Fortifications of Castelo de Vide

Castelo de Vide, Portalegre - Portugal

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As “fortificações de Castelo de Vide” compreendendo o “Castelo de Castelo de Vide” e o “Forte de São Roque”, localizam-se na freguesia de Santa Maria da Devesa, São João Batista e Santiago Maior, no concelho de Castelo de Vide, distrito de Portalegre, em Portugal.

História

O castelo medieval

De acordo com as recentes escavações arqueológicas, a ocupação do espaço da fortificação não será anterior ao período cristão.

No contexto da Reconquista cristã da região, sob o reinado de Afonso I de Portugal (1143-1185) a povoação terá sido conquistada aos Muçulmanos em 1148, datando de 1180 o foral outorgado por D. Pedro Annes, então donatário da vila. (Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira, vol. VI, p. 196.)

No século XIII, o foral de Marvão incluía Vide no seu termo (1226). Posteriormente, em 1273, Afonso III de Portugal (1248-1279) legou as vilas de Arronches, Marvão, Portalegre e Vide ao Infante D. Afonso de Portugal, irmão do futuro Dinis I de Portugal (1279-1325). Com a subida ao trono do segundo, o primeiro contestou abertamente os títulos do segundo, e mandou muralhar a vila aberta de Vide, processo que se encontrava em marcha em 1281. Esta indicação é clara quanto à importância estratégica de Vide e da sua superioridade militar em relação às vizinhas Marvão e Portalegre. Em abril de 1281, D. Dinis impôs cercou à vila. Na iminência do assalto, chegou ao acampamento real uma embaixada do reino de Aragão, com a proposta de casamento do soberano com D. Isabel, futura Rainha Santa Isabel. Com a interveniência desta embaixada, acordou-se a paz entre os irmãos, vindo o infante a comprometer-se a derrubar todas as fortificações que havia empreendido, que incluíam uma torre e vários muros. O soberano terá prosseguido o amuralhamento preexistente (1289).

A partir de 1299, diante do matrimónio do infante D. Afonso com uma infanta de Castela, tendo em vista a proximidade dos senhorios deste com a raia, e diante de uma reclamação de Sancho IV de Leão e Castela, D. Dinis marchou outra vez contra o seu irmão, cercando-o em Arronches e forçando-o a buscar refúgio em Badajoz. Com a mediação da Rainha Santa, feitas as pazes entre os irmãos, D. Afonso permutou com D. Diniz as vilas que possuía no Alentejo, por Sintra, Ourém e outras distantes da fronteira, e uma certa quantia, paga anualmente. Estes castelos alentejanos foram então entregues a Aires Pires Cabral, tataravô do navegador Pedro Álvares Cabral, que deles prestou menagem, na função de Alcaide-mor. D. Dinis outorgou foral à vila de Vide em 1310.

As obras de construção do castelo foram concluídas no início do reinado de Afonso IV de Portugal (1325-1357), em 1327, conforme inscrição epigráfica sobre uma das portas, junto à Rua Direita.

Sob o reinado de Fernando I de Portugal (1367-1383), a vila e seus domínios foram entregues à Ordem de Avis, por permuta com os de Castro Marim (1383). Com a morte deste soberano, aberta a crise de sucessão de 1383-1385, a vila inicialmente declarou o seu apoio a Beatriz de Portugal, passando, quando do cerco de Lisboa (1384), a apoiar o partido do Mestre de Avis. Nas lutas que se seguiram, destacou-se o valor do alcaide de Castelo de Vide, Gonçalo Anes, particularmente nas batalhas de Aljubarrota e de Valverde (1385).

Durante a menoridade de Afonso V de Portugal (1438-1481), sob a regência do Infante Pedro de Portugal, 1.º duque de Coimbra, foram reforçadas as defesas dos castelos da raia alentejana, entre os quais se incluía o Castelo de Vide. Ainda no século XV foi erguido o edifício da Casa da Câmara e Cadeia.

Sob o reinado de Manuel I de Portugal (1495-1521) a fortificação da vila encontra-se figurada por Duarte de Armas no seu “Livro das Fortalezas” (c. 1509). O soberano outorgou o “Foral Novo” à povoação (1512).

Da Guerra da Restauração aos nossos dias

No contexto da Guerra da Restauração da Independência (1640-1668) procedeu-se de imediato à modernização das defesas da vila, que já em 1641 começou a receber linhas abaluartadas, tornando-se num castelo de primeira linha. A partir do ano seguinte, os trabalhos foram apressados e ampliados, com projeto do engenheiro militar francês Nicolau de Langres.

A partir de 1652 teve início uma nova e extensa campanha de fortificação, que cercou a vila até ao princípio do atual jardim, com projeto de Nicolau de Langres. De acordo com este engenheiro, entre 1644 e 1660 a guarnição da praça era composta por um regimento de infantaria de 400 / 600 homens e por 3 companhias de cavalaria que guarneciam também as praças de Montalvão e de Marvão. Os habitantes da praça eram então em número de 1000.

Em 1662 tiveram lugar obras nas muralhas por Luís Serrão Pimentel.

No contexto da Guerra da Sucessão Espanhola (1701-1714) a praça foi cercada e conquistada em 1704. No ano seguinte, uma violenta explosão destruiu parcialmente a torre de menagem onde estava instalado um paiol (1705). Nesse mesmo ano Manuel de Azevedo Fortes avaliou as obras que se levavam a cabo nas muralhas (19 de fevereiro). Entre 1705 e 1710 teve lugar a construção do Forte de São Roque, e o prolongamento da fortificação abaluartada para sudeste – a Muralha dos Loureiros ou da Conceição -, englobando o Bairro da Conceição, o Convento de São Francisco e o Calvário e criando-se uma nova porta, a da Aramenha (1710), no lugar onde existia a Porta do Carro (antiga porta da cidade romana de “Ammaia”), diante da Porta da Devesa, constituindo a entrada principal na vila, onde confluíam as estradas de Marvão e de Portalegre.

Posteriormente, quando da chamada "Guerra das Laranjas" (1801) a praça foi ocupada por tropas espanholas e, novamente, durante a Guerra Peninsular (1808-1814), por tropas francesas sob o comando do marechal André Masséna, em 1811. Os danos então sofridos levaram à sua desativação a partir de 1823, a partir de quando se acentuou o seu processo de degradação. Ao final do século registou-se a demolição da Porta da Aramenha (1890).

O castelo encontra-se classificado como Monumento Nacional por Decreto de 16 de junho de 1910, publicado no Diário do Governo, I Série, n.º 136, de 23 de junho. Esse diploma classificou o Castelo de Castelo de Vide, na tipologia "castelos" com a designação, incorreta, de "Castelo de Vide (ruínas)”. A classificação foi revista, ampliada para abranger além do castelo, as demais fortificações medievais e modernas em Castelo de Vide e nas freguesias de Santa Maria da Devesa, São João Batista e Santiago Maior, pelo Anúncio n.º 198/2015, publicado no Diário da República, 2.ª série, n.º 160, de 18 de agosto. Adicionalmente o conjunto encontra-se incluído na Área Protegida da Serra de São Mamede.

A intervenção do poder público na conservação e restauro do conjunto fortificado materializou-se por iniciativa da Direcção Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais (DGEMN) a partir de 1933, vindo até aos nossos dias. A fortificação sofreu danos causados pelo sismo de 28 de fevereiro de 1969. Entre 1985 e 1989 tiveram lugar campanhas de escavação pelo grupo de Arqueologia de Castelo de Vide, sob a orientação de Jorge Oliveira.

Em 1989 foi feito um projeto de reabilitação do castelo e das muralhas de autoria de Nuno Teotónio Pereira e Ana Rita Santos Jorge.

O imóvel do castelo foi afeto ao Instituto Português do Património Arquitetónico (IPPAR), pelo Decreto-lei n.º 106F/92, publicado no Diário da República, 1.ª Série A, n.º 126, de 1 de junho. Atualmente encontra-se afeto à DRCAlentejo pela Portaria n.º 829/2009, publicada no Diário da República, 2.ª série, n.º 163, de 24 de agosto.

Por volta de 1995 teve lugar a derrocada de um troço da muralha, frente ao Mercado Municipal.

Em 2002 foi concebido um novo projeto de reabilitação e valorização do castelo pelo IPPAR e o arquiteto Nuno Teotónio Pereira.

Características

Exemplar de arquitetura militar medieval, moderna, abaluartada, de enquadramento urbano, envolvendo a quase totalidade da vila implantada nos contrafortes da Serra de São Mamede entre as cotas de 540 metros e de 600 metros acima do nível do mar.

O conjunto é composto pelo castelo e a cerca urbana medieval, e pela fortificação abaluartada integrando dois fortes, o do castelo, a oeste e o de São Roque, a leste.

O castelo apresenta porta de entrada a sul em arco quebrado, junto à Torre de Menagem, antecedida por barbacã e grosso contraforte alpendrado frontal. Após o túnel da entrada, em abóbada de canhão com arco redondo, desemboca-se na praça de armas. A sudoeste ergue-se o Armazém das Armas, com ampla fachada rasgada por três janelas e uma porta de verga reta, apresentando abóbada de canhão com arco redondo e uma janela no tardoz; no topo noroeste deste armazém, a passagem para um lanço de escadas que dá acesso à sua cobertura, e desta para a Torre de Menagem; na zona noroeste do pátio, dois cubelos ladeiam o Armazém da Pólvora, de dois pisos, com antecâmaras para nordeste; na zona norte do pátio, um poço profundo e uma porta em arco quebrado que dá acesso aos referidos paióis; a nordeste a muralha; a sudeste, um edifício que a tradição chama de cavalariça, sem cobertura, com porta em arco quebrado, ladeada por dois grandes janelões. A Torre de Menagem, de seção retangular, é acedida por uma porta com tímpano semicircular, comunicando com um patim do qual partem dois lanços de escada, circulares, na espessura da parede, que dão acesso ao eirado. Frente ao patim, uma outra porta, com verga reta assente em impostas de recorte côncavo, que dá acesso à sala da torre. Esta sala possui, ao centro, a boca circular de um aljube, e em cada uma das três faces, para além da entrada, uma janela retangular com bancos laterais; cobertura em abóbada de nervuras de seção retangular, chanfradas, que partem de pilares de igual secção e chanfra, com base e capitel; cruzam-se as nervuras em fecho que apresenta um sol raiado dentro duma moldura circular. O eirado apresenta: duas saídas, telhadas, que dão acesso às escadas; a cobertura, em tijoleira, da sala da torre; ameias de corpo estreito, de terminação piramidal.

A cerca urbana medieval forma um polígono irregular, grosseiramente pentagonal, com dois cubelos a flanquear o tramo norte; envolve o castelo, situado a sul, e a primitiva vila, intramuros. Após uma primeira porta, em arco redondo, pertencente à fortificação abaluartada, situam-se as Portas da Vila, ambas em arco quebrado, desalinhadas e a sudeste. Destas portas acede-se à Rua Direita que atravessa a vila medieval a meio e desemboca nas Portas de São Pedro, ambas com arco redondo, também desalinhadas. Outras duas portas, em arco redondo, emparedadas, situam-se nos tramos norte e sul, uma em cada tramo.

Sobre a Porta da Vila inscreve-se um escudo em mármore, enquadrado por moldura de granito com cinco quinas pentagonais e cinco besantes, e a inscrição:

EM NOME DE DEUS AMEN ERA DE MILCCCLXV ANNOS SE FEZ ESTE CASTELLO. ERA SENHOR O MUI NOBRE REI D. AFFONSO DE PORTUGAL FILHO DO MUI NOBRE REI D. DINIS

Fortificações abaluartadas que guarnecem o castelo e a cerca urbana medieval, a partir das Portas de São Pedro e no sentido dos ponteiros do relógio: traçado tenalhado com um grande redente central, Baluarte das Figueiras, muralha medieval, Meio Baluarte dos Cavalinhos, cortina, meio baluarte, cortina, conjunto de um baluarte, um meio baluarte e outro baluarte, que defendem a entrada no castelo, cortina, meio baluarte, cortina e baluarte.

Fortificações abaluartadas que envolvem a vila exterior às muralhas medievais, a partir do Meio Baluarte dos Cavalinhos e no sentido dos ponteiros do relógio: três tramos de cortina até à Estrada de Circunvalação, onde a cortina é interrompida, tramo de cortina até à Porta Nova, Porta Nova, pequeno tramo de cortina, Meio Baluarte do Cipresteiro, Arco de Santa Catarina (porta), quatro tramos de cortina, Forte de São Roque, conjunto formado por redente e cortina, a noroeste e meio baluarte e cortina, a sudeste, interrompido pela zona do Parque João José da Luz, Tenalha do Pangaio, Meio Baluarte dos Loureiros, cortina, interrupção na zona da EN 246-1, antigo Meio Baluarte da Porta Falsa, cortina, Redente de São João, zona da antiga Porta de São João, cortina, Meio Baluarte do Curral, interrupção, Redente do Pate (ou Paté), Redente do Cabo da Aldeia.

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  • National Protection
    O castelo encontra-se classificado como Monumento Nacional por Decreto de 16 de junho de 1910, publicado no Diário do Governo, I Série, n.º 136, de 23 de junho. Esse diploma classificou o Castelo de Castelo de Vide, na tipologia "castelos" com a designação, incorreta, de "Castelo de Vide (ruínas)”. A classificação foi revista, ampliada para abranger além do castelo, as demais fortificações medievais e modernas em Castelo de Vide e nas freguesias de Santa Maria da Devesa, São João Batista e Santiago Maior, pelo Anúncio n.º 198/2015, publicado no Diário da República, 2.ª série, n.º 160, de 18 de agosto. Adicionalmente o conjunto encontra-se incluído na Área Protegida da Serra de São Mamede.





  • Tourist-cultural Center

  • ,00 m2

  • Continent : Europe
    Country : Portugal
    State/Province: Portalegre
    City: Castelo de Vide



  • Lat: 39 -26' 55''N | Lon: 7 27' 30''W










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