Castle of Vilar Maior

Sabugal, Guarda - Portugal

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O “Castelo de Vilar Maior” localiza-se na freguesia de União de Freguesias de Aldeia da Ribeira, Vilar Maior e Badamalos, concelho do Sabugal, distrito da Guarda, em Portugal.

Em posição dominante sobre o vale do rio Cesarão, na sua margem esquerda, tendo na margem oposta pelo Sabugal, a Ribeira dos Alfaiates, cursos de água que se constituem nos dois principais afluentes da margem direita do rio Côa, do alto de seus muros é possível avistar-se as fortificações de Alfaiates e do Sabugal, e a cidade da Guarda.

Além de Vilar Maior, nesta região encontram-se os castelos de Castelo Melhor, Castelo Rodrigo, Almeida, Castelo Bom, Alfaiates e Sabugal, que na Idade Média constituíam a chamada “Irmandade do Côa”. Hoje em dia constitui-se em importante ponto turístico da região, integrando, juntamente com os castelos de Alfaiates, Sabugal, Sortelha e Vila do Touro, a chamada “Rota dos 5 Castelos”.

História

Antecedentes

Acredita-se que a primitiva ocupação humana de seu sítio possa remontar ao período Neolítico, e a um possível castro Lusitano. Com a invasão romana da península Ibérica, admite-se a conquista do antigo castro em 60 a.C., seguida da sua reconstrução e fortificação.

O castelo medieval

À época da Reconquista cristã da região, a posse da povoação e seu castelo oscilou entre cristãos e Muçulmanos.

Conquistada por forças cristãs em fins do século IX, em 997 a região foi reconquistada pelas forças de Almançor (938-1002), para ser reconquistada pelos cristãos quando, entre 1055 e 1057, Fernando I de Leão (1037-1065) dela expulsou os Muçulmanos na chamada “Campanha das Beiras”.

Até ao século XIV a raia com o reino de Leão era marcada pelo rio Côa. Em mãos portuguesas, de acordo com a “Monarchia Luzitana”, a região passou para as mãos do Reino de Leão a partir de 1139. (Op. cit., Parte V, Livro XVII, Cap. XXXI, 1650) Como consequência da derrota de Afonso I de Portugal no cerco de Badajoz (1169) este foi forçado a recuar nos territórios ocupados, tendo a área do Ribacoa passado a ser dominada pelo Reino de Leão, de 1170 a 1297.

Terá sido Afonso IX de Leão e da Galiza (1188-1230) o responsável pelo seu desenvolvimento, concedendo-lhe a primeira Carta de Povoamento (“carta puebla”), por volta de 1227. Pouco depois, por um documento de 1231 as vilas de Caria Atalaia e Vilar Maior foram concedidas à vila do Sabugal. É possível que D. Afonso IX tenha feito reedificar o castelo, tendo a cerca da vila sido erguida desde o final do século XIII, conforme inscrição epigráfica datada de 1280.

Sendo senhor das terras ribeirinhas do rio Côa, e das vilas de Sabugal, Alfaiates e Castelo Rodrigo, o nobre castelhano Sancho Pérez de Paz (1280-1314), senhor de Ledesma, Alba de Tormes, Salvatierra, Miranda del Castañar, Galisteo e Granadilla, Dinis I de Portugal (1279-1325) no contexto da “Campanha da Guarda” conquistou Vilar Maior e o seu castelo em 1296, concedendo foral à povoação em 27 de novembro desse mesmo ano. Vilar Maior ficou assim, na alçada civil a obedecer ao Reino de Portugal e, no plano eclesiástico, ao bispo leonês da diocese de Ciudad Rodrigo até que João I de Portugal (1385-1433) a uniu ao bispado de Lamego.

A posse definitiva do Ribacoa para Portugal só foi assegurada pelo Tratado de Alcanizes (12 de setembro de 1297), a partir de quando o soberano procurou consolidar as fronteiras na região, fazendo reedificar os castelos de Alfaiates, Almeida, Castelo Bom, Castelo Melhor, Castelo Mendo, Castelo Rodrigo, Pinhel, Sabugal e este, de Vilar Maior. Desconhece-se, entretanto, a extensão da intervenção em Vilar Maior, se o castelo como um todo ou apenas a torre de menagem. Afirma-se que os trabalhos teriam sido desenvolvidos pelos cavaleiros da Ordem do Templo, cuja detenção foi solicitada ao soberano português no reino pela bula “Callidi serpentis vigil” (1310), e cujo património seria incorporado ao da novel Ordem de Cristo em 1319.

No contexto das Guerras Fernandinas (1369-1382), admitem-se possíveis intervenções no castelo entre 1367 e 1383, por iniciativa de Fernando I de Portugal (1367-1383).

O mesmo se admite em 1398, por iniciativa de João I de Portugal (1385-1433).

Com a paz assinada com Castela (1411) e o início da expansão marítima portuguesa (1415), a fortificação perdeu importância e começaram a sentir-se dificuldades de povoamento na raia. Visando reverter esse quadro, em meados do século XV, a vila recebeu o privilégio de couto de homiziados (1440), recebendo a povoação 1000 homiziados que, desta forma, obtinham perdão pelos seus crimes. A “Inquirição” de 1496 refere a existência de 234 habitantes.

Pelo mesmo motivo Manuel I de Portugal (1495-1521) concedeu-lhe o “Foral Novo” (1 de janeiro de 1510). Nessa época, a povoação e seu castelo encontram-se figurados por Duarte de Armas no seu “Livro das Fortalezas”, c. 1509, em duas panorâmicas da vila e uma planta do castelo. Da análise das mesmas podemos observar que o arrabalde se tinha estendido para fora do perímetro defensivo, estando a cerca leonesa já em avançado estado de ruína, restando apenas a porta principal na cerca. Ainda neste reinado, os juízes de Vilar Maior e de Ciudad Rodrigo procederam ao reconhecimento da fronteira, demarcando-a (16 de maio de 1516).

Sob o reinado de João III de Portugal (1521-1557), o “Numeramento” (1527) aponta-lhe 60 fogos, num total de 422 habitantes.

Do século XVII aos nossos dias

No contexto da Guerra da Restauração (1640-1668) o antigo castelo não tinha mais importância como sistema defensivo, razão pela qual não sofreu adaptações ao sistema abaluartado, ao contrário do que aconteceu com os vizinhos castelos de Almeida e de Penamacor. Neste período Brás Garcia de Mascarenhas (1596-1656) assim descreveu a vila:

"Terá a vila 60 vizinhos, o castelo está em sitio forte por natureza, que os muros são fracos e mal descortinados e muito antigos. Dista duas léguas de Alfaiates e duas do Castelo de Albergaria e tres da vila de Espeja, que fica a um lado do pinhal que começa na nossa arraia e vai até perto de Cidade Rodrigo, tem tres para quatro léguas de comprido, uma e meias de largo, é muito espesso e ninho de ladrões e animais selváticos. Fica junto dele o lugar de Nave de Haver que é nosso e uma légua adentro o de Malhada Sorda, ambos de 200 vizinhos casa um, e são termo de Vilar Maior, cuja alcaidaria mor rendia 600 mil reais ao Conde de Ficalho, Duque de Villa Hermosa, não sei por quanto a houve, sei que hoje a pedem muitos a Sua Magestade, e que até agora a não deu a nenhum.

Ainda nesse período foi criado o título de conde de Vilar Maior (27 de janeiro de 1653), em favor de D. Fernando Teles de Menezes Silva, depois marquês de Penalva e Alegrete. Vilar Maior era, à época, Comenda da Ordem de Malta.

A povoação não sofreu danos quando do terramoto de 1 de novembro de 1755. O cura Francisco Antunes registou que o Paço, sendo alcaide-mor Joaquim José Nobre de Miranda; encontrava-se rodeado de muros "em redondo, porem de tam pouca defensa por se acharem arruinados". O sistema defensivo tinha 3 atalaias, também arruinadas, de telha e madeiras e um castelo muralhado, com poço de água e muitas casas em ruína; a torre do castelo tinha dois pisos e encontrava-se também em péssimo estado de conservação. (“Memórias Paroquiais”, 1758)

No contexto da Guerra Peninsular (1808-1814), quando da terceira invasão francesa a Portugal (1810) sob o comando do marechal André Masséna, a povoação foi invadida e pilhada pelas tropas francesas. Mais tarde, com o fim da Guerra Civil Portuguesa (1828-1834) a população sofreu as consequências das lutas entre os liberais e miguelistas de 1834 a 1853.

Vilar Maior foi sede de Município até 24 de outubro de 1855, altura em que foi integrada no Concelho do Sabugal, tendo o edifício da sua Casa da Câmara e Cadeia, erguido sobre a muralha medieval, sido convertido em Escola Primária e, atualmente, em Museu local (Museu de Vilar Maior).

As ruínas do castelo encontram-se afetas à Câmara Municipal do Sabugal por auto de cedência de 28 de julho de 1941. Encontram-se classificadas como Imóvel de Interesse Público pelo Decreto n.° 2/96, publicado no Diário da República, 1.ª Série-B, n.º 56, de 6 de março.

No século XX o edifício do antigo forno comunitário foi recuperado, passando a funcionar como posto de turismo e loja de artesanato.

De 2011 a 2013 o recinto do castelo foi objeto de prospeção arqueológica. Em 2013, após a Câmara Municipal ter procedido a trabalhos de iluminação cénica e melhorias no acesso ao castelo, preparava-se para restaurar e requalificar as ruínas identificadas em seu interior pelos arqueólogos como espaço museológico.

Características

Exemplar de arquitetura militar, românico e gótico, de enquadramento urbano, na cota de 770 metros acima do nível do mar.

O castelo apresenta planta de traçado oval irregular acedido por portão em arco de volta quebrada a sudeste. No lado oposto, a noroeste, rasga-se um outro portão, de menores dimensões, em arco apontado. O topo das muralhas é percorrido por adarve.

Entre as diversas construções que originalmente se erguiam na praça de armas, destacam-se a monumental Torre de Menagem, adossada à muralha do recinto fortificado, pelo exterior. Apresenta planta quadrada, dividida internamente em três pavimentos (defendendo o portão), com cisterna, de planta circular e sem cobertura, sendo os seus muros rasgados por várias seteiras. A entrada na torre de menagem faz-se pelo interior da muralha, ao nível do adarve, por meio de porta sobrelevada de arco apontado. No seu alçado principal, o brasão das quinas reafirma o poder real. Apresenta siglas templárias em quase todas as pedras de cantaria.

Subsistem apenas vestígios da cerca da vila, como o arranque do arco de uma das portas. Gravada na ombreira da Porta da rua do Arco encontra-se uma inscrição comemorativa da conclusão da muralha ou de um troço da muralha do perímetro urbano, que reza: “ERA DE M[C]CC XVIIJ” (= ano de 1280).

Nas imediações do castelo encontram-se as ruínas da Igreja de Santiago, de construção românica, destruída por um incêndio, da qual subsiste apenas a cabeceira. As suas pedras foram utilizadas para a construção do muro do cemitério vizinho, e numa das suas entradas pode ainda ser visto um arco românico que pertenceu ao templo.



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Contribution

Updated at 21/09/2018 by the tutor Carlos Luís M. C. da Cruz.

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  • Featureless and Well Conserved

  • National Protection
    As ruínas do castelo encontram-se classificadas como Imóvel de Interesse Público pelo Decreto n.° 2/96, publicado no Diário da República, 1.ª Série-B, n.º 56, de 6 de março.





  • Tourist-cultural Center

  • ,00 m2

  • Continent : Europe
    Country : Portugal
    State/Province: Guarda
    City: Sabugal



  • Lat: 40 -29' 24''N | Lon: 6 56' 27''W







  • Castelo Templário



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