Acre

Acre, Norte - Israel

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"Acre" (em hebraico “Akko”) localiza-se na Galileia, em Israel.

A parte antiga da cidade ergue-se num promontório próximo ao monte Carmelo. A sua localização geográfica, na costa leste do mar Mediterrâneo, ao norte da baía de Haifa, tornava-a um canal de comunicação privilegiado entre o Oriente e o Ocidente, tendo sido muito utilizada pelos cruzados entre os séculos XI e XIII. A sua conquista definitiva pelos Muçulmanos em 1290 marcou o fim da presença cristã na Terra Santa.

História

Antecedentes

A povoação constituía-se num importante porto na Galileia habitada desde a época dos fenícios. Ao longo de sua história trocou de mãos várias vezes: por volta de 1500 a.C. foi ocupada pelos Cananeus, vindo posteriormente a ser conquistada por Assírios, Romanos, Bizantinos, Muçulmanos e Cristãos.

De acordo com Estrabão, o primitivo nome da cidade era “Ace” mas, à sua época, denominava-se “Ptolemais”. A Bíblia confirma essa informação: no Antigo Testamento a cidade é denominada “Accho” e, no Novo Testamento, “Ptolemais”.

As Cruzadas

No contexto da Primeira Cruzada, Acre foi conquistada em 1104 Balduíno de Boulogne, mais tarde coroado como o primeiro monarca do Reino Latino de Jerusalém.

Batizada pelos cristãos como São João de Acre, à época, a cidade era um dos mais importantes centros comerciais do mundo medieval, constituindo-se no maior porto da costa da Palestina, frequentada por comerciantes italianos, bizantinos, africanos e egípcios.

Em consequência da batalha de Hattin (1187), diante da derrota das forças cristãs (o francês Guy de Lusignan, rei consorte de Jerusalém, e o príncipe da Galileia Raimundo III de Trípoli), Saladino, sultão do Egito, assenhoreou-se de Acra e seu porto. De posse da cidade o sultão restaurou a fé islâmica e reforçou o sistema defensivo, formado por muralhas que envolviam o porto. No mesmo ano, Jerusalém caiu em mãos de Saladino.

Em 1189, Guy de Lusignan tentou reconquistar Acre, num conflito que se estendeu por anos. No contexto da Terceira Cruzada, forças cristãs para ali se dirigiram por via marítima: em abril de 1191 chegaram as forças de Filipe Augusto de França e, dois meses depois, juntaram-se-lhes as de Ricardo I de Inglaterra (1189-1199). Ao fim de um mês de assédio, os cruzados tomaram a cidade e rumaram para Jerusalém. Ao garantir o retorno de São João de Acre para as mãos da cristandade, Ricardo firmou a sua reputação de cavaleiro e conquistou o título de “Coeur de Lion” (“Coração de Leão”). A cidade foi entregue aos cavaleiros da Ordem de São João de Jerusalém.

Ricardo celebrou com Saladino o Tratado de Jaffa (2 de setembro de 1192) pelo qual a cidade de Jerusalém permanecia sob o controlo Muçulmano, mas se permitia aos peregrinos cristãos o direito de visitá-la. Esse acordo garantiu três anos de trégua entre as duas forças em confronto, cristãos e muçulmanos. Ainda como resultado, São João de Acre transformou-se na capital dos Estados Latinos na Terra Santa, com o seu porto voltando a movimentar peregrinos e guerreiros cruzados, como Luís IX da França na Sétima Cruzada, em 1250. Além de se constituir em ponto estratégico e centro político e económico, a sua população chegou a contar com 25 mil habitantes – cerca de 10% de todo o reino.

Em meados do século XIII a situação da Terra Santa era precária para os cristãos. Em 1268 Baibars, sultão mameluco do Egito, já havia reduzido o reino de Jerusalém a uma pequena faixa de terra entre Sídon e Acre, ameaçando esta última. A paz era precariamente mantida pelos esforços de Eduardo I de Inglaterra (1272-1307), apoiado pelo papa Nicolau IV. Apesar dos homens de Eduardo terem sido um importante reforço para a guarnição de Acre, tinham poucas chances contra as forças superiores de Baibars, e um ataque em junho a São Jorge de Lebeyne mostrou-se, em grande parte, inútil. Uma embaixada no Ilcanato de Abaca ajudou a trazer um ataque mongol a Alepo no norte, distraindo as forças de Baibars. Eduardo liderou em novembro um ataque contra Qaqun, porém tanto seu ataque quanto a invasão mongol falharam. A situação parecia estar cada vez mais desesperador quando Hugo III do Chipre, rei nominal de Jerusalém, assinou, em maio de 1272, uma trégua de dez anos com os muçulmanos. Eduardo foi contra, porém um ataque em junho de um assassino muçulmano forçou-o a abandonar a campanha. Apesar de ter conseguido matar o assassino, Eduardo foi atingido no braço por uma adaga possivelmente envenenada e ficou muito enfraquecido nos meses seguintes, vindo a deixar Acre a 24 de setembro.

Posteriormente, em fins de 1290 um grupo de soldados italianos degolou um grupo de camponeses Muçulmanos e executou do mesmo modo um grupo de sírios cristãos. Ao ter conhecimento do massacre, o sultão mameluco do Egito, Al-Ashraf Khalil, exigiu a cabeça dos assassinos. Apanhada em meio a uma disputa pela sucessão do trono de Jerusalém, Acre disse não ao sultanato. Desse modo, em abril de 1291 a cidade acordou cercada por uma força de mais de 200 mil soldados muçulmanos.

Em resposta, a cristandade mobilizou-se em socorro de um dos seus pontos mais estratégicos na Terra Santa: cavaleiros Hospitalários, Teutónicos e Templários, a que se somavam tropas inglesas e italianas, partiram em defesa do porto. Mas era tarde demais: a 18 de maio, forças egípcias e turcas conquistaram a cidade. Caía o último bastião dos europeus na Terra Santa e, com ele, o sonho que por anos alavancou as cruzadas para o Oriente.

Do século XIV aos nossos dias

Com o fim das Cruzadas o porto entrou em decadência, passando posteriormente para o domínio turco otomano mas tendo recebido, durante os séculos XVIII e XIX, mais fortificações. Sofreu os seguintes assédios:

- 1799 – no contexto das Guerras Revolucionárias Francesas;

- 1821 – no contexto das lutas pelo poder Otomano;

- 1832 – por Ibrahim, Paxá do Egito.

Após a Primeira Guerra Mundial (1914-1918), Acre integrou o Mandato Britânico da Palestina. Neste período, os Britânicos usaram uma antiga fortaleza na cidade para prender e executar membros de vários grupos judeus clandestinos. Em 4 de maio de 1947, a organização paramilitar sionista Irgun tentou resgatar vários destes presos e, apesar de poucos haverem escapado, a operação teve um enorme efeito moral.

A cidade foi conquistada por Israel em 17 de maio de 1948, quando a maioria dos árabes fugiu.

Atualmente, Acre é uma cidade reivindicada pela Fatah, pela Jihad e pela Palestina. Possui cerca de 50 mil habitantes distribuídos por uma área de aproximadamente 13,5 km².

As marcas das Cruzadas permanecem preservadas na parte antiga da cidade, tornando-a um importante testemunho, capaz de fornecer vários recursos para o estudo do período. A “Cidade Velha de Acre” encontra-se classificada como Património Mundial pela UNESCO desde 2001.



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Contribution

Updated at 31/12/2015 by the tutor Carlos Luís M. C. da Cruz.

Contributions with medias: Carlos Luís M. C. da Cruz (1).


  • Acre

  • Akko

  • Fortified City





  • Israel


  • Restored and Well Conserved

  • UNESCO World Heritage
    A “Cidade Velha de Acre” encontra-se classificada como Património Mundial pela UNESCO desde 2001.





  • Tourist-cultural Center

  • ,00 m2

  • Continent : Asia
    Country : Israel
    State/Province: Norte
    City: Acre



  • Lat: 32 -56' 43''N | Lon: 35 -5' 53''E










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