Castle of Penacova

Penacova, Coimbra - Portugal

O “Castelo de Penacova” localizava-se na vila, freguesia e concelho de Penacova, distrito de Coimbra, em Portugal.

História

Antecedentes

As origens de Penacova perdem-se no tempo, no entanto a raiz pré-romana do seu topónimo – “pen” -, aponta para a época da cultura castreja. Por outro lado, a lápide encontrada na sacristia da Igreja Matriz, datada do século I, testemunha a Romanização e a ascendência céltica dos seus habitantes.

O lugar de "Penna Cova" tem origem anterior à fundação da nacionalidade, desconhecendo-se a data da sua fundação. Existem dúvidas se será fruto da reconquista de Afonso III das Astúrias (866-910), que em 878 conquistou Coimbra, ou se terá origem na primitiva "Vila Cova", atual Granja do Rio.

A referência documental mais antiga à primitiva ocupação da área remonta ao ano de 911, data em que se reconheceu “Idris” como legítimo senhor de Vila Cova, obtida por “presúria” e que, após a sua morte, legou o seu domínio doou ao Mosteiro de Lorvão.

O castelo medieval

Coimbra foi reconquistada pelas forças de Fernando I de Leão (1037-1065) a seguir à conquista de Viseu (1064), vindo a constituir-se em sede do Condado Conimbricense, cujo governo foi entregue ao conde Sesnando Davides. Datará deste período, entre 1065 e 1091, a possível construção do Castelo de Penacova, por iniciativa de D. Sesnando.

Acerca da povoação e sua defesa, SECO (1853) referiu:

Eis ahi uma das povoações mais antigas de Portugal, senão que a península; dil-o o seu proprio nome, derivado do ‘Pen’ cantabrico, que soa como ‘rapes’ ou ‘mons praeruptus’ no latim; ‘pena’ no hespanhol e no portuguez como ‘penha’ ou ‘monte escarpado’; pois que n’estes taes edificavam os primeiros habitadores de Hespanha suas povoações acastelladas. A três grandes léguas ao NE de Coimbra; sobre uma montanha, cujos pés lava o Mondego, está situada esta nobre, se bem decrépita villa, patenteando nas ruínas de seus edifícios, que a sua edade áurea já a encobrem os séculos, que volveram.

O título de ‘vila’ é nélla muito antigo. Afirma-se que teve castello, e até ainda se pretendem descriminar os seus fragmentos no escarpado monte, que lhe fica ao sul (onde hoje vemos a Igreja), que se precepita por forma sobre o rio Mondego, que quasi parece impossível o pecorrer-se o seu declive; e não obstante isso acha-se povoado de formosas oliveiras.

No século X, identificava-se certamente, com Vila Cova referida em documentos do Mosteiro de Louvão, a propósito de um litígio ocorrido entre os frades e os habitantes do Casteli, sobre a demarcação de limites territoriais, resolvido em 936.

Já no século XVIII, Fr. Manuel da Rocha esclarecia que duas Vilas Covas junto ao Mondego, dos documentos do sec. X, uma era Penacova, outra lhe ficava na parte meridional. Dr. Rui de Azevedo renovou o estudo dos documentos. Continuam todavia difíceis de identificar outros lugares adjacentes.

No ano de 936 foi feita uma demarcação entre as duas Vilas Covas e Alquinitia.

Fundou-se no fim deste sec. X, um pequeno mosteiro, de vida efémera, numa daquelas Vilas.

Sob o novo domínio muçulmano, em 1036, Natalia e a filha Palmela doaram ao mosteiro de Vacariça uma casa que se encontrava no meio do castelo de Penacova, para ai ser construída uma igreja em hora dos santos Apóstolos Pedro, Paulo e Tomé.

Na segunda reconquista, no tempo do Conde D. Henrique e de D. Teresa, ano de 1105, fez-se nova demarcação entre os homens do castelo de Penacova e o mosteiro laurbanense. No ano de 1097 o presbítero Pedro tinha aqui comprado uma casa para albergaria dos pobres, enfermos e peregrinos.
” (Op. cit.)

Tendo a posse da região oscilado entre cristãos e muçulmanos, Penacova foi repovoada por Sancho I de Portugal (1185-1211) que lhe outorgou foral (1193, 1192 cf. PINHO LEAL). Neste diploma permitiu-se que cavaleiros e peões fizessem cubas e casa dentro do castelo. O seu filho e sucessor, Afonso II de Portugal (1211-1223), confirmou-lhe o foral (Coimbra, 6 de novembro de 1217 [1219?]).

Com o progresso da Reconquista para sul, a antiga fortificação perdeu a sua importância estratégica, eventualmente vindo a desaparecer.

Manuel I de Portugal (1495-1521), a seu turno, outorgou o “Foral Novo” à vila (Lisboa, 31 de dezembro de 1513). Penacova integrou o dote da infanta D. Maria, filha de Afonso IV de Portugal (1325-1357), quando de seu casamento com Afonso XI de Leão e Castela. A infanta, a seu turno, doou o senhorio da vila a um dos elementos da sua corte, Nuno Fernando de Cordovelos. Pela descendência deste fidalgo, viriam a ser senhores de Penacova os contes de Odemira e, posteriormente, os duques de Cadaval.

A vila foi elevada à categoria de concelho em 1605 por Filipe III de Espanha (1598-1621), pertencendo à correição de Coimbra.

PINHO LEAL (1873-1890) segue SECO (1853) ao referir que Penacova teve "(…) remotíssimo castelo no monte sul", onde depois se construiu a Igreja Matriz.

A primitiva igreja paroquial de Penacova foi a Capela de Nossa Senhora da Guia, até ser substituída pela nova Igreja Matriz, no século XVI, uma vez que a antiga era de pequenas dimensões e se encontrava em local de difícil acesso. Não há maiores referências acerca da conexão entre esta capela ou mesmo a Igreja do século XVI e o antigo castelo medieval, recordado apenas no brasão de armas da vila.

O castelo, referido pelos documentos medievais, não chegou até aos nossos dias.

Bibliografia

SECO, Antonio Luiz de Sousa Henrique. Memoria historico-chorographica dos diversos concelhos do districto administrativo de Coimbra. Coimbra: Imp. da Universidade, 1853. 143p.

  • Castle of Penacova


  • Castle





  • Portugal


  • Missing

  • Monument with no legal protection





  • Disappeared

  • ,00 m2

  • Continent : Europe
    Country : Portugal
    State/Province: Coimbra
    City: Penacova



  • Lat: 40 -17' 48''N | Lon: 8 16' 40''W










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