Castle of Penedono

Penedono, Viseu - Portugal

O “Castelo de Penedono”, também referido como “Castelo do Magriço”, localiza-se na freguesia de União das Freguesias de Penedono e Granja, concelho de Penedono, distrito de Viseu, em Portugal.

Ex libris” de Penedono, situa-se em posição dominante sobre a povoação, inscrita na serra do Serigo.

História

O castelo medieval

Não conhecemos com precisão as origens desta fortificação. As fontes documentais mais antigas mencionam a povoação apenas à época da Reconquista cristã, a propósito do repovoamento da região após a vitória das forças de Ramiro II de Leão na batalha de Simancas (939). A defesa desta parte do território foi confiada a Rodrigo Tedoniz, marido de Leodegúndia (irmã de Mumadona Dias) com quem gerou D. Flâmula (ou Chamoa Rodrigues). Rodrigo viria a ser alcaide dos castelos do soberano e, nessa função, teria determinado a reedificação do Castelo de Penedono. Posteriormente, em 998 da Era Hispânica (960 da Era Cristã), Chamoa Rodrigues, achando-se gravemente enferma em Lalim, fez-se conduzir ao Mosteiro de Guimarães, instituindo como testamenteira a sua tia Mumadona, com o encargo de dispor de seus bens para fins de beneficência. Entre eles, incluía-se uma série de castelos e respectivas gentes (“penellas et populaturas”) na fronteira da Beira Alta, entre os quais este, referido como de “Pena de Dono”:

(…) nostros castellos id est Trancoso, Moraria, Longobria, Nauman, Vacinata, Amindula, Pena de Dono, Alcobria, Seniorzelli, Caria, cum alias penellas et populaturas que sunt in ipsa stremadura (…).” (Portugalia Monumenta Henricina, Diplomata et Chartae, 81, Lisboa, 1867; Vimaranis Monumenta Historica, 11, Guimarães, 1929-1931.)

Durante o século XI, ao sabor dos avanços e recuos das fronteiras cristãs, Penedono e o seu castelo mudaram de mãos em diversas ocasiões. A sua reconquista definitiva teve lugar no contexto da campanha de Fernando I de Leão (1037-1065) que culminou com a conquista das regiões de Viseu e de Coimbra em 1064. Um inventário dos bens do Mosteiro de Guimarães lavrado em 1095 relaciona o Castelo de Penedono entre outros bens anteriormente legados por D. Chamoa.

Com a emancipação política de Portugal, os seus domínios passaram a integrar os do novo reino. Sancho I de Portugal (1185-1211), ante a situação estratégica de Penedono, próximo à linha fronteiriça, incentivou o repovoamento dessas terras através da doação de foral (1195), ao mesmo tempo em que determinou a reconstrução das suas defesas.

O seu sucessor, Afonso II de Portugal (1211-1223) confirmou-lhe o foral em outubro de 1217. O documento régio, expedido em nome conjunto com a sua esposa, a rainha D. Dulce, e os filhos do casal, os infantes D. Sancho, D. Afonso e Dona Leonor, destaca-se pelo número e qualidade dos seus intervenientes confirmantes, nada menos do que oito autoridades eclesiásticas (Estêvão, arcebispo de Braga; Martinho, bispo do Porto; Pedro, bispo de Coimbra; Soeiro, bispo de Lisboa; Soeiro, bispo de Évora; Pelágio, bispo de Lamego; Bartolomeu, bispo de Viseu; Martinho, bispo da Guarda), Martinho João, alferes-mor do Rei; Pedro João, mordomo da Cúria; e mais doze Senhores da Corte, sendo sete como confirmantes e cinco como testemunhas.

A povoação e o seu castelo também tiveram a atenção de Dinis I de Portugal (1279-1325), que lhe determinou reforços na defesa. No reinado deste soberano, em 1321 existiam em Penedono três igrejas paroquiais, das invocações de São Pedro, São Salvador e Santa Maria Madalena, cujas rendas foram calculadas, respetivamente, em 50, 40 e 100 libras cada uma.

A atual configuração do castelo remonta aos fins do século XIV, quando Fernando I de Portugal (1367-1383) incluiu a povoação no termo de Trancoso. Diante da intenção da edilidade de arrasar o Castelo de Penedono, os homens-bons desta vila insurgiram-se, logrando a sua autonomia. Estes domínios foram então doados a D. Vasco Fernandes Coutinho (Marialva), senhor do couto de Leomil, que fez reconstruir o castelo.

No contexto da crise de sucessão 1383-1385, tendo Vasco Fernandes Coutinho falecido na Primavera de 1384, sucedeu-o na alcaidaria o seu filho, Gonçalo Vasques Coutinho. Leal ao partido do Mestre de Avis, foi-lhe confiado, no início de 1385 o encargo de chefiar as forças do Porto que conquistaram o Castelo da Feira. Posteriormente, distinguiu-se por mérito na batalha de Trancoso (maio de 1385), o que lhe valeu a promoção ao posto de marechal. Acredita-se que aqui, no Castelo de Penedono, tenham nascido os filhos deste alcaide e, dentre eles:

• o primogênito, Vasco Fernandes Coutinho, 1.º conde de Marialva, que integrou a mal-sucedida expedição a Tânger (1437); e

• Álvaro Gonçalves Coutinho, o cavaleiro alcunhado “o Magriço”, herói da narrativa dos Doze Pares de Inglaterra, imortalizado por Camões no Canto VI de Os Lusíadas.

Os descendentes do conde de Marialva mantiveram interesses no Castelo de Penedono, a saber: D. Gonçalo Coutinho, que herdou o título condal, e D. Fernando Coutinho, ambos integrantes da segunda expedição a Tânger (1464), onde o primeiro perdeu a vida; os seus netos, D. João Coutinho, 3.º conde de Marialva, e D. Francisco Coutinho, 4.º conde de Marialva por sucessão de seu irmão, falecido sem descendência, foram ambos integrantes da expedição que conquistou Arzila (1471), e que ao primeiro custou a vida.

Sob o reinado de Manuel I de Portugal (1495-1521), a vila recebeu o Foral Novo, subscrito por Fernão de Pina, a 27 de novembro de 1512. As rendas e os direitos anuais, devidos à Coroa, fixados em 2970 réis, deviam ser pagos pelos moradores do concelho ao alcaide do castelo. Do gado miúdo (ovino e caprino) que sem licença entrasse nos montados, levaria o concelho 1 real por cabeça; e do gado vacum, 10 reais. Seguem-se os capítulos de Armas, Sentenças e Gado do Vento, referentes, o primeiro, à pena de arma; o segundo, à execução das sentenças; e o terceiro ao gado do vento, isto é, o gado encontrado a vaguear pelos montes, sem dono conhecido. Entre os direitos particulares, encontram-se mencionados a portagem de entrada na vila e o forno de cozer pão. Foram realizadas, nesta conjuntura, novas obras no castelo, para o que terá contribuído a influência do 4.º conde de Marialva, vedor das obras reais na Beira, cuja filha única, D. Guiomar Coutinho, desposou o infante D. Fernando. Falecendo o conde sem descendência, e sua filha, dois anos depois, também sem descendência, extinguiu-se a família Coutinho.

Do Cadastro da População do Reino elaborado em 1527 por ordem de João III de Portugal (1521-1557), consta que na vila de Penedono e seu termo havia então 486 fogos, o que equivalia a cerca de 1500 habitantes. O lugar mais populoso era o das Antas, com 130 fogos, seguindo-se Castainço com 85, a Beselga com 82, a Prova com 78, a Vila com 73 e, por fim, Alcarva com 48.

Do século XVII aos nossos dias

Os domínios de Penedono e seu castelo são referidos, no século XVII, associados aos Lacerda, que então usavam honorificamente o título de seus alcaides-mores.

O castelo foi visitado por Alexandre Herculano em 1812, que o descreveu, à época, como já em ruínas.

Encontra-se classificado como Monumento Nacional por Decreto de 16 de junho de 1910, publicado no Diário do Governo n.º 136, de 23 de junho. A ZEP e a Zona "non aedificandi" encontram-se definidas por Portaria de 25 de agosto de 1955, publicada no Diário do Governo, II Série, n.º 239, de 14 de outubro.

Em 1940-1941 o monumento foi alvo de intervenções a cargo da Direcção Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais (DGEMN), integradas no Plano de Restauro dos Monumentos Nacionais empreendido pelo Estado Novo no âmbito da comemoração dos centenários da Fundação e Restauração da nacionalidade (1140, 1640). Alguns panos de muralha e torres que se encontravam danificados foram parcialmente reconstruídos, aproveitando-se a ocasião para lajear pavimentos e beneficiar os acessos. Novos trabalhos tiveram lugar em 1949 e em 1953, permitindo que o conjunto chegasse até aos nossos dias relativamente bem conservado, mas ainda carecendo de obras em seu interior.

Características

Exemplar de arquitetura militar, em estilo gótico, na cota de 930 metros acima do nível do mar.

Nada sabemos acerca de sua primitiva configuração. A estrutura que chegou até aos nossos dias resulta de uma reconstrução quase integral executada nos finais do século XIV, com complementos datando da passagem do século XV para o XVI, que lhe conferiu a função de solar.

De pequenas dimensões, apresenta planta hexagonal irregular, em aparelho de pedra de granito e xisto, com os panos de muralhas encimados por ameias piramidais. O seu perímetro externo totaliza cerca de 70 metros. No setor noroeste, a muralha é reforçada por um cubelo. Dois outros robustos torreões prismáticos, com contrafortes e mísulas, são coroados por ameias piramidais. No setor sudoeste destacam-se dois torreões esguios, coroados de ameias piramidais reentrantes, ladeando e protegendo a porta principal do castelo, encimada por um arco pleno que une ambos os torreões defensivos. Por esta acede-se à praça de armas. Nas suas paredes, observam-se os vestígios das bases do travejamento de madeira dos pisos residenciais, sendo as paredes rasgadas por janelas quadradas ladeadas por bancos de pedra, o que permite supor que se tenha dividido internamente em três pisos. Ainda são identificáveis as escadas de acesso ao adarve, adossadas à muralha.

Num dos ângulos da praça de armas, sob a torre de menagem, inscreve-se a cisterna, de seção poligonal, recoberta por abóbada em cruzaria de ogivas.

No exterior o conjunto é completado por uma barbacã de pouca altura, cuja cortina é rasgada por uma porta em arco ogival e encimada por um adarve.

Fronteiro ao castelo ergue-se um elegante pelourinho de gaiola.



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Contribution

Updated at 24/02/2016 by the tutor Carlos Luís M. C. da Cruz.


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    Encontra-se classificado como Monumento Nacional por Decreto de 16 de junho de 1910, publicado no Diário do Governo n.º 136, de 23 de junho. A ZEP e a Zona "non aedificandi" encontram-se definidas por Portaria de 25 de agosto de 1955, publicada no Diário do Governo, II Série, n.º 239, de 14 de outubro.





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  • Continent : Europe
    Country : Portugal
    State/Province: Viseu
    City: Penedono



  • Lat: 40 -60' 36''N | Lon: 7 23' 38''W










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