Castle of Barbacena

Elvas, Portalegre - Portugal

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O “Castelo de Barbacena” localiza-se na freguesia de União das freguesias de Barbacena e Vila Fernando, concelho de Elvas, distrito de Portalegre, em Portugal.

História

O castelo medieval

No contexto da Reconquista cristã da região, a povoação foi conquistada por Sancho II de Portugal (1223-1248).

No reinado de Afonso III de Portugal (1248-1279), o Concelho de Elvas doou Barbacena a Estêvão Anes, Chanceler-mor do soberano, casado com uma filha ilegítima do mesmo e Senhor de Alvito, em 1251. Nesse mesmo ano, o soberano confirmou essa doação, vindo a reconfirmá-la em 1256. Em 1273 D. Estêvão Anes outorgou carta de foral a Barbacena. Datará deste reinado a primitiva construção do castelo.

No século XIV, sob o reinado de João I de Portugal (1385-1433) a Herdade de Barbacena era propriedade de João Fernandes Pacheco, Alcaide-mor de Santarém. Acusado de traição, perdeu este e outros senhorios. Em 1388 era senhor de Barbacena Martim Afonso de Melo, Guarda-mor do soberano e Alcaide-mor de Évora.

Os cubelos da fortificação datarão possivelmente do século XV, uma vez que não são maciços.

Manuel I de Portugal (1495-1521) outorgou o Foral Novo à vila (15 de dezembro de 1519), ordenando a reconstrução do seu castelo, o que pode pressupor o mau estado de conservação do mesmo à época.

Entre 1536 e 1537 a vila, então constituída em morgadio, passou à propriedade de D. Jorge Henriques, caçador-mor de João III de Portugal (1521-1557), a quem se deve o arranque da reconstrução do castelo. Diante do falecimento do proprietário (1572), as obras ficaram incompletas, transitando para os bens da Coroa. O castelo então principiado apresentava planta quadrangular. Pouco depois, em 1575 Barbacena foi a hasta pública, sendo adquirida por Diogo de Castro do Rio, Cavaleiro da Ordem de Cristo e Fidalgo da Casa Real, e o primeiro a usar o título de senhor de Barbacena. Em 1587 foi novamente posta em hasta pública, sendo reconhecido o direito à sua posse a Martim de Castro, sob a condição deste mandar abater dois cubelos e a torre de menagem.

Da Guerra da Restauração aos nossos dias

No contexto da Guerra da Restauração da independência portuguesa (1640-1668) o castelo e a vila receberam obras de modernização, de forma a adequar-se às novas táticas militares, que exigiam a construção de modernos baluartes. Data deste período a entrada principal que chegou até aos nossos dias.

Em 1645 tropas espanholas assaltaram o castelo e, em 1658 a guarnição foi mesmo forçada a render-se às tropas de Gaspar Téllez-Girón y Sandoval, 5.º duque de Osuna.

Os ataques e as pilhagens, bem como a imperiosa necessidade de modernização das defesas nesta zona de importância estratégica, determinaram a necessidade de novas obras de remodelação e fortificação, desta feita a cargo do Chanceler-mor do reino, Afonso Furtado de Castro do Rio de Mendonça (c. 1610-1675), 5.º senhor de Barbacena, 1.º visconde de Barbacena, bisneto de Diogo de Castro do Rio.

No contexto da Guerra da Sucessão Espanhola (1701-1714), em 1708 foi forçada a render-se diante das tropas espanholas sob o comando do general Alejandro Maître de Bay y Pourtier, 1.º marquês de Bay, governador da Praça-forte de Badajoz. De volta ao domínio português, em 1712 resistiu com sucesso a um novo ataque das tropas do mesmo oficial espanhol.

Nas “Memórias Paroquiais” (1758), o prior Francisco da Costa Matos referiu que as fortificações da vila estavam com alguma ruína.

No contexto da chamada “Guerra das Laranjas” (1801), tropas espanholas semearam uma vez mais o terror entre a população de Barbacena.

Em 1816 João VI de Portugal (1816-1826) criou o título de conde de Barbacena a favor de Luís António Furtado de Castro do Rio de Mendonça e Faro, 1.º conde e 6.º visconde de Barbacena. O seu filho, Francisco Furtado de Castro do Rio de Mendonça (1780–1854), 2.º conde e 7.º visconde de Barbacena, chegou a residir no castelo.

O concelho de Barbacena foi extinto em 6 de novembro de 1836.

Em 1896, há notícia da transação do imóvel, vendido por Hermenegildo José Costa Campos a Alfredo de Andrade, que efetuou reparações no mesmo.

O “Castelo de Barbacena / Fortificações de Barbacena” encontra-se classificado como Imóvel de Interesse Público pelo Decreto n.º 47.508, publicado no Diário do Governo, I Série, n.º 20, de 24 de janeiro de 1967.

No contexto da "Revolução dos Cravos" (25 de abril de 1974), naquele mesmo ano registou-se a ocupação das fortificações pela população de Barbacena.

A Direcção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais (DGEMN) procedeu à recuperação de coberturas e pavimentos no castelo (1989), e a obras de recuperação, em parceria com o IPPC, em 1991.

De acordo com a imprensa portuguesa, o fadista Mico da Câmara Pereira adquiriu, em setembro de 2005, as ruínas do castelo a José Luís Sommer de Andrade, antigo cavaleiro tauromáquico, pelo montante de 225 mil euros.

As negociações para a aquisição demoraram cerca de um ano e meio, período em que nem o Instituto Português do Património Arquitectónico (IPPAR) e nem a Câmara Municipal de Elvas optaram por exercer o seu direito de preferência ao imóvel.

À época o fadista declarou tencionar requalificar o imóvel como um espaço de lazer para a promoção de espetáculos e eventos, como casamentos e festas temáticas, com recursos a serem obtidos da mesma forma (“Jornal de Notícias”, 11 de setembro de 2005).

Em outubro de 2013 o imóvel encontrava-se à venda por 400.000,00 euros. (In: casa.sapo.pt ref.: 1303ECP Consultado em 2 mar 2016)

Em 2014 o conjunto foi integrado no projeto de Turismo Militar, do Ministério da Defesa Nacional com o apoio do Turismo de Portugal.

Do castelo conservam-se as paredes e a entrada principal, um portal de pedra formando frontão com dois coruchéus, e ainda vestígios de um portal mais antigo, em arco redondo, entaipado. Da fortaleza abaluartada conservam-se vários troços e alguns elementos abaluartados, bem como torreões baixos (a Torre de Menagem fora derrubada no início do século XVII). Pode ainda ver-se a antiga Casa do Governador, edifício de alguma nobreza, com escadaria central dupla, e vestígios de uma capela no piso superior.

Características

Exemplar de arquitetura militar, medieval e moderna, abaluartada, de enquadramento urbano, sobre um outeiro, flanqueado por casas de habitação e pela estrada que entra na povoação.

O castelo apresenta planta retangular, com a porta atual e a anterior, emparedada, rasgadas na muralha oeste. A porta atual apresenta moldura retangular em alvenaria, com pilastras molduradas e frontão constituído por dois coruchéus de que partem volutas decorativas em baixo relevo. A porta antiga de bases molduradas, apresenta um arco semicircular em cantaria, no qual se inscreve uma porta de moldura retangular. Sobre o arco, uma arquitrave suportando dois coruchéus que ladeiam um nicho retangular. O topo das muralhas é percorrido adarve a toda volta. As ameias foram transformadas em simples parapeitos, quer nas muralhas, quer nos cubelos que flanqueiam os cunhais da muralha leste. Nos cunhais opostos, situam-se guaritas de seção quadrangular. Os cubelos apresentam piso térreo abobadado, sendo as abóbadas à prova de bomba, já que apresentam extradorsos salientes. Aqui se localizavam, provavelmente, os paióis seiscentistas. O piso superior também é abobadado, com janelão e frestas, algumas horizontais, e ainda o eirado, com guarita igual às referidas.

No pátio abre-se cisterna ao centro, e edificações a toda a volta. A leste, a Casa do Governador, de dois pisos, servida de dupla escadaria central, comunicando o piso térreo com os cubelos e com as edificações adossadas ao paramento exterior da muralha. No piso superior, parte norte existem vestígios de uma capela, sendo o adarve da muralha integrado na habitação.

A fortaleza abaluartada apresenta planta estrelada, com a seguinte constituição, a partir da entrada a oeste, e no sentido dos ponteiros do relógio: revelim, parcialmente em forma de seta, com entrada pela face sudoeste, que dá acesso à porta atual; meio baluarte; cortina; dois meios baluartes interligados por revelim avançado, em forma de seta, com guarita no ângulo flanqueado, comunicando com os meios baluartes por uma espécie de capoeira ao nível da praça; cortina; meio baluarte.

Uma inscrição epigráfica (hoje incompleta) no monumento regista: "A / AVEM / 1735". Outra, no âmbito da comemoração dos centenários da Fundação e Restauração da nacionalidade (1140, 1640), em um silhar regista: "A HISTÓRIA DESTE / CASTELO FOI / RECORDADA COM / GRATIDÃO PELOS / PORTVGVESES / DE 1940".



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Contribution

Updated at 25/05/2018 by the tutor Carlos Luís M. C. da Cruz.

Contributions with medias: Carlos Luís M. C. da Cruz (3).


  • Castle of Barbacena

  • Fortificações de Barbacena

  • Fortifications Group

  • Between 1248 and 1279 (AC)




  • Portugal


  • Featureless and Semiconserved

  • National Protection
    O “Castelo de Barbacena / Fortificações de Barbacena” encontra-se classificado como Imóvel de Interesse Público pelo Decreto n.º 47.508, publicado no Diário do Governo, I Série, n.º 20, de 24 de janeiro de 1967.





  • Tourist-cultural Center

  • 4800,00 m2

  • Continent : Europe
    Country : Portugal
    State/Province: Portalegre
    City: Elvas



  • Lat: 38 -58' 23''N | Lon: 7 17' 38''W





  • Castelo: muralhas perpendiculares ao solo, interligadas perpendicularmente, com dois cubelos em dois cunhais; alvenaria de pedra disposta à fiada e argamassa de cal. Fortificação abaluartada: traçado abaluartado, escarpado, com terraplenados; paramentos de alvenaria de pedra disposta à fiada e argamassa de cal.





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