Tower of Dornes

Ferreira do Zêzere, Santarém - Portugal

A “Torre de Dornes”, também referida como “Torre Templária de Dornes”, localiza-se na freguesia de Nossa Senhora do Pranto, concelho de Ferreira do Zêzere, distrito de Santarém, em Portugal.

Situa-se em posição dominante sobre um esporão rochoso, sobre a atual albufeira da Barragem de Castelo de Bode, no rio Zêzere, afluente da margem direita do rio Tejo.

História

Antecedentes

A primitiva ocupação humana do local remontará ao período dos lusitanos, que aqui terão tido uma povoação. À época da Romanização aqui terá sido erguida uma torre, que a tradição atribui à iniciativa de Sertório, general romano, em 74 a.C.. A antiga torre romana teria como função garantir a segurança da exploração do ouro que aquele povo fazia no rio Zêzere.

Outros autores atribuem a primitiva construção da torre aos muçulmanos, em algum momento entre os séculos VIII e XII.

A torre medieval

À época da Reconquista cristã da região, a povoação e seus domínios foram doados à Ordem do Templo por Afonso I de Portugal (1143-1185).

Para sua defesa, o 4.º Grão-Mestre da Ordem em Portugal, D. Gualdim Pais (1157-1195), fez erguer uma atalaia, parte integrante da chamada "Linha do Tejo", que incluía Tomar (sede da Ordem), Almourol, Monsanto, Idanha e Pombal.

Ainda no século XIII há referências à Comenda Templária de Dornes.

Mais tarde, no século XV, Dornes, enquanto Comenda-mor da Ordem de Cristo teve por Comendador D. Gonçalo de Sousa, personagem muito influente, da Casa do Infante D. Henrique, e que aqui mandou construir, em 1453, a atual Igreja de Nossa Senhora do Pranto, como o testemunha a lápide gótica à entrada do templo. Este local de culto deu à povoação, parte da importância que esteve na origem, em 1513, da atribuição do Foral Manuelino.

Em 1536 a antiga torre encontra-se já a servir como sineira, adossada à igreja.

Encontra-se classificada como Imóvel de Interesse Público pelo Decreto n.º 32.973, publicado no Diário do Governo, I Série n.º 175, de 18 de agosto de 1943.

A Direcção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais (DGEMN) procedeu ao escoramento da armação e escada em madeira do interior da torre, à consolidação das paredes de alvenaria e à reparação da cobertura (1961) e à instalação elétrica (1968).

Características

Exemplar de arquitetura militar, românico, de enquadramento rural, junto à albufeira e à Igreja de Dornes

Apresenta rara planta pentagonal, de eixo vertical, em aparelho de xisto, com cobertura em telhado e cúpula rematada por corpo cilíndrico, tendo, na face norte adossado o corpo da escada de acesso. Está alicerçada na rocha e sobre estereóbata de dois degraus, com fachadas em alvenaria insonsa, parcialmente preenchida com argamassa no enchimento dos muros, flanqueadas por cunhais de cantaria. A fachada norte é rasgada por porta de verga reta e impostas em contracurva, tendo, no intradorso da verga, em pedra de calcário, possível aproveitamento de uma estela funerária visigótica, dois escudos, uma lança e um dardo. O interior apresenta coberturas em abobadilhas de tijolo em cúpula assente sobre trompas, apresentando no fecho uma inscrição romana quase ilegível.

No interior da torre há diversas estelas funerárias templárias, intactas. Os cunhais em pedra de calcário apresentam as marcas dos canteiros medievais.

A lenda de Dornes

Na Igreja Matriz de Dornes destaca-se uma antiga imagem de Nossa Senhora do Pranto, uma "pietà" do século XVII. Esta imagem, muito venerada, sucedeu uma idêntica, do século XIII, sobre a qual se conta a seguinte lenda:

Guilherme de Pavia, feitor da Rainha Santa Isabel, perseguia um veado na Serra Vermelha quando ouviu um doloroso choro. Mas por mais que procurasse não conseguia encontrar de onde vinham tais gemidos. Resolveu então ir contar a novidade à Rainha Santa. Para seu espanto, esta não só sabia o motivo da viagem, como o local exato onde procurar “(…) e lhe disse que buscasse no lugar onde ouvia os gemidos e que ahi acharia huma imagem de Virgem Maria Nossa Senhora com outra de seu Santíssimo Filho morto em seus braços, o que elle fez, e entre huns matos, que estavão na áspera Serra da Vermelha… achara escondida a admirável e milagrosa imagem (…)”.

Veio depois a Rainha admirar o achado e mandou erguer uma capela para recebê-lo. À terra chamou Vila das Dores, atual Dornes.

Da outra margem do rio Cernache o povo contestou e revoltou-se porque reclamavam para si a imagem que tinha sido encontrada na Serra Vermelha, pertencente àquela localidade e termo da Sertã, e não a Dornes. Por diversas vezes a quiseram levar e outras tantas vezes a imagem da Senhora, com o seu Filho nos braços, desapareceu misteriosamente e voltou a aparecer em Dornes, no seu lugar, no altar da ermida.



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Contribution

Updated at 11/04/2016 by the tutor Carlos Luís M. C. da Cruz.

With the contribution of contents by: Ion Cibotari.


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  • Torre Templária de Dornes

  • Fortified Tower



  • Gualdim Pais

  • Afonso I de Portugal

  • Portugal


  • Restored and Well Conserved

  • National Protection
    Encontra-se classificada como Imóvel de Interesse Público pelo Decreto n.º 32.973, publicado no Diário do Governo, I Série n.º 175, de 18 de agosto de 1943.





  • Tourist-cultural Center

  • ,00 m2

  • Continent : Europe
    Country : Portugal
    State/Province: Santarém
    City: Ferreira do Zêzere



  • Lat: 39 -47' 43''N | Lon: 8 16' 11''W







  • Castelo Templário



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