Castle of Montalvão

Nisa, Portalegre - Portugal

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O “Castelo de Montalvão” localiza-se na freguesia de Montalvão, concelho de Nisa, distrito de Portalegre, em Portugal.

Cooperava, juntamente com os castelos vizinhos de Castelo de Vide e Marvão, na defesa daquele trecho da raia.

História

Antecedentes

Poderá remontar a um primitivo castro romanizado, hipótese que carece de maiores pesquisas.

À época da ocupação Muçulmana da península, o castelo de Montalvão já se encontra referido na chamada “Crónica do Mouro Rasis”, no século X.

O castelo medieval

À época da Reconquista cristã da região, no século XII, o castelo passou a integrar a chamada “Linha do Tejo”.

Em ruínas, visando a proteção da linha lindeira com Castela, foi reconstruído no reinado de Dinis I de Portugal (1279-1325), vindo a pertencer à Ordem de Cristo, criada pelo soberano diante da extinção da Ordem do Templo e aprovada pelo Papa João XXII em 1319.

Encontra-se figurado, sob o reinado de Manuel I de Portugal (1495-1521) por Duarte de Armas no “Livro das Fortalezas” (c. 1509) em duas vistas (norte e sul), onde podemos apreciar uma muralha, sem torres, na qual se rasgava uma porta. Este soberano outorgou-lhe carta de foral (22 de novembro de 1512), vindo a vila a constituir-se em sede de concelho desde essa data até 1836 (1834?), quando o mesmo foi extinto.

Da Guerra da Restauração aos nossos dias

No contexto da Guerra da Restauração da Independência Portuguesa (1640-1668), readquiriu importância estratégica, tornando-se um castelo de 1.ª Linha, vindo as suas defesas a serem modernizadas.

Ainda no século XVII a sua porta foi reconstruída.

Nas “Memórias Paroquiais” (1758), Frei António Nunes de Mendonça, acerca da vila e das suas defesas, registou:

"1 - Fica esta Villa na Província do Alentejo, hé Bispado de Portalegre, Comarca do mesmo, tem termo, freguesia própria.

(...)

4 - A sua situação está em hum outero, não munto alto e o ingresso para ela e exito nao hé custoso; della se discobrem para as partes do Alentejo a Villa de Marvão, que dista cinco légoas; = a villa de Castello de Vide, que dista quatro légoas; = a villa de Nisa, que dista duas léguas: = e a Villa de Povoa e Meadas, que dista outras duas; = Para as partes da Beira se avista a Villa de Castello Branco, que dista cinco légoas; = a Villa Velha de Rodão, que dista duas léguas = ao Lugar das Sarnadas termo daquella Villa, que dista três légoas e para as partes de Castella não se avista povoação alguma.

(...)

25 - Hé praca de Armas. naõ capital, mas hé regular; está murada em redondo, cujas muralhas estaõ demolidas em muitas partes; tem castello muito bom, espaçoso, o pé do castello tem vinte e tantos palmos de altura; e está feito a escarpia, de sorte, que se lhe quiserem arrimar escadas para o conquistar. naõ assentam nem asseguram; e continuando sobre o mesmo castello todo ele hé murado, em redondo; e passa de trinta palmos de altura. Hé fechado com portas, tem duas peças de artelharia de ferro de calibre onze; outra de calibre sete; tem mais três rogueiros de ferro, que servem para as bocas das suas ruas, quando há invasaõ de inimigos. = Tem Armazém Corpo da Guarda, e Cisterna, mas estaõ estas duas muito demolidas: Tem seu fosso muito bom, e o Castello está dentro de muralha próximo da Igreja Matriz desta Villa; e fica em hum alto monte donde se avistam muitas terras principalmente as já nomeadas; (…)."

27 - Naõ tem esta Villa no seu termo Serra alguma, nem nella nascem rios alguns; excepto dois, que correm pello termo, que divide este Reyno do de Castella; hum hé o Rio chamado Sever, que nasce no termo da Villa de Marvão, (...) e vai morrer no Rio Tejo, no termo desta Villa; (…) e hé este rio porto, e entrada para o Reyno de Castella: (...) O segundo e rio notável que corre pelo termo desta Villa hé o Tejo (...) Vem de Nascente a Poente, no termo desta Villa; e divide em algumas partes este Reyno do de Castella, e no termo desta Villa; divide esta província da da Beira (...).
" (Op. cit.)

E acerca dos danos causados pelo terramoto de 1 de novembro de 1755:

"(...) naõ padeceu ruína alguma pelo Terramoto; excepto um cunhal de huma torre, que dá vista a Castello de Vide, Marvão, Nisa e Póvoa e Meadas; mas esta ruína foi de huma tempestade que houve há anos, e ainda se naõ acha reedificada; e hé esta terra a última da Província, pelo que respeita a estrada, que vai para Castello Branco; e parte do Reyno no que diz para Ferreira Reyno de Castella, hum quarto de légoa. Tem governador pago = Capitaõ Mayor = Sargento Mayor das Ordenações, tem duas companhias das ordenanças com seus capitões, Alferes, e Ajudante; a Companhia do Cappitaõ António Váz Affonso tem cento e dez praças; e a do Cappitaõ Gregório Dias Artur tem entre sargentos, cabos e soldados noventa e seis pracas; e naõ há mais que dizer a este respeito." (Op. cit.)

No contexto da Guerra das Laranjas (1801), tendo praças de maiores dimensões, melhor guarnecidas e artilhadas sido abandonadas sem resistência ao invasor, como por exemplo Portalegre, Marvão e Castelo de Vide, Montalvão resistiu com sucesso a uma tentativa de assalto das forças espanholas (3 de junho):

"Al amanezer se presentò delante del Castillo de Montalvanhà el Comandante Orell con las Tropas de su mando y dos piezas de Artilleria qua havia llevado à Castel de Vide; su intimación no fue inesperada ni feliz como la anterior; el Comandante o Gabernador de aquella fortaleza, animado por su bentajosa situación, y sobre todo por su proprio honor, respondiò con entereza, haziendo después por espacio de 14 horas un vivo fuego de canon sobre el sitiador que tuvo la audacia de escopetear los parapetos de la Plaza viendose finalmente obrigado a retirarse no obstante los refuerzos que havia recebido." (Excerto do “Diario de Operaciones contra Portugal - año de 1801 - División de Vanguarda”, redigido por Luís Rancaño, in VENTURA, António, O Combate de Arronches - Um episódio da "Guerra das Laranjas", Odivelas, Edição da Câmara Municipal de Arronches, s.d., p. 114.)

Perdida a sua função estratégica, o castelo entrou “em ruina" como apontado por Pinho Leal em 1875 (vol. V, p. 453), vindo a ter outras utilizações. Como exemplo, a lei de 21 de setembro de 1835 proibiu os enterramentos nas igrejas e obrigou à construção de cemitérios municipais o que, em Montalvão, ocorreu no recinto do antigo castelo, função que conservou até 1951. O recinto do castelo serviu ainda como parque infantil, como abrigo para gado e, na década de 1960 foi erguida, junto à antiga porta de armas, um grande depósito para abastecimento de água potável, o que descaracterizou o conjunto.

A Direcção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais (DGEMN) procedeu a trabalhos de conservação da fortificação, com a colocação de mobiliário urbano no exterior, a construção de um percurso de ronda e um centro de acolhimento (2004).

Encontra-se classificado como Monumento de Interesse Público pela Portaria n.º 643/2012, publicada no Diário da República, 2.ª Série, n.º 212, de 2 de novembro. O mesmo diploma define a sua ZEP.

Características

Exemplar de arquitetura militar, medieval, de enquadramento periurbano, isolado, no extremo leste da povoação, no topo de um outeiro, junto à Igreja de Montalvão.

Apresenta planta ovalada com duas torres, e cisterna aberta na praça de armas. Alguns panos de muralha, nas quais predomina o xisto, apresentam fiadas de aparelho em espinha. No interior encontra-se arca sepulcral de pedra, retangular, com uma das faces lavrada com elementos vegetalistas e a Cruz de Cristo ao centro.

No início do século XVI, Duarte de Armas desenhou-o como tendo apenas uma muralha, sem qualquer torre anexa, fazendo-se o acesso ao espaço intramuros por porta única. Essa entrada foi reconstruída um século depois, por certamente apresentar grande ruína, adquirindo então a feição classicizante, de lintel reto entre pilastras que suportam uma arquitrave, que ainda hoje ostenta, e que contrasta com o aparelho miúdo e irregular com que a cerca que define o castelo foi executada.

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  • Portugal


  • Conserved Ruins

  • National Protection
    Encontra-se classificado como Monumento de Interesse Público pela Portaria n.º 643/2012, publicada no Diário da República, 2.ª Série, n.º 212, de 2 de novembro. O mesmo diploma define a sua ZEP.





  • Tourist-cultural Center

  • ,00 m2

  • Continent : Europe
    Country : Portugal
    State/Province: Portalegre
    City: Nisa



  • Lat: 39 -36' 16''N | Lon: 7 31' 35''W




  • 1758: três peças antecarga de ferro (duas do calibre onze, e uma do calibre sete); e três roqueiros, de ferro.






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