Castle of Mertola

Mértola, Beja - Portugal

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O “Castelo de Mértola” localiza-se na freguesia e concelho de Mértola, distrito de Beja, em Portugal.

Em posição dominante sobre a povoação, na confluência da ribeira de Oeiras com a margem esquerda do rio Guadiana, revestiu-se de valor estratégico, não apenas pelas condições topográficas, que a tornavam quase inexpugnável por todos os lados, à exceção do nascente, mas ainda por comandar a travessia do rio Guadiana, e constituir-se em porto fluvial e ponto de passagem natural e obrigatório das comunicações terrestres de todo o Alentejo com o Algarve e o mar. De fato, até ao primeiro quartel do século XX, as comunicações terrestres entre Lisboa e o Algarve faziam-se quase exclusivamente pela estrada de Beja e Mértola, descendo-se depois o Guadiana até Castro Marim e, mais recentemente, até Vila Real de Santo António.

História

Antecedentes

A primitiva ocupação humana da região remonta à pré-história. Na sequência da invasão da cidade de Tiro por Alexandre, o Grande, em 318 a.C. os fenícios fundam "Myrtilis" com o significado de “Nova Tiro”. (ALMEIDA, 1943, 1949).

À época da Romanização a povoação conheceu um grande desenvolvimento, constituindo-se no centro de escoamento mineiro e agrícola do Baixo Alentejo. Neste período, a povoação era envolvida por uma muralha que corria paralela à atual, mas com um perímetro urbano superior. A via romana que ligava a Beja atravessava a muralha, vinda do norte.

A primeira referência histórica à povoação encontra-se na “Crónica dos Suevos”, do bispo Idácio, quando narra um episódio ocorrido em 440, de cuja leitura se pode inferir a existência de uma fortificação no local. Júlio César denominou a povoação de "Myrtilis Julia" (44 a. C.).

Conquistada e saqueada sucessivamente por suevos e visigodos, a partir do século VIII conheceu a dominação muçulmana, que a denominaram “Martula” (corrupção de “Myrtilis”). As defesas da povoação foram reparadas entre 930 e 1031. Diante a queda do Califado de Córdoba (1031), Mértola tornou-se um reino independente - a Taifa de Mértola -, rapidamente retomado por Al-Mutamid, da Taifa de Sevilha (1044). Um século mais tarde, sob o governo de Ibn Qasi (1144-1151), tornou-se novamente independente (2.ª Taifa de Mértola). Data deste período a construção do "ribat" na torre do lado sul da alcáçova. Nesta altura, é de admitir que tenham existido melhoramentos no sistema militar, pois a excelência das suas fortificações não passou despercebida ao geógrafo Muhammad al-Idrisi.

Em 1171, já sob o domínio do Califado Almóada, Abu Háfece, irmão do emir, mandou reparar e melhorar com uma torre a fortaleza. No último terço do século XII, sob o domínio almóada foram reparados e construídos panos da cerca que envolvia a povoação, assim como teve lugar a construção (ou reconstrução) do conjunto do portal do castelo, com o seu torreão semicilíndrico (1184).

O castelo medieval

À época da Reconquista cristão da região, as forças de Sancho II de Portugal (1223-1248) investiram para o sul, acompanhando as margens do rio Guadiana, vindo a conquistar Mértola (na margem direita) e Ayamonte (na esquerda) (1238). Ambas foram doadas à Ordem de Santiago, na pessoa de seu Grão-Mestre, D. Paio Peres Correia (1239). A Ordem, que já tinha sob sua responsabilidade a defesa de outras praças ao sul do país (Alcácer do Sal, Aljustrel, Palmela e outras), fez de Mértola a sua sede (Capítulo) no reino de Portugal (1240-1245 e 1316). Em 1254 D. Paio Peres Correia outorgou carta de foral à povoação. Data deste período a construção da torre de menagem, cujas obras foram concluídas em 1292 sob a direção do mestre João Fernandes, de acordo com inscrição sobre a porta da torre de menagem. Esta torre, bem como a alcáçova, foram a residência do alcaide-mor até ao século XVI.

Sob o reinado de Dinis de Portugal (1279-1325) a primitiva defesa foi reedificada, reconstruindo-se a alcáçova com o aproveitamento de partes mais antigas (portal, torre da Carocha), e deu-se início à muralha da vila, obras continuadas pelos seus sucessores, Afonso IV de Portugal (1325-1357), Pedro I de Portugal (1357-1367) e Fernando I de Portugal (1367-1383).

Sob o reinado de João I de Portugal (1385-1433) celebrou-se o 2.º Tratado de Monção (29 de novembro de 1389), por cujos termos celebravam-se tréguas por três anos com João I Castela (1379-1390) e fazia-se a restituição mútua de terras conquistadas: Portugal cedia a Castela Salvaterra de Miño e Tuy, e recebia desta Mértola, Noudar e Olivença, no Alentejo, e Castelo Melhor, Castelo Mendo e Castelo Rodrigo, no Ribacoa. Ainda neste reinado procederam-se obras de melhoramento na alcáçova e na cerca (1404).

Sob o reinado de João II de Portugal (1481-1495), na década de 1480 foi feita a construção da casa do alcaide-mor adossada à Torre de Menagem, tendo-se obliterado grande parte do adarve virado a noroeste.

Sob o reinado de Manuel I de Portugal (1495-1521), a povoação e seu castelo encontram-se figurados por Duarte de Armas no seu “Livro das Fortalezas” (c. 1509). Data deste momento uma carta de Nuno Velho ao soberano, sobre o estado das muralhas de Mértola (25 de fevereiro de 1510). A vila recebeu o Foral Novo em 1512, quando a sua defesa foi objeto de novos melhoramentos, conforme testemunha o Álvara real para se pagar a Francisco de Anzinho 94.260 reais pela cal que este forneceu para as obras de Mértola (15 de outubro de 1513).

Do século XVIII aos nossos dias

Até ao século XVIII o castelo integrou a 1.ª linha de defesa da fronteira, vindo a perder a sua importância militar e estratégica. Já em 1758, acusava ruína e não dispunha sequer de guarnição militar.

Entre o século XIX e o século XX, a economia de Mértola dependia da exploração das minas de São Domingos, um grande centro de extração de pirita cúprica.

O “Castelo de Mértola / Castelo e cerca urbana de Mértola” encontra-se classificado como Monumento Nacional pelo Decreto n.º 38.147, publicado no Diário do Governo, I Série, n.º 4, de 5 de janeiro de 1951, que revogou a anterior classificação como Imóvel de Interesse Público, pelo Decreto n.º 32.973, publicado no Diário do Governo, I Série n.º 175, de 18 de agosto de 1943. A ZEP encontra-se definida por Portaria de 16 de janeiro de 1970, publicada no Diário do Governo, II Série, n.º 37, de 13 de fevereiro (sem restrições, ZEP do castelo e Igreja matriz de Mértola). O conjunto encontra-se incluído no Parque Natural do Vale do Guadiana e no Plano Setorial da Rede Natura 2000: Sítio de Interesse Comunitário Guadiana (PTCON0036).

A Direcção Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais (DGEMN) continuou obras de consolidação e restauro pelos Serviços dos Monumentos Nacionais (1955).

A povoação e a sua antiga defesa sofreram da nos causados pelo terramoto de 2 de fevereiro de 1969.

O imóvel foi afeto ao Instituto Português do Património Arquitetónico (IPPAR) pelo Decreto-lei n.º 106F/92, publicado no Diário da República, 1.ª série A, n.º 126, de 1 de junho. Encontra-se afeto à DRCAlentejo, pela Portaria n.º 829/2009, publicada no Diário da República, 2.ª série, n.º 163 de 24 de agosto. Os terrenos adjacentes encontram-se afetos à Câmara Municipal de Mértola, por auto de cessão de 18 de janeiro de 1941.

O IPPC procedeu a intervenções de recuperação dos panos de muralha entre 1980 e 1982, e entre 1984 e 1986. Nova intervenção teve lugar em 2005, por iniciativa do IPPAR/DRE, visando a requalficação e valorização do interior do castelo.

Em razão da implantação de um projeto de revitalização, Mértola na atualidade é considerada uma vila-museu com diferentes áreas de intervenção e investigação, organizadas em três núcleos, em exposição na torre de menagem do castelo: o Núcleo Romano, o Núcleo Visigótico, que inclui uma basílica cristã, e o Núcleo Islâmico, onde se pode ver uma das melhores coleções portuguesas de arte islâmica (cerâmica, numismática e joalharia).

Características

Exemplar de arquitetura militar, românica, gótica, de enquadramento urbano, isolado.

O conjunto é composto por castelo de elevação compreendendo alcáçova e cerca, de panos verticais, reforçados por torres quadrangulares. O castelo inclui partes da muralha árabe e materiais romanos.

A alcáçova apresenta planta quadrangular, ligeiramente trapezoidal, reforçada por torres nos vértices: a de menagem no ângulo das muralhas da alcáçova, sobre a encosta mais alcantilada, apresenta planta quadrada, no ângulo virado a norte, saliente em relação aos panos da muralha; duas do lado sul, de planta quadrada; duas ladeando a porta principal, a leste, uma de planta quadrangular, a outra quadrangular com remate circular. A entrada, voltada à vila, era feita por um corredor em cotovelo, com duas portas. A porta da traição rasga-se na muralha virada a noroeste, a seguir à torre de menagem, protegida por barbacã. A muralha, envolvida em parte do circuito por adarve, é vertical, reforçada junto à torre sudoeste por largo contraforte de vários andares.

A torre de menagem ergue-se a c. de 30 m de altura, sobre alta base maciça, dividida internamente em dois pisos, com porta em arco quebrado sobrepujada pela inscrição de 1292, que abre para escada encostada ao pano sudeste, e várias frestas, a do lado noroeste marcada por três mata-cães. A torre é encimada por parapeito ameado com merlões prismáticos rematados por pirâmides; a sala de armas no 1.º piso, é coberta por abóbada de cruzaria de ogivas de 8 panos, possuía lareira e era iluminado por três frestas; uma escada rasgada na espessura da parede sul conduz ao piso superior, muito transformado, que deverá ter servido de residência, embora não restem vestígios dessa função.

A torre virada a sudoeste, denominada da Carocha que, como o nome indica, terá desempenhado funções de prisão, constitui uma massa cúbica com 4,70 m de lado, com acesso por escada a partir do adarve, coberta por terraço e rasgada por porta e janela; no interior, espaço coberto por cúpula hemisférica sobre trompas.

A torre do vértice oposto e as que ladeiam a porta de entrada, apresentam diferentes volumes: a da esquerda prismática, a da direita semicilíndrica, não sobem acima da muralha.

Na praça de armas abre-se a cisterna, coberta por abóbada de berço sobre três arcos torais.

A muralha que envolvia a povoação ainda permite vislumbrar a sua forma subrectangular, alongada no eixo norte-sul, com panos reforçados por torres de planta quadrangular: um grande troço do lado norte, a maior parte da muralha que se estendia para sul, a seguir à Torre da Carocha, e parte da muralha virada para o Guadiana. Essa cerca era rasgada pela porta da Misericórdia, sobre o Guadiana, a porta da Vila, do lado norte e pela porta do Buraco sobre a Ribeira de Oeiras. Dessas antigas portas resta a da Misericórdia, no caminho de acesso ao rio.



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Contribution

Updated at 20/05/2016 by the tutor Carlos Luís M. C. da Cruz.

Contributions with medias: Carlos Luís M. C. da Cruz (1).


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  • Featureless and Well Conserved

  • National Protection
    O “Castelo de Mértola / Castelo e cerca urbana de Mértola” encontra-se classificado como Monumento Nacional pelo Decreto n.º 38.147, publicado no Diário do Governo, I Série, n.º 4, de 5 de janeiro de 1951, que revogou a anterior classificação como Imóvel de Interesse Público, pelo Decreto n.º 32.973, publicado no Diário do Governo, I Série n.º 175, de 18 de agosto de 1943. A ZEP encontra-se definida por Portaria de 16 de janeiro de 1970, publicada no Diário do Governo, II Série, n.º 37, de 13 de fevereiro (sem restrições, ZEP do castelo e Igreja matriz de Mértola). O conjunto encontra-se incluído no Parque Natural do Vale do Guadiana e no Plano Setorial da Rede Natura 2000: Sítio de Interesse Comunitário Guadiana (PTCON0036).





  • Tourist-cultural Center

  • 3000,00 m2

  • Continent : Europe
    Country : Portugal
    State/Province: Beja
    City: Mértola



  • Lat: 37 -39' 44''N | Lon: 7 39' 53''W







  • Castelo da Ordem de Santiago



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