Castle of Alcanede

Santarém, Santarém - Portugal

O “Castelo de Alcanede” localiza-se na freguesia de Alcanede, no concelho e distrito de Santarém, em Portugal.

Situado a aproximadamente meio caminho entre Santarém e Porto de Mós, em sua origem tinha a função de defesa dos territórios recém-conquistados e da circulação de pessoas, mercadorias e forças militares entre o norte e o sul, entre o litoral e o interior.

Em ruínas até ao início da década de 1940, foi objeto de intervenção de restauro por parte da Direcção Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais (DGEMN), que procurou devolvê-lo à sua forma aproximada em fins da Idade Média, conservando-o como marco histórico na paisagem da região.

História

Antecedentes

Acredita-se que a primitiva ocupação humana de seu sítio remonta a um castro pré-histórico. No contexto da invasão romana da Península Ibérica, a região foi por estes ocupada em 49 a.C., posteriormente sucedidos por Muçulmanos, embora não hajam testemunhos consistentes de uma fortificação no local do castelo em qualquer desses momentos.

O castelo medieval

À época da Reconquista cristã da região, a área foi tomada pelo conde D. Henrique (1091) vindo a ser recuperada pelos Muçulmanos.

A sua posse definitiva foi assegurada no século XII por Afonso I de Portugal (1143-1185), no contexto das conquistas de Santarém e Lisboa (1147), tendo o soberano outorgado foral à povoação em 1163, segundo documento de Santa Cruz de Coimbra, e mandando-a povoar por D. Gonçalo Mendes de Sousa, o Bom (c. 1129-1190), seu mordomo-mor. Ainda neste reinado, em 1179, os homens de Alcanede ajudaram o soberano a desbaratar a invasão Almóada, na serra da Mendiga.

O castelo e os seus domínios foram doados por Sancho I de Portugal (1185-1211) aos freires de Santa Maria de Évora (Milícia de Santa Maria de Évora, posteriormente Ordem de Avis) em 1187.

Dinis I de Portugal (1279-1325) confirmou a doação desse património à Ordem de São Bento de Avis em 1300 e em 1318. Datarão deste reinado algumas das estruturas mais importantes do castelo, como a torre de menagem, coroada por merlões.

A povoação recebeu um segundo foral em 1333, outorgado por Afonso IV de Portugal (1325-1357).

Sob o reinado de Fernando I de Portugal (1367-1383), em 1370 o castelo recebeu obras, nomeadamente nas frontarias, construção de cavas, cubelos e barbacãs, razão pela qual o soberano dispensou os moradores da vila de servir nas obras da muralha de Santarém. O mesmo soberano nomeou como alcaide-mor do Castelo de Alcanede a Vasco Pires de Camões, fidalgo de origem galega, alegado ascendente de Luís de Camões. Por ser partidário de Castela, após a vitória de Aljubarrota, Vasco Pires de Camões veio a ser despojado dos seus senhorios, sendo certo que, no contexto da crise de sucessão de 1383-1385, o povo de Alcanede levantou-se a favor do Mestre de Avis. O novo alcaide, Álvaro Vasques, integrou as forças portuguesas que combateram em território de Castela, tendo perecido numa ação de reconhecimento, como voluntário, de um vau do rio Douro.

O castelo terá servido de prisão, conforme o testemunha uma carta de perdão passada por Afonso V de Portugal (1438-1481) datada de 1446.

Nos finais do século XV são, uma vez mais, empreendidas obras de manutenção no castelo, como parece decorrer do ato de confirmação de João II de Portugal (1481-1495) da anterior Carta de D. Fernando relativa à isenção de trabalho nas obras da muralha de Santarém (1487). O mesmo será também confirmado por Manuel I de Portugal (1495-1521), que outorgou simultaneamente a esta vila e à de Pernes o "Foral Novo" (22 de dezembro de 1514). Nesse período, este soberano custeou parte das obras no castelo e na igreja matriz da vila.

Subsistem duas descrições do castelo, correspondentes às "Visitações da Ordem de Avis à Comenda de Alcanede", de 1516 e 1538, transcritas por Simão Froes de Lemos. Através da visitação de 1538 é possível sabermos que o castelo foi arruinado pelo grande sismo de 28 de fevereiro de 1531 (que afetou toda a Estremadura portuguesa), situação em que se manteve até à sua reconstrução no século XX.

Do século XVIII aos nossos dias

No primeiro quartel do século XVIII encontrava-se “muito arruinado e em grande parte demolido pelo tempo”. (Flores de Lemos)

No contexto da Guerra Peninsular (1808-1814), durante a 3.ª invasão francesa (1810-1811) as ruinas do castelo assumiram um inesperado valor estratégico para as tropas francesas que ocupavam a vila, como ponto de vigia dos seus postos avançados, nomeadamente nos Mosteiros, e das manobras das tropas luso britânicas, baseadas em Rio Maior. E de acordo com o relato coevo do prior de Alcanede, no início da invasão, terá sido montado no castelo um ardiloso, e inconsequente, estratagema para afastar os franceses.

Data de 1813 a primeira referência de carácter historicista conhecida sobre o castelo de Alcanede. Da autoria do viajante inglês Francis Hall, refere estar "esta parte de Portugal coberta de fortalezas feudais", incluindo a "pequena localidade de Alcanede". No início de século XIX as ruinas da torre do castelo foram utilizadas para a colocação de um marco para orientação dos viajantes "através dos pinhais". (HALL)

Ainda no século XIX, a povoação e seu castelo foram assim referidos:

Estende-se parte da povoação [de Alcanede] por terreno plano na raiz da montanha, e outra parte sobe e recosta-se-lhe no dorso. (…) [O castelo] campeia na coroa do monte sobranceiro à vila, tendo por base rocha e penedia.” (Archivo Pittoresco, volume VI, 1863.)

As primeiras fotografias do Castelo, do início do século XX, documentam o estado de degradação a que chegara a antiga fortificação.

Em 1936 a fortificação encontrava-se em avançado estado de ruína, existindo apenas "alguns panos de muralha em contínua desagregação e dois cunhais" (DGEMN, 1954:16).

As "Ruínas do Castelo de Alcanede" foram classificadas como Imóvel de Interesse Público pelo Decreto n.º 32.973, publicado no Diário do Governo, I Série n.º 175, de 18 de agosto de 1943. A ZEP e a Zona "non aedificandi" encontram-se definidas por Portaria de 20 de setembro de 1949, publicada no Diário do Governo, II Série, n.º 237, de 12 de outubro.

A intervenção do poder público fez-se sentir por extensa campanha de obras consolidação e reedificação sob a responsabilidade da DGEMN, integrada no Plano de Restauro dos Monumentos Nacionais empreendido pelo Estado Novo no âmbito da comemoração dos centenários da Fundação e Restauração da nacionalidade (1140, 1640), obra que lhe conferiu o aspeto que conhecemos hoje. Os trabalhos tiveram início em 1941, com a reconstrução da cantaria e alvenaria, segundo os vestígios existentes. Uma segunda campanha teve lugar entre 1944 e 1949, durante a qual foram reconstruídas muralhas, torres e barbacã, bem como construída a escada e a abóbada da torre. Posteriormente, em 1954 e 1973 realizaram-se novas obras de consolidação e conservação dos paramentos do troço muralhado.

Em 2008 a Câmara Municipal de Santarém acedeu aos diversos pedidos realizados pela Junta de Freguesia de Alcanede e financiou a colocação de diverso mobiliário urbano e de jardim no recinto do Castelo de Alcanede, nomeadamente umas escadas de acesso ao castelo, caixotes do lixo, bancos de madeira e uma mesa de piquenique.

O imóvel encontra-se afeto à Direcção-Geral do Património Cultural (DGPC) pelo Decreto-Lei n.º 115/2012, publicado no Diário da República, I Série, n.º 102, de 25 de maio.

Em 2013 a DGCP realizou uma intervenção num dos locais do muro da barbacã do castelo, prevenindo a infiltração da água e consequente desmoronamento. No decorrer dessas obras, decorreram ainda alguns estudos arqueológicos, onde foram identificados alguns artefactos datáveis do período medieval.

De setembro a outubro do mesmo ano foram empreendidas obras de consolidação de Muralhas e Proteção das Bocas da Cisterna do castelo, orçadas em cerca de 13 mil euros, a cargo da DGPC.

Características

Exemplar de arquitetura militar, no estilo românico e gótico, de enquadramento rural, isolado no alto de um cabeço rochoso, voltado a leste.

Apresenta planta com o formato aproximadamente oval, composto por duas torres, ligadas por panos de muralhas percorridas ao alto por adarves, separadas por um pátio central assente sobre uma cisterna abobadada.

O acesso faz-se por uma porta em arco de volta perfeita, encimada por uma cartela heráldica, com as armas de Avis e da vila de Alcanede.

Os adarves e a torre da entrada (torre albarrã) são coroados por merlões retangulares. Esta torre albarrã contém uma sala abobadada, através da qual se acede ao topo por uma escada de pedra. A torre de menagem, que delimita o castelo pelo lado norte, apresenta planta retangular e encontra-se parcialmente reconstruída. A visitação de 1516 referiu que esta torre era abobadada e dispunha de uma escada de pedra.

No pano da muralha voltada à serra estão adossados três cubelos. O castelo é envolvido por uma barbacã, presentemente constituída por um muro simples. Em seu interior, destacam-se ainda três portas de cantarias decoradas e um interessante cachorro, representando a cabeça de um bovino.

A lenda do castelo

A tradição local recorda a lenda de um pote com ouro e de um pote com peste enterrados no castelo. É uma narrativa semelhante às conhecidas arcas do castelo de Montemor-o-Velho, versão popular do mito clássico da Arca de Pandora.



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Contribution

Updated at 15/07/2017 by the tutor Carlos Luís M. C. da Cruz.


  • Castle of Alcanede


  • Castle

  • 1163 (AC)




  • Portugal


  • Restored and Well Conserved

  • National Protection
    As "Ruínas do Castelo de Alcanede" foram classificadas como Imóvel de Interesse Público pelo Decreto n.º 32.973, publicado no Diário do Governo, I Série n.º 175, de 18 de agosto de 1943. A ZEP e a Zona "non aedificandi" encontram-se definidas por Portaria de 20 de setembro de 1949, publicada no Diário do Governo, II Série, n.º 237, de 12 de outubro.





  • Tourist-cultural Center

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  • Continent : Europe
    Country : Portugal
    State/Province: Santarém
    City: Santarém



  • Lat: 39 -26' 59''N | Lon: 8 49' 18''W










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