Castle of Beja

Beja, Beja - Portugal

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O “Castelo de Beja” localiza-se na freguesia de União das freguesias de Beja (Santiago Maior e São João Baptista), concelho e distrito de Beja, em Portugal.

Destaca-se por possuir a torre de menagem mais alta da península Ibérica e uma abóbada polinervada com uma estrela de oito pontas, num esquema ímpar a nível nacional.

História

Antecedentes

A primitiva ocupação humana de seu sítio remonta à pré-história, atribuindo-se aos celtas a fundação da povoação (400 a. C.). Esta encontra-se referida nos textos de Políbio (203 a.C. — 120 a.C.) e Ptolemeu (90 – 168). A sua fortificação data da época da Romanização: foi este o local escolhido por Júlio César para formalizar a paz com os Lusitanos (49). O primitivo “oppidum” deu lugar a uma “civitas” (“Pax Julia”), que veio a sediar uma das três jurisdições romanas da Lusitânia. Acredita-se que o circuito muralhado romano remonte a algum momento entre o século III e o século IV, de que fazia parte o Arco romano / Porta de Évora, integrado no plano geral de construção de muralhas nas províncias romanas.

No século V, a disputa aberta entre Visigodos e Suevos chegou às portas de Beja.

A partir de 714 conheceu o domínio muçulmano, inicialmente sob o Califado de Córdova e, mais tarde, sob domínio dos Abádidas do Reino Taifa de Sevilha, que lhe alteraram o nome para "Baja" ou "Beja" (existe outra cidade com este nome na Tunísia), uma alteração fonética de "Paca", uma vez que a língua árabe não tem o som "p".

O castelo medieval

À época da Reconquista cristã da região, a povoação foi inicialmente conquistada em 1159 pelas forças de Afonso I de Portugal (1143-1185), para ser abandonada quatro meses mais tarde. Foi reconquistada de surpresa, no início de dezembro de 1162, por Fernão Gonçalves e alguns cavaleiros de Santarém, que se apoderaram da região durante escassos anos.

Mais tarde, posteriormente à derrota daquele soberano no cerco de Badajoz (1169), Gonçalo Mendes da Maia, o Lidador, já nonagenário, veio a perder a vida na defesa das muralhas de Beja.

Sob o reinado de Sancho I de Portugal (1185-1211) terá retornado à posse Muçulmana quando da grande ofensiva Almóada sob o comando de Abū Yūssuf Yaʿqūb bin Yūssuf al-Manṣūr até à linha do Tejo (1190-1191), quando os cristãos conseguiram manter apenas Évora em todo o Alentejo.

Supõe-se ainda que a povoação teria retornado a mãos portuguesas apenas entre 1232 e 1234, época em que as vizinhas Moura, Serpa e Aljustrel, documentadamente, retornaram.

Afonso III de Portugal (1248-1279) deu inicio à reconstrução da fortificação em 1253, então muito arruinada, com recursos oriundos, por dez anos, de dois terços dos dízimos das igrejas de Beja. No ano seguinte (1254) outorgou carta de foral à povoação, nos mesmos termos do de Santarém.

Dinis I de Portugal (1279-1325) confirmou o foral à vila em 1291, dando continuidade às obras de reconstrução. Fez construir uma torre na muralha da vila (1307) conforme inscrição gravada no campo do escudo do brasão de Portugal Antigo, esculpido no tardoz de um silhar com decoração visigótica (Museu Regional de Beja, n.º de inventário: MRB.1.53). Em seguida, determinou a construção da torre de menagem (1310).

Os trabalhos prosseguiram no reinado de Afonso IV de Portugal (1325-1357), conforme inscrição epigráfica na Casa do Governador: “ERA MIL E CCC LXXXV ANOS [=ano de 1347] [...] S LHO [...] JOÃO DOMINGUES DE BEJA VEDOR E [...] AFONSO MENDES MANDARAM FAZER ESTA OBRA [...]”.

No contexto da Segunda Guerra Fernandina (1372-1373 Fernando I de Portugal (1367-1383) ordenou ao Mestre da Ordem de Santiago que procedesse a obras na fortificação (1372). Posteriormente, no contexto da crise de sucessão de 1383-1385 a vila e o seu castelo apoiaram o Mestre de Avis.

Sob o reinado de Afonso V de Portugal (1438-1481), a vila foi elevada a sede de ducado, tendo como 1.° duque de Beja o seu irmão, o infante D. Fernando e, posteriormente, Manuel I de Portugal (1495-1521). Sob o reinado deste último tiveram lugar grandes obras de beneficiação das defesas da vila, elevada a cidade em 1517. Datará deste reinado também a construção da abóbada polinervada do 2.º piso da torre de menagem, assim como a construção de uma segunda porta mais larga, entre o Arco Romano, que então desapareceu, e o Hospital da Misericórdia.

Da Guerra da Restauração aos nossos dias

No contexto da Guerra da Restauração da independência portuguesa (1640-1668), as defesas da cidade foram reforçadas por baluartes conforme projeto do engenheiro militar francês Nicolau de Langres, aprovado pelo engenheiro e cosmógrafo-mor do reino, Luís Serrão Pimentel, e pelo general Agostinho de Andrade Freire (1664).

No período de 1669 a 1679 as obras foram dirigidas pelos engenheiros João Coutinho, Diogo de Brito de Castanheira e Manuel Almeida Falcão, porém jamais foram concluídas.

Cerca de um século mais tarde, parte das antigas muralhas foi demolida e a sua pedra utilizada na construção da nova igreja do extinto Colégio dos Jesuítas, para sede do Paço Episcopal (1790).

No contexto da Guerra Peninsular (1808-1814), a cidade opôs viva resistência às tropas napoleónicas sob o comando do comando do general Jean-Andoche Junot, estimando-se que, à época, foram mortas cerca de 1.200 pessoas na região (1808).

Poucos anos mais tarde, a Guerra Civil Portuguesa (1828-1834) fez novas vítimas entre a população.

Em 1854 subsistiam a maior parte das obras seiscentistas. Pouco depois uma catástrofe arrasou parte do perímetro defensivo do castelo, havendo notícias da reconstrução da chamada “Porta de Moura” (1867), da demolição da “Porta Nova de Évora”, por dificultar o trânsito (1869), e da demolição da Ermida de Nossa Senhora da Guia e do arco romano da Porta de Avis (1893).

Ainda no século XIX, as dependências da antiga fortificação foram utilizadas como prisão militar.

O “Castelo de Beja, designadamente a Torre de Menagem / Castelo e cerca urbana de Beja” encontra-se classificado como Monumento Nacional por Decreto de 16 de junho de 1910, publicado no Diário do Governo, n.º 136, de 23 de junho. A ZEP encontra-se definida pela Portaria de 2 de março de 1955, publicada no Diário do Governo, II Série, n.º 71, de 25 de março (castelo e muralhas, sem restrições), abrangendo: o arco romano de Beja, a Capela de Nossa Senhora dos Prazeres, o Hospital da Misericórdia de Beja, a Igreja de Santo Amaro e o Pelourinho de Beja.

A Direcção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais (DGEMN) iniciou intervenção de conservação e restauro em 1938, com a desobstrução e consolidação das portas de Évora e a reconstrução da cobertura da alcáçova e do Arco Romano.

O conjunto encontra-se afeto à Câmara Municipal de Beja por autos de cessão de 20 de dezembro de 1939 e de 20 de dezembro de 1945.

Novas campanhas de obras de consolidação e restauro se sucederam nas décadas seguintes:

- Consolidação de troços das muralhas (1958, 1959-1962, 1969,1970-1973, 1980, 1981 e 1982) e

- Recuperação da Torre de Menagem (1965, 1969, 1981).

Nesse ínterim, destacou-se o estudo do arranjo paisagístico das muralhas pelo Arquiteto Paisagista António Viana Barreto na década de 1960.

No início do século XXI a DGEMN / DREMS abriu concurso para obras de conservação na zona do Castelo (16 de março de 2004) e, no ano seguinte a DGEMN elaborou a Carta de Risco do imóvel (setembro de 2005).

Em fevereiro de 2008 procederam-se trabalhos de prospeção arqueológica, por iniciativa da Câmara Municipal de Braga, assim como, dentro do programa de valorização, foi formulado projeto de adaptação da casa do governador a Museu Militar, posto de turismo e cafetaria.

Em 13 de novembro de 2014, parte das ameias da varanda da torre de menagem do castelo ruiu para o interior das muralhas, causando danos no varandim inferior e na porta de acesso à escadaria da torre.

Em 2016, durante obras no Parque Vista Alegre, em março foram descobertos novos vestígios arqueológicos - porta (ombreira e soleira) e muralha romanas -, encontravam-se em progresso trabalhos de recuperação das muralhas do Terreirinho das Peças, orçadas em 71.000 euros (abril) e foram concluídos os trabalhos de conservação na Torre de Menagem (maio), projeto que incluiu a desmontagem e remontagem de todas as varandas da torre e dos merlões, a substituição dos elementos fraturados, o tratamento com biocida e herbicida das superfícies exteriores da torre, a colmatação de lacunas e o preenchimento de juntas das alvenarias. Procedeu-se ainda a intervenção nas escadas interiores em caracol, que também apresentavam alguns problemas estruturais. Desse modo, em julho de 2016 a torre de menagem abriu ao público, tendo a intervenção, suportada pela autarquia, tido o custo de meio milhão de euros. 

Características

Exemplar de arquitetura militar, nos estilos românico, gótico, manuelino e maneirista, de enquadramento urbano, isolado, no topo de um outeiro em cuja encosta se estende a malha urbana da cidade de Beja.

O núcleo principal do conjunto fortificado que envolvia a cidade medieval é constituído pelo castelo, implantado no extremo noroeste.

O castelo apresenta planta pentagonal irregular, com barbacã parcialmente envolvente, irregular, a oeste, norte e um troço a sudeste; as duas cinturas de muralhas são rematadas por merlões paralelepipédicos sobre seteiras, internamente percorridas por adarve e reforçadas por cubelos e torres igualmente ameiadas de planta retangular e quadrangular, à exceção da torre leste, de planta pentagonal irregular, adossada externamente ao ângulo da muralha do castelejo, e de dois cubelos semicirculares que reforçam o troço sudeste da barbacã, rasgado lateralmente por duas portas em arco quebrado. Estas duas portas, que dão acesso à Praça de Armas, comunicam com outra, rasgada no pano de muralha entre os cubelos, e por outra, rasgada junto ao cubelo norte.

No seu interior, adossada aos panos norte e leste, ergue-se a chamada Casa do Governador, de dois pisos: o térreo com chaminé de ressalto e rasgado por vãos de arco pleno, um dos quais dá acesso a um túnel de comunicação com a barbacã a norte; e o superior, com janelas maineladas em arco cairelado de tijolo. O seu aspecto atual resulta de diferentes intervenções ao longo dos séculos. Acredita-se que a sua construção date do reinado de João II de Portugal (1481-1495) que aqui terá mandado construir um Paço para receber o Infante D. Afonso na sua lua-de-mel conforme registou o cronista Rui de Pina. Desta primitiva etapa ainda é possível observar os arcos góticos. A partir de 1640, após a restauração da independência, o edifício foi ocupado pelo exército como caserna e cavalariça, vindo a sofrer profundas obras de ampliação que lhe retiraram o seu cariz de habitação nobre. A terceira fase de intervenção data da década de 1930, por iniciativa da DGEMN, integrada no contexto de obras de recuperação, conservação e valorização do Castelo de Beja. Nesta etapa foram integrados os diferentes balcões provenientes de edifícios demolidos em Beja. O balcão de recanto, geminado, em mármore e granito, veio da antiga Casa dos Corvos, situada ao lado da Igreja de Santa Maria e que, segundo a tradição, fora paço dos bispos visigodos e, depois dos governadores muçulmanos de Beja. Atualmente a Casa do Governador é ocupada no piso térreo pelo principal Posto de Turismo da Cidade, cafetaria e WC, e, no segundo por um amplo espaço museal preparado para receber exposições temporárias.

A Torre de Menagem, com semelhanças à do Castelo de Estremoz, implanta-se no vértice noroeste, projetando-se para o exterior, elevando-se a c. 40 metros de altura, dividida internamente em três pisos, provida de adarve com matacães sobre cachorrada, rematada por parapeito de merlões prismáticos e coberta por terraço; apresenta volumetria escalonada e de diferente planimetria: o 1.º registo, correspondente aos dois primeiros pisos, é pentagonal e rasgado por vãos de diferentes perfis: na fachada voltada à praça de armas uma porta em arco quebrado, uma janela de balcão sobre cachorros e uma janela em arco ultrapassado, nas restantes fachadas frestas e janelas em arco quebrado; sobre este corpo, rodeado pelo adarve, o registo superior, de menor altura, recuado, igualmente prismático mas com pequenas torres poligonais nos vértices, correspondente ao 3.º piso, rasgado apenas por uma porta; abaixo do parapeito de merlões corre friso trilobado e sobressaem gárgulas zoomórficas. No interior, os três pisos da torre são ligados por escada helicoidal com 183 degraus, havendo uma única divisão por piso: de planta quadrada no 1.º e 3.º pisos e octogonal no 2.º; o 1.º piso é coberto por cúpula poligonal de nervuras sobre meias colunas e com fecho vegetalista, assente em trompas de ângulo sob as quais se abrem seteiras de capialços muito profundos, sobre o pavimento uma tampa funerária epigrafada assente numa pedra em plano inclinado; o 2.º piso, iluminado por 4 janelas, possui abóbada polinervada de combados, formando estrela de oito pontas, com terceletes entrecruzados, e decorada com bocetes vegetalistas, apoiada em mísulas com motivos antropomórficos; o 3.º piso é coberto com abóbada de cruzaria de ogivas. A envolvente paisagística exterior das muralhas a norte é constituída por relvados cortados por caminho longitudinal, enquadrado por árvores como oliveiras e ciprestes.

Do circuito muralhado medieval subsistem alguns dos 40 cubelos e torres e das 7 portas que integravam a cerca (primitivamente quatro - portas de Évora, de Mértola, de Avis e de Aljustrel -, a que se acrescentaram mais três com o correr dos séculos - portas de Moura, de São Sisenando e da Corredoura): a norte, entre o Arco Romano / Porta de Évora e a Porta de Aviz, o pano de muralha conserva as 4 torres e um corpo da barbacã; o Arco Romano / Porta de Évora encosta-se a uma das torres e a um troço de muralha e dá acesso à barbacã que rodeia a Torre de Menagem, do seu lado oeste; apresenta arco de volta perfeita com grandes aduelas, impostas molduradas e pés direitos formados por grandes blocos de cantaria aparelhada, tudo em granito; com uma moldura boleada superior, tem esculpida no vértice uma máscara humana. Este arco tinha ainda como decoração, nos cunhais, três águias de pedra, uma em baixo relevo, as restantes em alto relevo; hoje guardadas no Museu da Cidade. Sob o arco passa um troço de calçada romana de grandes lajes. Da Porta de Aviz resta um arco redondo, de impostas molduradas, semelhante ao da Porta de Évora; a nordeste a muralha reaparece reforçada por quatro torres até à Porta de Moura, de arco redondo elevado, com molduras duplas descarregando em pilastras de capitel liso, com dois medalhões circulares rodeados por coroas de louros, o do lado exterior cego, o oposto com a representação do cordeiro pascal; a leste o lanço mantem inteiras apenas duas torres e trechos das muralhas até ao começo da cerca do antigo Colégio da Companhia de Jesus, zona onde existem ainda dois torreões elevados e três panos de muralha; a sul, a muralha reaparece apenas no local das demolidas Portas de Mértola, onde permanecem as 2 torres flanqueantes, seguindo-se cinco panos de muralha reforçadas por quatro torres de planta quadrada, além de troços da barbacã; seguem-se três cubelos e troços de muro até à antiga Porta de Aljustrel; o lanço seguinte, a oeste, mostra vestígios de três torres quadrangulares e parte dos panos de muralha até ao Postigo da Corredoura ou de Nossa Senhora dos Prazeres, arco pleno de duplas molduras sobre pilastras; o último lanço mantem ainda quatro torreões e grandes troços da muralha, integradas no Hospital e servindo de terraço ao campanário de Nossa Senhora da Piedade.

Das fortificações modernas subsistem alguns vestígios arquitetónicos: do lado leste, o resto de um baluarte em alvenaria (existindo hoje no terrapleno o Albergue D. Mariana); a sudoeste, uma grande extensão do baluarte que rodeava a cerca de São Francisco (sobre a qual se apoia o Jardim Público); a sudeste são visíveis as linhas do parapeito e dos ângulos do baluarte (esplanada do Pavilhão de Assistência aos Tuberculosos).

  • Castle of Beja

  • Castelo e Cerca Urbana de Beja

  • Fortified City

  • 1253 (AC)



  • Afonso III of Portugal

  • Portugal


  • Featureless and Well Conserved

  • National Protection
    O “Castelo de Beja, designadamente a Torre de Menagem / Castelo e cerca urbana de Beja” encontra-se classificado como Monumento Nacional por Decreto de 16 de junho de 1910, publicado no Diário do Governo, n.º 136, de 23 de junho. A ZEP encontra-se definida pela Portaria de 2 de março de 1955, publicada no Diário do Governo, II Série, n.º 71, de 25 de março (castelo e muralhas, sem restrições), abrangendo: o arco romano de Beja, a Capela de Nossa Senhora dos Prazeres, o Hospital da Misericórdia de Beja, a Igreja de Santo Amaro e o Pelourinho de Beja.



  • +351 284 311 913

  • turismo@cm-beja.pt

  • Tourist-cultural Center

  • ,00 m2

  • Continent : Europe
    Country : Portugal
    State/Province: Beja
    City: Beja

    Largo Dr. Lima Faleiro
    Beja, Portugal


  • Lat: 38 -2' 58''N | Lon: 7 51' 55''W



  • Aberto o ano inteiro, exceto nos feriados de 01 de janeiro, 01 de maio e 25 de dezembro

    Horário: das 09h30 às 12h30 e das 14h00 às 18h00

    Torre: Novembro a Março: das 09h30 às 12h00 e das 14h00 às 16h30;

              Abril a Outubro: das 09h30 às 12h00 e das 14h00 às 17h30








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