Castle of Penamacor

Penamacor, Castelo Branco - Portugal

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O “Castelo de Penamacor”, também referido como “Fortaleza de Penamacor”, localiza-se na freguesia e concelho de Penamacor, distrito de Castelo Branco, em Portugal.

De origem templária, na linde beirã, ergue-se num cabeço rochoso entre as ribeiras de Ceife e das Taliscas, afluentes do rio Ponsul, que, por sua vez, desagua no rio Tejo. Do alto de seus muros vislumbra-se toda a fronteira, a serra da Estrela e o Castelo do Monsanto.

História

Antecedentes

Acredita-se que a primitiva ocupação humana de seu sítio remonte a um castro pré-histórico, possivelmente romanizado, a crer pelos testemunhos deste período, abundantes na região. Recentes pesquisas arqueológicas no Cimo da Vila (2003) não confirmaram uma ocupação anterior ao século XIII.

Alguns estudiosos pretendem ser esta localidade a terra natal de Vamba, último grande rei dos Visigodos, que governou a península entre 672 e 682.

O castelo medieval

À época da Reconquista cristã da região, os domínios de Penamacor foram conquistados por Sancho I de Portugal (1185-1211), que os doou à Ordem do Templo, na pessoa de seu Mestre no país, D. Gualdim Pais (1189). Datará possivelmente dessa época a edificação do castelo. Uma década mais tarde o soberano outorgou carta de foral (1199) à vila, seguindo o modelo de Ávila / Évora, diploma que confirmou em 1209.

Diante do progresso do povoamento, Afonso III de Portugal (1248-1279) aqui instituiu uma feira anual (1262). No reinado de seu filho e sucessor, Dinis I de Portugal (1279-1325), teve lugar nova campanha construtiva, com o acréscimo de uma segunda cintura de muralhas no castelo, construção da torre de menagem e da cerca da vila (c. 1300). Diante da extinção da Ordem do Templo no país, os seus bens transitaram para a recém-criada Ordem de Cristo.

Sob o reinado de Fernando I de Portugal (1367-1383) aqui foi instituído um couto de homiziados (1379) e iniciada uma barbacã para complemento da defesa do castelo, obra concluída sob João I de Portugal (1385-1433). Durante a crise de sucessão 1383-1385, a vila e seu castelo tomaram o partido pelo Mestre de Avis.

Afonso V de Portugal (1438-1481) criou o condado de Penamacor em favor de D. Lopo de Albuquerque, por carta datada de 24 de agosto de 1476.

No reinado de Manuel I de Portugal (1495-1521), a “Inquirição” de 1496 refere a existência de 389 habitantes na vila. Por determinação do soberano, no início do século XVI, têm lugar obras de remodelação na torre de menagem (incorretamente denominada como “torre de vigia”), a cargo do mestre de pedraria local, João de Ortega, e a construção de dois cubelos circulares. Neste período, a vila e as suas defesas encontram-se figuradas por Duarte de Armas no “Livro das Fortalezas” (c. 1509), em duas vistas e uma planta. O conjunto do castelo, da cerca urbana e da barbacã, é dominado pela torre de menagem, acerca da qual o autor informa, em nota: “a torre de menagem nom era acabada ao tempo que eu aly estaua”.

O “Numeramento” de 1527 refere a existência de 864 habitantes.

Posteriormente sobre a Porta de acesso á vila, teve lugar a edificação da Casa da Câmara, a qual possuía duas salas, uma para as Sessões e outra para o escrivão (1568). Em 1600 ardeu parte do cartório da Câmara.

Da Guerra da Restauração aos nossos dias

No contexto da Guerra da Restauração da independência portuguesa (1640-1668), Penamacor readquiriu importância estratégica sobre a fronteira. Por essa razão, o Conselho de Guerra de João IV de Portugal (1640-1656) determinou a modernização e reforço das suas defesas, visando a sua adaptação aos avanços da artilharia. O empreendimento, a cargo do conde de Castelo Melhor, resultou no reforço dos muros da vila com a construção de seis baluartes complementados por mais três meio-baluartes.

No século XVIII procedem-se alteração dos vãos na Casa da Câmara. Em 1712 o Padre Carvalho da Costa refere que o senado tinha voto em Cortes, com assento no 11.º banco. Com relação à defesa, em 1719 têm lugar obras de reparação no castelo, sob a direção do engenheiro militar Manuel Pinto de Vilalobos.

Duas décadas mais tarde, uma faísca fez saltar a torre de menagem, então utilizada como paiol de pólvora, destruindo-a assim como diversas edificações vizinhas (1739). No ano seguinte (1740) há notícia de um regimento de infantaria aquartelado na fortificação.

Nas “Memórias Paroquiais” (1758), o vigário Ascênsio de Carvalho informa que Penamacor era uma povoação pertencente ao rei, tendo o castelo uma torre a sul, o poço del-Rei a leste, a Câmara e a Cadeia, ambas com acesso pelo muro exterior da Torre do Relógio. O religioso prossegue informando que a muralha era singela e de pedra comum, com duas portas, a dos Carros a leste e a de Santo António, a oeste, tendo seis baluartes, “(…) ficando o primeiro, a que chamam o Reduto, junto às ditas Portas de Carros e para nordeste, tendo este quatro peças três de bronze e uma de ferro; e para norte está outro a que chamam o Arcaz que tem cinco peças quatro de ferro e uma de bronze; e para o mesmo norte está outro, a que chamam a Polé, que tem cinco peças - uma de bronze e quatro de ferro; e para o poente e junto às Portas de Santo António, está outro a que chamam o Monturo dos Negros, o qual tem duas peças de bronze; e no último, para o mesmo sul, está somente uma peça de ferro. E por todas a circunferência se acham os muros em várias partes demolidos". (Op. cit.)

Por outro lado, nas “Memórias” assinadas pelo prior da freguesia de Santa Maria, Manuel da Gama Reixa, é referido que os muros se encontravam arruinados em duas zonas, no lado direito da Porta, o que fora provocado por um temporal, e junto à torre, devido à violência do fogo, aquando de uma explosão no castelo. A mesma fonte refere ainda que havia uma praça triangular e que, no arco da Porta, existia um nicho com uma pintura da Senhora do Pé da Cruz. A torre tinha "de largura, de quadra a quadra, vinte palmos (...) e de altura sessenta" e com relação à ruína da torre, informa que a violência do fogo "não só abriu grandes fendas na torre, mas a fez recuar para a parte contrária, fora do seu alicerce, quase dois palmos, ficando sempre em pé direita (...)". Esta tinha remate em cornija, assente em cachorros de cantaria. "Dentro dos muros (...) está um poço, chamado d'El-Rei, que tem de largo, pela parte exterior do seu bocal que é de bem lavrada cantaria, sessenta e oito palmos de largura interior, e de fundo noventa e dois; é orbicular; abaixo do bocal até ao meio é de alvenaria, e dali até ao fundo rasgado em penha; tem dois nascentes, um de água doce e outro de salobra. Sobre a Porta da Vila, faceando com o muro pela parte interior, está a Casa da Câmara, de boa cantaria lavrada (...) e a cadeia está imediata. Indo mais adiante quarenta passos naturais, para a parte do sudoeste, está a Torre do Relógio, faceando por dentro com o mesmo muro; tem de alta cinquenta e oito palmos, e de largura pela parte exterior, de esquina a esquina, cinquenta e quatro (...)". (Op. cit.)

Ainda em 1758 foi referido que a Câmara tinha assento em Cortes, no 14.º banco. Posteriormente, em 1762 há notícia de estragos no castelo.

No século XIX o castelo tinha apenas cinco baluartes. A porta principal rasgava-se no sítio onde se implanta a Câmara Municipal, a denominada Porta de Santo António, prosseguindo as muralhas pela avenida, onde se rasgava a Porta do Monturo dos Negros, e pelo local do quartel, indo ter à Torre de Menagem, atual Torre do Relógio, de onde uma cortina de muralhas se estendia até aos antigos Paços do Concelho e ao Poço de El-Rei, situado a poucos metros da Torre de Vigia. As muralhas prosseguiam pela Igreja de São João, perto da qual se situava a Porta dos Carros, e pelo Posto da Guarda Fiscal, passando pela Cavaleira, com vestígios de um reduto. Subia, então, pela Rua do Outeiro até à Porta de Santo António, constituindo a muralha do arrabalde;

Ao final da Guerra Civil Portuguesa (1828-1834) a guarnição militar de Penamacor foi retirada (1834), registando-se a progressiva destruição das muralhas da vila, com o reaproveitamento da pedra em diversas obras civis pelos habitantes da região. O estado do conjunto à época pode ser observado pelo levantamento da planta das antigas fortificações da vila de Penamacor e seus principais edifícios de autoria do capitão-engenheiro Joaquim António Dias (1853).

Nesse período destacou-se a demolição da Porta de Santo António, com a aquisição da sua pedra pelo município, pelo montante de 60$000 reis (1867). Nesse mesmo ano foi feito o novo relógio municipal por Cesário Correia da Silva, por 100$000 reis. O sino foi feito por 115$325 reis, por José António Linhares, de Ourondo, sendo-lhe dado o sino velho. Pouco depois, em 30 de Setembro de 1874, Baltasar Pereira da Silva pediu licença para retirar pedra de um baluarte, tendo a Câmara lhe concedido 30 carros de bois do material. Mais tarde, a 17 de julho de 1886, a pedra da Porta do Monturo dos Negros, junto ao Jardim da República, foi arrematada, sendo utilizada na construção da avenida e dos passeios da vila.

Data do início do século XX a descrição dos baluartes do castelo pelo tenente-coronel Júlio Rodrigues da Silva, que referiu: “(…) o primeiro chamado de Reduto, junto à porta dos carros, para NE., com quatro peças (3 de bronze e uma de ferro); para Norte outro a que se chama Areez, 5 peças (4 de ferro e 1 de bronze), para N. ainda outro a que chamam Lolé, com 5 peças (1 de bronze e 4 de ferro), para poente, junto à porta de Santo António outro designado Monturo dos Negros (2 peças de bronze) e para Sul o de Lisuto (1 peça de bronze). No último, só há uma peça de ferro".

Uma informação datada de 1933 dá conta de que a cisterna (Poço d'El Rey) estava entulhada pela municipalidade, subsistindo cinco portas das antigas defesas.

Uma década mais tarde, em 1943, teve lugar a instalação do Museu Municipal nas dependências dos antigos Paços do Concelho ("Domus Municipalis"), por iniciativa de Mário Pires Bento, secretário da Câmara. Em 1947 intervencionou-se o interior do edifício para adaptá-lo às funções museológicas.

A Direcção-Geral de Edifícios e Monumentos Nacionais (DGEMN) em 1948 procedeu obras de reparação na Torre de Vigia (Menagem?), que tiveram prosseguimento em 1950-1951. Nova intervenção na estrutura teve lugar em 1986-1987.

Em setembro de 2003 foram empreendidos trabalhos de prospecção arqueológica no perímetro do castelo, por iniciativa da Câmara Municipal, a cargo da ARQUEONOVA, dirigidos pelos arqueólogos Silvina Silvério e André Teixeira, tendo sido identificado vário espólio cerâmico, de ferro e moedas. Uma nova campanha teve lugar, de julho a setembro de 2006, pela mesma equipa, com a descoberta de vários esqueletos pertencentes a soldados, e de uma taça do século XV. Foi descoberta ainda uma porta falsa.

O conjunto do “Castelo e Cerca Urbana” de Penamacor encontram-se classificados como Monumento Nacional pelo Decreto n.º 14/2013, publicado no Diário da República, 1.ª Série, n.º 119, de 24 de junho.

Do conjunto medieval subsistem a "Domus Municipalis" (requalificada como Posto de Turismo) e a Torre de Menagem (indevidamente denominada como Torre de Vigia), numa das extremidades, onde se rasga uma porta de entrada para a antiga vila. Rodeando as escarpas do castelo medieval, notam-se ainda trechos das cortinas dos antigos baluartes seiscentistas.

Características

Exemplar de arquitetura militar, medieval e manuelino, com baluartes seiscentistas, de enquadramento urbano, implantado num cabeço na cota de 573 metros acima do nível do mar.

A cerca urbana apresenta traçado ovalado irregular, da qual apenas subsistem alguns panos de muralha: um troço desprovido de merlões entre a Casa da Câmara e a Torre de Menagem, e o arranque da muralha no lado sul. A totalidade do perímetro é identificável na malha urbana.

A Torre do Relógio encontra-se adossada pelo exterior ao troço remanescente da cerca urbana. De planta quadrangular tem embasamento biselado, dois registos cegos, e porta em arco quebrado parcialmente entaipada no primeiro registo do alçado oeste, sendo encimado por baixo-relevo representando um cavaleiro. É rasgada por janela de lintel reto junto à qual existem duas gárgulas de canhão. Tem adarve rematado por merlões pentagonais, integrando, no ângulo nordeste, campanário de planta quadrada com quatro aberturas sineiras em arco pleno e cobertura piramidal, com relógio no lado norte.

A Torre de Menagem (incorretamente denominada como “Torre de Vigia”), de planta quadrada regular, apresenta três registos. Na fachada leste, sobre o embasamento biselado, sucedem-se o primeiro e terceiro registos cegos, sendo o segundo rasgado por porta de lintel curvo (o que requeria o uso de uma escada amovível), encimada por inscrição ilegível. Fachada norte, com embasamento escalonado e biselado de grande altura, ostenta as armas reais, ladeadas por esferas armilares e enquadradas em moldura retilínea a nível superior. A fachada oeste possui embasamento semelhante ao anterior, apresentando seteira ao nível do segundo registo e janela de lintel reto sem moldura no terceiro. A fachada sul apresenta embasamento escalonado e biselado, parcialmente adossado a afloramentos rochosos que se integram na construção, tendo adarve rematado com cachorrada composta por mísulas de recorte tripartido.

A Casa da Câmara ("Domus Municipalis"), está integrada na cerca urbana, erguendo-se sobre a Porta da Vila junto ao pelourinho. Apresenta planta retangular, evoluindo em dois andares, com remates em cornija e beiral, onde assenta a cobertura de quatro águas. A fachada norte é marcada por porta da muralha, em arco quebrado, tendo, superiormente, duas janelas em arco abatido com concheado a decorar a pedra de fecho e friso saliente. Ostenta as armas de Penamacor, esferas armilares e escudo português com a data "1568". A fachada posterior é rasgada por porta da muralha com duplo arco pleno, tendo lanço de escadas de acesso ao piso superior, este marcado por porta e janela de lintel reto, ladeadas pelas armas concelhias, tendo, ainda, janela idêntica à oposta. O seu interior é dividido em dois pisos, definidos a partir da porta situada acima do nível do solo, com duas dependências, com pavimentos em madeira, colocada sobre o primitivo em cantaria, e janelas com conversadeiras.

Os baluartes setecentistas subsistentes estão isolados e dispersos, integrando canhoneiras. O contíguo à Casa da Câmara, apresenta cortinas escarpadas, integrando duas canhoneiras (lado norte). Parcialmente integrado num afloramento rochoso, junto ao lado sul do antigo Convento de Santo António, desponta outro baluarte. Um outro baluarte, conhecido como Reduto da Cavalaria, situa-se no local do Quartel da Guarda Fiscal (lado norte). O baluarte conhecido como Reduto do Outeiro situa-se junto da rua do Outeiro (lado oeste).

O mito de D. Sebastião

Corria o ano de 1584, estando ainda vivas na memória da população portuguesa as feridas de Alcácer Quibir, a população de Penamacor acreditou na legitimidade de um impostor que se fez passar pelo infortunado Sebastião I de Portugal (1568-1578). Mesmo sem correspondência da idade e nem das características físicas do soberano, o impostor – o primeiro de diversos no mito do Sebastianismo - fazendo-se passar pelo soberano misteriosamente regressado, chegou à vila narrando vívidos detalhes da batalha, complementados por uma algaravia, interpretada pela simplicidade e credulidade dos habitantes, como frases no idioma árabe. O impostor foi, desse modo, acolhido pela população, e formou uma pequena corte onde pontificavam dois cúmplices: um autoproclamado “bispo de Braga” e outro, que se denominava como D. Francisco de Távora. Acolhiam as dádivas da comunidade quando as autoridades do reino intervieram, detendo o impostor e seus cúmplices. Conduzidos a ferros a Lisboa, foram julgados e sentenciados, o primeiro, às galés, perpetuamente (das quais se evadiu anos mais tarde), e os cúmplices, à morte.

  • Castle of Penamacor

  • Fortaleza de Penamacor

  • Fortifications Group

  • Between 1189 and 1211 (AC)



  • Sancho I of Portugal

  • Portugal


  • Featureless and Well Conserved

  • National Protection
    O conjunto do “Castelo e Cerca Urbana” de Penamacor encontram-se classificados como Monumento Nacional pelo Decreto n.º 14/2013, publicado no Diário da República, 1.ª Série, n.º 119, de 24 de junho.





  • Tourist-cultural Center

  • ,00 m2

  • Continent : Europe
    Country : Portugal
    State/Province: Castelo Branco
    City: Penamacor

    Largo de Santa Maria
    6090-516 Penamacor, Portugal


  • Lat: 40 -11' 59''N | Lon: 7 9' 57''W







  • Castelo Templário



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