica. Nesse momento, o cavaleiro D. Gonçalo Peres, que falava com a moura, viu-a transformar-se numa estátua de pedra. A notícia da moura encantada espalhou-se e, um dia, a estátua desapareceu. Em memória desse estranho sucesso ficou aquela terra conhecida por Salir, em homenagem à coragem da jovem moura. Ainda hoje se acredita que, em certas noites, a moura encantada aparece nas ruínas do castelo.

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Contribuições

Atualizado em 10/11/2015 pelo tutor Carlos Luís M. C. da Cruz.


  • Castelo de Salir


  • Castelo





  • Portugal


  • Ruínas Conservadas

  • Monumento Sem Proteção Legal





  • Centro Turístico-Cultural

  • ,00 m2

  • Continente : Europa
    País : Portugal
    Estado/Província: Faro
    Cidade: Loulé



  • Lat: 37 -15' 27''N | Lon: 8 2' 48''W





  • Taipa militar

  • 1987-2002: Campanhas de intervenção arqueológica no recinto do castelo.
    2000-2002: Construção do Centro Interpretativo e trabalhos de beneficiação do entorno do conjunto.




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