Castle of Santarém

Santarém, Santarém - Portugal

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O “Castelo e a cerca urbana de Santarém” localizam-se na freguesia de União das freguesias de Santarém (Marvila), Santa Iria da Ribeira de Santarém, Santarém (São Salvador) e Santarém (São Nicolau), no concelho e distrito de Santarém, em Portugal.

Em sítio privilegiado em termos estratégico-defensivos, com fácil acesso ao rio e cercado por solos férteis para a agricultura, à época medieval a povoação foi uma peça-chave na chamada "Linha do Tejo". Do conjunto defensivo, atualmente restam apenas alguns troços das suas muralhas e a chamada "Torre das Cabaças".

História

Antecedentes

Admite-se que a primitiva ocupação humana de seu sítio remonte a um castro pré-histórico, que terá dado lugar a uma povoação desde o século VIII a.C., conforme os testemunhos arqueológicos.

Ao longo dos séculos foi visitada por navegadores Fenícios, Gregos e Cartagineses.

No contexto da invasão Romana da península Ibérica, a conquista romana desta área iniciou-se em 138 a.C., com a campanha militar de fortificação de “Olisipo” (Lisboa) e “Móron” por Décimo Júnio Bruto. Seguindo a mesma linha, Júlio César estabeleceu, em 61 a.C., um acampamento militar em Santarém. A povoação tomou nesta época a designação de “Scallabis Praesidium Iulium”. A partir de então tornou-se o principal entreposto comercial do médio Tejo e um dos mais importantes centros administrativos da província da Lusitânia, tendo sido sede do “conventus Scallabitanus”. A sua importância é atestada pelo traçado da via romana que ligava “Olisipo” a “Asturica Augusta” (Astorga), passando por "Conímbriga", "Cale" e “Bracara Augusta” (Braga).

A crise do século III e a decadência do Império Romano do Ocidente afetaram a “civitas” que, no século V foi conquistada e saqueada pelos bárbaros. Em 460, os visigodos, comandados por Sunerico, conquistam-na aos alanos.

A cidade deste período seria constituída pelos núcleos seguintes:

• "Castra Scallabis" – cidadela fortificada;

• "Scallabis" – a urbe do planalto;

• "Portus" ou "cataplus" romano (Alfange);

• Seserigo – bairro ribeirinho situado na margem direita da ribeira de Runes.

Quando da invasão Muçulmana da península, foi por estes ocupada em 715. Durante o período islâmico, o território urbano da povoação, agora denominada “Shantarin”, continuou dividido em quatro núcleos:

• A alcáçova;

• A medina de Marvila;

• O porto de Alfange;

• O arrabalde de Seserigo.

O castelo medieval

No contexto da Reconquista cristã da península, Santarém foi por diversas vezes alvo das incursões (“algaras”) dos reis asturo-leoneses, época em que as suas fortificações devem ter sido sucessivamente reparadas e reforçadas pelos Muçulmanos. Entre o final do século XI e o início do século XII, a posse da praça alternou-se estes e os cristãos, ao sabor dos avanços e recuos da fronteira.

Entre 1093 e 1111 esteve sujeita ao domínio cristão, durante o qual o rei Afonso VI de Leão e Castela concedeu-lhe, em 1095, uma carta de foral.

De volta a mãos muçulmanas constitui-se, durante um curto período, na capital de um pequeno emirado independente: a Taifa de Santarém.

À época da formação da nacionalidade portuguesa, diante do avanço para o sul das forças sob o comando de Afonso I de Portugal (1143-1185), Santarém foi conquistada de surpresa, em um assalto noturno, com uma força escolhida de pouco mais de uma centena de homens, em 15 de março de 1147. Na ocasião, o soberano doou todo o direito eclesiástico da povoação à Ordem do Templo:

"Em nome da Santíssima Trindade, Padre. Filho e Espírito Santo. Eu, D. Afonso, por graça de Deus, rei dos portugueses, começando minha jornada para o castelo, que se chama Santarém, propus em meu coração, e fiz voto, que Deus por sua misericórdia mo concedia, lhe ofereceria todo o direito eclesiástico e aos cavaleiros e mais religiosos do Templo de Salomão, que residem em Jerusalém em defensão do Santo Sepulcro, alguns dos quais me acompanharam nesta empresa. E porque o Senhor me fez tão grande mercê que deduziu a próspero fim meu desejo, portanto eu, D. Afonso, sobredito rei, com minha mulher a rainha D. Mafalda, fazemos doação aos cavaleiros nomeados de todo o direito eclesiástico de Santarém, para que o tenham e possuam, assim eles como seus sucessores, para sempre, de modo que não se entremeta nele pessoa alguma secular nem eclesiástica.

Feita esta escritura no mês de abril da era de 1185 [1147 da era cristã].
" (BRANDÃO, António (frei). Monarchia Lusytana, Terceira parte, 1632)

Em termos de historiografia, outra importante fonte documental sobre o assalto a Santarém é o manuscrito "De expugnatione Scalabis", redigido entre o final do século XII e o início do XIII por monges do Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra para assinalar o feito do soberano.

Em 1163 D. Gonçalo Mendes de Sousa, o Bom (c. 1129-1190), seu mordomo-mor, foi nomeado alcaide-mor de Santarém, que terá promovido a reedificação das suas defesas,

O soberano outorgou novo foral à vila, passado em Coimbra em maio de 1179.

A povoação e seu castelo foram atacadas em 1184 pelas forças do califa Almóada Abu Iacube Iúçufe (1163-1184), sendo repelidas pelas forças combinadas de Fernando II de Leão, genro de D. Afonso I, que então se encontrava em Santarém, e do infante D. Sancho, futuro Sancho I de Portugal (1185-1211). Ferido na ocasião, o califa viria a falecer em Évora, no mesmo ano. D. Sancho I confirmou a doação feita pelo pai à Ordem do Templo (1187).

Afonso II de Portugal (1211-1223) confirmou o foral da vila, na própria Santarém, em 8 de abril de 1214, confirmando-o em Coimbra, em 12 de novembro de 1217.

No contexto da crise que culminou com a deposição de Sancho II de Portugal (1223-1248), o alcaide de Santarém foi dos que, já em 1245, reconheceram a autoridade do Infante D. Afonso, conde de Bolonha, futuro Afonso III de Portugal (1248-1279), quando este chegou ao reino, de que fora nomeado regente.

Em 1300 Dinis I de Portugal (1279-1325) confirmou a doação dos domínios de Santarém à Ordem do Templo. Diante da extinção da Ordem, o seu património foi incorporado ao da novel Ordem de Cristo (1319). Ainda nesse reinado, em 1324 Santarém e seu castelo colocaram-se a favor de outro Infante D. Afonso, este filho de D. Dinis, quando o infante se revoltou contra o pai. Dominada a revolta pelas forças do monarca, este aqui viria a falecer, a 7 de janeiro de 1325.

Sob o reinado de Fernando I de Portugal (1367-1383), este procedeu-lhe reforço e ampliação nas defesas, como por exemplo a reforma da Porta de Santiago, em arco ogival (1382). Com a sua morte, abrindo-se a crise de sucessão de 1383-1385, em seus muros se refugiou, após o Natal de 1383, (Crónica de El-Rei D. João I, volume I, cap. XXXI, p. 96.) a rainha viúva, D. Leonor Teles, que antes tentara (Crónica de El-Rei D. Fernando, volume III, cap. CLXXVI, p. 192) fazer alçar pendão na vila por sua filha, Beatriz de Portugal. Tendo a rainha viúva solicitado a intervenção de Castela, (Crónica de El-Rei D. João I, volume I, cap. LXII, p. 174) a ela se reuniu o seu genro, João I de Castela, a quem entregou o regimento e senhorio do reino (Crónica de El-Rei D. João I, volume I, cap. LXVI, p. 183) com o apoio de boa parte da nobreza portuguesa (janeiro de 1384). João I de Castela colocou nos muros de Santarém uma guarnição castelhana, e a praça só retornou a mãos portuguesas imediatamente após a batalha de Aljubarrota (1385).

Um último Infante D. Afonso marcaria a história da vila e seu castelo: alguns estudiosos apontam o falecimento do filho de João II de Portugal (1481-1495), em um trágico acidente de cavalo no Mouchão de Alfange, às margens do rio Tejo (1491), como uma das razões do afastamento da Corte da vila de Santarém e o seu consequente declínio de importância administrativa no reino.

Manuel I de Portugal (1495-1521) concedeu o Foral Novo a Santarém, passado em Almeirim, em 1 de fevereiro de 1506. Pouco depois, a vila e as suas defesas foram severamente danificadas pelo terramoto de 1531.

Do século XVII aos nossos dias

No contexto da Guerra da Restauração (1640-1668) foram-lhe procedidas obras de modernização e reforço nas defesas, adaptando-as ao emprego da artilharia.

Posteriormente, no contexto da Guerra Civil Portuguesa (1828-1834) recebeu nova intervenção de reforço nas defesas, tendo Miguel I de Portugal (1828-1834) se servido do antigo castelo como reduto, no período de outubro de 1833 a 17 de maio de 1834.

Com a paz e o progresso económico, Santarém foi elevada a cidade em dezembro de 1868. A expansão da malha urbana, que agora se acelerava, absorveu as suas defesas medievais de tal forma que, em 1936, encontravam-se em completa ruína.

Em nossos dias restam apenas remanescentes como o recinto fortificado da Alcáçova, a Porta de Santiago, a Porta do Sol e alguns troços das muralhas. O conjunto encontra-se ao abrigo de distintas proteções:

Núcleo urbano da cidade de Santarém / Centro histórico de Santarém - Em vias de classificação (Plano de Pormenor - Salvaguarda e valorização da Mouraria de Santarém) pela Portaria n.º 313/94, publicada no Diário da República, 1.ª série-B, n.º 118, de 21 de maio.

Muralhas de Santarém / Castelo e cerca urbana de Santarém / Torre das Cabaças - Imóvel de Interesse Público, pelo Decreto n.º 3 027, publicado no Diário do Governo, 1.ª série, n.º 38, de 14 de março de 1917.

A partir da década de 1990 foram iniciados trabalhos de prospecção arqueológica visando identificar troços remanescentes das antigas muralhas, consolidando alguns deles. No recinto da Alcáçova, pesquisado pelo Centro de Arqueologia da Universidade de Lisboa com o apoio do Instituto Português do Património Arquitectónico (IPPAR), foi trazido à luz um “podium” (base) de um templo romano com cerca de 15 metros de lado, que se presume datar do século I a.C..

O que resta do castelo medieval tem vindo ser alvo de obras de conservação.

A área da antiga alcáçova desde 1896 foi transformada no jardim público e miradouro conhecido por Portas do Sol, constituindo-se hoje num “ex libris” da cidade.

Características

Exemplar de arquitetura militar, com elementos dos estilos islâmico, românico, gótico e maneirista, de enquadramento rural, isolado no alto de um cabeço rochoso envolvido por vegetação, a leste.

Na Idade Média o conjunto era constituído pelo recinto da alcáçova e pela muralha da povoação (medina), defendida por uma barbacã. Também possuíam cerca os bairros ribeirinhos da Ribeira e do Alfange. A cerca da vila era rasgada por sete portas, determinadas pelas sete vias de acesso:

• Porta de Santiago, de acesso à Ribeira;

• Porta do Sol, de acesso ao Alfange;

• Porta da Alcáçova;

• Porta de Leiria;

• Porta de São Manços e postigo de mesmo nome;

• Porta de Alpram ou de Alporão, de acesso a Marvila;

• Porta de Valada.

Destas antigas portas restam-nos apenas vestígios das duas primeiras. Um brasão de armas de Portugal, ladeado por uma epigrafia (atualmente mutilada e ilegível) ladeia os restos das ogivas, interna e externa, da Porta de Santiago. Outras referências existem à Porta de Atamarma (de acesso à Ribeira), à Porta das Figueiras, ao Postigo de Gonçalo Eanes (da Carreira ou de D. Margarida), ao Postigo de Santo Estevão, ao Postigo de Vale de Rei, ao Postigo de Gonçalo Correia (na muralha que delimitava uma zona intermédia entre a Alcáçova e Marvila, à sombra da Igreja de São Martinho), e o Postigo do Ferragial (em Marvila).

Das primitivas torres são referidas a Torre do Bufo, na Alcáçova, a Torre de Manços e a torre albarrã (também denominada como torre de menagem), junto à Alcáçova.

Chegaram aos nossos dias:

• o recinto junto à Porta do Sol com três torreões coroados por merlões, que se prolonga sobranceiro ao vale do Alfange, na ribeira, integrado por uma guarita seiscentista em um dos vértices;

• troços de muralha junto à Porta da Traição, no monte sobranceira à Fonte das Figueiras;

• troços da cerca da vila na escola primária de Marvila (bairro do Pereiro) e fronteiros à igreja dos gracianos.

• o chamado Cabaceiro ou Torre das Cabaças, antiga Torre do Relógio do Senado da Câmara e atual Núcleo Museológico do Tempo. As torres de relógio foram introduzidas no país no início do século XV. A Torre Relógio de Santarém, construída em meados do século XV, ergueu-se sobre uma estrutura pré-existente: uma torre do recinto muralhado da vila medieval ligada à Porta de Alpram ou Alporão. A designação popular de “Cabaceiro” afirmou-se em finais do século XVIII depois que sete ou oito cabaças de barro foram colocadas na estrutura de ferro que suporta o enorme sino de bronze datado de 1604. Apresenta planta no formato de um paralelepípedo, com uma base de 9,76 por 7,20m e altura de 26m (31,40m com a estrutura de suporte do sino). A torre foi crescendo por sucessivos acrescentos ao longo do tempo, sempre através do mesmo processo construtivo, de aparelho de alvenaria de pedra calcária irregular e revestida a argamassa de cal e areia. O seu volume eleva-se praticamente isento de fenestração até próximo do cimo. Aí, apresenta oito grandes ventanas, duas em cada face, com as vergas em semi-arco, deixando antever uma pequena parte da calota esférica que cobre o seu último piso, suportando, por sua vez, a estrutura de ferro forjado, de forma trapezoidal, que sustenta o enorme sino de bronze e oito peças cerâmicas em forma de cabaças, cuja função é provocar a ressonância do som do sino ao bater as horas.

Desses vestígios conclui-se que as muralhas medievais apresentavam panos verticais, coroados por merlões prismáticos, rasgados por seteiras e reforçados a espaços regulares por baluartes de planta quadrangular e semicircular e por torres quadrangulares. As portas de acesso apresentavam vão em arco quebrado.

Com relação à fortificação seiscentista, em estilo maneirista, era integrada por um revelim de planta triangular, com panos em talude e guarita recoberta por cúpula.



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Contribution

Updated at 04/05/2016 by the tutor Carlos Luís M. C. da Cruz.

Contributions with medias: Carlos Luís M. C. da Cruz (11).


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    O conjunto encontra-se ao abrigo de distintas proteções:
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    • Muralhas de Santarém / Castelo e cerca urbana de Santarém / Torre das Cabaças - Imóvel de Interesse Público, pelo Decreto n.º 3 027, publicado no Diário do Governo, 1.ª série, n.º 38, de 14 de março de 1917.



  • +351 243 377 290


  • Tourist-cultural Center

  • ,00 m2

  • Continent : Europe
    Country : Portugal
    State/Province: Santarém
    City: Santarém



  • Lat: 39 -15' 58''N | Lon: 8 40' 36''W



  • Torre das Cabaças:

    Horário: das 9h00 às 12h30 e das 14h00 às 17h30 (Última entrada às 17h15)

    Encerra às Segundas, terças-feiras e feriados excepto no dia 19 de março (Dia da Cidade).





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