Castle of Marvão

Marvão, Portalegre - Portugal

O “Castelo de Marvão” localiza-se na freguesia de Santa Maria de Marvão, concelho de Marvão, distrito de Portalegre, em Portugal.

Ergue-se na vertente norte da serra de São Mamede, em posição dominante sobre a vila e estratégica sobre a linha da raia. Tinha como função a defesa da travessia do rio Sever, afluente do rio Tejo, o que lhe assegurou a atenção de diversos monarcas, expressa em diversas campanhas de obras que lhe conferiram o seu aspeto atual.

História

Antecedentes

A primitiva ocupação humana de seu sítio remonta possivelmente a um castro pré-histórico. À época da Romanização, de acordo com alguns autores aqui se terá localizado “Medobriga” que, objeto de disputa entre Pompeu e Júlio César, veio a ser conquistada por tropas deste último, sob o comando do propretor Caio Longino, em meados do século I. O interesse pela povoação derivava do fato se ser vizinha à estrada romana que ligava Cáceres a Santarém, na altura da ponte que cruzava o rio Sever (Ponte da Portagem).

Embora não haja mais informações acerca do período das invasões de Suevos e Visigodos, ao tempo da presença Muçulmana, entre 876 e 877 aqui esteve instalado Ibn Marwan al-Yil'liqui ("o filho do galego" ou "o galego"), líder militar e religioso sufista do al-Andalus que, rebelando-se contra o emir omíada de Córdova, Maomé I, estabeleceu uma espécie de reino independente sediado em Badajoz, que durou poucos anos, até à fundação do Califado de Córdova (929 – 1031).

No século X o local ainda era referido como “Ammaia de Ibn Marwan” e “Fortaleza de Ammaia”, pelo historiador cordovês hispano-muçulmano Isa Ibn Áhmad ar-Rázi.

O castelo medieval

No contexto da reconquista cristã de Alcácer do Sal (1158), as forças de Afonso I de Portugal (1143-1185) terão tomado a povoação aos muçulmanos entre 1160 e 1166.

Sob Sancho I de Portugal (1185-1211) foi perdida para as forças Almóadas sob o comando do califa Abū Yūssuf Yaʿqūb bin Yūssuf al-Manṣūr, na ofensiva de 1190-1191.

Quando da demarcação do termo de Castelo Branco (1214) Marvão já se incluía novamente em terras portuguesas.

Sancho II de Portugal (1223-1248) concedeu-lhe carta de foral (1226), visando manter esta sentinela avançada do território povoada e defendida diante das repetidas incursões oriundas de Castela à época.

Afonso III de Portugal (1248-1279) doou os domínios de Marvão aos cavaleiros da Ordem de Malta (1271). Pouco depois, em 1273, legou as vilas de Arronches, Marvão, Portalegre e Vide ao seu filho, o Infante D. Afonso de Portugal, irmão do futuro Dinis I de Portugal (1279-1325). Com a subida ao trono do segundo, o primeiro contestou abertamente os títulos do segundo, e mandou muralhar a vila aberta de Vide, processo que se encontrava em marcha em 1281. Em abril desse mesmo ano, D. Dinis impôs cercou à vila. Na iminência do assalto, chegou ao acampamento real uma embaixada do reino de Aragão, com a proposta de casamento do soberano com D. Isabel, futura Rainha Santa Isabel. Com a interveniência desta embaixada, acordou-se a paz entre os irmãos, vindo o infante a comprometer-se a derrubar todas as fortificações que havia empreendido em Vide, que incluíam uma torre e vários muros.

A partir de 1299, diante do matrimónio do infante D. Afonso com uma infanta de Castela, tendo em vista a proximidade dos senhorios deste com a raia, e diante de uma reclamação de Sancho IV de Leão e Castela (1284-1295), D. Dinis marchou outra vez contra o seu irmão, cercando-o em Arronches, Marvão e Portalegre, esta última caindo em outubro de 1299, e forçando aquele a buscar refúgio em Badajoz. Com a mediação da Rainha Santa, feitas as pazes entre os irmãos, D. Afonso permutou com D. Diniz as vilas que possuía no Alentejo, por Sintra, Ourém e outras distantes da fronteira, e uma certa quantia, paga anualmente. Estes castelos alentejanos foram então entregues a Aires Pires Cabral, tataravô do navegador Pedro Álvares Cabral, que deles prestou menagem, na função de Alcaide-mor.

D. Dinis confirmou o antigo foral de 1226 a Marvão e empreendeu-lhe obras de ampliação e reforço das defesas, destacando-se a construção da torre de menagem, iniciada em 1300.

No reinado de Fernando I de Portugal (1367-1383), aqui foi estabelecido um couto de homiziados (1378).

No contexto da crise de sucessão de 1383-1385, a vila e seu castelo tomaram partido pelo Mestre de Avis. O novo soberano e os seus sucessores concederam diversos privilégios à vila (1407, 1436 e 1497) com o fim de incrementar o seu povoamento e defesa. Nessa fase, foram procedidos também reforços nas muralhas, o que é constatado pela presença de cubelos que datam dos séculos XV e XVI.

Da Guerra da Restauração aos nossos dias

No contexto da Guerra da Restauração da independência portuguesa (1640-1668) as defesas de Marvão foram remodeladas, tornando-se um castelo da 1.ª Linha Defensiva.

Os trabalhos desenvolveram-se de 1641 a c. 1662, tendo sido iniciadas quando o abade D. João Dama empreendeu a reconstrução de um troço da muralha e barbacãs que se encontravam em ruínas, providenciou reparo nas portas do castelo e outros consertos necessários à conservação e defesa da vila que, ainda em 1641 sofreu assalto pelas forças espanholas.

Marvão bateu-se ativamente com a praça vizinha de Valencia de Alcántara, até à conquista dela pelas forças de D. António Luís de Meneses (1644). Posteriormente sofreu novo assalto das tropas espanholas (1648).

Um relato do engenheiro militar Nicolau de Langres deu conta de que, à época, as guarnições de infantaria e de cavalaria portuguesa da praça eram oriundas de Castelo de Vide, contando Marvão com cerca de 400 habitantes.

Em 1662 tiveram lugar obras nas muralhas, a cargo do engenheiro militar Luís Serrão Pimentel;

No contexto da Guerra da Sucessão Espanhola (1701-1714) a fortaleza de Marvão foi conquistada pelo exército espanhol (1704), para ser retomada em seguida pelas tropas portuguesas sob o comando do conde de São João (1705).

Um novo assalto espanhol à vila se repetiria décadas mais tarde, em 1772. (1762?)

No contexto da Guerra Peninsular (1808-1814), foi ocupada por tropas napoleónicas, libertando-se das mesmas em 1808.

Quando da Guerra Civil Portuguesa (1828-1834) Marvão foi tomada pelas tropas liberais (12 de dezembro de 1833), vindo a sofrer assédio pelas tropas miguelistas no ano seguinte (1834).

O “Castelo de Marvão / Fortificações de Marvão” encontra-se classificado como Monumento Nacional pelo Decreto n.º 8 228, publicado no Diário do Governo, 1.ª Série, n.º 133, de 4 de julho de 1922. A ZEP / Zona "non aedificandi" encontra-se definida por Portaria de 27 de abril de 1962, publicada no Diário do Governo, n.º 116 de 16 de maio. Encontra-se compreendido na Área Protegida da Serra de São Mamede.

A Direcção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais (DGEMN) iniciou em 1938 uma campanha de intervenção de conservação e restauro, a que se sucederam outras até ao final do século. No século XXI a DGEMN e a Câmara Municipal de Marvão vêm prosseguindo as intervenções, com o apoio da Liga dos Amigos do Castelo de Marvão, mantendo este património em bom estado de conservação.

Características

Exemplar de arquitetura militar, medieval (castelo e cerca urbana - fortificação em relevo, estratégica, de detenção, orientada para a Espanha), de transição (cubelos de transição - fortificação baixa com canhoneiras nos eirados), moderna (abaluartada, permitindo o tiro rasante), de enquadramento rural, coroando uma crista quartzítica na cota de 850 metros acima do nível do mar.

O castelo apresenta dois recintos interligados:

- O primeiro, no topo noroeste, possui cisterna, duas torres e um cubelo; a torre de menagem, no ângulo sul, de planta quadrada, é de feição primitiva, com frestas, porta em arco redondo com tímpano liso a descansar sobre impostas de recorte côncavo; a única sala que a torre possui, com abóbada sustentada por cruzaria de nervuras diagonais biseladas, dá acesso ao adarve; todas as quadrelas possuem adarve e parapeito inclinado; a noroeste rasga-se a porta da traição, em arco reto a descansar em impostas de recorte côncavo, dando acesso à barbacã, e daí ao exterior por túnel com bueira e porta em arco redondo; fortificando esta zona, um baluarte a oeste, interligado pela antiga barbacã com outro, a norte; a porta sudeste deste recinto, em arco quebrado, abre para uma barbacã que possui, do lado leste, uma porta em arco quebrado para o exterior, e do lado oeste, uma fortificação com canhoneiras que cobre a entrada. Este recinto apresenta três edifícios de um só piso, frestas para disparo de armas ligeiras e cobertura em telhado: são as edificações remanescentes dos antigos paióis e armarias.

- O segundo apresenta ângulo saliente e poterna a oeste; no tramo oposto, outra poterna; toda a muralha possui adarve e parapeito inclinado; na quadrela sudeste, uma torre de base quadrada que domina a entrada, fortemente defendida: quatro cubelos, dois dos quais estreitando uma passagem, junto à porta da cisterna grande, e dois recintos fortificados, com canhoneiras a sudoeste. No tramo sudeste ergue-se um forno da guarnição e, do lado oposto, antigos edifícios militares; na zona da entrada deste segundo recinto situa-se a cisterna grande do castelo; a primeira porta, que dá acesso a um pequeno patim, tem arco quebrado; a segunda porta, que dá acesso às escadas, é de lintel reto apoiado em impostas de recorte côncavo; a cisterna, de planta retangular, apresenta abóbada de canhão suportada por nervuras de cantaria em arco redondo, contando-se dez tramos; a água das chuvas era recolhida em reservatório construído no extradorso da abóbada e conduzida para o interior da cisterna por três bueiras existentes na abóbada, hoje tapadas; a água também se podia recolher através de outro acesso, com escadas, a noroeste.

A cerca urbana descreve um traçado grosseiramente trapezoidal, com adarve em todo o perímetro, parapeito inclinado, e é interrompida, nos pontos nevrálgicos da fortificação (entradas), por torreões retangulares, cubelos e por fortificações abaluartadas a proteger duas portas e um postigo: Porta de Ródão a norte, Porta da Vila a leste, e o Postigo do Sol a sudeste. Desde a Porta de Ródão ao Postigo do Sol, a fortificação apresenta barbacã. Nos pontos de vigia do amuralhado foram construídas vigias.

A lenda de Nossa Senhora da Estrela

Sem conseguir resistir ao avanço dos muçulmanos na região no século VIII, os habitantes da região abandonaram as suas terras para procurar refúgio nas montanhas das Astúrias, onde se mantinha viva a resistência cristã. Antes de partir, trataram de esconder as imagens sagradas.

Quando a Reconquista cristã alcançou a região, afirma-se que uma noite, um pastor guiado por uma estrela, dirigiu-se a um monte onde encontrou, entre as rochas, uma imagem de Nossa Senhora. Como sinal de devoção, foi erguido nesse local um convento franciscano – o Convento de Nossa Senhora da Estrela -, tendo a Senhora se tornado protetora do castelo.

Com relação a essa devoção conta-se ainda que, uma noite em que forças espanholas, conduzidas por dois traidores, se aproximavam sorrateiramente da vila para a assaltar, ouviu-se na escuridão uma voz feminina que bradava “Às armas!” Enquanto as sentinelas avisavam a guarnição para se pôr a postos, puderam ser vistos os espanhóis em fuga descendo a encosta, assustados.

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  • Featureless and Well Conserved

  • National Protection
    O “Castelo de Marvão / Fortificações de Marvão” encontra-se classificado como Monumento Nacional pelo Decreto n.º 8 228, publicado no Diário do Governo, 1.ª Série, n.º 133, de 4 de julho de 1922. A ZEP / Zona "non aedificandi" encontra-se definida por Portaria de 27 de abril de 1962, publicada no Diário do Governo, n.º 116 de 16 de maio. Encontra-se compreendido na Área Protegida da Serra de São Mamede.





  • Tourist-cultural Center

  • ,00 m2

  • Continent : Europe
    Country : Portugal
    State/Province: Portalegre
    City: Marvão



  • Lat: 39 -24' 12''N | Lon: 7 22' 47''W



  • São oferecidas visitas guiadas ao núcleo arqueológico de armaria nas dependências do castelo.



  • Castelo e cerca urbana: muralhas perpendiculares ao solo, a ligar torres maciças, com excepção da torre de menagem que possui sala interior; alvenaria de pedra disposta à fiada e argamassa de cal, com cunhais de silharia de granito. Fortificação abaluartada: paramentos escarpados de alvenaria de pedra disposta à fiada e argamassa de cal.


  • À época da Inquisição, assim como em Castelo de Vide, Marvão foi utilizada como um lugar de refúgio pelos judeus espanhóis, os chamados sefarditas.



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