Castle of Don Juan Manuel

Cifuentes, Guadalajara - Spain

O “Castelo de Don Juan Manuel”, também referido como “Castillo de Cifuentes”, localiza-se no município de Cifuentes, província de Guadalajara, na Comunidade Autónoma de Castilla-La Mancha, na Espanha.

História

Embora se afirme que a primitiva ocupação militar deste sítio remonta a uma primitiva fortificação muçulmana, essa hipótese, entretanto, não é corroborado pela moderna prospeção arqueológica.

O atual castelo foi erguido por iniciativa do Infante D. Juan Manuel, duque e príncipe de Villena, senhor de Escalona, Peñafiel, Cuéllar, Elche, Cartagena, Lorca, Alcocer, Salmerón, Valdeolivas e Almenara, sobrinho de Afonso X, o Sábio e neto de Fernando III, o Santo. De acordo com o “Crónicon” de autoria do próprio Infante o castelo começou a construir-se em abril de 1324:

"Era M.CCC.LXI incepit Dns Joannes Castellum de Trillo, in aprili"

"Eodem mense incepit Dns Joannes Castellum de Centfontibus, & opus de Alarconciello, ac Castrum de Belmont"

Posteriormente, com data de 6 de abril de 1329, em um documento referente ao dote de sua filha Constanza, figuram como suas pertenças as vilas, lugares e castelos de Cifuentes, Palazuelos, Val de San García e Molina, com as suas fortalezas, termos, rendas e direitos. Em outra escritura, outorgada em 1346 pela Infanta dona Constanza, então prometida ao príncipe Don Pedro, futuro Pedro I de Castela, conservada no Arquivo Municipal, há referência ao “alcázar” (alcácer) de Cifuentes.

Após a construção da fortificação, D. Juan Manuel aqui deve ter residido em diversos períodos, se tivermos em conta os numerosos documentos por ele assinados aqui na vila e pelo conhecimento que demonstra da zona de Cifuentes que demonstra em seus escritos, sobretudo na obra “El Libro de Caza”. Acredita-se ainda que aqui tenha redigido a obra “El Conde Lucanor”.

Após estas informações de Cifuentes oferecidas pelo Infante, sabe-se que em 1412 aqui se alojaram Don Fernando, o de Antequera e o seu afilhado Juan II de Castilla, à espera da eleição do rei de Aragão por parte dos eleitores reunidos em Calpe. Em 1427, Juan II fez mercê do senhorio da vila e seu Castelo a Don Álvaro de Luna, o qual renunciou a favor de Don Juan de Silva, a quem se fez doação perpétua a 10 de maio de 1431.

O 4.º conde de Cifuentes, Don Fernando de Silva, residiu na vila grandes temporadas e foi ele, possivelmente quem iniciou a construção do palácio na praça, cuja data de conclusão é incerta, ainda que saibamos que, em 1524 habitava ainda no castelo, devidamente reformado, e que três anos mais tarde já se havia instalado no palácio.

Desse modo, a fortificação deixou de cumprir a função residencial que herdara, após haver perdido anteriormente a sua função defensiva, quando da introdução da pirobalística nos campos de batalha.

Ao final do século XVI, as “Relaciones topográficas de los pueblos de España, hechas de orden de Felipe II” fornecem-nos uma descrição ligeira do edifício, no quesito número 27, onde para a povoação se regista: "Hay en Cifuentes un Castillo de buen parecer con cinco Torres, no es fuerte, tiene razonable aposento, es labrado de piedras comunes."

Em 1606 surge um pleito pela posse do senhorio de Cifuentes quando faleceu, sem descendência o 7.º conde e a 8.ª condessa, razão pela qual voltamos a encontrar notícias do castelo entre a documentação recolhida na história da vila. Ambas as partes pleiteantes relacionam várias ações destinadas a demostrar os seus títulos, em uma das quais Ramírez de Arellano, do partido do duque de Francávila, irrompeu com diversos de seus apoiantes no castelo, fazendo constar diante de testemunhas que havia tomado a fortificação em nome de seu senhor.

As escassas notícias de tempos mais recentes datam do contexto da Guerra da Sucessão Espanhola (1701-1714), quando o castelo, reduzido a um velho casarão, embora ainda pudesse cumprir um papel como recinto defensivo, deve ter sido ocupado e saqueado.

Posteriormente, no contexto da Guerra Peninsular (1804-1814) serviu como alojamento a grandes destacamentos de tropas francesas, expulsos em 1810 pelo guerrilheiro espanhol Juan Martín Díez, “el Empecinado”, embora a povoação tenha sido retomada em pouco tempo pelas tropas francesas sob o comando do General Joseph Léopold Sigisbert Hugo, que a saquearam e converteram o castelo em depósito. No ano seguinte (1811) “el Empecinado” recuperou novamente a povoação e o seu castelo.

É esclarecedor o relato que Benito Pérez Galdós nos deixou em seus "Episodios Nacionales” sobre as escaramuças de “el Empecinado” nas terras de Cifuentes em 1811, que sobre o castelo referiu: "(…) tiene cuatro habitaciones vivideras. Lo demás está en situación verdaderamente conmovedora".

Pascual Madoz informa-nos que, durante a Primeira Guerra Carlista (1833-1840) foi reabilitado pela população do povoado. As reformas consistiram em levantar paredes ameadas, fechar as aberturas nas muralhas e refazer a guarita da torre de menagem nela instalando um sino com a função se servir como alerta para a chegada dos Carlistas. (Diccionario geográfico-estadístico-histórico de España y sus posesiones de Ultramar)

As descrições de Cifuentes no período que antecedeu a Guerra Civil Espanhola (1936-1939), referem episodicamente o castelo, como uma construção integrante da paisagem, sem o descrever nem referir o seu valor histórico. Madoz descreve Cifuentes "(…) situada en un cerro y resguardada al este por dos cerros, en uno de los cuales hay un castillo que la defiende" (MADOZ, 1885:320), Escudero de la Peña referiu: "Sólo un castillo que la domina y escasisimos restos de murallas quedan hoy de las antiguas defensas de la villa. La guerra de sucesión primero, y la de la Independencia después, han dejado impresa en la población su triste huella". (DE LA PEÑA, 1869:54) Quadrado, em 1885 explica: "También á Cifuentes la domina un castillejo desde un cerrillo" e esclarece em uma nota: "(…) por los restos de muralla que aún quedan en la ladera meridional del cerro, échase de ver que debió tener en el siglo XVI amplitud y comodidades". (Quadrado; De La Fuente, 1885:143)

Seria necessário aguardar, como para tantos dados relacionados com a Idade Média e a Arqueologia em Guadalajara pelas publicações de don Juan Catalina Garcia López para dispormos de uma descrição completa do Castelo e a sua relação com a história da vila. Estas informações prosseguem com as obras de Layna sobre a vila condal e os castelos da Província. (LAYNA SERRANO, 1994;1997).

No contexto da Guerra Civil o castelo foi novamente recuperado e utilizado como refúgio por diversas famílias de Cifuentes. Desse período restavam as pranchas da porta em madeira de olmo chapeadas de ferro, hoje desmontadas, o forno e a cozinha instalados no pavimento superior de uma torre e as ameias no adarve.

Em 1995 o castelo foi adquirido aos herdeiros do Infante pelo “ayuntamiento” (Câmara Municipal) de Cifuentes, que tem procedido a uma série de intervenções de conservação e restauro, assim como escavações arqueológicas entre 1997 e 2003.

Características

Exemplar de arquitetura militar, em estilo gótico, implantado no alto de um monte, em posição dominante sobre a povoação.

O castelo apresenta planta quadrada com quatro torres nos vértices - duas com planta quadrada, uma cilíndrica e uma pentagonal, no angulo sudeste, a torre de menagem. Uma quinta torre, de planta quadrangular, ergue-se a meio do lado oeste, mascarada com um muro que a une ao exterior com a do vértice sudoeste.

O acesso à Praça de Armas é feito por um Portão de Armas em arco apontado, rasgado na torre que a defende, encimado pelas armas do Infante Don Juan Manuel. Ao centro da Praça de Armas abre-se o algibe, de planta retangular, escavado na rocha, revestida por tijolos e com teto abobadado, do mesmo material.

No interior da torre de menagem abrem-se dois compartimentos de planta quadrangular: o inferior, recoberto por abóbada de cruzaria, cujos nervos se apoiam em colunas dispostas em cada um dos cantos com cabeças humanas esculpidas; o superior é recoberto por uma abóbada mudéjar de tijolos. A comunicação entre os pavimentos é feita por uma escada em caracol. Na parte superior das paredes existem marcas de canteiro nas pedras.

As muralhas eram encimadas por um adarve e, primitivamente, o castelo era envolvido externamente por um fosso.

No espaço que se estende entre o Castelo e a povoação, a meseta mais ampla em cujo extremo aquele se ergue, dispunha-se o albacar, uma cerca composta por blocos maciços de pedra unidos com taipa, adaptada ao relevo, deixando em seu interior um amplo recinto defensável que servia para a população recolher o seu gado ou para aquartelamento de tropas em caso de um ataque.



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Contribution

Updated at 11/04/2020 by the tutor Carlos Luís M. C. da Cruz.


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  • 1324 (AC)




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  • Tourist-cultural Center

  • ,00 m2

  • Continent : Europe
    Country : Spain
    State/Province: Guadalajara
    City: Cifuentes



  • Lat: 40 -48' 60''N | Lon: 2 37' 9''W










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