Castle of Avô

Oliveira do Hospital, Coimbra - Portugal

O “Castelo de Avô” localiza-se na freguesia de Avô, concelho de Oliveira do Hospital, distrito de Coimbra, em Portugal.

História

Antecedentes

A primitiva ocupação do local remontará possivelmente a um castro da Idade do Ferro, posteriormente romanizado, mas de que não existem evidências arqueológicas. Entretanto, por aqui passava a via romana que ligava “Lancia Oppidana” a “Conimbriga”, de que ainda subsistem alguns troços na região.

É possível que a fortificação tenha sido conquistada pelos Alanos em 412.

Diante da invasão Muçulmana da península, estes aqui terão chegado em 716, dedicando-se à atividade agrícola.

No contexto da Reconquista cristã da região, passou a mãos cristãs a partir de 1064, momento da conquista de Viseu e Coimbra pelas forças de Fernando I de Leão (1037-1065), passando a integrar os domínios do Condado Conimbricense, governado pelo conde Sesnando Davides.

Integrante dos domínios do Condado Portucalense, o senhorio de Avô foi doado pelo conde D. Henrique de Borgonha ao bispo da Diocese de Coimbra.

O castelo medieval

No contexto da formação da nacionalidade, Avô foi couto sob o reinado de Afonso I de Portugal (1143-1185), doado em 1185 a sua filha bastarda, D. Urraca Afonso, esposa de D. Pedro Afonso Viegas ou de Lumiares, Tenente de Neiva e de Trancoso.

Afirma-se que o “couto de Avaao” era assim designado uma vez que, não havendo ponte sobre o rio Alva, ingressava-se na povoação atravessando-se “a vau” este curso de água.

Atribui-se a D. Afonso I, além da fundação da primitiva igreja da povoação, a construção do castelo, em estreita relação com a manutenção da atividade mineira na região.

Sob o reinado de Sancho I de Portugal (1185-1211) D. Urraca trocou com o soberano, seu irmão, os domínios de Avô pelos de Aveiro (1187). O seu esposo, D. Pedro Afonso Viegas foi nomeado como alcaide-mor de Avô, o primeiro a ocupar este cargo. No mesmo ano, o soberano concedeu carta de foral à povoação (1 de maio de 1187) e confirmou-lhe a posse ao bispo de Coimbra, que acumulava ainda os títulos de "Senhor de Côja e conde de Arganil".

Em meados do século XIII, no contexto da guerra civil entre Sancho II de Portugal (1223-1248) e seu irmão D. Afonso, conde de Bolonha, futuro Afonso III de Portugal (1248-1279), o castelo desempenhou importante papel, sendo entregue a Pedro Martins e, posteriormente, destruído pela facção vencedora. Sob o reinado de D. Afonso III, uma bula do Papa Inocêncio IV, datada de 1254, exortava o soberano português a reconstruí-lo, o que só deverá ter sido consumado no início do século XIV, sob o reinado de Dinis I de Portugal (1279-1325), datando desse período os restos que chegaram até nós.

Manuel I de Portugal (1495-1521) outorgou o Foral Novo à vila (12 de setembro de 1514).

A importância do município é atestada pelo fato de ser governado por um juiz ordinário de vara branca, com atribuições do crime e órfãos. Possuía ainda capitão-mor, sargento-mor e uma companhia de Ordenanças.

Do século XIX aos nossos dias

Os títulos de "Alcaide-Mor" do castelo de Avô e de "Senhor" de Côja, assim como todos os títulos de nobreza existentes à data da implantação do regime liberal em Portugal, foram abolidos pelos decretos de Mouzinho da Silveira em 1832. Pouco depois, por decreto de 24 de outubro de 1855 o município foi extinto, sendo a vila integrada no concelho de Oliveira do Hospital.

Nesse período o castelo já se encontraria em abandono quando, em 1856, a Câmara Municipal de Oliveira do Hospital ordenou a demolição da torre de menagem, pois ameaçava ruína iminente. Mais tarde, em 1879, grande parte da seção sul das muralhas foi desmantelada para se aplicar a pedra na construção da estrada distrital que rasga esta parcela do território, e a ponte sobre a Ribeira de Moura. Ainda nesse período muitos particulares recorreram ao antigo castelo para obter pedra para as suas construções, prática que muito degradou o monumento.

A intervenção do poder público para a conservação dos restos do conjunto registou-se em 1942, por iniciativa da Direcção Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais (DGEMN), quando tiveram lugar trabalhos de recuperação das muralhas remanescentes.

O conjunto do “Castelo de Avô, incluindo as ruínas da Ermida de São Miguel situadas no âmbito do Castelo” encontra-se classificado como Imóvel de Interesse Público pelo Decreto n.º 45.327, publicado no Diário do Governo, I Série, n.º 251, de 25 de outubro de 1963.

Naquele mesmo ano foram concluídos os trabalhos de restauro e consolidação das muralhas foram concluídos em 1963. Pouco depois, em 1966 procedeu-se a reparação do troço junto à capela e a intervenção de reparação dos pavimentos e paredes desta no ano seguintes (1967), bem como a reconstrução da cobertura da capela.

Uma nova campanha de intervenção, em 1972, procedeu a sondagem arqueológica do recinto, assim como a reconstrução do pavimento do altar da capela e dos vitrais.

O imóvel foi afeto ao Instituto Português do Património Arquitectónico (IPPAR) pelo Decreto-lei 106F/92, publicado no Diário da República, 1.ª série A, n.º 126, de 1 de junho. Em nossos dias encontra-se afeto à DRCCentro, pela Portaria n.º 829/2009, publicada no Diário da República, 2.ª série, n.º 163, de 24 de agosto.

Características

Exemplar de arquitetura militar, em estilo gótico, de enquadramento urbano, isolado, na encosta entre as serras da Mendacha e a dos Almoinhos, em posição dominante sobre a povoação, à margem esquerda do rio Alva.

Apresenta planta ovalada, no formato de um polígono irregular, adaptado ao terreno em que se inscreve. Os panos de muralha são coroados por merlões poligonais e rasgados por porta em arco quebrado, com 3,50 m de altura por 2,70 m de largura. A torre de menagem, de planta quadrada, hoje desaparecida, adossava-se à muralha, protegendo o ângulo sudeste da fortificação.

Junto à porta, pelo exterior, situa-se a Capela de São Miguel, de nave única com capela-mor saliente e abobadada, com dois nichos laterais. A fachada principal é rasgada por porta retangular, de arestas cortadas.



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Contribution

Updated at 12/12/2015 by the tutor Carlos Luís M. C. da Cruz.


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    O conjunto do “Castelo de Avô, incluindo as ruínas da Ermida de São Miguel situadas no âmbito do Castelo” encontra-se classificado como Imóvel de Interesse Público pelo Decreto n.º 45.327, publicado no Diário do Governo, I Série, n.º 251, de 25 de outubro de 1963.





  • Tourist-cultural Center

  • ,00 m2

  • Continent : Europe
    Country : Portugal
    State/Province: Coimbra
    City: Oliveira do Hospital



  • Lat: 40 -18' 25''N | Lon: 7 54' 16''W










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