Castle of Veiros

Estremoz, Évora - Portugal

O “Castelo de Veiros” localiza-se na freguesia de Veiros, concelho de Estremoz, distrito de Évora, em Portugal.

Em posição dominante sobre uma colina escarpada, integrava a linha defensiva composta pelos castelos de Monforte, Campo Maior e Ouguela.

História

O castelo medieval

De acordo com ESPANCA (1975), em 1217 cavaleiros da Ordem de Avis sob o comando de D. Fernão Anes (ou Eanes), conquistaram "Valerius", topónimo romano pelo qual Veiros era conhecida durante a Idade Média, no topo de uma colina escarpada onde existiam vestígios de uma estrutura fortificada da época proto-histórica. (Op. cit., p. 250)

Anteriormente, AZEVEDO (1937) considerara que apenas em 1258 é que Veiros foi fundada e povoada pela Ordem de Avis. (Op. cit., p. 59)

Embora não se conheça a data precisa de construção do castelo, terá sido contemporâneo dos de Alandroal e de Noudar, também erguidos pela Ordem na região.

Em 1299 o Mestre de Avis, Martim Fernandes, ocupou o cargo de Comendador de Veiros, gerindo os bens da Ordem nessa vila. (CUNHA, 1989:130)

Sob o reinado de Dinis I de Portugal (1279-1325), sendo Mestre da Ordem, D. Lourenço Afonso, a 20 de maio de 1308 foi iniciada a construção da torre de menagem, a expensas da Ordem, sendo mestre das obras Pero Abrolho conforme inscrição epigráfica.

Aqui nasceu, em 1377, D. Afonso, 8.º conde de Barcelos e 1.º duque de Bragança, filho ilegítimo de D. João, Mestre de Avis (1364-1387, futuro João I de Portugal) e de Inês Pires Esteves, filha de Pêro Esteves, conhecido como “o Barbadão”. Esta alcunha veio-lhe do fato de, ciente da relação entre a filha e o então Mestre de Avis, ter-lhe sobrevido tamanho desgosto que, em sinal de protesto, nunca mais quis ver a filha, tendo jurado (e cumprido) que nunca mais cortaria a barba. O túmulo deste patriarca encontra-se na Igreja de Nossa Senhora do Mileu, em Veiros.

Nesse período, sob o reinado de Fernando I de Portugal (1367-1383), no contexto da 3.ª Guerra Fernandina (1381-1382), a povoação e seu castelo foram atacados por forças de Castela (1381). Na ocasião, as forças combinadas dos Mestres de Alcântara e de Santiago lançaram fogo à porta da barbacã, embora não tenham conseguido tomar o castelo.

Manuel I de Portugal (1495-1521) outorgou o “Foral Novo” à vila (2 de novembro de 1510).

Sob o reinado de João III de Portugal (1521-1557), o terramoto de 1531 causou danos consideráveis ao castelo, que foi reconstruído à época.

Da Guerra da Restauração aos nossos dias

À época da Guerra da Restauração da independência portuguesa (1640-1668), a vila e seu antigo castelo sofreram ataques das forças espanholas em 1646 e em 1661. Para punir a resistência da população, D. Juan de Austria ordenou a explosão da torre de menagem do castelo (1662), causando a sua derrocada. Pouco depois, a vila e o castelo foram novamente ocupados, agora por tropas sob o comando de Luis de Benavides Carrillo, 3.º marquês de Caracena (1665), momento em que vários pontos da vila foram incendiados.

Durante esse período, sob o reinado de Afonso VI de Portugal (1656-1683) e por ordem do Conselho de Guerra, o adarve do castelo foi reforçado por sólido parapeito cego que substituiu as ameias, formando um caminho de ronda mais largo destinado ao movimento de bocas de fogo. Posteriormente, a porta leste foi obstruída pelo casario.

No contexto da Guerra Peninsular (1808-1814) em 1812 o quartel-general dos Regimentos de Infantaria n.º 4 e n.º 10 esteve estabelecido no recinto muralhado, em conjunto com um parque de artilharia e um Regimento de Highlanders.

Veiros foi sede de Concelho até 4 de novembro de 1872, quando foi extinto, passando a integrar o de Monforte. Em 26 de setembro de 1895 Veiros passou para o concelho de Estremoz.

A intervenção do poder público fez-se sentir em 1939 por obras de restauro geral sob a responsabilidade da Direcção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais (DGEMN), integrada no Plano de Restauro dos Monumentos Nacionais empreendido pelo Estado Novo no âmbito da comemoração dos centenários da Fundação e Restauração da nacionalidade (1140, 1640).

Por Ofício da Direcção-Geral de Finanças do Distrito de Évora, de 13 de março de 1956, o Castelo de Veiros entrou na posse do Asilo de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro de Veiros por testamento de D. Maria Francisca Borges Coutinho de Medeiros Sousa Dias da Câmara e Lencastre, condessa de Cuba (processo de imposto sucessório no 6.º Bairro Fiscal de Lisboa ).

O “Castelo de Veiros / Castelo e cerca urbana de Veiros” encontra-se classificado como Imóvel de Interesse Público pelo Decreto n.º 41.191, publicado no Diário do Governo, I Série, n.º 162, de 18 de julho de 1957.

Mais recentemente, de 1998 a 2000, a Câmara Municipal de Estremoz procedeu-lhe nova intervenção, visando recuperá-lo no âmbito do Plano Global de Intervenção do Centro Rural de Veiros.

A DGEMN elaborou a Carta de Risco do imóvel em julho de 2005.

O antigo castelo pertence à atual Fundação do Asilo Nossa Senhora do Perpétuo Socorro de Veiros, criada em 1947 em cumprimento de disposição testamentária da condessa de Cuba, com o objetivo de recolher, alimentar e educar raparigas da região, desde os 4 meses aos 16 anos de idade.

Características

Exemplar de arquitetura militar, gótico, de enquadramento urbano, a norte do concelho de Estremoz e a nordeste da ribeira da Ana Loura, coroando a cumeeira da colina escarpada da vila de Veiros, na cota de 300 metros acima do nível do mar, dominando vasto horizonte. Do adarve é possível avistar Elvas, Estremoz, Borba e Vila Viçosa, bem como as planuras da Estremadura castelhana.

Assemelha-se ao Castelo de Viana do Alentejo pela sua área reduzida, forma poligonal e integração da igreja da Misericórdia.

O conjunto apresenta planta no formato trapezoidal, com muralha em aparelho de alvenaria de xisto com cantaria de granito e mármore em elementos secundários. Esta muralha, com cerca de dois metros de largura, é percorrida no topo por adarve, que foi alargado e apresenta parapeito nos lados interior e exterior, substituindo o antigo remate com ameias. A escadaria de acesso ao adarve encontra-se adossada junto à porta sul, em avançado estado de degradação. Nos panos de muralha rasgavam-se originalmente quatro portas, orientadas para os pontos cardeais, das quais restam três (a sul, oeste e norte, esta em arco quebrado, de vão mais largo que as demais). A porta sul, possível Porta de Estremoz (CUNHA, 2000), apresenta vão em arco quebrado no exterior, e arco abatido no interior; a porta oeste, obstruída e próxima da cisterna, é flanqueada por dois torreões cilíndricos através de um arco de volta perfeita, no topo do qual existe uma abertura de onde os defensores largavam pedras para defesa da porta; a porta norte é composta por portal em arco quebrado com imposta saliente e, segundo António Rafael Carvalho e Isabel Fernandes, aparenta ter sido construída em época muçulmana, durante os séculos VIII ou IX. A quarta porta, a leste (Porta do Sol), situava-se no local da atual torre do relógio, uma das duas que a defendiam primitivamente. Esta torre é composta por volume inferior cilíndrico com escada externa coleante e volume superior paralelepipédico com campanário a crer-se quinhentista, de sino de correr com quatro olhais rematado por coruchéu piramidal circundado por quatro urnas. Apresenta mostrador de mármore na face oriental, com numeração romana, tendo, na parte inferior, uma face alada, feita no mesmo material. Abaixo desta figura, encontra-se uma tabela ovalada com cronograma de 1789. Possui um único sino de bronze fundido.

No ponto mais elevado do recinto intramuros, encontram-se os vestígios da antiga torre de menagem, que compõem uma linha de alicerces graníticos. Conservam-se oito torres: sete, de planta em “U” (seis enquadrando as portas norte, sul e oeste, e uma orientada a noroeste) e uma, de planta quadrangular, vigia e defende o amplo paramento norte, acessível através de um caminho militar do século XVII (CUNHA, 2000).

No recinto do castelo erguem-se a Igreja Matriz, sob a invocação de São Salvador, datando de finais do século XVI, que substituiu uma primitiva igreja do século XIII, e a Igreja da Misericórdia.

No terreiro, sobre um murete, encontra-se um bloco de pedra, outrora colocado sobre a porta de entrada da torre de menagem, que mostra duas inscrições epigráficas dionisianas a ladear uma cruz da Ordem de Avis:

Na praça de armas, encontra-se a cantaria de mármore com as, originalmente sobre o portão de entrada da torre de menagem:

1.    (CEMP n.º.517) - Inscrição identificativa do mestre de obras da torre de menagem gravada no primeiro quarto de um bloco de pedra mármore inferiormente decorado com uma arcada tripla quebrada; no canto superior esquerdo está lascada e restaurada com cimento. Dimensões: Total: 48x174x19; Campo Epigráfico: 14x40; Tipo de Letra: Capitular carolino-gótica; Leitura: PERO ABROLHO FOI MESTRE DE FA ZER ESTA TORRE. No segundo quarto em campo quadrangular uma cruz da Ordem de Avis, em relevo, superiormente acompanhada de dois frutos e à sinistra um pequeno pássaro;

2.    (CEMP n.º. 517) Inscrição comemorativa da construção da torre de menagem do castelo gravada na segunda metade de um bloco de pedra mármore que estava encaixado sobre o arco da porta da mesma; no canto inferior direito está erodida dificultando a leitura da última palavra; Dimensões: Campo Epigráfico: 35x81; Tipo de letra: Capitular carolino-gótica; Leitura: ERA Mª CCCª XXXXVIª (=1346= ano 1308) AOS XX DIAS DE MAIO COMEÇARAM ESTA TORRE E MANDOU-A FAZER DOM LOURENÇO AFONSO MESTRE DA CAVALARIA DA ORDEM D' AVIS E POS A PRIMEIRA PEDRA EM O FUNDAMENTO E NAQUELE TEMPO REINAVA EL REI DOM DINIS E A RAINHA DONA HELISABHET(=ISABEL) SIT NOMEN DOMINI BENEDICTUM ET LOVOR(?).

Bibliografia

AZEVEDO, Rui de. "Período de formação territorial: expansão pela conquista e sua consolidação pelo povoamento. As terras doadas. Agentes colonizadores". in: História da Expansão Portuguesa no Mundo. Lisboa: Ática, 1937, vol. I.

BARROCA, Mário Jorge. Epigrafia Medieval Portuguesa (862-1422). Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 2000, vol. II, pp. 1348-1352.

CUNHA, António Maria. Monografia Geral sobre a Freguesia de Veiros. Arraiolos: MONTE desenvolvimento Alentejo Central, 2000.

CUNHA, Maria Cristina. A Ordem Militar de Avis (Das Origens a 1329), Dissertação de Mestrado em História. Porto: Universidade do Porto, 1989, p.130.

ESPANCA, Túlio. Inventário Artístico de Portugal - Distrito de Évora. Lisboa: Sociedade Nacional de Belas Artes, 1975, vol. VII.



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Contribution

Updated at 27/05/2016 by the tutor Carlos Luís M. C. da Cruz.


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  • Restored and Well Conserved

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    O “Castelo de Veiros / Castelo e cerca urbana de Veiros” encontra-se classificado como Imóvel de Interesse Público pelo Decreto n.º 41.191, publicado no Diário do Governo, I Série, n.º 162, de 18 de julho de 1957.







  • ,00 m2

  • Continent : Europe
    Country : Portugal
    State/Province: Évora
    City: Estremoz

    Largo do Castelo
    Veiros, Portugal


  • Lat: 38 -58' 50''N | Lon: 7 30' 31''W



  • Solicitar a chave na Fundação do Asilo Nossa Senhora do Perpétuo Socorro de Veiros, na Travessa do Ferrompeu.





  • Castelo da Ordem de Avis



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