Castle of Lousã

Lousã, Coimbra - Portugal

O “Castelo da Lousã”, primitivamente referido como “Castelo de Arouce”, localiza-se na freguesia de União das Freguesias de Lousã e Vilarinho, no concelho de Lousã, distrito de Coimbra, em Portugal.

Em posição dominante no alto de um estreito contraforte da serra da Lousã, na margem direita do rio Arouce, que o protege por três lados, constituiu-se em uma peça integrante da defesa do acesso meridional a Coimbra na segunda metade do século XI. Em nossos dias integra a "Rede de Castelos e Muralhas do Mondego".

História

Antecedentes

A primitiva ocupação humana da região remonta à época da ocupação romana, conforme os testemunhos arqueológicos.

A primeira referência documental à povoação de Arouce remonta a 943, num contrato firmado entre Zuleima Abaiub, um moçárabe, e o abade Mestúlio, do Mosteiro de Lorvão, onde se menciona o topónimo “Arauz”:

Em nome de Deus, eu Zoleima Abaiub e minha mulher Flamula, a vos abade Mestulio ou a teus irmãos do mosteiro Lorvanense, vos escolhemos para fazer escritura de testamento, assim como fazemos de toda a herança e direitos que temos ou possamos vir a ter na herdade de Serpins, metade do que nos compete entre os herdeiros com terras amanhadas e incultas ou quando aí seja de algum préstimo; e está essa herdade no território de Arouce, na margem do rio Ceira.

E damo-vos também por nossa parte, na herdade de Algaça, a 4.ª inteira herança da dita minha mulher, tal como nos é devido, assim como o que qualquer a nos venha a dever e tudo quanto aí tenha algum valor; tudo completamente vos concedemos para bem da nossa alma e da nossa família. Se contudo alguém vier a fazer menos crédito ou algum homem protestar ou nós pedirmos que estas disposições sejam revogadas, primeiramente seja excomungado e fique em companhia de Judas traidor e depois conforme o que fizer pague o quádruplo. Feito este pequeno documento no dia 1.º de Setembro de era de 981 (943). Soleimão e minha mulher Flamula este testamento com as nossas mãos firmamos.

Foram testemunhas: Randulfo presbítero, David presbítero, Salomão, presbítero, Benedito, presbítero, Godecio, presbítero, Quintila, presbítero, Recaredo, Atila, Lico. Leomirus presbítero a fez.


O castelo medieval

Embora desconheçamos o momento em que uma fortificação foi iniciada no local, terá ocorrido no contexto da Reconquista cristã da região, a partir de 1064, momento da conquista de Viseu e Coimbra pelas forças de Fernando I de Leão (1037-1065). Com a constituição do Condado Conimbricense, em 1080 a povoação foi ocupada pacificamente pelo conde Sesnando Davides, a quem se atribui a edificação (ou reedificação) deste castelo.

Conquistado pelos Muçulmanos durante a ofensiva de 1124, foi quase que de imediato reconquistado e reparado pela condessa Teresa de Leão, do Condado Portucalense, até que, no contexto da afirmação da nacionalidade portuguesa, com a conquista de Santarém e de Lisboa (1147) pelas forças de Afonso I de Portugal (1143-1185), a raia foi estendida até ao rio Tejo.

Na carta de foral passada por este soberano a Miranda do Corvo (1136), faz-se alusão ao Castelo de Arouce, povoação que veio a receber o seu próprio foral em 1151:

Em nome de Cristo. Eu el-rei Afonso, Rei de Portugal com minha mulher, a Rainha D. Mafalda, fazemos carta de doação e confirmação aos homens moradores em o castelo que é chamado Arouce com os seus termos e com os montes conhecidos e fontes e pastos rotos e não rotos. Os seus termos são, daquele lugar a que chamam a Armada de Porco por ela adiante, e depois a serra de Miranda e depois por cima de Semide e depois pelo Seixo e depois a Covelos e àquela prova e pelo lugar que chamam pelo qual a Marmeleira foi povoada, depois por monte Mioto e depois por aquela lomba que está sobre a foz do Prilhão e depois à lomba do Soutelo e depois à serra. Damos e outorgamos a eles o sobredito castelo com os foros subsequentes. O homem lavrador, de um boi, pague um quarto. De linho um manipulo. Do vinho a nona parte. O mesmo lavrador que der a sua ração para o celeiro não dê contribuição do monte. O cavaleiro deve defender a sua parte e a de seus homens que morarem na sua herdade; e se perder o cavalo até ao fim de dois anos receba a sua parte e daí em diante, se não puder ter cavalo pague a sua parte. E se o cavaleiro morrer, se a sua mulher continuar digna, que seja honrada assim como foi no tempo de seu marido. E, se qualquer cavaleiro envelhecer mantenha a sua honra e defenda os seus direitos. Ao besteiro faça-se a mesma coisa. Que o clérigo que aí for morador conserve os mesmos direitos dos cavaleiros. E o tributo da sua igreja dê a seu bispo. O coelheiro de cada estada que fizer no monte paga um coelho com sua pele. O monteiro de colmeias de mel e cera dê um meio cubelo de mel e um redel de cera. E quem puser armadilhas no monte para caçar pague um lombo com quatro costelas. E se alguém cometer roubo pague pelo dano a terça parte. E quem homicídio cometer, faça-se-lhe a mesma coisa, mas se isso acontecer dentro do castelo, pague LX soldos. O homem que outro homem ferir receberá do ofendido a pena dos açoites segundo for julgado. E o juiz da terra faça a mesma coisa. E quem em casa alheia por força das armas entrar, pague trinta soldos. O homem que lutar com lança e escudo, pague X soldos. Aquele que for com porrinha, pague V soldos. Aquele que quiser ferir o saião da vila, pague X soldos. Aquele que ferir o juiz ou desobedeça, pague XX soldos. Aquele que sofrer ofensa do seu vizinho ao faça queixa ao vigário da vila e se não quiser emendar-se seja penhorado num soldo e, se não se quiser corrigir, continue a ficar penhorado num soldo, até que venha a corrigir-se. Estas penas supranomeadas que venham a ser precedidas de inquéritos dos homens bons. Faço esta confirmação e prometo e concedo que se mantenham por direito perpétuo para todo o sempre em tudo o que foi estabelecido. E todos aqueles que infringirem este nosso regulamento sejam excomungados de Deus todo poderoso e permaneça sempre maldito até que corrija o mal feito. Feita esta carta de estabilidade no mês de Abril da era de mil cento oitenta e nove anos. Nós sobreditos que esta carta mandamos fazer e com nossas mãos assinamos. E os que presentes foram são estas testemunhas. E Fernão Peres apresentador da corte. E eu Pero Pais alferes. E eu alcaide Rodrigo de Coimbra e Pedro e Paio e Mendo. E eu el-rei Dom Afonso e a Rainha dona Mafalda. Mestre Alberto, chanceler.

Afirma-se que a rainha D. Mafalda de Saboia aqui vinha passar o Verão com a sua corte.

Sancho I de Portugal (1185-1211) confirmou o foral à vila em 1207.

Sob o reinado de Dinis I de Portugal (1279-1325), uma carta de doação passado pelo soberano a favor de um dos seus filhos ilegítimos, João Afonso, com data de 1313, discrimina as vilas de “Arouci”, “Lousã” e “Azor”. Datará de algum momento, no século XIV, a construção da torre de menagem do castelo.

Sob o reinado de Manuel I de Portugal (1495-1521) a Lousã recebeu o Foral Novo (1513), nele se referindo a mudança da povoação:

Por algumas sentenças e determinações que com os do nosso Concelho e Letrados fizemos, acordamos visto o Foral da dita Vila dado por El-Rei Dom Afonso Henriques que nossas rendas e direitos se devem aí de arrecadar na forma seguinte:

Mostra-se pelo dito foral ser a dita vila dada então ao concelho de Arouce que depois se chamou a foz de Arouce a qual povoação se depois mudou na Lousã onde agora é. (…)
” (Op. cit.)

Os domínios da Lousã e seu castelo foram senhorio dos duques de Aveiro até esta casa ser extinta em 1759 por José I de Portugal (1750-1777), sob a acusação de conspiração e envolvimento no atentado à vida do soberano.

A partir de então, a ação do tempo, dos elementos, e dos caçadores de tesouros, causaram significativos danos ao monumento, inclusive ameaçando derruir a Torre de Menagem.

Do século XX aos nossos dias

Encontra-se classificado como Monumento Nacional por Decreto de 16 de junho de 1910, publicado no Diário do Governo n.º 136, de 23 de junho. A ZEP encontra-se definida por Portaria de 19 de fevereiro de 1971, publicada no Diário do Governo, II Série, n.º 64, de 17 de março.

A intervenção do poder público no monumento iniciou-se em 1925, quando teve lugar uma intervenção de conservação, seguida por pequena reparação em 1939 por parte da Direcção Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais (DGEMN). Uma campanha mais extensa teve lugar entre 1942 e 1945, quando foram executados trabalhos de conservação e restauro, a que se seguiram outras, pontuais, nos anos de 1950, 1956, 1964, 1971 e 1985.

Encontra-se afeto à Câmara Municipal da Lousã, por Auto de Cessão de 10 de agosto de 1957.

Em nossos dias o monumento encontra-se em relativo estado de conservação, enquadrado numa paisagem florestal que relembra os primórdios da nacionalidade.

Características

Exemplar de arquitetura militar, nos estilos românico e gótico, de enquadramento rural, sobre um morro escarpado na margem direita do rio Arouce, vizinho ao Santuário de Nossa Senhora da Piedade.

De pequenas dimensões, apresenta planta no formato hexagonal irregular, com as muralhas delimitando uma pequena praça de armas com cerca 130 m². É dominado a norte, adossada à muralha, pela torre de menagem, de planta quadrangular com uma porta ogival a nível dos adarves, apresentando seteiras para o lado oposto e mais duas no andar superior em cada uma das frentes. A torre é encimada por merlões chanfrados.

A entrada do castelo, em cotovelo, abre-se a sudeste, protegida por dois cubelos semicilíndricos. A sudoeste ergue-se um outro cubelo mais alongado e a oeste outros dois, mais pequenos, completam as estruturas defensivas, juntamente com os panos da muralha, rematados por merlões chanfrados, semelhantes aos da torre de menagem.

A lenda do Castelo de Arouce

De acordo com uma antiga lenda, que muitos danos causou ao monumento, à época da ocupação muçulmana da península Ibérica, o castelo foi erguido por Arunce, um emir ou chefe islâmico derrotado e expulso de Conímbriga por inimigos vindos do mar, para a proteção de sua filha Peralta e seus tesouros, enquanto ele se deslocasse ao Norte de África em busca de reforços.



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http://www.castelosemuralhasdomondego.pt/website/monumentos

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Contribution

Updated at 23/05/2016 by the tutor Carlos Luís M. C. da Cruz.


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    Encontra-se classificado como Monumento Nacional por Decreto de 16 de junho de 1910, publicado no Diário do Governo n.º 136, de 23 de junho. A ZEP encontra-se definida por Portaria de 19 de fevereiro de 1971, publicada no Diário do Governo, II Série, n.º 64, de 17 de março.





  • Tourist-cultural Center

  • ,00 m2

  • Continent : Europe
    Country : Portugal
    State/Province: Coimbra
    City: Lousã



  • Lat: 40 -7' 59''N | Lon: 8 14' 8''W







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