Fortificações de Arronches

Arronches, Portalegre - Portugal

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As “Fortificações de Arronches” localizam-se na freguesia de Assunção, concelho de Arronches, distrito de Portalegre, em Portugal.

História

Antecedentes

Desconhece-se a época da primitiva ocupação humana do local: embora diversos autores defendam a existência de ocupações pré e proto-históricas tais afirmações não foram até ao momento confirmadas pela prospecção arqueológica.

O local terá sido ocupado pelos Romanos entre os séculos II e I a.C., afirmando-se que uma povoação romana terá existido junto à ribeira de Caia, fundada no tempo do imperado Calígula (37-41).

A presença Muçulmana registou-se a partir de 714.

O castelo medieval

À época da Reconquista cristã da região, a povoação foi conquistada em 1166 pelas forças de Afonso I de Portugal (1143-1185).

Perdida sob Sancho I de Portugal (1185-1211) para as forças Almóadas sob o comando do califa Abu Iúçufe Iacube Almançor (1184-1199) na ofensiva de 1190-1191, foi recuperada por Sancho II de Portugal (1223-1248) em 1235. No ano seguinte (1236) a povoação e os seus domínios foram doados à Ordem dos Cónegos Regrantes de Santo Agostinho (cónegos pretos ou crúzios), com sede no Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra. Entretanto, só foram definitivamente integrados nos domínios portugueses a partir de 1242, com a reconquista por D. Paio Peres Correia, Mestre da Ordem de Santiago.

Afonso III de Portugal (1248-1279) outorgou foral à povoação (16 de junho de 1255), que viria a confirmar (2 de janeiro de 1272), afirmando-se que ordenou a construção do castelo sobre os restos de uma primitiva fortificação romana.

Em 1273, o monarca legou as vilas de Arronches, Marvão, Portalegre e Vide ao seu filho, o Infante D. Afonso de Portugal, irmão do futuro Dinis I de Portugal (1279-1325). Com a subida ao trono do segundo, o primeiro contestou abertamente os títulos do segundo, e mandou muralhar a vila aberta de Vide, processo que se encontrava em marcha em 1281. Em abril desse mesmo ano, D. Dinis impôs cercou à vila. Na iminência do assalto, chegou ao acampamento real uma embaixada do reino de Aragão, com a proposta de casamento do soberano com D. Isabel, futura Rainha Santa Isabel. Com a interveniência desta embaixada, acordou-se a paz entre os irmãos, vindo o infante a comprometer-se a derrubar todas as fortificações que havia empreendido em Vide, que incluíam uma torre e vários muros.

A partir de 1299, diante do matrimónio do infante D. Afonso com uma infanta de Castela, tendo em vista a proximidade dos senhorios deste com a raia, e diante de uma reclamação de Sancho IV de Leão e Castela (1284-1295), D. Dinis marchou outra vez contra o seu irmão, cercando-o em Arronches, Marvão e Portalegre, esta última caindo em outubro de 1299, e forçando aquele a buscar refúgio em Badajoz. Com a mediação da Rainha Santa, feitas as pazes entre os irmãos, D. Afonso permutou com D. Diniz as vilas que possuía no Alentejo, por Sintra, Ourém e outras distantes da fronteira, e uma certa quantia, paga anualmente. Estes castelos alentejanos foram então entregues a Aires Pires Cabral, tataravô do navegador Pedro Álvares Cabral, que deles prestou menagem, na função de Alcaide-mor.

Embora não existam informações acerca da primitiva estrutura defensiva de Arronches, sabe-se que foi reedificada em 1310 por determinação de D. Dinis.

No contexto da crise de sucessão de 1383-1385, forças castelhanas assenhorearam-se de Arronches, que veio a ser recuperada pelas de D. Nuno Álvares Pereira (1384), futuro Condestável de Portugal (1385-1431).

Nesse período, a povoação já se revestiria de importância, face aos grandes privilégios que lhe foram concedidos por Afonso IV de Portugal (1325-1357) e por João I de Portugal (1385-1433). Esse fato é corroborado pelo fato de aqui se terem reunido as Cortes de 1475, sob o reinado de Afonso V de Portugal (1438-1481), e que deliberaram sobre o casamento deste com a sua sobrinha, Joana de Trastâmara, herdeira do trono do Reino de Castela.

Sob o reinado de Manuel I de Portugal (1495-1521), encontra-se figurada por Duarte de Armas no “Livro das Fortalezas” (c. 1509) (vista e planta). Era seu alcaide-pequeno, à época, Diogo de Sequeira (1496-1514). O soberano outorgou-lhe o “Foral Novo” (1 de junho de 1512).

Em 1549 João III de Portugal (1521-1557) doou o senhorio de Arronches ao bispo da recém-criada Diocese de Portalegre, João de Alva (1549-1560).

A povoação é referida em duas estrofes de “Os Lusíadas”, de Luís de Camões:

Passado já algum tempo que passada

Era esta grão vitória, o Rei subido

A tomar vai Leiria, que tomada

Fora, mui pouco havia, do vencido.

Com esta a forte Arronches sojugada

Foi juntamente; e o sempre enobrecido

Scabelicastro, cujo campo ameno

Tu, claro Tejo, regas tão sereno.
” (Op. cit., Canto III, estrofe LV)

Um Sacerdote vê, brandindo a espada

Contra Arronches, que toma, por vingança

De Leiria, que de antes foi tomada

Por quem por Mafamede enresta a lança:

É Teotónio Prior. Mas vê cercada

Santarém, e verás a segurança

Da figura nos muros que, primeira

Subindo, ergueu das Quinas a bandeira.
” (Op. cit., Canto VIII, estrofe XIX)

Da Guerra da restauração aos nossos dias

Praça raiana no Alto-Alentejo, no contexto da Guerra da Restauração da independência portuguesa (1640-1668), Arronches integrou a primeira linha de defesa do reino. À semelhança de outras praças na região, a sua defesa medieval foi modernizada, sendo adaptada ao moderno fogo da artilharia. Para esse fim a vila foi envolvida por baluartes de alvenaria com guaritas nos vértices.

Nesta área teve lugar a chamada “batalha de Arronches” (8 de novembro de 1653), um recontro da cavalaria espanhola contra a portuguesa, sob o comando do general D. André de Albuquerque Ribafria. A vitória obtida pela cavalaria portuguesa abriu caminho a alguns meses de iniciativa e supremacia dos portugueses naquela fronteira.

Em 1661 Arronches foi ocupada por forças espanholas sob o comando de D. Juan de Austria, vindo a ser abandonada pelos espanhóis à aproximação do exército português. Pouco mais tarde ocorreu uma explosão no paiol de pólvora, instalado nas dependências do antigo castelo (1663). No ano seguinte (1664) tendo o conde Marcin substituído D. Juan de Austria no comando das forças espanholas, e reconhecendo a dificuldade de conservar a praça de Arronches, rodeada por praças portuguesas, marchou de Badajoz com um corpo de tropas para desmantelar as defesas da vila, fazer saltar as muralhas e recolher a guarnição espanhola. Não tendo as minas espanholas cumprido integralmente a tarefa, o então Governador das Armas da Província, general Gil Vaz Lobo marchou sobre a praça com 5.000 homens para ocupá-la e defendê-la enquanto as reparações não estivesses concluídas. (FARIA E CASTRO, Damião António de Lemos, “Historia Geral de Portugal e suas Conquistas”, Tomo XIX, Lisboa, 1804, p. 326)

O regente D. Pedro de Bragança (1667-1683), futuro Pedro II de Portugal (1683-1706), outorgou foral “novíssimo” a Arronches (25 de julho de 1678), concessão que poucas povoações no reino usufruíram.

No contexto da Guerra da Sucessão Espanhola (1701-1714) Arronches resistiu com sucesso a um assédio por forças espanholas (1712), tendo estas se rendido à primeira investida das forças portuguesas.

Em 1755 o engenheiro militar Miguel Luís Jacob faz o levantamento da fortificação, deixando-nos um desenho da mesma. Quando do terramoto de 1 de novembro desse ano a povoação e as suas defesas sofreram extensos danos.

No contexto da chamada “Guerra das Laranjas” registou-se o combate de Arronches (maio de 1801), com a vitória das forças espanholas.

Perdida a sua função estratégica, ao longo do século XIX diversos trechos das antigas muralhas foram absorvidos pela expansão urbana da povoação.

O conjunto da “Fortaleza de Arronches / Fortificações de Arronches” encontra-se classificado como Imóvel de Interesse Público pelo Decreto n.º 129/77, publicado no Diário da República, I Série, n.º 226, de 29 de setembro.

A intervenção do poder público para a conservação do monumento fez-se sentir apenas nas décadas de 1970 e 1980, por iniciativa da Direcção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais (DGEMN) através de obras de consolidação num baluarte e troços de muralha (1975), trabalhos de consolidação do troço de muralha entre o Largo Serpa Pinto e a Rua João Morais que aluiu, e de troço de muralha junto à Porta do Rio (1976-1977), continuação das obras anteriores e consolidação de uma guarita em ruína (1978-1979) e obras diversas de conservação (1981, 1983 e 1987).

O conjunto foi objeto de prospecção arqueológica em 1998 junto à muralha para projeto de ligação da vila antiga com a zona de expansão habitacional a leste, e em 2000, no âmbito de trabalhos de arranjo paisagístico.

Os restos das fortificações de Arronches continuam a reclamar um plano de recuperação e de valorização abrangente por parte dos poderes públicos.

A defesa de Arronches era complementada por outras estruturas, como por exemplo a “Atalaia do Baldio de Arronches”, situada junto a este monte. Esta antiga torre, de planta quadrangular, que outrora teve a função de vigia à fortaleza de Arronches, encontra-se hoje também em avançado estado de ruína.

Características

Exemplar de arquitetura militar, medieval e seiscentista, de enquadramento urbano, envolvendo toda a antiga vila, com edifícios adossados.

Da fortificação medieval, na zona nordeste, subsistem as ruínas de um torreão de planta quadrangular (“Torre da Cadeia”), de planta quadrangular, com cunhais de granito, sem ameias, hoje adossada a dois edifícios de habitação, e de um cubelo, a que se encontram adossadas antigas instalações militares. Esta zona é envolvida pelo Baluarte do Castelo e, a partir deste, no sentido dos ponteiros do relógio, são visíveis: cortina e fosso, Baluarte da Porta de Elvas, com guarita de corpo prismático e coruchéu piramidal, Baluarte de Santo António, Baluarte do Espírito Santo, com guarita de corpo prismático e coruchéu piramidal, fosso, cortina interrompida pela Porta do Rio, restos do Baluarte dos Clérigos, Muralha medieval / moderna e restos do meio Baluarte de Nossa Senhora da Luz.

Os remanescentes dos antigos muros foram erguidos em alvenaria de pedra, utilizando-se a técnica da “pedra seca”, ou seja, as pedras encontram-se aparelhadas umas às outras sem argamassa. Em alguns trechos, entretanto, observa-se que o cimento foi aplicado como forma de preservação.

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  • National Protection
    O conjunto da “Fortaleza de Arronches / Fortificações de Arronches” encontra-se classificado como Imóvel de Interesse Público pelo Decreto n.º 129/77, publicado no Diário da República, I Série, n.º 226, de 29 de setembro.



  • +351 245 580 080 / 245 580 085

  • cmarronches@ptnetbiz.pt

  • Tourist-cultural Center

  • ,00 m2

  • Continent : Europe
    Country : Portugal
    State/Province: Portalegre
    City: Arronches



  • Lat: 39 -8' 36''N | Lon: 7 16' 60''W



  • De terça a domingo: das 09h30 às 12h30 e das 14h00 às 18h00.

    Encerrado às segundas-feiras e no Dia de Natal.



  • Muralhas medievais em aparelho de "pedra seca".





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