Tower of Alcofra

Vouzela, Viseu - Portugal

A “Torre de Alcofra” localiza-se no centro da povoação de Cabo de Vila, freguesia de Alcofra, concelho de Vouzela, distrito de Viseu, em Portugal.

Situa-se em posição dominante na vertente oeste da serra do Caramulo.

Constitui-se em uma das 3 torres senhoriais remanescentes no concelho, e a que se encontrava em melhor estado de conservação.

História

A ocupação humana deste sítio remontará a um primitivo castro lusitano, permitindo o seu topónimo inferir ter a área conhecido a presença Muçulmana.

No contexto da afirmação da nacionalidade, foi couto, conforme carta passada em 1134 por D. Afonso Henriques, futuro Afonso I de Portugal (1143-1185), privilégio posteriormente confirmado pelo soberano, em 1146.

Acredita-se que esta “domus fortis” tenha sido reconstruída por volta do século XIV, devendo remontar ao século XII, dada a base em que assenta. Desconhece-se quem a mandou edificar, ou quem tenham sido os seus proprietários, mas tinha, na sua origem, a dupla função de vigia e torre senhorial.

Afonso I de Portugal (1143-1185) passou carta de confirmação, datada de 13 de novembro de 1164, da doação e licença que os seus pais, os condes D. Henrique de Borgonha e D. Teresa de Leão, juntamente com seu avô materno, tinham feito a Cide Aires para que ele fizesse morgado em Alcofra. Posteriormente, a 9 de dezembro de 1172, passou carta de couto a "D. Sidde da villa de Alcofra”.

A 3 de maio de 1229, Cide Aires, senhor do couto de Alcofra, instituiu Morgado de todos os seus bens.

A 4 de dezembro de 1250, Afonso III de Portugal (1248-1279) concedeu carta de privilégio para Afonso Pires e seus sucessores poderem realizar feira em Alcofra, duas vezes no ano, livre de todo o tributo real.

João I de Portugal (1385-1433), a 6 de julho de 1380 da Era de César (1418 da Era Cristã) expediu sentença de confirmação dos direitos do couto de Alcofra a Lourenço Vicente, cavaleiro de Alcofra.

Entre os séculos XVI e XVII terá-se registado uma possível intervenção no imóvel, com a abertura dos vãos em arco abatido no piso superior.

O património representado pela antiga torre não se encontra abrangido por proteção nacional. Encontra-se afeto à Câmara Municipal de Vouzela.

Em nossos dias, a 24 de julho de 2001, a Câmara Municipal lançou concurso para tratamento, consolidação e valorização da torre, bem como a dinamização do espaço envolvente, fazendo reviver as tradições locais, de produção de vinho e artesanato. A partir de 2002 a torre foi objeto de intervenção de recuperação e requalificação, tendo a Câmara aquirido as casas e os currais que a rodeavam. Alguns desses edifícios foram demolidos e outros aproveitados para atividades da população.

Características

Exemplar de arquitetura militar e civil, românica e gótica, de enquadramento urbano, em vale, isolado e destacado, inserido em largo rodeado de vários edifícios e alminha.

Apresenta planta quadrada, com fachadas em alvenaria de granito aparente, com remates em cornija, elevando-se a 11 metros de altura, com paredes de mais de 1 metro de espessura.

Dividida internamente em três pisos. o piso térreo era em terra batida, e seria utilizado como armazém, com pequenas frestas. A fachada principal, voltada a sudeste, é rasgada por porta em arco apontado, ao nível do primeiro piso, a 3 metros de altura, encimada por janelão em arco abatido; ambos os vãos ostentam, na base, mísulas em cantaria. A entrada deste piso, uma sala, seria feita por uma escada amovível. A fachada lateral esquerda, virada a sudoeste, apresenta, no piso superior, um janelão em arco apontado com mísulas na base. As fachadas noroeste e nordeste, possuem, no último piso, janelão em arco abatido. Este piso superior seriam os aposentos do seu proprietário. A torre é recoberta por um telhado de quatro águas, com telhas de meia cana.

Em virtude de se encontrarem gravadas no exterior da torre, nas suas quatro faces, as letras "AMBDM", afirmou-se que ela possa ter pertencido a “António Magalhães, barão de Moçâmedes”. Entretanto, este personagem nunca existiu. O título de barão de Mossâmedes (também grafado como barão de Moçâmedes), de juro e herdade, foi criado por carta de 13 de agosto de 1779 por Maria I de Portugal (1777-1816) a favor de José de Almeida e Vasconcelos, militar, Governador-geral de Angola. O título deriva do Reguengo de Mossâmedes, antiga propriedade na Beira, concedida pela Coroa aos seus antepassados em1388. A cidade angolana de Moçâmedes, atual Namibe, foi fundada pelo 1.º barão, então Governador-geral de Angola, que lhe deu o nome do seu título. Foram barões de Moçâmedes:

1. José de Almeida e Vasconcelos, 1.º barão de Mossâmedes, elevado em 1805 a visconde da Lapa;

2. José Maria Manuel de Almeida e Vasconcelos, 2.º barão de Mossâmedes; filho do antecessor, não tendo sobrevivido ao pai;

3. D. Manuel de Almeida e Vasconcelos, 3.º barão de Mossâmedes e 2.º visconde da Lapa, elevado em 1822 a conde da Lapa; irmão do antecessor;

4. D. Manuel Francisco de Almeida e Vasconcelos, 4.º barão de Mossâmedes, 2.º conde e 3.º visconde da Lapa; filho do antecessor;

5. D. Manuel de Melo e Castro de Almeida e Vasconcelos, 5.º barão de Mossâmedes, 3.º conde e 4.º visconde da Lapa; bisneto do antecessor.

Recorde-se ainda que os barões de Mossâmedes não foram senhores de Alcofra, mas sim comendadores da Comenda de Santa Maria de Alcofra, na Ordem de Cristo.

António Caetano de Sousa, na obra "Provas da Historia Genealogica da Casa Real Portugueza, tiradas dos instrumentos dos archivos da Torre do Tombo", referindo-se ao apelido “Alcoforado”, regista que "(…) o primeiro deste apelido foi Pedro Martins Alcoforado, assim diz o conde D. Pedro, no tit. 62 dos Aguiares, que foi filho de Martim Pires de Aguiar, e neto de Pero Mendes de Aguiar; parece que o seu solar era o couto de Alcofra, em o julgado de Alafões, que era honra dos fidalgos deste apelido, como parece, por uma sentença, que está no registo dos livros del rei D. Afonso IV, e assim vale a conjectura do nome, e se pode dizer, que este era seu solar". (Op. cit.)

A lenda da Torre de Alcofra

Uma lenda local afirma que esta torre possui um túnel que conduz até ao monte Gralheiro e que, no contexto da Reconquista, terá ocultado os cristãos em luta com os muçulmanos.

  • Tower of Alcofra


  • Fortified Tower





  • Portugal


  • Restored and Well Conserved

  • Monument with no legal protection





  • Tourist-cultural Center

  • ,00 m2

  • Continent : Europe
    Country : Portugal
    State/Province: Viseu
    City: Vouzela



  • Lat: 40 -38' 7''N | Lon: 8 11' 40''W










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