Fort of Santo António de Pedra da Galé

Silves, Faro - Portugal

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O “Forte de Santo António de Pedra da Galé”, comumente referido como “Fortaleza de Armação de Pêra”, localiza-se na freguesia e vila de Armação de Pêra, concelho de Silves, distrito de Faro, em Portugal.

Vizinha à foz da ribeira de Alcantarilha, área onde se praticava a “arte da faina”, destinava-se à proteção deste ancoradouro dos ataques de piratas da Barbária, frequentes neste litoral.

História

Antecedentes

Pouco se conhece acerca desta fortificação, alguns autores tendo sugerido que foi implantada sobre os restos de um primitivo castro ou mesmo de um estabelecimento militar romano, embora sem testemunhos arqueológicos para apoiá-lo. Outros pretendem que no local teria existido um primitivo castelo, erguido na Baixa Idade Média, momento de reorganização cristã do território recentemente conquistado no Reino do Algarve, o que também carece de testemunhos arqueológicos ou documentais.

O forte quinhentista

Afirma-se que a atual fortificação remonta à Idade Moderna, edificada ao longo de três fases das quais a primeira é atribuída ao reinado de João III de Portugal (1521-1557), em meados do século XVI. Alguns autores referem como ano da construção o de 1571, sendo de ponderar a possibilidade de representar esta última data a da conclusão das obras, de vez que efetivamente sob o reinado de D. João III foram empreendidas muitas das fortificações costeiras do Reino do Algarve, com a função de defesa contra os ataques de piratas da Barbária e de corsários em geral.

É fato que a povoação desenvolveu-se a partir de uma pequena comunidade piscatória, cuja primeira referência escrita que conhecemos remonta a 1577:

Pera é um lugar junto de Alcantarilha, não longe do mar. [...]. Faz o mar defronte dela ua fermosa praia da banda do sul, na qual está ua armação de atuns que se chama a armação de Pera.” (S. JOSÉ, João de (Frei). Corografia do Reino do Algarve. 1577)

E a mesma fonte, acerca de Pedra da Galé:

Do lugar de Alcantarilha, a duas léguas de Silves, para sueste, está o lugar de Alcantarilha, em um outeiro. É de duzentos moradores, foi mandado cercar de muros; tem um pedaço cercado da parte do mar, corre ao longo de ûa ribeira de Inverno, e tem este lugar muitas figueiras, de cujo figo se faz carregação, muitas vinhas e outras fazendas. Junto a este lugar da parte ocidente, esteve ûa povoação chamada Canelas, e ora está desabitada. Um quarto de légua deste lugar, para sudoeste, está na costa do mar a armação da Pedra da Galé, ao longo de um pequeno rio.” (Op. cit.)

Não é mencionada qualquer fortificação além da de Alcantarilha, pelo cronista, à época.

O forte seiscentista

No contexto da União Ibérica (1580-1640), sob o reinado de Filipe III de Espanha (1598-1621), o engenheiro militar napolitano Alexandre Massai registou na sua "Descrição do Reino do Algarve" (1621):

(...) duas Armassois de Atuns mais álem das ásima dittas q se dizem hua dellas pedra de gúale, a otra pera, e a gente e os barquos dellas no tenpo de necessidade se vão âo emparo desta V.ª e portanto digo serem neçess.s os mosquettes E a sobreditta Artelharia, estas dittas Armassois ja forão roubadas E saquiadas por falta de defenção, E com perda da faz.da de Sua mag.de (...).” (GUEDES, 1988:115)

Destes trechos compreende-se (a) que já existiam duas armações de atum, uma na Pedra da Galé e outra em Pera; (b) não é referida qualquer fortificação nos locais, mas tão-somente, por Massai, a necessidade de mosquetes e artilharia para as referidas armações, de vez que já haviam sido objeto de roubo e saque por falta de defesa. (grifo nosso)

Do texto de ambos os autores não é possível inferirmos se a atividade piscatória na região se desenvolvia o ano todo, ou se estava restrita à época de pesca do atum, entre os meses de abril a agosto.

A primeira informação concreta sobre uma fortificação no local data do contexto da Guerra de Restauração de Independência Portuguesa (1640-1668), tendo um forte abaluartado sido concluído em 1667, conforme o atesta essa data inscrita sobre o Portão de Armas. Denominado como Forte de Santo António de Pedra da Galé, diversos autores, entretanto, consideram tratar-se este de uma reconstrução, ampliação ou reforma, de outro forte, mais antigo.

O primeiro governador da praça foi o capitão João Galego, nomeado por carta-patente de 1660:

"Martim Correia da Silva, do Conselho de Sua Majestade, Alcaide-mor da cidade de Tavira, Governador e Capitão General deste Reino do Algarve:

Faço saber aos que esta minha patente virem que, havendo respeito à boa informação que tenho de João Galego e ter as partes e qualidades que se requerem e por confiar dele em tudo o de que o encarregar dará a conta e satisfação que deve, como o fez alguns anos servindo de Capitão de Infantaria da gente do mar de Vila Nova de Portimão, hei por serviço de Sua Majestade de provê-lo como por esta faço no posto de Capitão do Forte de Santo António, sito junto à armação da Pedra da Galé, termo da cidade de Silves, posto necessário a impedir que os inimigos não lancem gente em terra e defesa dos navios que ao dito forte se chegarem, com o qual posto gozará de todas as honras, privilégios e isenções e preeminências de que gozam e são concedidos aos capitães dos fortes nestes reinos de Portugal, pelo que mando a D. António de Herédia, capitão-mor da dita cidade de Silves dê posse ao dito João Galego do dito forte e lhe tome homenagem dele de o não entregar senão à ordem de Sua Majestade, minha ou de outro qualquer governador e capitão general deste reino, ordenando aos capitães mais perto daquele distrito lhe acudam com gente, quando por ele lhe for pedida, os quais oficiais e soldados que de socorro forem a ele cumprirão e guardarão suas ordens naquilo a que são obrigados. E esta se registará nos livros da câmara da dita cidade e se cumprirá como nela se contém. Dada em Lagos, sob meu sinal e selo de minhas armas, aos 21 de abril de 1660 anos. António G. de Sousa a fez escrever. O governador. (assinatura e selo raso de Martim Correia da Silva)
” (ANTT. Conselho de Guerra, Consultas, cx. 214)

O cargo passou a seu filho, de mesmo nome, conforme provisão de 28 de maio de 1680:

"D. Luís da Silveira, conde de Sarzedas, do Conselho de Sua Alteza, Governador deste Reino do Algarve, faço saber aos que esta minha provisão virem que por estar vago o posto de capitão e cabo do forte de Pêra, chamado Pedra da Galé, por falecimento do capitão João Galego que o exercitava, e convir ao serviço de Sua Alteza que Deus guarde e à defesa dos moradores daquele sítio e armação das almadravas dos atuns que nele se lançam no mar no tempo das pescarias, sendo por aquela parte continuamente invadido dos mouros e convir prover-se em pessoa de todo o cuidado, satisfação, valor e merecimentos, por concorrerem estas e outras boas partes na pessoa de João Galego, filho do mesmo capitão defunto e haver servido alguns anos de soldado pago e da galeota, embarcando-se nela em todas as ocasiões que saiu com as mais embarcações de remos a correr esta costa, procedendo sempre com igual satisfação e demais dos muitos anos que em vida do dito seu pai defunto assistiu sempre no dito forte, acudindo a todas as ocasiões de rebates dos mouros que se ofereceram, sem lograr soldo algum, vigiando na mesma fortaleza com grande desvelo, de noite e dia, as embarcações que por aquela parte navegavam (...).

Hei por serviço de Sua Alteza de o nomear por capitão e cabo da Fortaleza referida de Santo António de Pedra de Galé, para que o exercite na forma que o faria o dito seu pai e antecessor defunto e com esta ocupação logrará o próprio soldo que ele vencia e gozará de todas as honras, privilégios e isenções concedidas aos mais capitães das fortalezas da costa deste Reino, para o que tomará juramento em minhas mãos (…). (assinaturas do conde de Sarzedas e de João Galego, selo raso do conde)
” (ANTT. Conselho de Guerra, Consultas, cx. 214)

Do século XVIII aos nossos dias

Embora tradicionalmente se afirme que por volta de 1720 foi erguida, no terrapleno do forte, uma ermida sob a invocação do seu padroeiro, Santo António, hoje conhecida como Capela de Nossa Senhora dos Aflitos, dois documentos dão conta de que uma ermida mais antiga existiu no local, erguida pelo primeiro governador do forte:

- Informações datadas de 7 e 8 de novembro de 1686, do pároco de Alcantarilha, que confirmam ser verdadeiro o que afirmava o capitão João Galego, morador no forte de Santo António da Pedra da Galé, que os seus avós tinham feito, à sua custa, uma ermida e nela estavam sepultados os ditos seus avós e alguns irmãos dele suplicante e que pedia licença para que ele e os seus irmãos se pudessem sepultar na dita ermida. (ANTT. Conselho de Guerra, Consultas, cx. 214)

- Provisão de licença passada por D. Simão da Gama, bispo da Diocese do Algarve, com data de 15 de julho de 1687, para que o capitão João Galego e seus irmãos possam ser sepultados na ermida de Santo António de Pedra da Galé. (Op. Cit.)

Nesse sentido, os trabalhos de 1720 terão representado uma reedificação. O forte foi governado no período de 1660 a 1723 sucessivamente por avô, filho e neto, todos de nome João Galego, descendentes de João Galego Soromenho, de origem andaluza e residentes na freguesia de Pêra.

O maremoto subsequente ao terramoto de 1 de novembro de 1755 provocou extensos danos na povoação. De acordo com o pároco de Alcantarilha referindo-se a Armação de Pera:

(…) na sobredita Armaçam se aruinou a Fortaleza com o mar, e com o ímpeto deste levou pello pé a Igreja de Santo Antonio sem ficar mais que humas poucas de pedras, como tambem sessenta e duas pessoas, que ô mar recolheo athe os lançar mortos; porem a fortaleza e Igreja se acha reparada, e melhor, e may forte do que antes.” (Memórias Paroquiais de Alcantarilha, in: ANTT (1758), Dicionário Geográfico de Portugal, Freguesia de Alcantarilha, vol.1, rolo 226, pp. 579-584)

No início do século XIX o então Príncipe-Regente D. João, expediu um Alvará, datado de 1805, pelo qual o Forte da Quarteira, o Forte de Valongo, a Bateria de São João, a Bateria de Albufeira, a Bateria da Baleeira e o Forte de Santo António de Pêra passavam a depender da praça militar de Albufeira.

A fortificação esteve, entre 20 de março de 1940 e 17 de julho de 1958 - data em que passou para a Direção Geral da Fazenda Pública -, aos cuidados do Comando Geral da Guarda Fiscal.

Apenas na segunda metade do século XX, é que a intervenção do poder público se registou na antiga fortificação, por iniciativa da Direcção Geral das Edificações e Monumentos Nacionais (DGEMN), que em 1963 procedeu a reconstrução do cunhal leste das muralhas que ruíra em consequência dos temporais, e o refechamento de juntas. Posteriormente, em 1967 procedeu-se a reconstrução de um pano de muralha que abrira rombo, procedendo-se a escavação e remoção de areias para construção de fundação e execução de alvenaria hidráulica em elevação.

Em 1970 o Comando Geral da Guarda Fiscal voltou a solicitar a jurisdição sobre o antigo forte, o que lhe foi concedido por cedência datada de 19 de junho de 1970, ali tendo sido instalado um posto daquela instituição.

Em 1977 nova intervenção no imóvel teve lugar, com a construção de alvenaria em tapamento de rombos existente nas muralhas, a reparação do telhado da capela e a caiação das paredes interiores e exteriores.

A fortificação encontra-se classificada como Imóvel de Interesse Público pelo Decreto n.º 95/78, publicado no Diário da República, I Série, n.º 210, de 12 de setembro.

Características

Exemplar de arquitetura militar, abaluartado, em estilo barroco, de enquadramento urbano.

Apresenta planta poligonal irregular, com um baluarte e um meio-baluarte pelo lado de terra, e uma bateria semicircular pelo lado do mar. O Portão de Armas, em arco de volta perfeita, é encimado pela data de 1667, encimada por sua vez pelo brasão de armas da Coroa de Portugal.

No terrapleno, a leste, ergue-se uma edificação de planta em “L” de um pavimento, com cobertura em telhado de duas águas, que serve de posto à Guarda Fiscal. Aproximadamente ao centro do recinto ergue-se uma pequena capela de planta retangular, com a fachada principal rasgada por um portal com verga em asa de cesto e campanário, e cobertura em telhado de duas águas. O interior deste templo apresenta nave única.

Bibliografia

GUEDES, Lívio da Costa. "Descripção" de Alexandre Massai (1621). In: Separata do Arquivo Histórico Militar. Lisboa, 1988.



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Contribution

Updated at 01/08/2020 by the tutor Carlos Luís M. C. da Cruz.

Contributions with medias: Carlos Luís M. C. da Cruz (4).


  • Fort of Santo António de Pedra da Galé

  • Fortaleza de Armação de Pêra

  • Fort

  • 1660 (AC)

  • 1667 (AC)





  • Featureless and Well Conserved

  • National Protection
    A fortificação encontra-se classificada como Imóvel de Interesse Público pelo Decreto n.º 95/78, publicado no Diário da República, 1.ª Série, n.º 210, de 12 de setembro.







  • ,00 m2

  • Continent : Europe
    Country : Portugal
    State/Province: Faro
    City: Silves



  • Lat: 37 -7' 57''N | Lon: 8 21' 33''W










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