Torre de Vilharigues

Vouzela, Viseu - Portugal

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A “Torre de Vilharigues”, também referida como “Castelo de Vilharigues” e “Atalaia de Vilharigues”, localiza-se na povoação de Vilharigues, freguesia de União das Freguesias de Vouzela e Paços de Vilharigues, concelho de Vouzela, distrito de Viseu, em Portugal.

Ergue-se em posição dominante sobre um outeiro, na vertente noroeste da serra do Caramulo. Do seu topo disfruta-se o panorama sobre a Vila de Vouzela e Vale de Lafões, assim como, para oeste, a aldeia de Paços de Vilharigues.

Consiste em uma das três torres senhoriais remanescentes no concelho.

Com relação ao topónimo, há quem avente a hipótese de "Vilharigues" ser uma derivação de “ovelha”, dado existir a forma “Ovelharigues”. No entanto, é dado adquirido que provém de “viliarici”, em germânico “viliaricu”, com o significado de “o que tem vontade poderosa”.

História

No contexto da Reconquista cristã da região, Viseu foi reconquistada em 1058 aos Muçulmanos por Fernando I de Leão (1037-1065). Foi criada a Terra de Lafões, cujo centro político e militar se localizava no Monte da Senhora do Castelo, nas imediações de Vouzela, e que compreendia diversas torres senhoriais e atalaias, implantadas em diversas povoações desse território.

Posteriormente, sob o reinado de Afonso III de Portugal, as “Inquirições” de 1258 dão conta de um povoamento lafonense constituído por uma rede de aldeias e quintas distribuídas de forma homogénea.

Pela análise das características arquitetónicas, nomeadamente dois mata-cães assentes sobre mísulas nas paredes exteriores, acredita-se que esta torre senhorial, como outras no concelho, tenha sido erguida em final do século XIII ou no início do XIV. Os mata-cães, elemento típico das construções militares, embora introduzidos no país sob o reinado de Afonso III de Portugal (1248-1279), só passaram a integrar as residências senhoriais fortificadas sob o de Dinis I de Portugal (1279-1325). Os indícios da presença de ameias e seteiras, elementos típicos dos castelos, e que só podiam ser utilizados nas habitações mediante autorização régia, denotam a importância e o prestígio dos seus senhores.

Era senhor da torre de Vilharigues, D. Vasco Lourenço da Fonseca, casado com Dona Margarida Anes, senhores de vastos bens na Terra de Lafões. Este vendeu a torre a Gonçalo do Monte à época do reinado de Pedro I de Portugal (1357-1367), o qual a doou, a 5 de agosto de 1357, a Diogo Álvares, filho de D. Álvaro Gonçalves Pereira, doação esta confirmado pelo soberano a 20 de maio de 1361.

No século XV Vilharigues foi honra paçã, e como tal provida de paço com torre senhorial, tradicionalmente atribuída à família de D. Duarte de Almeida, “o Decepado”, herói da batalha de Toro (2 de março de 1476), a quem Afonso V de Portugal fez mercê de um reguengo no concelho de Lafões.

As ruínas do “Castelo de Vilharigues / Atalaia de Vilharigues” encontram-se classificadas como Imóvel de Interesse Público pelo Decreto n.º 33.587, publicado no Diário do Governo, I Série, n.º 63, de 27 de março de 1944.

Na segunda metade do século XX muitas das pedras da Torre, então propriedade dos condes de Tarouca, foram retiradas e reaproveitadas na edificação da Capela de Santo Amaro que lhe fica defronte.

Bastante arruinada, chegaram aos nossos dias apenas duas paredes com dois mata-cães, sendo possível observar o negativo dos três pisos que possuía.

Em 2006 foi formulado um projeto para a recuperação da torre, de autoria do arquiteto Renato Rebelo, que previa a construção, no interior do monumento, de uma torre em vidro, com estrutura de ferro e madeira, dividida internamente em três pavimentos: o primeiro abrigando uma exposição alusiva a D. Duarte de Almeida, o segundo relacionado com a história local ligada à freguesia, e o terceiro piso reservado para a área de leitura, escrita, inspiração e arte, num tipo de mini-biblioteca.

O projeto, orçado em mais de 170 mil euros, com financiamento do Programa AGRIS (Medida Agricultura e Desenvolvimento Rural), materializou-se em 2013, estando prevista a dinamização de diversas atividades, como exposições temporárias, recitais, música, provas gastronómicas, palestras, filmes, direitos desportivos, serviço de cafetaria / bar / mesa e atividades culturais no palco.

O espaço da torre irá ainda oferecer cobertura de rede wireless aos seus visitantes.

Previa-se ainda a remodelação da zona envolvente, com criação de espaços verdes, instalações sanitárias, uma zona de churrasco e parque de estacionamento, uma intervenção orçada em 250 mil euros, que se candidatou ao PITER (Programa Integrado de Turismo Estruturante de Base Regional).

Características

Exemplar de arquitetura militar e civil, em estilo gótico, de enquadramento urbano, isolado, sobre um outeiro no centro da povoação, na cota de cerca de 430 acima do nível do mar. É circundado por muro baixo a norte e oeste, por uma capela sob a invocação de Santo Amaro a sul, e por arbustos a leste.

Apresenta planta quadrangular em aparelho de granito, erguida sobre um pódium também quadrangular, sem cobertura. As fachadas sul e oeste não mais existem, excetuando-se os cunhais noroeste e sudeste, ligando-se a este um estreito troço de parede, a sul, sem vãos. A fachada leste é rasgada por janela de duplo vão em arco quebrado dividido por mainel; à direita, observa-se parte de um balcão de sacada sobre quatro cachorros (mata-cão apoiado em mísulas), com vão retangular. A fachada norte é rasgada por uma fresta muito estreita e apresenta balcão de sacada com acesso por porta retangular.

O interior era dividido primitivamente em três pavimentos: o inferior serviria como uma espécie de depósito ou armazém, o intermediário como uma sala ou salão social, e o superior, como os aposentos íntimos da família do senhor. No seu interior são ainda visíveis as reentrâncias que serviram de suporte às traves de madeira dos pisos. Nas paredes leste e norte encontram-se marcadas as frestas e os dois vãos retangulares que dão passagem para os balcões. A dupla janela a leste apresenta internamente um recorte em arco pleno.

O pavimento encontrava-se arruinado e recoberto por vegetação.

A estrutura projetada para requalificar o espaço da antiga torre é uma estrutura em vidro que encaixa nas paredes de pedra existentes, dividida internamente em três pisos (espaço museológico, zona de exposições e zona multimédia). No exterior situa-se uma casa de banho e um palco de pequenas dimensões.



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Contribuições

Atualizado em 02/04/2019 pelo tutor Carlos Luís M. C. da Cruz.

Contribuições com mídias: Carlos Luís M. C. da Cruz (1).


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  • Ruínas Conservadas

  • Proteção Nacional
    As ruínas do “Castelo de Vilharigues / Atalaia de Vilharigues” encontram-se classificadas como Imóvel de Interesse Público pelo Decreto n.º 33.587, publicado no Diário do Governo, I Série, n.º 63, de 27 de março de 1944.





  • Centro Turístico-Cultural

  • ,00 m2

  • Continente : Europa
    País : Portugal
    Estado/Província: Viseu
    Cidade: Vouzela



  • Lat: 40 -43' 4''N | Lon: 8 7' 46''W



  • Primavera e Verão: sábados e domingos, das 15:00h às 20:00h. O serviço de esplanada abrirá das 19:00h às 22:00h durante os dias da semana, e das 14:00h às 24:00h às sextas, sábados e domingos.








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