Castle of Alfaiates

Sabugal, Guarda - Portugal

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O “Castelo de Alfaiates” localiza-se na freguesia de Alfaiates, concelho de Sabugal, distrito da Guarda, em Portugal.

Embora situado em área de planalto, a colina onde se implanta tornou-o num importante posto avançado na defesa da raia, no corredor natural de comunicação entre as terras do vale do Águeda e as do vale do Côa. Durante a Guerra da Restauração da Independência (1640-1668) teve papel de destaque na defesa, sendo considerado uma das “Chaves do Reino”, a par das praças-fortes de Almeida e de Elvas.

Hoje em dia constitui-se em importante ponto turístico da região, integrando, juntamente com os castelos de Sortelha, Sabugal, Vila do Touro e Vilar Maior, a chamada “Rota dos 5 Castelos”.

História

Antecedentes

A primitiva fortificação do local do castelo remonta a um povoado castrejo da Idade do Ferro, conforme os testemunhos identificados pela prospecção arqueológica realizada em 2011 no local.

No século I, durante a ocupação Romana da península, aqui terá existido uma povoação, de acordo com uma referência setecentista a uma lápide epigrafada mencionando a “civitas” reedificada pelo Imperador Augusto.

O topónimo “Alfaiates” remonta ao período de ocupação Muçulmana, quando a povoação era denominada como "Al-hait" (em português, “o muro”).

O castelo medieval

No contexto da Reconquista cristã da península, a região foi conquistada por forças do reino de Leão em fins do século XII ou início do século XIII.

Afonso X de Leão e Castela (1252-1284) outorgou Carta de Foros e Costumes à povoação, sendo-lhe atribuída a edificação de uma fortificação, referida como “Castillo de la Luna”, no centro da povoação, junto à atual Igreja da Misericórdia, conforme referido no século XVII por Brás Garcia de Mascarenhas. Esta fortificação seria possivelmente composta por uma torre defendida por uma cerca em estilo proto-românico, com a função de vigilância e refúgio dos moradores, mas dela não dispomos de vestígios.

A área integrava o território do Ribacoa, disputado a Leão por Dinis I de Portugal (1279-1325), e cuja posse definitiva para Portugal foi assegurada pelo Tratado de Alcanizes (1297). A partir de então, D. Dinis procurou consolidar aquelas fronteiras, fazendo edificar ou reedificar os Castelos de Alfaiates, Almeida, Castelo Bom, Castelo Melhor, Castelo Mendo, Castelo Rodrigo, Pinhel, Sabugal e Vilar Maior. O soberano outorgou foral à vila.

Sob o reinado de Afonso IV de Portugal (1325-1357) aqui foram celebradas as núpcias da filha deste, a princesa D. Maria de Portugal, a "fermosíssima Maria" segundo Camões, neta de Isabel de Aragão, a Rainha Santa Isabel, com Afonso XI de Castela (1328).

No século XV os domínios da vila e seu castelo eram pertença da família Castro. No “Rol dos Besteiros do Conto” (1422) regista-se que a povoação possuía 852 habitantes. Posteriormente, nas “Inquirições” de 1496 refere-se que a povoação possuía 176 habitantes.

Manuel I de Portugal (1495-1521), entre 1510 e 1514, concedeu privilégios à povoação, ali instituindo um couto de homiziados. Em 1515 outorgou o Foral Novo à vila.

Ao mesmo tempo o soberano cogitou reformular-lhe as defesas, pela construção de uma nova fortificação. Em um documento de 1510 o soberano afirma: "(…) mandemos fazer forteleza na dicta vila de Alfaiates." (GOMES, 1996:111). O projeto, característico do século XVI, em vez de levar em conta o antigo castelo medieval, edificado em posição dominante no centro da vila, privilegiou um local aplainado, nos limites da mesma, prevendo uma fortificação moderna, adaptada ao fogo da artilharia da época.

As obras avançaram com lentidão. O Alvará Régio de 19 de março de 1516, determinou entregar a Luís do Mercado, almoxarife das rendas do Sabugal e Alfaiates e recebedor do dinheiro das obras da fortaleza de Alfaiates, 202.000 reais para despesa dela, proveniente do rendimento das terras que haviam sido de Diogo Lopes. Esse montante foi pago um ano mais tarde, em 19 de março de 1517.

Um novo Alvará, datado de 21 de maio de 1518, determinou ao almoxarife e recebedor das rendas reais para que entregue a Tomé do Mercado, recebedor das obras do castelo por morte de seu pai Luís do Mercado, o montante de 130.000 reais, entregues em 28 de setembro, para as "obras da fortaleza que Sua Alteza manda fazer".

Data de 23 de dezembro de 1520 um contrato, confirmado por Alvará Régio, feito com Martim Teixeira, pedreiro, para feitura da cerca e muros da vila, ao redor da povoação e arrabaldes que "(...) cerrarão de uma parte e da outra com o castelo da dita vila e tomará dentro todas as casas", devendo os muros ser de cantaria, aproveitando-se alguns alicerces da antiga cerca, e rematados por peitoril e ameias com seteiras, idênticas às que o mesmo pedreiro fizera no castelo, e providos de cubelos de topos redondos, de alvenaria de pedra e cal, vazados cada um por três bombardeiras; os muros terão três portais de pedraria protegidos por baluartes, pagos a preço igual ao que o mesmo pedreiro fizera no castelo. ("Alvará de confirmação de contrato feito com Martinho Teixeira sobre a factura do muro e cerca da vila de Alfaiates". Disponível em: http://digitarq.arquivos.pt/details?id=3770533 Consultado em 30 jan 2016)

Dispomos ainda de:

− Alvarás régios para se entregar dinheiro a Tomé do Mercado, recebedor das obras de Alfaiates, para factura dos muros e fortaleza da vila (20 de fevereiro e de 18 de abril de 1521). A obra dos muros teve início a 4 de março desse mesmo ano (1521).

− Mandados de Fernando Álvares de Alvim, alcaide-mor e vedor das obras de Alfaiates, para o recebedor destas pagar a Martim Teixeira, mestre empreiteiro das obras dos muros da vila, os montantes respeitantes às mesmas após medidas e avaliadas, e respectivos conhecimentos de paga (1 de agosto de 1521 e de 13 de fevereiro de 1527);

− Conhecimentos de paga de Tomé do Mercado, recebedor das obras dos muros e cerca de Alfaiates, em como recebeu dinheiro para despesa das obras (4 de setembro e de 1 de novembro de 1522);

− Mandados de Fernando Álvares de Alvim, alcaide-mor e vedor das obras que o rei "manda fazer em os muros e cubelos" da vila de Alfaiates, para o recebedor dos dinheiros das mesmas pagar ao escrivão delas, João Vaz, o seu mantimento, e respectivos conhecimentos de paga (10 de março de 1523 e 5 de maio de 1524);

− Mandado do soberano para Tomé do Mercado pagar a Diogo de Arruda, mestre e medidor das obras reais, pelo seu trabalho de medição da obra feita em Alfaiates (8 de abril de 1525);

− Conhecimento de paga e certidão das medições feitas por Diogo de Arruda, referindo os muros, portas, baluartes e bombardeiras já feitas, achando-se 3.319 braças e meia de pedraria "à razão de real e meio a braça" (4 de setembro de 1525);

− Mandado de pagamento a Martim Teixeira do que lhe ainda era devido das obras dos muros e respectivo conhecimento de paga (1528).

O “Numeramento” de 1527 refere que a povoação possuía 318 habitantes.

A última fase construtiva do monumento data do final do século XVI, quando as suas defesas foram reforçadas por uma nova cintura de muralhas, integrando baluartes e cortinas verticais. Este amplo projeto, entretanto, jamais foi concluído diante da União Ibérica, sob a Dinastia Filipina (1580-1640).

Da Guerra da Restauração aos nossos dias

No contexto da Guerra da Restauração da independência de Portugal (1640-1668), a praça teve como alcaide o cavaleiro e poeta Brás Garcia de Mascarenhas. Em 1641 a praça recebeu visita de inspeção pelo engenheiro militar neerlandês Joannes Cieremans (João Cosmander) quando recebeu obras de beneficiação e construção de muralhas, um reduto pelo lado norte e fortificação pelo lado sul, por determinação do governador militar da vila, Brás Garcia de Mascarenhas, aproveitando muros e alicerces pré-existentes e integrando o castelo:

(...) fica tres legoas a Leste do Sabugal huã do castelo de Albergaria, três do de Paio, este lhe fica ao sul aquele ao Norte, e com ambos guerreia e tambem com o de Elge, porque fica esta vila naquele canto que faz a raia quando vira a leste e torna a virar a nor nordeste (...) Adonde agora está a igreja matris que parece moderna esteue o castelo, el rei Dom Manuel o mudou para donde agora esta, 300 passos adiante em sitio baixo e muito peor (...) dele saiam os alicerces de huãs muralhas de cantaria que já tinham de fora da terra em partes 15 palmos em partes menos, que hiam já em meio da Vila, e atiravam a cingir todo o monte da parte do Norte. E mandando me Sua Magestade a governar e fortificar esta praça quando fui com a fortificação abraçando este monte em que se lavravam mais de cem fanegas de trigo, ao abrir das cavas e escarpar das trincheiras achei de baixo de mais de 15 palmos de terra duas ordens de muros, huã de cantaria com cal que eram os alicerces de el rei Dom Manuel, outra mais adentro de cantaria com barro, cousa mais antiga de que inda ficou hu pedaço debaixo de huã cortina que se foi levantando sobre este muro. Acharam se nestas cavas e escarpas muitas moedas de cobre, quatro ou cinco de prata, duas delas de Sertorio, acharam se estribos com cadeas por loros, mós de moinhos de mão, carvões e outros indicios de que se asolou ali grande povoação que ocupava todo aquele monte que gira com a vila. A fortificação que fiz nela em tres meses 4680 pes geometricos ate o Castelo e por fora dele pera a parte do Sul adonde chamam as eiras, mandei desfaser huãs cavas antigas que giravam pouco menos e mostravam serem de Romanos e serem redondas e sem descortino como a cava de Viseu (...)." (GOMES, 1997:111-112)

No início do século XVIII foi elaborado um projeto de conversão do aglomerado urbano em fortaleza abaluartada, segundo o esquema típico desse período (aplicado, por exemplo, na Praça-forte de Almeida), mas que jamais chegou a sair do papel.

Nas “Memórias Paroquiais” de 1758, o pároco António Carvalho Baptista refere Alfaiates como tendo uma muralha de cantaria, sendo o revelim antigo de alvenaria, e o castelo forte no cimo da vila, cercado de revelins e um baluarte sobre a porta principal; tinha 3 baluartes para leste e duas meias-luas para oeste, surgindo, a sul, dois baluartes e duas meias-luas; nesta data, construía-se uma meia-lua e um baluarte na parte de fora; tinha várias guaritas e três portas, a da Veiga, São Miguel e Castelo, bem como uma cisterna.

Em 1762 registaram-se estragos no castelo.

De acordo com PINHO LEAL, no século XVIII Alfaiates era pertença dos condes de Santiago (“Portugal Antigo e Moderno”), passando depois para a Coroa.

No contexto da Guerra Peninsular (1808-1814), Alfaiates voltou a ter importância estratégica, juntamente com outros castelos da região, aquartelando as tropas inglesas e portuguesas que deram combate às tropas napoleónicas, em retirada, sob o comando do marechal André Masséna (abril de 1811).

Posteriormente desguarnecido e abandonado, em virtude do decreto que proibiu os enterramentos dentro do recinto das igrejas em Portugal (1846), a praça de armas do castelo passou a ser utilizada como cemitério municipal, função que conservou até cerca de 1927. Neste período, o castelo recebeu uma cruz e pináculos na fachada principal.

No início do século XX, as muralhas da vila foram demolidas e grande parte de suas pedras aproveitadas para a construção do hospital (1912).

A intervenção do poder público para a conservação do monumento materializou-se por iniciativa da Direcção Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais (DGEMN) quando, em 1944 foram empreendidas escavações e sondagens, apeamento e reconstrução de troços de muralha em cantaria e alvenaria.

Novas campanhas de intervenção tiveram lugar entre 1970 e 1972, e entre 1983 e 1986, que lhe conferiram o atual aspecto.

O castelo encontra-se classificado como Monumento Nacional pelo Decreto n.º 28/82, publicado no Diário da República, I Série, n.º 47, de 26 de fevereiro.

O imóvel foi afeto ao Instituto Português do Património Arquitetónico (IPPAR) pelo Decreto-lei n.º 106F/92, publicado no Diário da República, 1.ª série A, n.º 126, de 1 de junho. Encontra-se afeto à DRCCentro pela Portaria n.º 829/2009, publicada no Diário da República, 2.ª série, n.º 163 de 24 de agosto.

Os trabalhos de prospecção arqueológica empreendidos em 2011 confirmaram que que o castelo é uma construção quinhentista de raiz e não recua à época medieval.

Características

Exemplar de arquitetura militar, manuelina e maneirista, de enquadramento urbano, implantado em planalto, circundado pelo terreiro da feira que se estende para norte, lado em que se adossa o alpendre do mercado, e com edificações rústicas de piso único adossadas às fachadas leste e sul. O antigo núcleo urbano da vila era envolvido por muralha de que subsistem alguns vestígios, como o arranque de um arco no local da Porta de São Miguel.

O castelo apresenta dupla cintura de muralhas de planta centralizada:

- a exterior, correspondente à barbacã, quadrangular, posta em losango, com corpo retangular avançado justaposto no ângulo nordeste (entrada) e cubelos cilíndricos nos ângulos nordeste, sudeste e sudoeste; e

- a interior, do castelejo, igualmente quadrangular em losango, em cujo vértice sudeste se encaixa a eixo a torre de menagem quadrangular, projetada para o exterior, e no vértice oposto, cortado em chanfro, adossa-se outra torre menor, quadrangular.

A porta da barbacã é encimada por uma composição escultórica em estilo manuelino, integrada por uma coroa régia ao centro, ladeada por duas esferas armilares e duas cruzes da Ordem de Cristo.

  • Castle of Alfaiates


  • Castle

  • 1510 (AC)




  • Portugal


  • Restored and Well Conserved

  • National Protection
    O castelo encontra-se classificado como Monumento Nacional pelo Decreto n.º 28/82, publicado no Diário da República, I Série, n.º 47, de 26 de fevereiro.





  • Tourist-cultural Center

  • ,00 m2

  • Continent : Europe
    Country : Portugal
    State/Province: Guarda
    City: Sabugal



  • Lat: 40 -24' 35''N | Lon: 6 54' 42''W










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