Castle of Ouguela

Campo Maior, Portalegre - Portugal

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O “Castelo de Ouguela” localiza-se na freguesia de São João Baptista, concelho de Campo Maior, distrito de Portalegre, em Portugal.

Castelo da raia, no alto de uma escarpa em posição dominante sobre a povoação, a cerca de 1 quilómetro na margem esquerda da junção da ribeira de Abrilongo ao rio Xévora. Integrava a 1.ª linha defensiva do Alentejo, juntamente com as fortificações de Elvas, Campo Maior, Olivença e Juromenha. De seus muros observa-se a fortificação espanhola de Alburquerque, a norte.

História

Antecedentes

A primitiva ocupação de seu sítio remontará a um castro pré-romano. À época da ocupação romana da península Ibérica a povoação foi designada como “Budunua”.

Posteriormente ocupada pelos Visigodos, que a denominaram “Niguela”, estes foram sucedidos, a partir do século VIII pelos Muçulmanos.

O castelo medieval

À época da Reconquista cristã da região, terá sido definitivamente conquistada entre 1219 e 1230, por forças castelhano-leonesas. Nesse contexto, os homens-bons do concelho de Badajoz doaram Ouguela e outras localidades ao cabido e ao bispo da Diocese de Badajoz (28 de maio de 1255) tendo posteriormente a justiça em Campo Maior e Ouguela passado a ser exercida por juízes-régios e não pela Diocese de Badajoz (25 de junho de 1270).

Os domínios de Ouguela e seu castelo transitaram para a Coroa de Portugal pelos termos do Tratado de Alcanizes (12 de setembro de 1297). Desse modo, já no início do ano seguinte, Dinis I de Portugal (1279-1325), visando incrementar o seu povoamento e defesa, outorgou carta de foral à povoação, pela qual assegurava aos seus habitantes amplos privilégios (Lisboa, 5 de janeiro de 1298) e determinava a reedificação de suas defesas.

Sob o reinado de Fernando I de Portugal iniciou-se a construção de uma nova cerca na vila, trabalhos que prosseguiram sob o reinado de João I de Portugal (1385-1433). Este último, também visando o seu povoamento e defesa, instituiu na vila um couto de homiziados (7 de dezembro de1420) e edificou a primitiva igreja, situada sensivelmente ao centro do recinto do castelo.

Em 1475 confrontaram-se nas suas vizinhanças João da Silva, alcaide-mor de Ouguela, e João Fernandes Galindo, alcaide-mor de Albuquerque, vindo ambos a perecer devido aos ferimentos recebidos: o espanhol imediatamente, tendo o português sobrevivido ainda vinte e oito dias. Em 1551, Diogo da Silva, neto do alcaide-mor de Ouguela, mandou erigir uma cruz assinalando o local do combate, atualmente no Museu Militar de Elvas.

Sob o reinado de Manuel I de Portugal (1495-1521), entre 1500 e 1510 era alcaide de Ouguela João Sardinha. Neste momento, a vila e o seu castelo encontram-se figurados por Duarte de Armas no seu “Livro das Fortalezas” (c. 1509), onde observamos as muralhas amparadas por sete torres quadrangulares, entre as quais a de menagem, adossada à cerca pelo lado ocidental. O soberano concedeu o Foral Novo à vila (Lisboa, 1 de junho de 1512). À época eram seus alcaides os Cunhas, senhores de Tábua.

João III de Portugal (1521-1557) passou sentença de foral à vila (10 de novembro de 1536).

Da Guerra da Restauração aos nossos dias

No contexto da Guerra da Restauração da independência portuguesa (1640-1668), João IV de Portugal (1640-1656) criou o Conselho de Guerra (11 de dezembro de 1640) e foram constituídas as províncias militares: Minho, Trás-os-Montes, Beira, Estremadura, Alentejo e Algarve. Ouguela, como integrante da primeira linha de defesa no Alto Alentejo, teve as suas defesas modernizadas, recebendo linhas abaluartadas com projeto a cargo do arquiteto militar francês Nicolau de Langres. No interior da praça já se erguiam as casas dos oficiais e das famílias dos militares, assim como a Casa da Câmara e cadeia.

Data deste período o episódio que imortalizou a sua defesa, quando da invasão do Alentejo em 1644 por uma força de 1.500 cavaleiros e 1.000 infantes espanhóis oriunda de Badajoz, sob o comando do marquês de Torrecusa. Para a conquista de Ouguela ofereceu-se um traidor, João Rodrigues de Oliveira, que se tendo distinguido no Brasil à época da Dinastia Filipina (1580-1640), alcançou o posto de Sargento-mor. Com a Restauração, retornou a Portugal, onde, no Alentejo, passou-se para o lado espanhol, recebendo, como recompensa, o posto de Mestre de Campo e o cargo de governador de Vilar de Rei. O traidor marchou sobre a praça portuguesa, à frente de 600 cavaleiros e outros tantos infantes escolhidos, na noite de 9 de abril, um sábado. Entre os portugueses que se encontravam a pilhar gado no lado espanhol para alimento das tropas, quatro soldados da guarnição de Campo Maior, percebendo o movimento inimigo, ocultaram-se e misturaram-se à retaguarda da coluna, inteirando-se dos planos do ataque. Utilizando-se de atalhos, alcançaram Ouguela duas horas antes dos atacantes, avisando o governador da praça, capitão Pascoal da Costa, dando-lhe tempo de organizar uma apressada defesa ao alvorecer. Contava este oficial com 45 homens e mais as gentes da vila, entre as quais uma mulher, Isabel Pereira, que se destacou, “(…) quer pelejando nas trincheiras, como repartindo pólvora e balas aos soldados; e retirada ao castelo ficou desacordada por algum espaço com a ferida que lhe deram, até que tornando em si, e vendo que não era perigosa, prosseguiu a pelejar com maiores brios até o fim”. Os defensores resistiram à tentativa de explosão das portas do castelo, aos repetidos assaltos às muralhas e às promessas e ameaças que João Rodrigues de Oliveira dirigiu ao governador sitiado, que havia sido cabo-de-esquadra e servido sob as suas ordens no Brasil. Após três horas de assalto, os espanhóis retiraram deixando escadas nos muros, vinte mortos no campo e levando dezenas de feridos.

Posteriormente, em 1662, a praça caiu diante das forças espanholas sob o comando de D. Juan José de Austria.

Durante o século XVIII tiveram lugar a edificação de um baluarte, um meio-baluarte e um revelim (1755), conferindo-lhe o atual aspecto. Com a defesa assim reforçada, no contexto da chamada “Guerra Fantástica” (1761-1763) a praça, então governada pelo capitão de cavalaria Brás Carvalho Durão, resistiu com sucesso a nova invasão espanhola em 1762,

Em 1799 foram concluídas as obras da Casa do Governador da Praça.

Quando da chamada “Guerra das Laranjas” (maio e junho de 1801) a praça foi ocupada por tropas espanholas.

Uma planta e alçado de Ouguela, de um período estimado entre 1755 e 1803, mostra a sua defesa complementada por uma atalaia, fossos e estacaria. Nesta última data, eram edificadas, sob o comando do marquês de la Reine, pelo Sargento-mor de Engenheiros Maximiano José da Serra, as lunetas do Cabeço da Forca e do Cabeço do Mártir. Embora no contexto da Guerra Civil Portuguesa (1828-1834) tenha-se projetado a recuperação de uma das torres a sul do castelo (1828) e a construção de uma meia-lua para proteção da entrada leste (1829), essas obras não chegaram a ter lugar. Em 1836 o concelho de Ouguela foi extinto e a praça desmilitarizada em 1840.

No século XIX, a lei de 21 de setembro de 1835 proibiu os enterramentos nas igrejas e obrigou à construção de cemitérios municipais, o que em Ouguela levou à instalação do mesmo no setor oeste, definido pelas estruturas abaluartadas, da antiga fortificação.

No início do século XX ainda se observavam as guaritas de planta circular, em alvenaria de tijolos nos ângulos da 2.ª linha defensiva.

O conjunto encontra-se classificado como Imóvel de Interesse Público pelo Decreto n.º 32.973, publicado no Diário do Governo, I Série, n.º 175, de 18 de agosto de 1943.

A intervenção do poder público na conservação e restauro do monumento fez-se desde 1953, quando a Direcção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais (DGEMN) promoveu obras de conservação e beneficiação na igreja. Novas campanhas tiveram lugar em 1976, 1987, 1991 e 1994, envolvendo a consolidação, reparos e recuperação do castelo, dos baluartes e das áreas internas e de acesso à fortificação.

Posteriormente foi formulado um projeto de salvaguarda e valorização do castelo e fortificações de Ouguela, da autoria dos Arquitetos Miguel Pedroso de Lima e José Filipe Cardoso, integrando a recuperação, revitalização e valorização dos núcleos urbanos de Ouguela (Portugal) e Alburquerque (Espanha) e respectivas fortificações. O projeto previa a criação de uma área museológica, núcleo de investigação e documentação, e a implementação de circuitos (equestres e pedonais) com ligação cénica entre ambas as fortificações.

Entre 1997 e 1998 registou-se o aluimento de parte do baluarte e a queda de um pano de muralha, junto à igreja. Em 1998 e em 2000 tiveram lugar campanhas de prospecção arqueológica na praça de Ouguela. Neste último ano teve lugar a última campanha de obras por iniciativa da DGEMN.

Em julho de 2005 foi elaborada a Carta de Risco do imóvel pela DGEMN.

Características

Exemplar de arquitetura militar, medieval e moderna, de enquadramento rural, isolado no cimo dum outeiro, na cota de 259 metros acima do nível do mar.

O castelo apresenta planta poligonal irregular, aproximada a uma elipse, com o extremo mais estreito apontado a leste. As suas muralhas são amparadas por cubelos e torreões adossados. É acedido por torre-porta, a norte, constituída por duas torres emparelhadas flanqueando arco de volta perfeita, seguindo-se a porta de arco quebrado, bueira e sistema para grade. A partir da entrada e no sentido dos ponteiros do relógio, apresentam-se: cortina, torreão retangular, cortina, torreão retangular de ângulo, cortina, cubelo de ângulo, cortina, torreão retangular, cortina, torreão retangular, cortina, torreão retangular de ângulo, cortina, torre de menagem, cortina, restos de torreão retangular de ângulo a servir de torre sineira. O alto da muralha é percorrido por adarve, com muretes de proteção de ambos os lados. Os merlões que coroam as torres e muralhas foram substituídos por barbetas e por canhoneiras (torre de menagem).

A fortificação abaluartada apresenta diante da torre-porta do castelo, um meio baluarte com 4 canhoeiras e uma barbeta, apresentando orelhão direito para proteção da porta da fortaleza. Esta é armoriada, defendida por casamata com sete frestas. No setor oeste, obra corna de braços compridos com dois meios baluartes. A sul da antiga torre de menagem, ergue-se um muro com 7 seteiras; no setor noroeste, a Igreja de Nossa Senhora da Graça. A toda a volta, fosso com reparo de traçado tenalhado e caminho de ronda.

No interior do recinto muralhado, logo à entrada, erguem-se três casas com paramentos, molduras e decoração em trabalhos de massa que alojariam a governação da Praça; adossadas ou não às muralhas, outras construções; o casario compreende os antigos quartéis (a leste, junto ao torreão), e as habitações dos familiares dos militares; algumas destas construções apresentam os muros de alvenaria esgrafitados imitando aparelho de cantaria e vãos de portas e janelas.

Na praça de armas da vila abre-se ampla cisterna de planta quadrangular, com 12 metros de lado.

Integravam o conjunto fortificado diversas obras avançadas, nomeadamente as lunetas do Cabeço da Forca, a sudeste, e do Mártir, a noroeste.



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Contribution

Updated at 13/12/2015 by the tutor Carlos Luís M. C. da Cruz.

Contributions with medias: Carlos Luís M. C. da Cruz (2).


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  • Restored and Well Conserved

  • National Protection
    O conjunto encontra-se classificado como Imóvel de Interesse Público pelo Decreto n.º 32.973, publicado no Diário do Governo, I Série, n.º 175, de 18 de agosto de 1943.





  • Tourist-cultural Center

  • ,00 m2

  • Continent : Europe
    Country : Portugal
    State/Province: Portalegre
    City: Campo Maior



  • Lat: 39 -5' 16''N | Lon: 7 1' 53''W










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