Castle of Montemor-o-Novo

Montemor-o-Novo, Évora - Portugal

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O “Castelo de Montemor-o-Novo” localiza-se na freguesia de União das Freguesias de Nossa Senhora da Vila, Nossa Senhora do Bispo e Silveiras, concelho de Montemor-o-Novo, distrito de Évora, em Portugal.

Em posição dominante sobre o outeiro mais alto da região, o castelo abrigava originalmente nos seus muros a povoação que, desenvolvendo-se, expandiu-se pela encosta a norte.

História

Antecedentes

A primitiva fortificação do local poderá remontar a uma fortificação romana denominada “Castrum Malianum”, como indiciado pela identificação de um cipo funerário e de uma lápide que se encontrava na Igreja de Santa Maria do Bispo. Nesta zona entroncavam as estradas romanas oriundas de “Scallabis” (Santarém) e de “Olisipo” (Lisboa), seguindo, por Évora, até Mérida. Esse fato explica o reforço do primitivo amuralhamento da cidade, diante da importância estratégica da sua localização.

À época Muçulmana a povoação terá sido fortificada, o que poderá ter estruturado o espaço urbano intramuros, em particular a área da alcáçova.

O castelo medieval

No contexto da Reconquista cristã da região, sob o reinado de Afonso I de Portugal (1143-1185) a povoação foi conquistada em 1166.

Sob Sancho I de Portugal (1185-1211) foi perdida para as forças Almóadas sob o comando do califa Abu Iúçufe Iacube Almançor (1184-1199) - cujo nome sobrevive na toponímia “rio Almansor” -, na ofensiva de 1190-1191, e recuperada definitivamente em 1201. Com a declaração explícita da intenção de povoamento da vila, o soberano outorgou-lhe carta de foral (1203), acreditando-se que a construção do castelo medieval se tenha iniciado neste período.

Data de 1234 a provável instituição da paróquia de Santa Maria da Vila (também designada por Santa Maria dos Açougues), por Domingos Pelagio, filho do povoador Pelagio Peres.

Datará de entre 1280 e 1310 uma provável intervenção no castelo e nas muralhas, por iniciativa de Dinis I de Portugal (1279-1325) (ESPANCA, 1975).

Em 1365 teve lugar uma nova campanha de obras no castelo.

Com o estabelecimento da Dinastia de Avis, os domínios de Montemor-o-Novo constituíram terça de senhorio do Condestável D. Nuno Álvares Pereira.

Data ainda do século XIV a provável data de construção do Paço dos Alcaides que funcionou como sede de Alcaidaria-mor da Vila, dos condes de Santa Cruz.

Ao longo do século XV, o castelo sofreu obras de remodelação, nomeadamente nos anos de 1451, 1455, 1466 e 1499, com a renovação das muralhas e do castelo, da responsabilidade do alcaide D. João de Bragança, generalizando-se a designação Paço dos Alcaides. Em 1478 há referência ao alpendre da Porta Nova. Ainda no mesmo período registam-se obras de renovação da Praça da Vila e do Açougue (1485).

Sob o reinado de Manuel I de Portugal (1495-1521), na passagem do século XV para o XVI a vila foi cenário de frequentes estadas régias, sendo o Paço dos Alcaides o palco de decisões históricas, como a da partida do navegador Vasco da Gama para a Índia, durante as Cortes de 1495. Aqui nasceu, nesse mesmo ano, São João de Deus (1495-1550), fundador da Ordem Hospitaleira de S. João de Deus. Em 1499 o soberano ordenou ao concelho a urgente reparação dos muros e cubelos, tendo sido instalado o relógio na Torre de Santarém. Em 1502 registou-se a conclusão dos muros, empreitada contratada com o mestre de pedraria Afonso Mendes de Oliveira, a construção da Casa da Guarda, destinada a reforçar a segurança da Porta da Vila, principal entrada no castelo e o coroamento da Torre do Relógio. No ano seguinte o outorgou o Foral Novo à vila (1503). Desta época data o início da construção do Convento da Saudação, junto às muralhas.

De acordo com o “Numeramento” de 1527 ordenado por João III de Portugal (1521-1557), Montemor-o-Novo contava 899 fogos, ficando em sexto lugar entre terras do Alentejo.

Mais tarde, sob o reinado de Sebastião I de Portugal (1557-1578), o soberano concedeu-a Montemor-o-Novo o título de “Vila Notável” (1563), considerando que era “lugar antigo e de grande povoação”, cercada e enobrecida de igrejas, templos, mosteiros e de muitos outros edifícios e casas nobres.

Da Guerra da Restauração aos nossos dias

No contexto da Guerra da Restauração da independência portuguesa (1640-1668), o Conselho de Guerra de João IV de Portugal (1640-1656) expediu ordem para a reedificação das muralhas da vila, por solicitação municipal (1642).

Em 1663 o conde de Vimioso foi encarregado de promover as obras dos muros da vila. No ano seguinte (1664) João Coutinho foi nomeado ajudante de engenheiro das obras de fortificação, que em 1688 ainda permaneciam por concluir. Ainda em 1664 teria sido iniciada a construção dos fossos e de revelins rudimentares em terra. (ESPANCA, 1975)

A partir do século XVI afirmara-se a tendência da população para o abandono do castelo e fixação no arrabalde a norte. Ao longo do século XVIII foram transferidos a Câmara e outros edifícios da administração local. Quando do terramoto de 1 de novembro de 1755 o espaço intramuros já se encontrava semiabandonado e o Paço dos Alcaides era habitado por apenas duas pessoas. Ainda assim, em 1777 registou-se uma intervenção na Porta do Anjo.

Durante a Guerra Peninsular (1808-1814), a guarnição da antiga fortificação resistiu às tropas napoleónicas sob o comando do general Louis Henri Loison, travando-se combate junto à chamada Ponte de Lisboa (1808).

Poucos anos mais tarde, quando da Guerra Civil Portuguesa (1828-1834), aqui se concentrou o estado-maior das tropas liberais, sob o comando do marechal D. João Carlos Gregório Domingos Vicente Francisco de Saldanha Oliveira e Daun, 1.º conde e marquês de Saldanha (1834). Pouco mais tarde, em 1843, a povoação conheceu a visita de Maria II de Portugal (1834-1853) e seu esposo, Fernando II de Portugal.

Em 1912 registou-se a mutilação de estruturas quinhentistas no denominado baluarte de Santiago.

Mais tarde, em 1929, teve lugar a reparação da Torre do Relógio.

Na sequência de um ciclone, em 1936, ocorreu a derrocada de um troço de cerca de 30 metros de pano de muralha no lado norte. Em resposta, a Direcção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais (DGEMN) promoveu, entre 1937 e 1945 obras de consolidação e restauro, assim como a reconstrução de dois troços de muralha que se encontravam desmoronados, e a consolidação e regularização do pano de muralha junto à Porta da Vila.

O “Castelo de Montemor-o-Novo, abrangendo as muralhas e os imóveis que se encontram dentro delas”, também referido como “Castelo de Montemor-o-Novo, incluindo o Convento de Nossa Senhora da Saudação ou da Anunciada“, encontra-se classificado como monumento nacional pelo Decreto n.º 38.147, publicado no Diário do Governo, I Série, n.º 4, de 5 de janeiro de 1951. A ZEP e a Zona "non aedificandi" encontram-se definidas pela Portaria de 13 de julho de 1962, publicada no Diário do Governo, II Série, n.º 177, de 28 de julho.

Os imóveis discriminados no diploma de classificação são:

- Três torres (de Menagem, do Relógio e da Má Hora);

- Três cisternas;

- Um matadouro mourisco;

- Duas capelas;

- Edifício do asilo denominado da Infância Desvalida, instalado no antigo convento;

- Várias ruínas de prédios urbanos;

- Terrenos com uma mata e ruas que servem de passeio público;

- Diversas glebas de terrenos na posse de particulares.

Ainda assim, entre 1956 e 1961 ocorreram novos desmoronamentos de alguns troços de muralha, a que se sucederam trabalhos de consolidação da mesma (1962).

Em 1964 foi projetada a instalação de um parque de campismo no espaço intramuros da fortificação, entre o Paço dos Alcaides e a Porta do Bispo.

Os trabalhos de conservação prosseguiram com a reparação da Torre do Relógio (1965-1966), a consolidação das muralhas no troço entre a Porta do Relógio e a Porta do Bispo (1968), obras de consolidação da Torre do Relógio e panos de muralha adjacentes (1970), diversos trabalhos de beneficiação do Convento da Saudação e consolidação de panos de muralha (1978), obras de beneficiação das muralhas no troço norte (1982), obras de conservação na Torre do Anjo e de consolidação da abóbada e paredes do Paço dos Alcaides (1983), e obras de recuperação na Torre do Anjo (1986).

Entre 1983 e 1987 tiveram lugar escavações arqueológicas sob a direção de Tatiana Resende e, em 1992-1993 nova intervenção arqueológica, dirigida por Ana Gonçalves.

O imóvel foi afeto ao Instituto Português do Património Arquitectónico (IPPAR), pelo Decreto-lei 106F/92, publicado no Diário da República, 1.ª série A, n.º 126, de 1 de junho.

Desde 1996, registaram-se novos aluimentos nas muralhas.

Em 1997 a Câmara Municipal aprovou o “Programa de Recuperação e Revitalização do Castelo", integrado no "Plano de Salvaguarda do Centro Histórico".

Em 2001 o IPPAR promoveu obras de recuperação da Torre da Má Hora.

Em 2010 tiveram lugar obras no interior da Casa da Guarda.

O “Centro Interpretativo do Castelo de Montemor-o-Novo” encontra-se instalado na antiga igreja de São Tiago, e mostra aspectos da história e evolução de Montemor, desde a antiguidade, através de uma exposição permanente e de exposições temporárias. Podem ainda observar-se as pinturas murais dos séculos XVII e XVIII, pré-existentes no templo.

Características

Exemplar de arquitetura militar, gótico, mudéjar e manuelino, de enquadramento periurbano, na orla de uma colina, na cota de cerca de 300 metros acima do nível do mar, sobranceira ao rio Almansor.

O conjunto é constituído por um castelo com cerca urbana, de planta irregular, aproximadamente triangular, rematada parcialmente por ameias piramidais ou retangulares, com barbacãs do século XIV.

Os panos de muralha voltados a norte são pontuados externamente por doze cubelos semicirculares. O acesso principal é feito pela “Porta da Vila” (“Porta de Santarém” ou “Porta Nova”) a norte, de vão em arco pleno. É flanqueada pela “Torre do Relógio”, de planta quadrada, elevando-se a vinte metros de altura, com porta em arco quebrado ao nível do adarve, sendo este rematado por ameias piramidais. O corpo do relógio apresenta coroamento cónico e ameias chanfradas. O acesso é feito através de uma escada exterior e porta em arco quebrado. Nela existiram três sinos de bronze: o “Sino das Horas” (1605); o “Sino dos Quartos” (1784) e o “Sino do Rebate” (1777). Fendidos, foram encaminhados a fundição em dezembro de 1966 pela Câmara Municipal e jamais repostos. Adossada pelo lado exterior, situa-se a “Casa da Guarda”, de planta retangular, com interior abobadado e cobertura em terraço. Na fachada oeste rasga-se um portão em arco, encimado pelo escudo e as armas de D. Manuel I.

Na vertente oeste das muralhas rasga-se a “Porta do Bispo” (“Porta do Anjo”), ladeada por duas torres de planta quadrada, uma das quais conserva telhado de quatro águas, vãos de lintel reto e arranque do arco que permitia a ligação à Casa dos Condes de Santa Cruz.

No troço sudoeste a muralha encontra-se interrompida, tendo desaparecido totalmente no flanco sudeste, onde se situaria a “Porta de Évora” ou o postigo.

A área da Alcáçova ou Paços dos Alcaides, implantada sobre o Monte Maior, orientado a sul, apresenta planta retangular concentrada, com acesso direto ao exterior através de uma estrutura em forma de couraça. Parte da muralha subsistente é cintada por três cubelos angulares semicilíndricos; destaca-se o cubelo do lado oeste, com duas janelas em arco conopial, interior coberto com abóbada de meia-laranja e cornija polilobada. Na sua proximidade ergue-se uma torre de planta quadrada, adossada ao lado exterior da muralha e que poderá ter correspondido à torre de menagem. Mantém-se o espaço onde se organizava um pátio, dotado de cisterna, assim como parte da fachada leste do Paço, hoje restrita a um pano murário, unindo dois cubelos e com dupla arcada de volta inteira nos dois registos.

A leste rasga-se a “Porta de Santiago“ ("Porta do Sol", podendo corresponder à “Porta de Évora”) em arco pleno, flanqueada pela “Torre da Má Hora”, de planta quadrada e rematada por ameias piramidais.

A nordeste, abre-se a cisterna-açougue de planta retangular de duas naves com cobertura em abóbada de berço, parcialmente derrocada, possuindo, no interior, vestígios de pinturas murais.

No interior da cerca encontram-se, entre outras estruturas arquitetónicas, a Igreja de São João Baptista, a Igreja de Santiago, o Convento de Nossa Senhora da Saudação e as ruínas da Igreja de Santa Maria do Bispo.

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  • Featureless and Well Conserved

  • National Protection



  • +351 266 898 103

  • turismo@cm-montemornovo.pt

  • Tourist-cultural Center

  • ,00 m2

  • Continent : Europe
    Country : Portugal
    State/Province: Évora
    City: Montemor-o-Novo



  • Lat: 38 -39' 26''N | Lon: 8 13' 1''W



  • Horário:

    Outubro a Março: das 9h00 às 12h30 e das 14h00 às 17h30;

    Abril a Setembro: das 10h00 às 13h00 e das 14h30 às 18h30;

    Encerra à 2.ª feira.








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